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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço. Estamos no mês de Anália Franco, anotem, estamos no mês de Anália Franco, estamos no mês de Anália Franco.

 

Uma educadora espírita de São Paulo nos fins do século passado e princípios desse século. O espiritismo mal havia nascido, já dava entre nós seus primeiros frutos no campo educacional. Anália Franco foi uma pioneira da educação espírita.

 

Lembrem-se desse nome, Anália Franco, uma educadora espírita em São Paulo, Anália Franco.

 

Foi a 01 de fevereiro de 1856 que nasceu Anália Franco em Resende, no estado do Rio de Janeiro, a mesma terra em que nasceria também Eurípides Soares da Rocha, pioneiro da assistência social espírita na Alta Paulista, fundador da cidade de Tupã e do hospital espírita de Marília, nasceram ambos no estado do Rio e vieram ambos para São Paulo exercer as suas atividades espíritas.

 

Não se pode falar de Anália Franco sem lembrar três nomes da estirpe dos Rocha, Clélia Rocha, sua companheira e fundadora do Lar Anália Franco de São Manuel, Aristóteles Rocha e Eurípides Soares da Rocha, que colaboraram com ela nos trabalhos assistenciais e educacionais em favor das crianças abandonadas. O Lar Anália Franco de São Manuel, hoje com mais de uma centena de meninas abrigadas, surgiu do encontro de Clélia Rocha com o coronel Armando Simões, grande fazendeiro no município, que doou terreno e recursos para construção de um prédio adequado ao funcionamento da instituição. A família Simões incorporou-se à obra de Anália Franco através de sua discípula e companheira Clélia Rocha.

 

Jairo Simões, filho do coronel Armando Simões, substitui o pai na direção do lar, atualmente Zelo Simões substitui seu irmão no mesmo posto. A obra de Anália Franco prossegue e se desenvolve criando e educando centenas de meninas. No lugar de Clélia Rocha, está hoje a sua discípula Zenir de Oliveira, criada e educada no próprio Lar Anália Franco de São Manuel.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio, produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão 147, terceiro ano, direção e participação do professor Herculano Pires. Fevereiro, mês de Anália Franco, uma educadora espírita.

 

Amigo ouvinte, faça uma visita ao Lar Anália Franco de São Manuel, fica ali mesmo na Sorocabana, próximo a Botucatu, vá ver com seus próprios olhos o que é e como funciona um verdadeiro lar espírita para meninas, preste sua homenagem à memória de duas grandes educadoras espíritas, Anália Franco e Clélia Rocha e fique sabendo que outra educadora espírita, Alice Araújo, criada e educada no Lar Anália Franco, deixou seu nome gravado nos corações de centenas de meninas que hoje são mães de famílias espíritas semeadas por todo o Brasil. Preste a sua homenagem às educadoras espíritas, visitando o Lar Anália Franco de São Manuel.

 

Perguntas e respostas: entre no diálogo radiofônico do programa No Limiar do Amanhã Pergunte, ouça a resposta e se não concordar com ela, conteste-a. Estamos no ar para dialogar

 

Pergunta nº 1: Passagem do milênio

 

Locutor - Escreve o ouvinte L. Bastos, da Rua Munhoz: Professor, gostaria de ouvi-lo sobre a narrativa do livro Os Jardineiros do Universo da série escrita por Allan Kain, da Livraria Civilização Brasileira, que fala de uma nave mãe de trinta e três quilômetros de comprimento, bem como de um planeta maior do que a Terra já captado pela astronomia, o qual, segundo Allan Kain, vem vindo com a função de drenador planetário, devendo inclusive atrair para lá, milhões de almas da Terra para aquele exílio. Diz que o intruso transmite magnetismo primário, cujas forças coercitivas já estão testando os seus candidatos neste mundo. Fala também de Miríades, de bolhas astralinas, gelatinosas, oriundas da Terra e formadas com a finalidade de conduzir os desencarnados compromissados por aquele orbe. O Evangelho faz referência sobre a separação humana no Juízo Final.

 

J. Herculano Pires - Naturalmente o nosso ouvinte está empolgado com Os Jardineiros do Universo, entretanto esses jardineiros do Universo são bastante imaginosos. Nós precisamos ter muito cuidado nessa época de transição em que estamos vivendo no tocante aos livros que vêm anunciando coisas fabulosas sobre a passagem do segundo para o terceiro milênio. Nós já temos dito incessantemente, aqui neste programa, que não há nenhum mistério, nenhum milagre, nada de extraordinário nessa passagem. Os anos se sucedem naturalmente na Terra, desde que a Terra é Terra, e acontecimentos catastróficos ou de outra natureza sempre existiram no mundo. Mas não é por que nós vamos passar de uma contagem de tempo para outra contagem, que as coisas irão se subverter dessa maneira. O problema, colocado por esse livro O Jardineiro do Universo, é um problema que já figura nas obras de Ramatís. Quer dizer que os elaboradores, os redatores desse livro na verdade estão seguindo a mesma linha de mistificação e de absurdo que nós encontramos na obra de Ramatís. Imagine-se uma nave espacial de trinta e três quilômetros de comprimento, vindo colher almas na Terra. Ora, as almas não têm corpo material, não precisam de naves espaciais especialíssimas para o seu transporte. Além disso, quando, nos Evangelhos que fala da separação da humanidade terrena em duas partes, o Evangelho está aludindo simplesmente a um processo normal que marca o sistema de evolução dos mundos. Nós lemos, por exemplo n'O Livro dos Espíritos que os mundos evoluem na proporção em que a sua população se desenvolve, a sua população avança em conhecimento, em desenvolvimento mental, e moral e assim cresce espiritualmente. Ora, essas evoluções coletivas assinalam sempre divergências entre várias camadas. Existem certas camadas da população que não acompanham a evolução geral. É o que nós vemos hoje na Terra e vemos sempre em todas as fases da nossa evolução terrena: há momentos em que nós temos uma grande divulgação cultural como, por exemplo, no Renascimento, na fase do Renascimento, em que temos uma elite pensante que se distingue bastante da maioria das criaturas humanas. Essas divisões são naturais e, quando um mundo passa para um plano superior de evolução, é evidente que aquela porção de população, que não conseguiu acompanhar a evolução geral, necessita, não por castigo, não por castigo, mas apenas por uma questão, vamos dizer assim, administrativa, de ser transferida para um outro planeta que lhe ofereça condições mais favoráveis à sua própria evolução. Mas isso não implica absolutamente em medidas dessa espécie, de vir aí um outro planeta ou de vir uma nave espacial recolher almas, essa coisa toda. Isto é simples absurdo, é simples balela. No espiritismo não existe nada disso, isso são fantasias de espíritos imaginosos, como os homens imaginosos da Terra que inventam com muita facilidade as coisas mais absurdas. O que O Livro dos Espíritos acentua e nós vemos depois em Obras Póstumas de Kardec, a confirmação, através de numerosas mensagens muito esclarecedoras, é que haverá no terceiro milênio - ora vejam bem, terceiro milênio da civilização cristã são mil anos - durante esse terceiro milênio a Terra alcançará uma posição muito superior à que hoje se encontra. Ora isso é tão evidente que nós não precisamos de muita imaginação para compreender. Se, no primeiro milênio da Era Cristã... (não nos esqueçamos que nós estamos contando o tempo a partir do nascimento de Cristo, portanto são milênios da Era Cristã, não, milênios da formação do mundo). Ora no primeiro milênio da Era Cristã, nós tivemos um tipo de civilização em desenvolvimento que se acentuou e evoluiu bastante no segundo. O segundo milênio é esse em que nós estamos vivendo. Quem, por exemplo, tendo nascido no primeiro milênio, tivesse conhecimento do que hoje se passa no segundo milênio, ficaria estarrecido, porque a evolução foi enorme. Ora, a evolução no terceiro milênio será também bastante acelerada, bastante elevada. O planeta está crescendo, está evoluindo, está se desenvolvendo, ele vai atingir um plano mais elevado naquilo que chamamos no espiritismo "a escala dos mundos", onde há mundos desde os mais inferiores até os mais elevados. A Terra vai ser promovida, por assim dizer, na escala dos mundos, mas isso lentamente, através das leis naturais que regem a evolução dos homens, o progresso das humanidades planetárias, e que vai encaminhando então as almas que são, na verdade, os espíritos - e os espíritos, como nós sabemos, somos nós mesmos, porque nós não somos corpos, nós somos espíritos, apenas utilizando-nos de corpos materiais como instrumentos de nossa manifestação no plano da matéria. Então esses elementos todos vão também evoluindo e criando condições para que o mundo se apresente melhor. Deixemos de lado, portanto, todas essas fantasias que nada representam, são puras revivescências de superstições antiquadas, que certas pessoas e espíritos imaginosos, que são criaturas humanas como nós mesmos, inventam para engambelar por assim dizer, a Humanidade, e que muitos espertalhões se aproveitam disto para vender e ganhar através de livros e publicações diversas.

 

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Pergunta nº2 - Capelinos

 

Locutor - Continuação da carta do L. Bastos, Emmanuel em A Caminho da Luz cita o caso do transporte dos Capelinos para a Terra em levas de milhões para a evolução compulsória, mas não através de bolhas astralinas, nem em estado terrifico inconsciente como, descreve Alan Kain. Inclusive Emmanuel esclarece que Jesus, no astral de Capela, reuniu os exilandos prometendo-lhes sua vinda no futuro a terra a fim de consolá-los. Segundo Alan Kain, parece que os daqui partirão sem consolo nenhum. À vista de tão magno problema na hora que passa, quais as luzes mais claras a respeito, professor?

 

J. Herculano Pires - Eu acabei de falar sobre as obras de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese, são as obras fundamentais da Doutrina. Quem quiser compreender esse problema, do ponto de vista espírita, tem que consultar essas obras, ver os tópicos que tratam desse assunto. Quanto ao livro de Emmanuel, A Caminho da Luz, é realmente um livro precioso porque nesse livro ele nos oferece um panorama geral da evolução das civilizações terrenas, é uma súmula, por assim dizer, de toda evolução da Terra. Quando ele fala na vinda dos chamados Capelinos, chamamos de Capelinos porque eles vieram de um planeta que astronomicamente se chama Capela, com existência na constelação do Cocheiro. Essas designações são todas astronômicas, pertencem à astronomia. Ele, Emmanuel, fala que desse planeta, que é muito semelhante à Terra, veio para a Terra uma Humanidade que não pôde acompanhar a evolução do planeta em que vivia. Então eles vieram para a Terra, não como condenados, vieram aqui como alunos que, não tendo passado, por assim dizer, num exame final para o terceiro ano, tinham de repetir o segundo ano, simplesmente isso, vieram repetir o segundo ano na Terra, porque lá no planeta Capela instalou-se um ano mais adiantado, por assim dizer. Então, figuradamente, pensando assim, nós podemos compreender o problema de maneira mais simples, mas como vieram esses espíritos? Emmanuel naturalmente não fala disso, porque esses ainda são problemas que aindam escapam à nossa compreensão. Entretanto sabemos que os espíritos franqueiam naturalmente o espaço com seus próprios corpos espirituais, independente de conduções específicas para isso, independente de conduções materiais, da presença de planetas "sugadores" ou "drenadores" como esse de que fala o livro Os Jardineiros do Universo. Esses planetas são pura imaginação. As migrações de espíritos no espaço se dão naturalmente, com a transição dos espíritos de um planeta para outro através naturalmente da capacidade de voliçao como se costuma dizer, dos espíritos. Todo espírito que atingiu uma certa capacidade de autonomia, de viver por si mesmo, de compreender as coisas por si mesmo, todo espírito independente, autônomo, ele tem a capacidade de se projetar no espaço com facilidade, porque ele não possui o corpo material pesado que nós possuímos, ele possui o corpo espiritual de que falava o apóstolo Paulo. Um corpo leve de matéria rarefeita. Assim, precisamos compreender também o seguinte: que as migrações não se dão assim, em massa, elas se dão na realidade através do processo puro e simples da reencarnação. Se existe o nascimento, a vida e a morte, e se as gerações se sucedem umas às outras, uma geração se extingue, outra já está nascendo, já está se desenvolvendo. Então é claro que Deus dispõe, no mecanismo do Universo, por assim dizer, de leis precisas, naturais, através das quais ele pode proceder a todas essas medidas administrativas de transição de um planeta para outro, de mudanças de espíritos de um planeta para outro e assim por diante, de acordo com as necessidades do processo evolutivo da Humanidade. Para se compreender isso melhor é preciso saber que no espiritismo nós não consideramos a Humanidade com apenas terrena, a Humanidade é cósmica, ela é uma só, existe no Universo infinito através de mundos inumeráveis, incontáveis, nós não podemos saber quantos são. Ainda recentemente, astrônomos americanos consideraram que só na nossa galáxia, quer dizer, só no sistema estelar a que nós terrenos pertencemos, só nesta galáxia existem cerca de dois bilhões de mundos em condições de vida semelhantes à da Terra. Basta isso para compreendermos o que quer dizer uma humanidade cósmica, mas tudo se realiza no processo da evolução humana, através das leis naturais, das inflexíveis leis estabelecidas por Deus para todo o Universo.

 

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Pergunta nº3 - Exílio

 

Locutor - Existem então vários métodos para migração de almas rumo ao exílio?

 

J. Herculano Pires - Não se trata de mandar almas para o exílio, essa é uma interpretação nossa, muito inferior, que nos restringe a uma concepção de Deus como um juiz severo punindo aqueles que ele mesmo criou, simplesmente porque essas criaturas dele não tiveram a possibilidade de evoluir com a rapidez que ele desejava. Não, Deus não é um mestre escola do passado, fazendo os alunos ajoelhar-se sobre grãos de milho, castigando-os com a palmatória e coisa semelhante. Não. Deus é uma consciência universal muito superior à nossa, o conceito de justiça em Deus é infinitamente mais elevado que o nosso, portanto precisamos compreender que as migrações planetárias existem da mesma forma que as migrações continentai, aqui na Terra. Várias vezes já tivemos oportunidade de nos referir a isso, os continentes separados da Terra pelos mares permaneceram isolados durante muito tempo por falta de navegação apropriada, mas os homens, evoluindo, conseguiram descobrir os meios de navegação. O milagre das caravelas portuguesas, por exemplo, foi uma verdadeira conquista da Humanidade para o domínio do oceano, que permitiu, então, estabelecerem-se as ligações entre povos que eram completamente desconhecidos uns dos outros, isso, na própria Terra. Isso também acontece no espaço e agora não temos mais a navegação de caravelas mas, sim, a das naves espaciais, dos foguetes, das sondas espaciais e assim por diante, que estão estabelecendo as ligações entre a Terra e outros planetas.

 

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Pergunta nº 4 - Verdade

 

Locutor - Professor, o ouvinte Elpídio Galvão, da Rua Fernando Falcão, escreve: primeiro, admiro muito a sua inteligência, sua agilidade em confundir aqueles que fazem perguntas. Principalmente quando se trata de Cristo. Cada pergunta que fazem sobre o nosso Salvador, o senhor dá uma volta de quarenta anos no deserto para responder uma pergunta tão fácil para os que não têm Cristo. Dá bom resultado, caro professor?

 

J. Herculano Pires - Essa volta de quarenta anos no deserto deve ser válida, porque o senhor, como estudioso da Bíblia, o senhor deve saber que quarenta anos levaram os israelitas no deserto para encontrarem a terra de Canaã, quarenta anos para encontrarem o local onde ia nascer o Cristo, de maneira que eu aceito com prazer a sua afirmação de que eu dou uma volta de quarenta anos no deserto. Mas queria lembrar ao senhor o seguinte: as perguntas sobre o Cristo são geralmente perguntas difíceis, complexas, que exigem explicações mais longas do que as dadas apenas em duas ou três palavras. Nós não estamos aqui para responder telegraficamente às perguntas que nos são feitas, pelo contrário, nós gostamos de dar a pergunta mais clara possível e para que ela seja clara é necessário que seja explicada. Eu não uso apenas o título de professor, eu sou realmente professor, tenho essa profissão, aprendi didática e procuro usá-la, não apenas na classe, mas também no microfone. É preciso explicar as coisas de maneira clara e precisa. Agora o senhor, pelo que eu vejo, é um cristão, leitor do Evangelho, cultor do Evangelho, o senhor não aprendeu no Evangelho que não se deve fazer mal juízo do próximo? Por que o senhor me pergunta se dá bom resultado aquilo que eu estou fazendo, tentando lograr os outros com as minhas respostas? "Eu tenho habilidade para tapear", não é verdade? É isso que o senhor quer dizer. Pois bem, meu amigo, eu quero lhe dizer o seguinte, quem tapeia tem sempre um objetivo para isso, tem sempre uma finalidade lucrativa e eu vou esclarecer o senhor, também a respeito disso. Eu não pertenço a nenhuma igreja, eu não sou sacerdote de nenhum culto, eu não ganho um vintém com nada que faço no espiritismo, no espiritismo nós não temos clero, não temos pessoas... não temos profissionais da religião. A religião espírita é uma religião voluntária, quem quiser ser espírita, será por conta própria, nós não temos nem sequer o trabalho de catequese. Nós, espíritas, entendemos que o problema da religião cabe a cada um decidir se quer ou não seguir essa ou aquela, mas como também não somos salvacionistas, quer dizer, não temos a pretensão de que só o espiritismo salva as criaturas, nós não temos o interesse de fazer prosélitos, de conquistar adeptos. Não há um interesse material porque não temos igrejas. O centro espírita é um organismo civil, como uma sociedade qualquer, um clube registrado em cartório. Não é uma igreja com todo o seu ritual, seu aparato e seus sacerdotes remunerados, não. O centro espírita é um local de trabalho gratuito. Quando o senhor ouve falar que cobraram passes, cobraram consultas no centro espírita, pode saber que não se trata de centro espírita, trata-se de centros de sincretismo religioso afro-brasileiro, de macumba, de coisas semelhantes que nada têm a ver com o espiritismo, de maneira que eu não tenho nenhum interesse em tapear ninguém, eu estou aqui para colocar a luz em cima do alqueire, segundo ensinou Jesus. Eu estou convencido naturalmente de que tenho a luz do espiritismo comigo, não a luz total, mas ao menos uma fagulha dessa luz, porque estudei a doutrina e porque procuro compreendê-la. Então, atendendo a um objetivo natural de toda filosofia, porque toda filosofia tem por finalidade comunicar-se, ser comunicada aos outros, levar as suas conquistas ao conhecimento dos outros, pois ela pode em certos pontos atender a anseios, a dúvidas, angústias de pessoas que não encontram explicação para a sua própria vida, é nesse sentido que nós fazemos a divulgação espírita. Não é para fazer adeptos, porque nós não precisamos de adeptos para igrejas que não possuímos. Assim não há objetivo material meu em modificar, em iludir, em modificar o sentido das coisas e iludir as pessoas. Nós dizemos constantemente queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, e se você nos provar que está com a verdade, ficaremos com você, mas a verdade para nós não é o texto de um livro sagrado, não, senhor. A verdade para nós é comprovada cientificamente e demonstrada através da razão, se o senhor nos provar que a sua fé é verdadeira, nós aceitaremos, mas é preciso fazer a prova.

 

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Pergunta nº5 - Condenação

 

Locutor - Professor, ainda do ouvinte Elpídio Galvão. Quero que me responda uma pergunta: se Cristo não nos salva pela graça, pela sua morte na cruz e se não ressuscitou, somos os mais desgraçados do mundo quando ele afirmou mais de uma vez, "eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim" (João capítulo 14, versículo 6). E João capítulo 3, versículo 16: "Porque Deus ama o mundo de tal maneira que deu seu filho ao mundo para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado? Por favor, me responda, vá direto ao assunto, adeus.

 

J. Herculano Pires - Eu costumo ir direto ao assunto, essa sua recomendação não precisava ser feita, mas é evidente que o senhor queria que eu respondesse em duas palavras, "é isso e aquilo" Não, não é possível fazer assim, nenhum dos pastores da sua igreja é capaz de responder uma pergunta desta sem primeiro dar uma volta de quase quarenta anos no deserto. Faça a pergunta a um deles e escute a resposta. Mas o senhor se engana muito a respeito da nossa posição. Nós nunca dissemos nesse programa que Cristo não nos salva pela graça e que não existe ressurreição, que ele não ressuscitou, jamais dissemos isso. Quanto à morte na cruz, nós temos dito que não foi a morte na cruz que redimiu a Humanidade e isso é evidente no próprio texto do Cristo, porque, nos Evangelhos, Jesus não nos promete a salvação gratuita. Ele diz que temos de segui-lo e que ele nos oferece um peso leve para carregar, esse peso leve é o peso da compreensão espiritual, quando nós compreendemos o problema espiritual, nós não estamos carregando os pesados fardos dos fariseus e dos saduceus, que foram substituídos no século atual pelos fardos dogmáticos das igrejas com todas as suas obrigações impositivas aos crentes, não. Mas Deus nos concede a graça e Jesus é o intermediário da graça, por assim dizer. A graça de acordo com o espiritismo, é a força que Deus concede ao homem de boa vontade para vencer-se a si mesmo e evoluir espiritualmente. Jesus fez o sacrifício de descer à Terra, tornar-se uma criatura humana. Ele, um espírito sublime, encarnar-se como homem na Terra. Mas encarnou-se, se fez homem. Ora como homem, ele morreu na cruz, mas o que ele veio fazer não foi morrer na cruz, ele veio nos trazer o seu ensino, o seu Evangelho, esse Evangelho é que nos deve levar à salvação e, para os senhores, é uma salvação milagrosa. Para nós, espíritas, é um processo de evolução. O espírito evolui desprendendo-se da matéria, atingindo os planos espirituais. É nesse sentido que nós dizemos que não é a morte na cruz, não é o sangue derramado de Jesus que salva ninguém, a morte na cruz foi um crime bárbaro da Humanidade. O senhor acha que matar um justo, uma pessoa justa e santa como Jesus, pregando na cruz, derramando seu sangue, fazendo isso, a Humanidade se salvou? Isto é uma contradição, isto é um absurdo, isto é um ilogismo. O senhor precisa pensar bem nisso, se a Humanidade não tivesse pregado Jesus na cruz, ela revelaria um estado evolutivo muito maior do que ela revelou. Ela revelou naquele tempo um estado de barbárie, uma Humanidade bárbara, selvagem, crucificando Jesus, o mito do sangue de Jesus, da sua morte veio de um ensino de Jesus nos Evangelhos, quando ele disse, "eu sou o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". Essa expressão ele usou porque, naquele tempo, o senhor deve saber disso, os judeus iam ao templo de Jerusalém, compravam dos sacerdotes, que eram grandes negociantes, um carneirinho, um cordeiro que devia estar absolutamente puro, quer dizer, não devia ter nenhuma mancha no pelo. Se ele levasse um cordeiro dele mesmo, ele não entrava no templo, porque os sacerdotes sempre achavam alguma mancha no cordeiro, por mais puro que ele fosse. Tinha que comprar um dos sacerdotes, depois levava esse cordeirinho ao altar e lá existia o sacerdote incumbido de matar o cordeiro, matava o cordeiro e derramava o sangue no altar. O sangue dos cordeiros ali sacrificados era imediatamente conduzido por um conduto especial aos terrenos onde os sacerdotes plantavam, faziam suas plantações, o sangue ia adubar esse terreno e, então, o pecado daquela criatura estava limpo, quer dizer, esse era o rito do sangue, da purificação do espírito através do sangue dos animais. Jesus então disse "eu sou o cordeiro do mundo" porque ele sabia que iam matá-lo, ele sabia que a religião organizada, a religião judaica, feroz, dogmática, terrível, essa religião não ia perdoa-lo por pregar coisas que ela não admitia. Então ele sabia disso, ele disse "eu sou o cordeiro do mundo e assim como o cordeiro sacrificado tira para vocês o pecado do homem, o meu sacrifício representará para vocês alegoricamente, a salvação do mundo". Então baseando-se nisso, na letra e não no espírito do texto, as igrejas criaram o dogma de que o sangue de Jesus é que salva o homem. Ora, nós estamos numa época muito mais esclarecida, muito mais avançada da Humanidade. Os Evangelhos, o cristianismo, a história cristã, tudo isso foi amplamente estudado por professores universitários em todo mundo, que fizeram pesquisas extraordinárias. Eu queria dizer ao senhor o seguinte: não fique fechado nos ensinamentos de uma seita, procure conhecer o problema religioso em maior extensão, investigue o que está havendo no mundo a respeito de religião e o senhor verá que essas concepções do passado, presas à morte, ao sacrifício, ao sangue, Jesus crucificado. Essas coisas da Idade Média não podem mais existir no nosso tempo. Hoje nós não pensamos mais em Jesus crucificado, pregado na cruz, porque há dois mil anos que ele não está mais pregado na cruz. O senhor não se lembra que lá no Evangelho conta que Jesus ressuscitou? Agora o senhor vai dizer, "mas o senhor não acredita que ele ressuscitou pelo corpo de carne?" É claro que eu não acredito! Como eu posso acreditar nisso, se o próprio apóstolo Paulo, em que o senhor acredita, o senhor leia a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios e verá lá Paulo ensinando que o corpo espiritual é o corpo da ressurreição e que assim como Cristo ressuscitou diante os mortos, nós também ressuscitaremos. O próprio apóstolo Paulo, já naquele tempo, estava ensinando, no cristianismo primitivo, que a ressurreição de Cristo não era a ressurreição da carne. O senhor sabe o que é a ressurreição da carne? É a reencarnação. O espírito ressuscita na carne quando ele se reencarna, compreende? Mas a ressurreição de Jesus não foi reencarnação, foi a ressurreição de que falou o apóstolo Paulo. A ressurreição em espírito e verdade. O senhor compreendendo isso, talvez então compreenda também por que nós damos uma voltazinha de quarenta anos no deserto para atingir a terra de Canaã, porque é lá que vai nascer o Cristo.

 

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Pergunta nº6 - Parapsicologia

 

Locutor - Professor, referindo-se a uma entrevista de frei Albino [Aresi] ao jornal City News, edição de 13 de janeiro, pergunta o leitor Carlos Roberto Guedes, da Rua Engenheiro Saturnino de Brito, no Belém. Primeiro: na pergunta sobre a relação entre parapsicologia e espiritismo, a resposta está correta?

 

J. Herculano Pires - Eu verifiquei, o senhor me mandou um recorte do jornal e eu verifiquei por esse recorte algumas coisas curiosas, aliás talvez não precisasse nem isso, eu já conheço bastante frei Albino, já conheço através das suas conferências, de alguns escritos que ele tem feito, ele é um homem que conhece parapsicologia tão profundamente como um sapateiro conhece astronomia, exatamente isso. Ele fala de parapsicologia com a maior naturalidade, como se falasse de um assunto muito conhecido seu, diz os maiores absurdos. Eu costumo provar o que digo, está aqui na sua entrevista, na entrevista que o senhor me enviou, "A verdade sobre parapsicologia", publicada no City News, está aqui, quando se perguntou a ele o que é parapsicologia, frei Albino respondeu isso textualmente que eu estou lendo aqui, "o que é parapsicologia? "é a ciência experimental que trata dos fenômenos que giram em torno da psicologia aplicada e que, por isso mesmo, são chamados de fenômenos extraordinários, paranormais, extrassensoriais ou também, de fenômenos das ciências ocultas". Veja-se bem, quem conhece parapsicologia é capaz de cair de costas com uma resposta dessas porque dizer que parapsicologia estuda os fenômenos que giram em torno da psicologia aplicada, é um absurdo completo, por quê? Porque a parapsicologia estuda especialmente os fenômenos que não estão no campo da psicologia, por isso que ela se chama 'parapsicologia'. Parapsicologia quer dizer simplesmente o seguinte, a palavra 'para' figura aí como uma palavra grega, é um prefixo grego muito usado na nossa língua para designar aquilo que está ao lado, aquilo que é paralelo. Parapsicologia quer dizer ao lado da psicologia, fora da psicologia, a psicologia tem uma área determinada de fenômenos, são os fenômenos comuns da nossa vida diária, os fenômenos da nossa vida de vigília ou da nossa vida de sonho, mas sempre interpretados de um ponto de vista orgânico, fisiológico, e não de um ponto de vista psíquico. Essa foi a primeira crítica que o professor Rhine fez à psicologia, ao fundar a parapsicologia moderna. Ele esclareceu que havia um número imenso de fenômenos de que a psicologia não tomava conhecimento, por isso ele criou juntamente com o professor William McDougall, criou a parapsicologia moderna, com a finalidade de estudar esses fenômenos que nada têm a ver com a psicologia aplicada. Este é um blefe de frei Albino ou mais uma prova do seu desconhecimento do assunto. Logo em seguida, o senhor vê aqui, ele fala "que trata dos chamados fenômenos extraordinários". Quem falou em fenômenos extraordinários? Esses fenômenos extraordinários, é uma classificação do padre Quevedo, que é outro companheiro de frei Albino, fazendo a mesma barafunda a respeito dos problemas parapsicológicos. A expressão verdadeira é "paranormal". Então ele repete aqui "paranormal". Fenômenos paranormais, porque que são paranormais? Já vimos a função da palavra 'para', existem os fenômenos normais da psicologia, a percepção comum, nós olhamos, vemos as coisas e estamos percebendo pelos olhos, nós sentimos as coisas, estamos percebendo pelo tato. Mas existem fenômenos paranormais ao lado dos normais que a psicologia não estuda, esses fenômenos, então são os fenômenos objeto da parapsicologia, porque nós temos percepções extrassensoriais, percepções que não dependem dos sentidos. Quando nós vemos um fato à distância, quando nós vemos um objeto através de uma parede opaca, nós não estamos vendo com os olhos, porque os olhos não têm essa percepção, esta percepção é extrassensorial. Então, como vemos, não se trata de psicologia aplicada, de psicologia comum, mas, sim, de fenômenos paranormais, que a parapsicologia estuda com a finalidade de ampliar o campo das pesquisas psicológicas. A definição de frei Albino aqui é estúrdia, é absurda, é ridícula. Mas logo a seguir, no tocante a essa pergunta que o senhor faz de espiritismo, o que o frei Albino diz não podia ser outra coisa, tinha de ser forçosamente isso. Ele é frei, não é? Bom, então vamos ver o que ele diz aqui: qual a relação entre parapsicologia e espiritismo? A resposta de frei Albino: "Ambos tratam dos fenômenos extraordinários de paranormais, a parapsicologia procura dar-lhes uma explicação científica e experimental e o espiritismo parece dar-lhes uma explicação mística de origem extraterrena". O senhor já pensou nisso? Quem está me ouvindo, já viu besteira maior do que esta? Dizer que o espiritismo trata de dar uma explicação mística de origem extraterrena aos fenômenos paranormais, frei Albino, ele não sabe, é verdade, ele não sabe, a gente precisa compreender que ele não sabe, coitadinho. E deixar que ele vá para frente, mas ele não sabe que o espiritismo foi quem fundou a pesquisa dos fenômenos paranormais no mundo e quem disse isso não foi frei Albino, quem disse isso foi o grande fisiologista francês, prêmio Nobel de Fisiologia, Charles Richet, ao iniciar as suas pesquisas de metapsíquica; quem disse isso foi o professor Friedrich Zollner da Universidade de Leipzig, na Alemanha, ao iniciar as pesquisas da antiga parapsicologia alemã. Quem disse isso foi Sir Oliver Lodge, o grande químico inglês, Sir William Crookes outro grande físico inglês, autoridades mundiais nas suas matérias, ao fazerem as suas pesquisas no campo da ciência psíquica inglesa, disseram que estavam dando prosseguimento às pesquisas iniciadas pelo espiritismo, por Kardec, dos fenômenos paranormais. Ora então diante de uma coisa destas, dizer que o espiritismo procura dar uma explicação mística e extraterrena, é simplesmente absurdo. Não sei como jornais e jornalistas continuam a entrevistar e publicar entrevistas desta espécie com frei Albino, com o padre Quevedo, com frei Frederich e outros que só fazem repetir sempre essas mesmas coisas erradas dando informações completamente erradas ao público.

 

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A clarinada evangélica está soando no ar, vamos ver o que hoje nos oferece o Evangelho de Jesus, em espírito e verdade. Abrindo o evangelho ao acaso encontramos o seguinte, At. 24: 4-9: Mas para não se enfadar por mais tempo, rogo-te que na tua bondade nos ouças por momento, pois temos achado que este é um homem pestífero e que em todo mundo promove sedições entre judeus e é chefe da seita dos nazarenos, o qual também tentou profanar o templo. Nós o prendemos e tu mesmo, examinando, poderás tomar conhecimento de tudo aquilo de que nós o acusamos. Os judeus também concordaram na acusação afirmando que essas coisas eram assim.

 

Paulo havia sido levado à presença do governador Felix, porque ele estava sendo julgado em virtude de acusações dos judeus contra ele, ele devia ser levado ao Sinédrio e de fato foi. Mas, de lá, ele voltou para a prisão e, quando estava ainda preso, quarenta judeus, quer dizer, quarenta figuras importantes do judaísmo, se reuniram e juraram que matariam Paulo. Precisavam matá-lo porque ele era um mau exemplo, um homem que havia atingido a culminância de doutor da lei no Templo de Jerusalém, aceitar o Cristo, era um absurdo. Então diante disso Lísias, que era interessado na defesa dos problemas romanos na Judeia, conseguiu libertar Paulo dos judeus e Paulo foi conduzido ao governador Felix, que era também romano, que devia julgar Paulo. Por que, encaminhar aos romanos? Porque Paulo era cidadão romano. Naquele tempo, quem possuía cidadania romana não podia ser preso e julgado por nenhum outro país do mundo. Roma era dominadora absoluta e, justamente por isso, Paulo então foi conduzido a um julgamento superior. Ora, o que importa mais, nesse tema, é nós verificarmos que, ao se apresentar ao governador, Paulo estava convicto de que ele não tinha crime nenhum. E o próprio Lísias afirmara isso também, na carta enviada a Felix, mostrando que, na verdade, os judeus apontavam crimes em Paulo, crimes esses que só se referiam à lei judaica e, não, às leis romanas, que, portanto, Paulo não tinha motivo nenhum para ficar preso e para ser sacrificado. O que ressalta mais nesse texto, como importante para nós, do ponto de vista evangélico, é ver com que dificuldade a verdade espiritual prevalece na Terra. Já naquele tempo, a perseguição a Paulo era terrível, a ponto de quererem matá-lo, exterminá-lo, porque ele se sobrepunha aos convencionalismos da religião judaica e pretendia oferecer o Evangelho como sucedâneo das escrituras judaicas do Velho Testamento, da velha Bíblia judaica. Ora, o mesmo acontece hoje em nosso mundo e acontecerá até que o mundo consiga passar para um plano superior de evolução. Nós vemos sempre a oposição de todas aquelas pessoas que se ligam às religiões dogmáticas, contra o esclarecimento do Evangelho, que é proposto por aqueles que pretendem interpretar o Evangelho e conhecê-lo em espírito e verdade. Essa é a grande lição do texto com que hoje nos defrontamos. Lembrar que na verdade o que aconteceu a Paulo, naquele tempo, através de uma perseguição sistemática dos judeus, acontece também hoje na Terra, a todos aqueles que se opõem terminantemente às interpretações já superadas da religião. É preciso que se compreenda o Evangelho como o próprio Paulo escreveu, não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica.

 

Não se deixe levar pelos entendidos, leia os livros de Kardec, beba na fonte e não pelas mãos dos outros. Há palpiteiros demais neste mundo. Leia Kardec e aprenda por você mesmo, não é preciso ler tudo de uma vez, vamos devagar, amigo, devagar também é pressa.

 

"No Limiar do Amanhã", um diálogo sobre a vida e a morte.

 


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