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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

No Limiar do Amanhã: um desafio no espaço.

O problema do espírito e da sobrevivência espiritual do homem após a morte já não é mais uma questão de crença ou religião. É um problema de ciência, de pesquisa científica, de razão. Vai longe o tempo em que a descrença dos homens ilustrados desafiava e insultava a ingenuidade dos simples. Estamos na era do espírito e os cientistas viram as suas teorias materialistas se desfazerem diante de seus olhos no recinto dos laboratórios. Nenhuma pessoa dotada de cultura, atualizada no campo cultural, pode hoje dizer que não crê na existência do espírito e na sua possibilidade de comunicação.
A ciência espírita, pioneira da nova era, mãe de todas as ciências psíquicas modernas, está hoje confirmada pelas próprias ciências materialistas, que tanto a combateram e tanto a ridicularizaram. E as religiões dogmáticas, idólatras, formalistas e literalistas, que tanto amaldiçoaram o espiritismo e os espíritas, estão hoje abaladas em seus fundamentos e aproximam-se dos conceitos e dos princípios espíritas. A verdade cristã do espiritismo impõe-se a todas as inteligências lúcidas e equilibradas no seio de todas as religiões organizadas. Porque o joio está sendo arrancado da seara para que o trigo do evangelho possa crescer e dar em abundância, saciando a fome do mundo.
Cumpre-se a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade vem revelar toda a verdade, consolar os homens e defender a pureza essencial da mensagem cristã. Porque ele é a verdade, é o consolador e é o paráclito, que quer dizer: defensor. A morte não existe; a morte morreu porque os mortos continuam vivos e dão provas da sua sobrevivência em todo o mundo. Uma nova fé se eleva: a fé racional que não aceita imposições dogmáticas; uma nova educação começa preparar as novas gerações, a educação espírita, que reformará o mundo.
No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 85, segundo ano, direção e participação do professor Herculano Pires.
Amigo ouvinte, todas as semanas estamos no ar, nesse dia e nesse horário, para levar a você a mensagem do amanhã. Ligue o seu receptor para a Rádio Mulher de São Paulo, 730khz, para a Rádio Morada do Sol de Araraquara e para a Rádio Difusora Platinense de Santo Antonio da Platina, estado do Paraná. Todas as semanas nesse dia e nesse horário.
Perguntas e respostas. Ganhe o livro indicado na resposta dada a sua pergunta. Retire-o a partir de segunda-feira no horário comercial, no escritório da Rádio Mulher, a Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1111. Os ouvintes do interior receberão os livros pelo correio. Esta é uma promoção da Rádio Mulher e das editoras espíritas de São Paulo: Ediceu, Edigraf, Geem, Lake. Livro espírita é presente de irmão. Vamos repetir o endereço: Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1111.
Pergunta nº 1 - Como lidar com a mediunidade
Locutor - Professor, o senhor Armando Augusto de Oliveira, da Rua Antonio Foster, em Socorro, Santo Amaro, nos escreveu fazendo a seguinte pergunta:
Um espírito sem estar doutrinado pode prejudicar uma pessoa que tem mediunidade, mas não tem conhecimento da doutrina espírita?
Conta que esse caso é o de uma sobrinha dele que foi internada em um hospital espírita em Pinhal, para fazer um tratamento adequado, pois o espírito estava levando-a a possessão e ela não se alimentava também.
O ouvinte quer saber ainda, professor, como deve agir depois da saída da sua sobrinha do hospital, pois ela tem mediunidade de vidência e também ouve os espíritos falarem.
J. Herculano Pires - É evidente que uma pessoa que tem mediunidade, mas que não conhece espiritismo, que não está, portanto, preparada para o desenvolvimento dessa mediunidade e para a sua utilização, está sujeita, e bastante sujeita, a influenciações de espíritos mistificadores, negativos, obsessores.
Mas é bom lembrar-nos o seguinte: o problema da obsessão não é ligado à mediunidade, no sentido em que nós consideramos a mediunidade como um instrumento de ação e de missão do espírito aqui na Terra. A obsessão tanto pode atingir um médium como pode atingir uma pessoa que nós não consideramos como sendo médium. São numerosos os obsedados que vêm ao espiritismo, são encaminhados a sessões espíritas e ao tratamento nos hospitais espíritas, e, no entanto, não são médiuns. Por quê? Porque nós possuímos, como já dissemos aqui, a mediunidade generalizada. É uma faculdade que todo mundo possui, todas as criaturas possuem. A mediunidade é essa faculdade que nos permite ter pressentimentos, prever o futuro, às vezes em casos que nos tocam de perto, particularmente no campo afetivo, no campo das emoções, ter sonhos premonitórios e outras coisas assim. A mediunidade, portanto, esse instrumento, essa faculdade humana, que nos permite ver extra-sensorialmente, quer dizer, independentemente dos sentidos físicos e que é hoje objeto de estudos da parapsicologia.
Assim, não é a mediunidade a responsável pela obsessão de uma pessoa. A mediunidade, pelo contrário, serve para combater a obsessão, para afastá-la, para fazer com que na realidade o espírito obsessor também se alerte, desperte para a realidade das suas responsabilidades espirituais. Essa é a função da mediunidade.
O senhor fez bem de internar a sua sobrinha no hospital espírita de Pinhal, porque nos hospitais espíritas esse caso é encarado sempre de maneira mais compreensiva e mais ampla pelos médicos que tratam dos doentes.
Quando ela sair de lá, o que o senhor tem a fazer é encaminhá-la a uma boa organização espírita, um centro, um grupo espírita onde ela possa desenvolver realmente a sua mediunidade. Mas é preciso também fazer com que ela leia, com que ela estude a doutrina espírita.
Eu indico ao senhor, nesta resposta, o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec; não se esqueça: “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. O senhor precisa ir lendo esse livro e quando a sua sobrinha estiver em condições, fazer com que ela também o leia. Esse livro lhe dará uma visão mais ampla do espiritismo e do problema da mediunidade.
Existem uns livrinhos pequenos intitulados “Iniciação Espírita”, pertence a uma coleção; não é desses que eu estou falando. “Iniciação Espírita” de Allan Kardec é um livro do tamanho do “Livro dos Espíritos”, semelhante a ele.

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Pergunta nº 2 - Vozes de espíritos em aparelhos eletroeletrônicos
Locutor - Professor, o ouvinte João Olavo, da Rua Marquês de Itu, pergunta o seguinte:
Os espíritos são constituídos de ondas de alta freqüência e eletricidade?
Pergunta isso porque leu em uma revista que na Alemanha, em centro de parapsicologia, existe um aparelho chamado psicofone da Telefunken, em alta freqüência que capta vozes que não são da Terra. Dizem ser do além, e os técnicos fazem perguntas a essas vozes, as quais dizem as datas em que morreram etc. Gostaria que o senhor fizesse algum comentário a respeito.
J. Herculano Pires - Acredito que essa informação foi dada de maneira errada, porque o que existe na Alemanha, como nós sabemos, é um processo de gravação de vozes espirituais em aparelhos comuns de fitas magnéticas.
Nesses aparelhos, as vozes são gravadas como um processo de voz direta e ao mesmo tempo de escrita direta porque, como nós sabemos, esses dois fenômenos são bem conhecidos no espiritismo: o fenômeno da voz direta e o fenômeno da escrita direta. Dessa vez a escrita direta é feita através da própria voz, porque o meio técnico descoberto pelo homem, que permite a gravação em fitas magnéticas das vozes das pessoas, está sendo utilizado pelos espíritos para essa finalidade. Aliás, várias revistas brasileiras já trouxeram reportagens a respeito desse assunto, e nós já tivemos ocasião de dizer aqui várias vezes, que o Dr. Prof. Konstantin Raudive, na Alemanha, encabeça o movimento de pesquisa nesse sentido. Ele é um cientista bastante respeitado e considerado naquele país e em toda Europa, e apresentou, no último congresso internacional de parapsicologia realizado na própria Alemanha, nada menos que trinta mil gravações de vozes espirituais. Isso sim existe. Quanto a esse aparelho através do qual os espíritos falariam por si mesmos, independentemente da presença de um médium, aparelho que seria uma espécie de transmissor telefônico do além, esse aparelho tem sido um sonho constante dos pesquisadores, mas até agora pelo que sabemos, não há nada de realização nesse terreno.
Eu queria aproveitar a oportunidade para indicar ao senhor o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. É um livro que será de muito interesse para o senhor se colocar mais a par daquilo que Kardec realmente ensinou no tocante ao espiritismo e as pesquisas espíritas.Ele o ajudará a compreender bem esses problemas e a por de molho certas informações um tanto fantasiosas que nós costumamos receber.

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Pergunta nº 3 - Tabaco x álcool
Locutor - Professor, o ouvinte Renato Moretti de Santo Amaro, nos escreveu dizendo que vê a vida por outro prisma, pois teve a felicidade de falar com Chico Xavier pessoalmente quando ele esteve em São Paulo, no dia 29 de agosto último. Nessa ocasião Chico lhe disse: Moretti, mil vezes o cigarro do que beber cachaça que deixa a mente fraca.
Assim sendo professor, o ouvinte pergunta:
O cigarro não é um vício também? Diz que conhece muitos espíritas que fumam. Quer saber o que o senhor diz a respeito.

J. Herculano Pires - Os vícios são muitos. O mundo está cheio de vícios, e nós, as criaturas humanas, temos numerosos vícios.
Chico Xavier estabeleceu uma graduação de vícios, ao responder ao senhor, ao dizer que a cachaça ele considera naturalmente mais prejudicial que o cigarro, porque na realidade a destruição que o álcool produz no organismo é hoje indiscutível e traz conseqüências bastante prejudiciais para a criatura encarnada.
Não há dúvida que o cigarro é também um vício, embora, como costumo dizer aos fumantes, possamos classificá-lo antes como um hábito. É uma forma mais agradável para aqueles que fumam, do que dizer que é um vício.
É um vício também o cigarro; tem também as suas conseqüências no organismo; produz também os seus estragos orgânicos e para alguns pesquisadores, alguns estudiosos do assunto no campo médico, é tão nocivo quanto a cachaça.
De qualquer maneira o certo é que os vícios existem e que nós todos estamos sujeitos a eles. Há, porém, os que consideram que não estão em condições de evolução superior para se despirem de todos os vícios humanos, mesmo porque há certos vícios que prejudicam o indivíduo, mas não afetam os demais. E há outros vícios muito mais duros, muito mais ofensivos e agressivos, que são aqueles vícios como os da intriga, da calúnia, do mau pensamento, da maneira de encarar sempre as pessoas com desconfiança e de semear inverdades a respeito das criaturas. Há também o vício do julgamento e do mau julgamento, de julgar mal as pessoas.
De maneira que nós, espíritas, não podemos ter a pretensão no combate aos vícios, de querer fazer distinções ou de colocar esse vício ou aquele numa posição diferente da outra. Entretanto, precisamos também considerar o seguinte: que nem todos os espíritas pretendem e nem podem ser anjos, ser pessoas desprovidas das condições humanas em que nasceram e em que têm que viver; eles não podem evitar de passar pelas experiências que a sua vida atual na Terra lhes reserva. Muitas vezes um vício de que uma pessoa não se liberta, ou não pretende se libertar, porque acha que esse vício desta ou daquela forma o auxilia em alguma coisa, este vício decorre naturalmente de imperfeições da criatura humana. Mas, se ela procurasse se libertar dele, sem levar em consideração a existência de outros vícios mais profundos de que também devia se livrar, estaria perdendo tempo e gastando energias inúteis.
Não devemos, portanto, considerar que os espíritas tenham a obrigação de ser pessoas absolutamente sem vícios. Isso seria querer colocar os espíritas acima da humanidade atual, e o espiritismo não tem essa pretensão. Ele é uma mensagem de elevação espiritual, de redenção do homem diante das situações terrenas, mas não pretende ele, de forma alguma, que os espíritas sejam todos criaturas angélicas, superiores as outras que não praticam o espiritismo, que não aceitam, que não endossam.
Dessa maneira, não há nada demais em que existam espíritas que ainda se apegam a esses ou aqueles vícios. O que seria demais, de espantar, é que os espíritas realmente não tivessem nenhum vício. Por sinal, eu gostaria de indicar ao senhor um livro. É um livro que se chama “Cinzas do Meu Cinzeiro”. Esse livro é escrito pelo grande espírita, que o senhor certamente conheceu, chamado Manuel Quintão, Manuel Quintão. É editado pela Federação Espírita Brasileira.

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Pergunta nº 4 - Ideoplastia
Locutor - O ouvinte José Estibe Filho, da Avenida Jacutinga, em Moema, manda-nos o recorte do jornal “O Globo” do dia 02/10, e gostaria de saber se o senhor, professor, concorda com o que está escrito e se o artigo está de acordo com a doutrina espírita.
Diz que acredita na filosofia espírita, por isso gostaria de saber algo sobre essa reportagem. Finalizando, diz que ouve o programa todos os sábados e gosta muito.

J. Herculano Pires - Recebemos aqui a sua carta e o recorte. O recorte é de um artigo de Mozart Monteiro publicado no “Globo”. E Mozart Monteiro se refere aqui a frei Pellegrino Ernetti, monge beneditino e, na verdade, diz Mozart Monteiro, um sábio; tem 47 anos de idade, vive na abadia de Sant Georges, em Veneza, é cultor de música e tornou-se o maior especialista mundial da música que vem desde o século décimo quarto antes de Cristo, até o século décimo primeiro da nossa era.
É, portanto, como vemos, o frei Ernetti um grande músico. Entretanto, Mozart Monteiro continua o seu arquivo dizendo que ele se tornou também um grande cientista, um cientista de fama mundial. É verdade que nós não temos visto na galeria dos cientistas atuais o nome desse frei. Entretanto, pode ser que tenha escapado da nossa perspicácia. E o frei Ernetti inventou uma teoria muito curiosa. Diz ele que nós emitimos duas espécies de energias: a energia visual e a energia em forma de imagem, perdão, a energia visual que nos dá as imagens e a energia em forma de som. Então diz ele que tanto a imagem como o som, emitidas por nós, criaturas humanas, são indestrutíveis, permanecem através do tempo e podem ser captadas a qualquer momento. Afirma esse frei que com aparelhos especiais, nós poderíamos ouvir as vozes e ver as imagens dos homens que viveram a dez milhões de anos atrás, e pensa esse frei que ele descobriu uma máquina especial de fotografar no passado. Com essa máquina, com a máquina dotada de dispositivos muito particulares que aqui não são explicados, ele consegue fotografar no passado mais distante. E a primeira fotografia que ele tirou foi a do Cristo agonizando na cruz. Então considera que essa fotografia, que foi publicada pelo jornal “Corriere della Será”, da Itália, uma revista do jornal “Domenico del Corriere” e também pela “France Dimanche”, em Paris, com essa fotografia pretende ele provar que se pode fotografar o passado.
Ora, acontece que esse problema de fotografia, de coisas anteriores do passado, já é bastante conhecido no espiritismo sem a necessidade de máquinas especiais.
As fotografias do passado são tiradas da seguinte maneira: através daquilo que nós chamamos o fenômeno de ideoplastia. Muita gente conhece uma figura do Cristo, que está sendo, aliás, bastante divulgada em São Paulo através de folhetos distribuídos pela editora Edigraf; uma fotografia do Cristo que foi tirada na Alemanha, num congresso de metapsíquica, com a presença do médium polonês Guzik e do investigador alemão, que foi um dos primeiros do mundo a montar um laboratório de pesquisas espíritas em Berlim, o Barão von Schrenck-Notzing.
Essa fotografia, entretanto, interpretada pelo Barão von Scherenck-Notzing nos diz que, na verdade, é possível fotografar-se coisas do passado através de criaturas do presente. Porque a ideoplastia é o seguinte: uma idéia transmitida a um médium, que seja um médium dotado de capacidade de fenômenos físicos, ela pode ser plasticizada e assim na sua forma plástica, feita pelo ectoplasma, ela pode impressionar uma máquina fotográfica e nos dá então uma bela fotografia como essa do Cristo, que está sendo distribuída aqui em São Paulo.
Ora, essa fotografia foi muito discutida e o Barão Notzing, examinando atentamente e colocando o problema dentro das possibilidades da ciência espírita, chegou a essa conclusão: de que se tratava de uma fotografia transmitida telepaticamente por um espírito para o médium Guzik. E posteriormente as pesquisas mostraram que na realidade não se tratava de uma fotografia real do Cristo, mas sim de uma ideoplastia referente a um quadro do Cristo pintado por um pintor italiano da renascença no século XIV ou XV.
De maneira que a volta ao passado, que a máquina fotográfica teria feito, não foi tão longa como pretende o frei Ernetti. Acreditamos que o que se passou com ele não foi nada mais do que isso: uma fotografia ideoplástica do Cristo agonizante. De maneira que a teoria do padre Ernetti, do frei Ernetti, aliás, referente à permanência do som e da imagem, é uma teoria que pode ser considerada válida, mas não como ele a propõe, porque ele diz que nós estamos emitindo constantemente fontes de energia, segundo consta aqui desse artigo do Mozart Monteiro. Pois bem, se nós estamos emitindo fontes de energia, quer dizer, cada palavra que dizemos, cada som que produzimos e cada imagem que nós vemos – imagem, note-se bem, nós captamos do exterior – de maneira que a visão para nós é interior, ela não é exterior, ela não é uma emissão, ela é pelo contrário, uma captação das coisas do exterior; essas duas coisas, segundo o frei Ernetti constituiriam os elementos que permanecem através do tempo e podem ser captados a qualquer momento.
Para o espiritismo, essa teoria não tem nenhum fundamento, porque o que permanece através do tempo é o homem, o homem como espírito, e não emissões de fontes de energia que podia fazer. A fonte de energia é o próprio espírito, de maneira que o som que sai do homem não é uma fonte de energia, é uma vibração energética, é uma emissão energética. Que todas essas coisas permanecem no espaço e no tempo, nós acreditamos também, porque isso não só o espiritismo já nas suas pesquisas chegou a verificar, como também consta de grandes doutrinas espiritualistas do passado, como, por exemplo, a teoria do Akasha ou do Ákasha, dos indianos, que é a teoria de que existe um elemento no universo onde todas as coisas ficam fixadas, permanecem ali.
A propósito, há um livro muito curioso, que é um romance espírita mediúnico muito importante, lançado pelo doutor Valdo Vieira, atribuído a Balzac e na realidade Balzac está presente nesse livro. É um livro que se chama “Cristo Espera Por Ti”. Nesse livro, nós encontramos a presença de uma criatura numa região do espaço que ele chama de psicoteca. A psicoteca é uma espécie de biblioteca, mas no sentido psíquico, em que permanecem gravadas todas as reminiscências de todas as criaturas na Terra.

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Pergunta nº 5 - Doenças x motivo da punição
Locutor - Professor, o ouvinte José Dias Rodrigues da Silva, da Rua Coronel Oliveira Lima, em Santo André, nos escreve dizendo:
Existem aqui na Terra várias doenças que acompanham aqueles que a contraem por longos anos ou pela vida inteira. Podemos citar entre elas a tuberculose, a lepra, o câncer etc. Como é óbvio, cada doença tem a sua sintomatologia diferente, produzindo desse modo um tipo de sofrimento que lhe é peculiar. Cada uma dessas doenças cármicas, devem ter origem por infrações diferentes, segundo nós pensamos. Seria possível a gente saber quais os tipos de transgressões cometidas, por exemplo, por um doente de lepra?
J. Herculano Pires - Há algumas teorias a respeito no espiritismo, formuladas por diversas pessoas e há uma certa conotação de doenças com transgressões verificadas no passado. Mas tudo isso é ainda hipotético; tudo isso pertence ainda apenas ao plano das cogitações. Na verdade as punições determinadas pela lei de causa e reação variam ao infinito. Muitas vezes, uma possível doença que nós pensamos ser causar por determinada falta pode provir de outra muito diferente. Essas cogitações são muito difíceis porque escapam à nossa possibilidade de pesquisa. Existem naturalmente causa e efeito na determinação das doenças humanas e certas doenças correspondem, às vezes, a certas atitudes ou posições por nós assumidas no passado. Isto é inegável. Agora quanto a determinar com segurança quais as doenças que correspondem a tais ou quais transgressões, isso me parece que é muito difícil.

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Pergunta nº 6 - Holm é mercenário?
Locutor - O senhor Antonio Lara, da Rua Húngara, em Vila Ipojuca, Lapa, nos escreve dizendo o seguinte:
No “Tratado da Metapsíquica”, volume segundo, página cento e dez, editado pela Lake, o médium Daniel Home diz ter recebido uma mensagem de Kardec no exato momento de sua desencarnação, lastimando-se de haver ensinado espiritismo. Eis a mensagem: “lastimo haver ensinado a doutrina espírita”. Diz aqui no referido trecho que a mensagem foi transmitida na presença do Conde Duraven. Eu ponho dúvidas na referida mensagem porque Home além de nunca ter aceito o espiritismo, era médium mercenário. Home quando desencarnou estava filiado à igreja grega ortodoxa. Gostaria professor, de ouvir a sua opinião a respeito.
J. Herculano Pires - Não há dúvida que essa mensagem de Kardec não é legítima, e nem podia ser, pois como poderia Kardec, logo no momento da sua desencarnação, transmitir uma mensagem de arrependimento daquilo que ele havia feito com tanto amor e tanto devotamento e com tanta certeza das experiências, dos resultados obtidos nas suas pesquisas? Além disso, Kardec manifestou-se logo após a sua morte através de vários médiuns na França. A própria “Revista Espírita” de Kardec, no volume constante do ano seguinte ao seu desencarne, ou melhor, no próprio ano do seu desencarne, esse volume traz numerosas comunicações de Kardec, muito boas, com o seu próprio estilo e com as suas próprias idéias de maneira bem definida.
Ao contrário dessa mensagem, Kardec, nas mensagens recebidas lá na França, ele procurava desenvolver, incentivar os seus adeptos a prosseguirem na campanha do espiritismo e desenvolver a doutrina de acordo com as suas possibilidades de visão do mundo espiritual.
Também através de Léon Denis, ou seja, não de Léon Denis como médium, mas das sessões mediúnicas de Léon Denis, Kardec deu importantes comunicações que figuram nos livros de Léon Denis.
As comunicações de Kardec realmente são bastante importantes do ponto de vista doutrinário, e se não o fossem, não poderiam ser consideradas como dele.
Entretanto, o senhor não tem nenhum direito de dizer que Daniel Douglas Home, o famoso médium escocês, era um médium mercenário. Pelo contrário, ele foi um homem puro no tocante a todas as suas atividades. O fato de ele não haver aceito o espiritismo não quer dizer absolutamente que ele fosse um indivíduo mercenário e que estivesse dando essa mensagem falsa de Kardec com essa intenção, ou seja, por ter interesses na questão. Não, Daniel Douglas Home era praticamente um gentleman escocês. Era um homem de alta cultura, de fina sensibilidade e muito respeitado no seu tempo.
O senhor encontrará na própria “Revista Espírita” de Allan Kardec, numerosas referências a Daniel Douglas Home e até mesmo a defesa de Daniel Douglas Home quando certas pessoas na França e na Inglaterra tentaram lançar sobre ele o descrédito. Kardec defendeu Home e o defendeu com entusiasmo porque via nele um médium admirável. Se Douglas Home não se tornou espírita e acabou se filiando à igreja ortodoxa grega é porque como Conan Doyle acentua no seu livro “A História do Espiritismo”, Douglas Home era uma criatura extraordinariamente sensível e flutuava, por assim dizer, de acordo com as emoções despertadas por ele no meio em que se encontrava.
Assim ele era atraído, às vezes por uma congregação protestante, às vezes por uma igreja – ele chegou a se filiar a igreja católica apostólica romana numa fase em que ele havia perdido a mediunidade; ele passou alguns meses sem nenhuma manifestação mediúnica. Nesse tempo, sendo se tornado grande amigo de um padre católico, ele se tornou católico. Posteriormente ele rompeu com o catolicismo ocidental e filiou-se ao catolicismo oriental, ligando-se à igreja russa e posteriormente à igreja grega.
Ora, então nós vemos que essa atitude de Douglas Home era uma atitude natural num homem naquela sensibilidade, num século em que os formalismos eram bastante importantes para todas as criaturas e que toda a cultura do tempo era formalista. O próprio acervo cultural de Douglas Home o levaria para isso. Conan Doyle diz o seguinte: que Douglas Home era, sobretudo, um homem solitário, que desejava integrar-se num agrupamento humano com o qual pudesse afinar-se e no qual encontrasse as simpatias e o apoio necessário, principalmente o apoio afetivo de que carecia. Então, diz Conan Doyle, ele procurava aninhar, colocar assim num ninho o seu desejo de aproximação humana dentro de uma seita, e que nunca pôde parar em nenhuma seita, porque as suas próprias convicções íntimas diante dos fenômenos mediúnicos eram muito mais amplas do que os princípios de todas as seitas do seu tempo.
Ora, o fato de Douglas Home ter recebido uma mensagem falsa de Kardec também não quer dizer nada contra o médium. Realmente o médium está sujeito, principalmente em momentos emocionais, a essas infiltrações, a essas interferências de espíritos perturbadores que pretendem servir-se deles para lançar confusão no meio das pessoas que estudam o assunto. Naturalmente Douglas Home no momento de fraqueza mediúnica ou de dificuldade de captação, aceitou uma mensagem que ele não poderia aceitar, porque na realidade ele conhecia Kardec e sabia que Kardec não era homem de vacilar e de trocar de posições tão facilmente.
Mas se nós não aceitamos a mensagem de Kardec transmitida por Douglas Home e que não tem nenhuma autenticidade para ser aceita, entretanto não devemos malsinar o médium, que foi vítima naturalmente de uma interferência mistificadora.

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Pergunta nº 7 - Mesma mensagem por espíritos diferentes
Locutor - A ouvinte Luiza Greco, da Alameda Santos, nos escreve dizendo que gostaria de saber se é possível um médium receber uma mensagem de um determinado espírito e outro médium receber a mesma mensagem com o nome de outro espírito.
Por exemplo: uma mensagem pelo espírito de Caxias e a mesma mensagem psicografada por intermédio de outro médium pelo espírito de Dolores.

J. Herculano Pires - É claro que esse seria um caso – como tem havido algumas vezes – um caso estranho, porque não é possível que dois espíritos diferentes dêem a mesma mensagem com a mesma exatidão, com os mesmos termos. Entretanto, acontece às vezes que o espírito, transmitindo uma mensagem para um médium telepaticamente, ele pode atingir um outro médium, isso ocorre também nas pesquisas telepáticas modernas. Sabe-se que muitas vezes na transmissão telepática efetuada de uma pessoa humana para outra, no laboratório de parapsicologia, é captada à distância por uma outra pessoa que não estava preocupada com aquilo.
Esses fatos passam-se, portanto, também no mundo espiritual. Aqui mesmo em São Paulo ocorreu, não faz muito tempo, um fato curioso: uma senhora que tinha o seu marido numa casa de doença mental, em estado de grande perturbação, ao visitá-lo certo dia recebeu dele um soneto; ele lhe deu um soneto muito bonito e ela achou muito curioso o soneto, mas assinado por ele mesmo, pelo marido. Ela gostou muito do soneto e guardou. Mais tarde sai publicado um livro de Chico Xavier e ela compra esse livro para ler e encontra ali aquele mesmo soneto, com todas as vírgulas e pontos, quer dizer, igualzinho o soneto que o marido lhe havia dado, mas com o nome de um poeta conhecido. Ela teve a paciência de levar para mim esse livro e o soneto do marido, com as testemunhas que eram pessoas idôneas que conheciam o fato, no centro espírita Renovação, e tivemos ocasião, tanto eu como os diretores do centro, de examinar o fato que achamos realmente curioso.
Então perguntava ela, como podia ter sido isso? É fácil de explicar-se. O marido estava perturbado por entidades espirituais; ele tinha, portanto, faculdades de percepção extra-sensoriais aguçadas pelo processo obsessivo em que se encontrava. Ele captou esse soneto que certamente estava sendo transmitido à distância para o Chico Xavier; ele também captou na mesma hora. Isso é uma bela comprovação da realidade da transmissão mediúnica.
Pois bem, nesse caso que a senhora cita aqui, o que a senhora deixa entrever na sua pergunta, pode ter havido a mesma coisa: o médium que recebeu a mensagem inicial, a mensagem original, assinou naturalmente o nome do espírito que a transmitia, mas o outro que a captou a distância, assinou o nome que lhe ocorreu no momento. Houve aí uma interferência talvez do próprio médium na comunicação mediúnica no final dela, porque ele podia ter, por um motivo ou outro, repelido o nome do espírito e entendido enquanto recebia a mensagem que ela devia pertencer a Maria Dolores.
É assim que se pode dar uma explicação possível para esse caso. E por sinal eu vou indicar a senhora um livro curioso em que a senhora encontra muito de explicações a respeito dos problemas mediúnicos, é o livro “Chico Xavier Pede Licença”.

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Pergunta nº 8 - Dia do juízo final
Locutor – Continuando, diz o senhor Pedro que está satisfeito com as respostas anteriores e gostaria de mais alguns esclarecimentos.
Primeiro: o que vem a ser dia do juízo final, termo do novo testamento, se o nosso espírito passa por encarnações diversas até a suprema perfeição?
J. Herculano Pires - Essas expressões alegóricas do novo testamento como as do velho testamento podem ter às vezes as mais diversas interpretações. Mas na verdade não existe o juízo final no sentido que entendem as várias religiões. Esse juízo final total no dia do juízo ou o dia da ira, como chamam, em que Deus iria julgar em definitivo todas as criaturas, é simplesmente um símbolo, uma alegoria.
O juízo final na verdade existe para todos nós depois que terminamos a nossa existência na Terra. Mas nós não vamos nos colocar diante de nenhum tribunal divino, não encontraremos nenhum arcanjo de espada na mão, nem ouviremos uma voz de trovão descendo do espaço; quem vai nos julgar é a nossa própria consciência. Uma vez terminada a existência terrena, passando para o plano espiritual, nós nos encontramos então diante do nosso próprio juízo final que é pessoal e intransferível. Só dessa maneira poderemos entender essa alegoria.

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Pergunta nº 9 - Expulsões de demônios
Locutor - O que quer dizer as expulsões de demônios que também o próprio Jesus realizou?
J. Herculano Pires - As expulsões de demônios que Jesus realizou, e não só ele mas também os apóstolos, os seus discípulos, e que nós sabemos que em toda a antiguidade foram realizadas, não somente dentro do judaísmo, mas nas várias religiões do oriente e também nas próprias religiões mitológicas, tanto na Grécia quanto em Roma – na Grécia antiga e na Roma antiga –, havia o processo de expulsão de demônios das pessoas possessas, nas pessoas endemoniadas. Assim, não há nada de extraordinário no fato de Jesus expulsar demônios também.
O que para nós é significativo e importante, é que Jesus com essa prática referendava esse processo e nos ensinava que na realidade é necessário afastar os caridosamente os obsessores das pessoas obsedadas. Os demônios, no sentido de satanás, do anjo condenado, também não existem. O que existe, que é chamado demônio, são os espíritos inferiores, sofredores, às vezes bastante atrasados e, portanto, vingativos que perseguem criaturas humanas e que praticam atos que levam essas criaturas a pensarem que estão assediadas pelo demônio. Então é necessário que os expulsemos, não no sentido de uma expulsão violenta, mas sim de um afastamento da criatura que lhes obsedam, que lhes perturbam, porque só assim conseguimos libertar tanto ele como a criatura perseguida de uma situação negativa em que ambos se encontram.
Jesus, fazendo a expulsão dos demônios, referendou então com antecedência aquilo que nós hoje continuamos a praticar no espiritismo. Mas é bom notar que não é apenas o espiritismo que expulsa espíritos maus de pessoas sofredoras. Na própria igreja católica, como sabemos, existe a prática do exorcismo concedida por autoridades eclesiásticas a padres que revelam condições exigidas pela igreja para praticar o afastamento dos demônios.
Nas várias denominações protestantes nós encontramos também as mesmas práticas. De maneira que o fenômeno da expulsão dos demônios continua sendo uma realidade em todas as religiões cristãs, e ao mesmo tempo no oriente, nas religiões orientais que se distanciam do cristianismo, nós encontramos também práticas semelhantes.

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Pergunta nº 10 - Onde esteve Jesus
Locutor - Os evangelhos falam em Jesus dos dias de nascimento até os doze anos de idade, que é quando ele se encontra entre os doutores do além. Depois silenciam para novamente falar, quando praticamente se acha as vésperas da crucificação.
Pergunta o ouvinte:
Que fazia ele nesse espaço de tempo? Como foi sua adolescência e mocidade? Não realizou nada digno de nota nesse ínterim? Os orientais dizem que esteve na Índia aprendendo ioga e filosofia. É verdade que não sabemos desse período em suas atividades terrenas. Por isso gostaria da explicação teológica.
J. Herculano Pires - A explicação teológica não poderia ser dada por mim porque não sou teólogo. A teologia pouco explicaria disso, porque a teologia na verdade não se interessa pela história e sim pela filosofia. A teologia é praticamente a filosofia da religião. Como sabemos, teologia quer dizer estudo de Deus ou ciência de Deus. Ora, para estudar Deus, para fazermos a ciência de Deus, conhecer o que é Deus nós temos então de nos aprofundar não na história das religiões ou na história dos fundadores de religião, mas sim nos princípios fundamentais por eles dados e naquilo que nós consideramos a essência suprema do universo que poderia ser alcançada pela nossa inteligência. Os teólogos na verdade são homens muito pretensiosos. Já dizia Descartes que os teólogos se consideram mais do que homens. Na verdade assim é, e nós não desejamos ser assim, nós continuamos sendo simplesmente homens.
No tocante a esse problema do tempo em que Jesus praticamente dentro do relato evangélico parece não ter existido, pois não aparece, é preciso lembrar que os evangelhos não constituem uma biografia de Jesus, nem foram escritos com essa intenção. Os evangelhos foram escritos com a finalidade de transmitir a doutrina de Jesus, os seus ensinamentos fundamentais; essa que é a função do evangelho e justamente por isso a parte histórica do evangelho é mínima, apenas referente àqueles atos, aquelas atitudes de Jesus ou aqueles episódios da sua vida que correspondem ao seu próprio ensino, que reforçam esse ensino ou que servem para exemplificar esse ensino.
Quando os evangelhos passam por cima de certas fases da vida de Jesus é porque essas fases foram realmente obscuras para ele, para os evangelistas. Os evangelistas foram homens que acompanharam Jesus, que participaram da sua pregação ou que foram discípulos dos apóstolos de Jesus, e conseqüentemente eles estão com a sua atenção voltada para aquela parte da vida de Jesus em que ele se impôs ao mundo, transmitindo a sua revelação espiritual.
Quanto às lendas a respeito da ida de Jesus, seja para o Egito, seja para a Índia, ou da sua permanência entre os Essênios onde teria aprendido isso ou aquilo, na verdade tudo isso não passa de lendas. Nós não temos, nas pesquisas históricas sobre a vida de Jesus, particularmente nas pesquisas mais autorizadas feitas atualmente e atualmente consideradas no mundo como válidas, pela profundidade dessas pesquisas e pela minuciosidade que foram feitas, nós não encontramos nelas nenhuma comprovação dessas fugas de Jesus para esse ou aquele país, ou da sua permanência entre os essênios.
Assim, nós aqui podemos dizer: devemos nos contentar com aquilo que o evangelho nos oferece de Jesus, porque era o que realmente os evangelistas nos poderiam dar.

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Pergunta nº 11 - Ingresso na doutrina
Locutor - Finalmente o ouvinte nos pergunta:
O que fazer para ingressar na doutrina espírita de maneira esclarecida?

J. Herculano Pires - A maneira esclarecida de se entrar na doutrina espírita é começar pela leitura do livro de Allan Kardec, “Iniciação Espírita”. Por sinal, o senhor pode procurar este livro no escritório da Rádio Mulher, na Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira. O senhor pode procurar lá este livro e recebê-lo como uma doação do programa No Limiar do Amanhã e da editora Edicel.

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Convidamos os nossos ouvintes: Renato Moretti, Armando Augusto de Oliveira, João Olavo, José Itibi Filho, Luiza Greco e Paulo Arguia de Machado a passar, a partir da próxima segunda-feira, no escritório da Rádio Mulher, na Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111, e retirar os livros que foram indicados neste programa.
O Evangelho do Cristo em espírito e verdade. Não se apegue à letra que mata, procure o espírito que vivifica. Abrindo o Evangelho ao acaso, encontramos em João, no capítulo dezoito, o seguinte: Pilatos interroga Jesus. Pilatos tornou a entrar no pretório, chamou a Jesus e perguntou-lhe: es tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: dizes tu isso por ti mesmo ou foram outros os que to disseram de mim? Replicou Pilatos: por ventura sou eu judeu? A tua própria nação e os principais sacerdotes entregaram-te nas minhas mãos. Que fizeste? Respondeu Jesus: o meu reino não é desse mundo; se o meu reino fosse desse mundo, os meus súditos pelejariam para não ser eu entregue aos judeus, mas agora o meu reino não é daqui.
Esse trecho do evangelho de João nos dá uma visão do reino de Deus que Jesus trazia para estabelecer na Terra como algo que não podia ser implantado imediatamente. Nós vemos Jesus responder a Pilatos que o seu reino não era deste mundo, pois se o fosse, os seus discípulos, seus seguidores teriam lutado para defendê-lo contra as forças romanas que o prenderam, e também contra as forças judaicas que procuravam levá-lo à condenação, que o entregavam, como vimos, nas mãos dos romanos. Mas quando Jesus disse que o reino dele não era deste mundo, poderia dar a impressão de que passando pela Terra, ele apenas procurava arrebatar os homens para o reino de Deus nas alturas do céu. Entretanto, logo em seguida, vem aquela frase: o meu reino agora não é deste mundo. Há outras traduções do Evangelho que dizem: o meu reino ainda não é deste mundo.
Vinícius, o nosso conhecido e saudoso Pedro de Camargo, que especializou-se muito no trato do Evangelho, ele costumava dizer sempre isso em suas pregações: que Jesus afirmara que seu reino ainda não era deste mundo, porque ele será. Jesus implantou o reino de Deus na Terra desde o momento que iniciou aqui as suas pregações; ele o lançou no coração dos seus discípulos, dos seus apóstolos, de todos aqueles que quiseram ouvi-lo e segui-lo. Entretanto, esse reino, como ele mesmo ensinou nas suas parábolas, foi plantado no coração do homem como uma semente, foi semeado na terra para nascer no futuro, através das gerações sucessivas, das reencarnações contínuas por que passam as criaturas; então a humanidade se melhora, se transforma, e nos corações redivivos dos espíritos que se reencarnam na Terra, o reino de Deus brota para o futuro, cresce e um dia brilhará na Terra. Podemos dizer que a função do espiritismo neste momento no mundo é facilitar e incentivar esse desenvolvimento do reino de Deus e, portanto, do reino de Jesus entre nós na Terra.
Leia. Leia amigo ouvinte. Leia livros espíritas para se esclarecer e se orientar. Participe do novo mundo que está nascendo. Faça a sua pergunta ao nosso programa e leia o livro indicado na resposta, que você receberá como presente de irmão. Basta retirá-lo em nosso escritório, à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar. Os ouvintes do interior receberão os livros pelo correio. E não se esqueça de que já existe uma revista especializada em educação espírita. Ajude-nos a criar a nova educação que formará as gerações do futuro. Adquira e colecione a “Revista Educação Espírita”, com numerosos trabalhos de famosos educadores.
Não fazemos propaganda religiosa, fazemos divulgação científica. Não temos igreja e não buscamos adeptos, colocamos a verdade ao alcance dos que a procuram. Não somos pregadores, somos expositores, divulgamos a ciência do espírito na era do espírito. Nosso lema é esse: “cada crente com sua crença, cada descrente com sua descrença, mas a verdade ao alcance de todos”. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, e se você provar que está com a verdade, ficaremos com você.
No Limiar do Amanhã.


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