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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

A verdade é um desafio e o maior desafio lançado aos homens na Terra. Todos vivemos na ilusão e usamos a mentira, mas buscamos a verdade porque todos precisamos da verdade. Precisamos urgentemente da verdade. Estamos cansados de ilusões e mentiras. No Limiar do Amanhã, queremos a verdade total sobre o homem e seu destino.

 

O amanhã está chegando muito depressa, amigos ouvintes. Cada minuto, cada hora, cada dia que passa nos lançam no amanhã. Voamos no foguete espacial do tempo. Voamos deixando velozmente para trás o mundo da mentira. Estamos nos aproximando da face da verdade, preparemo-nos para enfrentar o desafio da verdade.

 

Mas, o que é a verdade? A verdade é o que é. Preste atenção amigo ouvinte. Se dissermos isso é uma estrela e se não for mais que a luz de um avião, estamos dizendo uma mentira e, não, uma verdade. Mas se dissermos isso é uma rosa e for realmente uma rosa, dizemos uma verdade pura e simples. Veja como é linda a verdade, a rosa é a verdade da flor.

 

Qual é a verdade sobre o homem? Quando dizemos "o homem é um animal como outro qualquer e se acaba com a morte", estaremos dizendo a verdade? E quando afirmamos que o homem é uma criatura de Deus, que pode ir para sempre no Inferno ou no Céu, estaremos com a verdade? Não, amigo ouvinte! Só estaremos com a verdade quando o que dizemos pode ser provado por fatos.

 

A prova dos fatos, eis o comprovante da verdade. Dizemos "o homem é uma criatura de Deus, que evoluiu através de vidas sucessivas, crescendo espiritualmente de vida para vida. Seu destino é a imortalidade no Universo infinito e os fatos provam isso." Ora, se os fatos provam, essa é a verdade sobre o homem.

 

Esse é o nosso desafio, amigo ouvinte. Há três anos, ele está no espaço e ninguém até agora conseguiu contestá-lo, ninguém conseguiu negá-lo. Sustentamos esse desafio com os fatos que o provam e os fatos que o provam têm aumentado rapidamente em número e eficiência, nos últimos tempos. Quem está com a verdade, amigo ouvinte, nós que a provamos ou aqueles que nada provam? Se você estiver com a verdade e puder prová-la, com fatos universalmente constatados, ficaremos com você. Compreende nosso desafio? Não é um desafio arrogante, é simplesmente o desafio da verdade. Prove-nos que você está certo e que nós estamos errados. Ficaremos imediatamente ao seu lado, pois queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão 150, terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires. Locutores: Jurema Iara e Lázaro de Oliveira, técnico de som: José Milito, sonoplastia: Antonio Brandão.

 

Este não é um programa de pregação, nem de conversão. É um programa de exposição e debate de temas fundamentais sobre a vida, o destino e a morte. Não queremos tocar os corações, mas despertar as consciências. Prepare-se, as suas convenções podem ser abaladas.

 

Diálogo No Limiar do Amanhã. Pergunte, ouça, conteste.

 

Pergunta 1: A glândula pineal

 

Locutor - Escreve o jovem estudante de medicina, José Conrado. Peço não divulgar meu nome todo, nem meu endereço. Pessoalmente estou às suas ordens professor, quero ouvir suas respostas a essas perguntas. Primeiro, como o Espiritismo pode provar que a glândula pineal, uma das mais insignificantes, é o elemento de ligação do espírito com o corpo? Onde encontrarei bibliografia a respeito?

 

J. Herculano Pires - O Espiritismo não afirma isto de maneira taxativa dentro da Doutrina, dos princípios doutrinários. A revelação de que a glândula pineal é o elemento de ligação entre o corpo e o perispírito e, portanto, com o espírito, é uma revelação feita pelo espírito de André Luiz, através de Chico Xavier. Esta revelação é encontrada principalmente no livro Os Missionários da Luz, um livro em que André Luiz, ex-médico na Terra, descreve certa operação, certa intervenção que os Espíritos tiveram de fazer no momento da morte, auxiliando a desencarnação de uma pessoa e, com isto, ele se referiu então à glândula pineal. É importante também saber o seguinte: bem antes disso, já o famoso, bastante conhecido filósofo francês René Descartes, havia afirmado também, na sua filosofia, que a glândula pineal era o elemento de ligação da alma com o corpo. E posteriormente a isto o senhor encontrará um livro muito curioso do Dr. Jorge Andréa dos Santos, que é um conhecido médico carioca. E este livro refere-se precisamente, referindo-se aos problemas das energias espirituais nos campos da biologia. Quer dizer, as manifestações de energias espirituais nas investigações biológicas, ele também esposa essa mesma doutrina da função espiritual da glândula pineal no nosso corpo. Além deste livro o Dr. Andréa publicou também recentemente um livro sobre o inconsciente, analisando os problemas do inconsciente em ligação estreita com as funções orgânicas e com os problemas mediúnicos. Assim, o senhor tem aí uma indicação ligeira mas talvez bastante suficiente para o senhor se inteirar do assunto. Nesses dois livros do Dr. Jorge Andréa dos Santos, do Rio de Janeiro, que o senhor encontrará em qualquer das livrarias de São Paulo e, também, no livro de André Luis que já citamos, Os Missionários da Luz, é um livro psicografado por Chico Xavier.

 

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Pergunta 2: Arigó, um paranormal ou um espertalhão? Locutor - Arigó foi realmente um paranormal ou apenas um espertalhão? Não conheço nenhum estudo sério a respeito desse caso, só livros que relatam episódios pouco admissíveis. O senhor tem algumas provas?

 

J. Herculano Pires - É curioso que o senhor me pergunte isso, precisamente a mim, porque sou eu talvez o autor do único livro que tratou seriamente do caso Arigó, encarando do ponto de vista científico. Esse livro foi lançado em edições sucessivas pela Editora Edicel. Começou, aliás com a livraria Francisco Alves que lançou a primeira edição, depois a Edicel passou a repetir nas edições sucessivas. E eu tive oportunidade de ir acrescendo, de edição para edição, os estudos sobre o caso Arigó. Mas o livro não trata apenas dos meus estudos pessoais. Eu apresento, ali, nada menos de sete depoimentos de médicos que analisaram e estudaram Arigó. Relato, também, as pesquisas feitas pela equipe de cientistas norte-americanos dirigidos pelo Dr. Andrija Puharich, que esteve em Congonhas, numerosas vezes. E apresento também um interessante depoimento do Dr. Robert Laidlaw, que é diretor psiquiátrico do Hospital Roosevelt de New York. Nesse depoimento, sobre o caso Arigó, o Dr. Laidlaw faz um apelo a Arigó para se pôr à disposição dos cientistas norte-americanos, nos Estados Unidos, a fim de ser mais profundamente examinado. Infelizmente, isso não foi possível, em virtude da morte inesperada de Arigó. Mas posso lhe afirmar que o senhor poderá ver, por esse livro, que encontra-se na Editora Edicel, o senhor poderá ver por esse livro, que, aliás, já é bastante conhecido em São Paulo, que ali eu consegui reunir vários depoimentos importantes de médicos e cientistas, inclusive dos cientistas norte-americanos, sobre a realidade absoluta da espantosa mediunidade de José Arigó.

 

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Pergunta 3: Chico Xavier: operação e tratamento

 

Locutor - Terceira pergunta, professor. Porque o médium Chico Xavier foi operado num hospital dessa capital e faz tratamento dos olhos com médicos de Campinas, há muitos anos?

 

J. Herculano Pires - Porque o médium Chico Xavier é um homem, é uma criatura humana, um espírito encarnado como qualquer outro. De acordo com a Doutrina Espírita ninguém tem privilégios perante Deus. O fato da pessoa ser um médium não quer dizer que ela não tenha o seu carma, que ela não tenha passado por vidas anteriores e que nessas vidas anteriores não tenha assumido compromissos que depois terá de resgatar em vidas sucessivas. O fato de uma pessoa ser médium não deve ser encarado como um privilégio, como realmente não é. Mas pelo contrário, é um compromisso, uma responsabilidade muito séria. A pessoa vem como médium para cumprir uma missão e esta missão deve ser cumprida apesar das suas provas. É muito conhecido o fato, no meio espírita, de que numerosos médiuns curadores não conseguem curar-se a si mesmos. Por quê? Porque as doenças que eles sofrem são provas pelas quais têm de passar. No caso de Chico Xavier, por exemplo, ele sofre glaucoma e de glaucoma ele sofre há muito tempo. Ele então submete-se periodicamente a tratamento com médicos especialistas em Campinas, com os quais ele trata dos olhos, há muitos anos. Várias vezes, Chico Xavier, ele mesmo perguntou a Emmanuel, o seu guia espiritual, se não poderia ele ser curado espiritualmente. E Emmanuel lhe respondeu que cada um tem a sua cruz e que Chico Xavier tem que tratar dos olhos com médicos. Ultimamente, Chico Xavier foi operado em São Paulo, foi operado da próstata num hospital. Ele poderia ter sido operado espiritualmente, porque nós sabemos que as operações espirituais, de acordo com numerosas provas e entre elas as provas mais recentes do caso Arigó, elas realmente se realizam quando existem médiuns para isso. E sabemos mais, o que é bastante curioso, sabemos que Chico Xavier é um instrumento mediúnico suficiente para realização de intervenções em organismos vivos, para as operações cirúrgicas, portanto. Entretanto Chico Xavier não pôde ser submetido a essa operação espiritualmente. Emmanuel lhe disse que ele tinha de se submeter a uma operação em hospital. E ele se submeteu, e felizmente tudo correu bem. Ora, isso prova então aquilo que o Espiritismo diz, que o Espiritismo afirma a respeito da mediunidade. A mediunidade não é um privilégio, é apenas uma oportunidade de serviço que é concedida a uma pessoa que mereceu esta oportunidade, no seu processo de evolução. Aqueles que pensam que Chico Xavier é um semideus tem aí, nesses dois fatos uma resposta absolutamente negativa a esse pensamento, mostrando que Chico Xavier é um homem, uma criatura humana como qualquer outra, um espírito encarnado passando na Terra pelas provas que ele tem de passar.

 

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Pergunta 4: Suposta operação mediúnica do Professor Herculano

 

Locutor - Quarta pergunta. Professor, é verdade que o senhor foi operado do pâncreas por uma médium, na região da Alta Paulista? Pode esclarecer algo a respeito, por favor?

 

J. Herculano Pires - Não se trata bem disso. As pessoas, às vezes, leem ou ouvem uma coisa e, depois, dizem outra. É aquela história do "quem conta um conto aumenta um ponto". Eu não fui operado por uma médium na Alta Paulista, nem do pâncreas e nem de coisa alguma. Apenas eu me referi no meu livro sobre Arigó, esse livro de que lhe falei, ainda há pouco, eu me referi a uma operação que eu sofri espiritualmente com o Arigó. Não sei se foi do pâncreas, não sei do que. Eu havia passado realmente por uma pancreatite, mas eu estava já em fase de completa recuperação disso e o próprio Dr. Fritz, que falava pelo Arigó, me disse que o caso da pancreatite estava solucionado. Mas posteriormente a isso o Dr. Fritz resolveu me operar e fez realmente uma operação que é chamada de operação simpatética, uma operação muito curiosa. Então ao descrever esta operação, eu lembrei no meu livro que, na Alta Paulista, mais particularmente na cidade de Garça, existia uma médium que atualmente não mora mais lá, chamada dona Bernarda Torrúbio. Eu dei o nome da médium e do marido senhor José Torrúbio, que eram sitiantes no município de Garça, e essa médium tinha a estranha faculdade, realmente estranha, de produzir as operações simpatéticas.

 

Chama-se simpatéticas a este tipo de operações, chama-se a elas de simpatéticas, em relação com a chamada magia simpatética. Sabemos que, na magia simpatética, os indivíduos fazem imagens de pessoas que querem atingir com artes mágicas e então estabelece uma ligação de simpatia. Quer dizer, a ligação de semelhança, de similitude entre a figura com que o indivíduo mágico está lidando e a pessoa que deve ser atingida. Então chama-se a isto de magia simpatética. E, por conotação com esta designação chama-se também, no Espiritismo, operação simpatética, aquela que é feita sem intervenção direta do médium. Quer dizer, o médium não corta, não opera. O médium apenas transmite um passe, faz uma prece diante do doente e, logo em seguida, o doente sente qualquer coisa no seu organismo, uma espécie de intervenção cirúrgica. Às vezes, acompanhada de dor violenta, às vezes, com dor suave, mas provocando sempre algum mal estar, principalmente, como foi no meu caso, uma ânsia de vômito violenta. Entretanto antes de eu vomitar, quem vomitou foi José Arigó. E vomitou precisamente uma porção de excrescências estranhas, com sangue coagulado, que ele imediatamente mandou que se retirasse dali e se fosse jogar lá fora. Ora, este é um tipo de operação simpatética. Com dona Bernarda Torrúbio isso foi verificado por vários médicos da Alta Paulista, tendo à frente o Dr. Urbano de Assis Xavier, que era também um médium e admirava-se muito da estranha faculdade de dona Bernarda. Dona Bernarda operava o indivíduo sem lhe tocar, mas quem vomitava os resíduos da operação era ela e, não, o operado. Por isso se chama de magia, de operação simpatética. Há uma transposição dos elementos retirados do doente. Há uma transposição desses elementos para o médium e o médium é que deve expeli-los. É naturalmente, eu sei disso, principalmente para o senhor que é um estudante de Medicina, é este um fato bastante estranho, mas é verídico. Suficientemente comprovado, não apenas no Brasil como no exterior, através de numerosas experiências e investigações. O senhor, querendo, verificará também este caso no meu livro sobre Arigó.

 

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Pergunta 5: Operações espirituais à distância

 

Locutor - Professor, o senhor acredita em operações espirituais à distância? Conhece alguns casos? Pode justificá-los ou pelo menos dar alguma explicação a respeito?

 

J. Herculano Pires - Novamente, sou obrigado a falar no livro sobre Arigó. É lá que o senhor vai encontrar numerosos casos que eu relato, ocorridos com o próprio Arigó. E mais do que isso, vários casos relatados por médicos, médicos aqui de São Paulo, médicos do Rio de Janeiro. Médicos que estiveram em contato com Arigó, que observaram os seus trabalhos e que não tiveram receio de me fazer declarações importantíssimas a respeito. Essas declarações eu publiquei, em forma de entrevista, em jornais da cadeia de Associados, a começar pelo Diário de Associados, aqui de São Paulo, pelo Jornal do Rio. E essas operações foram, portanto, bastante divulgadas no Brasil. Posteriormente, eu reuni essas declarações, esses testemunhos médicos, no meu livro. Então o senhor encontra, ali, relatos bastante valiosos, com o nome dos médicos, a classificação deles no campo da Medicina e, inclusive, os títulos que possuem, as suas funções especializadas, os congressos, os cursos feitos no interior. Tudo isso está ali relatado, qualificando perfeita-mente cada um dos depoentes, cada um dos entrevistados.

 

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Pergunta 6: Prova, expiação e destino

 

Locutor - Pergunta o ouvinte Marcos Moura Cunha, da Rua Estados Unidos. Temos a prova e a expiação e temos, também, o destino. Como podemos conciliar essas três coisas em nossa vida?

 

J. Herculano Pires - É, o senhor tem razão. Dá uma impressão de uma certa confusão, de uma certa dificuldade para se esclarecer isto. Mas doutrinariamente, isto está colocado de maneira bem clara. A prova é como o seguinte. O senhor vai fazer um curso. Neste curso, o senhor tem o estudo durante o ano todo, mas o senhor tem as provas. O senhor tem as provas no meio do ano, as provas no fim do ano. Passa pelos exames. Isto é a prova na vida humana. Nós temos a nossa vida, nossa existência e vivemos nela com uma finalidade. Assim, como no curso escolar, o senhor tem o objetivo de se aperfeiçoar num determinado ramo do conhecimento, ou de adquirir conhecimentos gerais, assim na vida humana todos nós estamos fazendo um verdadeiro curso na escola da Terra. E neste curso, nos defrontamos com os momentos de prova. As provas ocorrem para ver se nós conseguimos desenvolver certas faculdades de maneira suficiente ou não e, de acordo com a maneira por que procedermos, durante as provas, assim nós teremos no nosso destino, no desenvolvimento da nossa vida, de passar por outras provas ou podemos evitar algumas. Tudo dependendo do nosso adiantamento como ocorre numa escola. A provação é a própria expiação. A expiação é aquilo que se refere a nossos atos praticados em vidas anteriores. Crimes, maldades, abusos, tudo aquilo que nós fizemos e que prejudicou os outros. Tudo isto nos acarreta, nesta vida, uma expiação. Nós estamos expiando, então, os nossos erros do passado. Provas e expiações são portanto coisas diferentes. A prova é apenas uma prova, no sentido tipicamente escolar. A expiação é uma purgação. Por isso, Kardec chegou a dizer que o purgatório é a Terra, que o purgatório não existe em outra região do espaço. É aqui mesmo, onde nós purgamos os nossos pecados, os nossos erros, os nossos crimes.

 

Assim, resta apenas falar do destino. Pois bem, o destino se constitui de tudo isso. O destino é, por assim dizer, o esquema da nossa vida. Não é um esquema rígido, porque, ao lado daquilo que está esquematizado, nós temos o livre arbítrio, a liberdade de ação. Porque, se nós não tivermos liberdade, nós não teremos responsabilidade. A evolução do Espírito não pode fazer-se apenas num sentido, é preciso que o Espírito evolua para desenvolver a sua capacidade de optar, de escolher, de decidir, de pensar, de conhecer. E tudo isto só é possível com liberdade e responsabilidade. Assim o destino inclui a prova e inclui a expiação, mas, além disso, inclui todas as oportunidades belas, oportunidades boas que surgem na nossa existência. O destino não é, como dissemos, rigidamente traçado. É um programa, dentro do qual nós vamos desenvolver o nosso papel.

 

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Pergunta 7: Ainda sobre prova, expiação e destino

 

Locutor - Respondendo ao ouvinte Marcos Moura Cunha, professor, uma doença pode ser cármica, mas também pode ser acidental. Como o senhor percebe, sou espírita, mas tenho muitas dúvidas a respeito de questões doutrinárias. Acho por exemplo que só as doenças psíquicas são cármicas, as doenças orgânicas são acidentais, provenientes do meio material em que vivemos. Estou certo ou errado?

 

J. Herculano Pires - Errado. Sim, o senhor está errado. Basta ler com atenção o que Kardec diz sobre estes problemas. Se o senhor ler principalmente o livro Iniciação Espírita* de Allan Kardec, prestar bem atenção nos tópicos em que ele desenvolve este assunto, o senhor verá que não é possível fazermos essa distinção. O carma, ou seja, a lei de ação e reação, é uma lei que envolve todo o Universo. E o senhor sabe que não há, no Espiritismo, essa separação definitiva, absoluta, entre espírito e matéria. Espírito e matéria são elementos relativos, um funciona em relação ao outro. É a verdadeira dialética do desenvolvimento das coisas no Universo, que se processa através das relações constantes entre espírito e matéria. Do espírito e da matéria em contato, nascem as coisas, nascem os seres. Assim, no nosso desenvolvimento físico, corporal, orgânico, nós temos o Espírito e a matéria unidos, formando um todo, mas cada um dentro da sua posição, do seu elemento próprio, da sua natureza intrínseca. Nós não podemos, portanto, distinguir, diferenciar um do outro, os dois elementos se conjugam e o carma, ou lei de ação e reação, essa lei de ação e reação opera constantemente no Espírito e na matéria. Mesmo porque, o corpo material está ligado ao corpo espiritual. O perispírito, e este perispírito impregnando todo o corpo material é que transmite ao corpo material as constantes relações que provém das causas antigas, para produzir os efeitos atuais, os efeitos presentes. Não há, portanto, essa distinção que o senhor pretende.

 

* Este livro é atualmente publicado com o título "Introdução ao Espiritismo", pela Ed. Paidéia.

 

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Pergunta 8: O que é espiritismo divinista?

 

Locutor – Professor, o que é espiritismo divinista? Tenho um amigo que pertence a essa corrente e não consegui ainda entender as explicações dele a respeito de sua Doutrina. Ele me assegura que o senhor também é divinista. É verdade?

 

J. Herculano Pires - Não! Não! Deus me livre! Eu posso te dizer o seguinte, espiritismo divinista é uma bobagem, simplesmente isso, uma besteira. Perdoe a expressão, mas, às vezes, a gente precisa dizer as coisas com as palavras certas. É uma besteira. Espiritismo é uma doutrina que começa negando todas aquelas tentativas de transformar as coisas paranormais, os fenômenos paranormais, em fenômenos sobrenaturais, em fenômenos divinos. O Espiritismo está precisamente contra essa ideia de divinização, que vem do passado, que pertence às eras de obscurantismo e de superstição. O senhor sabe muito bem, o senhor estuda Medicina e sabe disso. Ah, perdão, não é o senhor que estuda medicina, eu confundi com o outro. Mas embora não estude medicina, o senhor compreende muito bem isto. Está se vendo pela sua carta, pelas suas expressões, que o senhor tem plena capacidade para entender isto. Antigamente, um terremoto era uma condenação divina. A eclosão de um vulcão, um maremoto, uma tempestade violenta, um furacão, tudo isto eram condenações divinas que caíam sobre os homens. Eram os deuses se vingando dos homens por coisas absurdas, às vezes. Ora, posteriormente o desenvolvimento das ciências nos deu a possibilidade de compreender como ocorrem estas coisas. Que esses fenômenos são todos determinados por leis, leis que agem na Natureza e produzem estes fenômenos. Podemos, às vezes, hoje, através dos mecanismos já existentes de aparelhos e instrumentais apropriados, podemos prever com muita antecedência a erupção de um vulcão, a formação de um furacão no meio do oceano, um terremoto e coisas semelhantes. Podemos prever, por quê? Porque as causas físicas desses efeitos estão acessíveis à nossa investigação e, às vezes, até mesmo, ao nosso controle.

 

No campo do espírito, isto não é completamente possível, mas já temos numerosas tentativas psicológicas para, com antecedência, prever ocorrências psíquicas, num determinado indivíduo. E estas tentativas já mostram que é possível fazer-se isso. Então, Espiritismo é contrário à divinização que este espiritismo divinista propõe. Este espiritismo divinista foi criado em São Paulo, por um homem chamado Osvaldo Polidoro. Era um médium psicógrafo, um mecânico que tinha boa mediunidade psicográfica. Entretanto, este homem se deixou envolver por Espíritos mistificadores que o levaram à ideia absurda de que ele é uma reencarnação de Allan Kardec. Então, diz ele, no tempo de Kardec, ele apresentou um Espiritismo muito ligado às ciências materiais e, agora, nesta encarnação, a missão dele é desligar o Espiritismo do campo científico e devolvê-lo ao campo religioso do passado. Quer dizer, ele quer produzir um retrocesso no Espiritismo. Mas nem ele tem capacidade para isso, nem os seus adeptos que, embora sejam numerosos, estão revelando, no próprio fato de aceitarem as doutrinas absurdas deste homem, que não conhecem Espiritismo, não sabem o que é Espiritismo. De maneira que eu nunca poderia ser um espiritismo divinista. Deus me livre disso!

 

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Pergunta 9: Manual ou compêndio de Educação Espírita.

 

Locutor - Professor, a ouvinte Madalena Tardeli, professora da Rua França Pinto, pergunta: onde posso encontrar um manual ou compêndio de Educação Espírita?

 

J. Herculano Pires - Um manual ou compêndio de Educação Espírita, a senhora não encontrará com facilidade, mesmo porque, não existe ainda um manual preciso nesse sentido. Quando falamos em Educação Espírita, nós estamos lembrando que existe, nas obras da Codificação, os elementos necessários para o desenvolvimento de um tipo de educação nova, que seria Educação Espírita. Entretanto, a senhora encontra a Revista Educação Espírita. Esta revista já tem mais de dois anos de circulação. Ela não é uma revista mensal, é uma revista semestral, de maneira que os seus números já publicados são poucos. A senhora pode encontrar na livraria Edicel, que é a editora dessa revista, toda a coleção dos seus números, desde o lançamento, que não passam de cinco ou seis números. E esta revista está cheia de estudos. Traz estudos, constantemente, de professores, de pedagogos, de grandes pensadores espíritas, não só do Brasil, como da Argentina, da França, de outros países sul-americanos e europeus, sobre Educação Espírita. Então a senhora tem aí, um sucedâneo, por assim dizer, do manual de educação espírita, que ainda não foi publicado.

 

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Pergunta 10: Filosofia Espírita em tratados ou dicionários especializados

 

Locutor - Julio Panzini, filósofo materialista, residente a Rua Albion, na Lapa, pergunta: sou formado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Jamais encontrei a Filosofia Espírita em tratados ou dicionários especializados. O senhor pode me dizer onde ela se esconde?

 

J. Herculano Pires - Sim, posso dizer. A Filosofia Espírita não se esconde, mas ela está presente nas obras de Allan Kardec e, particularmente, n'O Livro dos Espíritos, que é a obra fundamental da Doutrina e que é, reconhecidamente, um livro de verdadeira Filosofia, como se fosse um manual de Filosofia. Pois bem. Além deste livro, o senhor pode encontrar também no Dicionário Técnico de Filosofia de Lalande. Se o senhor estudou Filosofia numa faculdade, deve conhecer bem esse dicionário, porque é um dicionário clássico e com projeção mundial. É o dicionário do Instituto de França, um Instituto de Filosofia da França. Lalande, como sabemos, é quem dirige esse dicionário e, lá, o senhor procura a palavra Filosofia e encontra, então, a explicação do que é a filosofia espírita. Perdão, o senhor procura a palavra Espiritismo e encontra então a explicação, pelo Instituto de França, do que é Filosofia Espírita. Mas existem também outros livros bastante interessantes, que o senhor podia consultar. Por exemplo, não faz muito tempo, a Editora da Universidade de São Paulo, juntamente com o Instituto Brasileiro de Filosofia, publicou um livro do professor Washington Vita, intitulado Filosofia Contemporânea em São Paulo, e lá está presente a Filosofia Espírita, no panorama contemporâneo da Filosofia em São Paulo. Estes são apenas algumas indicações das quais o senhor, naturalmente, partirá para outras. E, se o senhor não ouviu falar em Filosofia Espírita na sua faculdade, é porque infelizmente as nossas faculdades de Filosofia não tiveram tempo, ainda, de compreender, que não só os pensadores classificados no campo da Filosofia Materialista são filósofos.

 

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Pergunta 11: Filosofia e religião, e o caráter religioso do Espiritismo

 

Locutor - A segunda pergunta do mesmo ouvinte, professor. Filosofia é filosofia e, não, religião. Como Kardec pôde fazer a mistura dessas duas coisas no Espiritismo? O senhor concorda com essa mistura?

 

J. Herculano Pires - Eu perguntaria se o senhor conhece a Filosofia do Positivismo, de Auguste Comte. Se o senhor conhece, deve conhecer, porque o senhor estudou filosofia, o senhor sabe que Auguste Comte terminou fundando uma igreja, não é verdade? Que Auguste Comte considerou a sua filosofia positiva como a herdeira natural do Catolicismo. E que esta Filosofia Positiva devia realizar, no nosso tempo, na era da ciência, a mesma unidade de pensamento que a Igreja Católica produziu, na Idade Média. Assim, o senhor vê a ligação direta da filosofia com a religião numa filosofia que, por sinal tendia para o materialismo. É a filosofia do Positivismo, de Auguste Comte. A Religião da Humanidade, por ele fundada, e o senhor sabe que existe hoje ainda um Templo Positivista no Rio de Janeiro, onde o senhor pode assistir missa positivista quando o senhor quiser. Então é preciso compreender que Kardec não fez nenhuma novidade, nem nenhum absurdo. Se nós remontarmos mais longe, no campo da Filosofia, podemos nos lembrar de Pitágoras. E lembramos que, até hoje, os pitagóricos se dividem nas correntes puramente filosóficas e nas correntes místicas ou religiosas da filosofia de Pitágoras. E assim por diante. Toda filosofia antiga está cheia de provas e de exemplos, neste sentido.

 

Mas eu queria, já que o senhor me pergunta sobre isto, e pergunta como Kardec fez isto, e se eu concordo com isto, eu queria lembrar ao senhor que existe uma coisa muito importante, no campo da Filosofia, que é a Teoria do Conhecimento. E na Teoria do Conhecimento, nós sabemos que ciência, filosofia e religião são províncias do conhecimento que não estão propriamente separadas, como nós pensamos na vida prática, mas que se ligam, forçosamente, umas às outras. Foi isso que Kardec usou, no Espiritismo. Ele colocou o problema assim: Existem fenômenos espíritas, temos de investigá-los. A investigação desses fenômenos constitui a Ciência Espírita. Uma vez investigados esses fenômenos, temos de chegar a conclusões. As conclusões não são tiradas pela Ciência, elas são tiradas pela Filosofia. Porque a Filosofia é o campo do pensamento, da reflexão sobre a verdade conquistada. A Ciência investiga, prova a realidade. A Filosofia interpreta esta realidade. Mas, além da Filosofia, quando nós tratamos com as coisas, os problemas da alma humana e do destino do homem após a morte, nós encontramos o campo da Religião. Então, da Filosofia, e o senhor deve saber disto muito bem, de toda Filosofia nasce sempre uma Moral. Por quê? Porque a moral está estreitamente ligada à concepção do mundo que nós temos. Cada filosofia é uma concepção do mundo. Se nós temos esta concepção, nós temos depois de adaptar o nosso comportamento a esta concepção. Essa adaptação se faz através da Moral. Ora, a Moral para Pestalozzi, que foi o pensador e o educador, mestre de Kardec, a Moral era a verdadeira religião. Kardec pensava assim, também. Então, ele achou que, da Filosofia Espírita decorria a Moral Espírita e que essa Moral Espírita, como ele diz, tinha consequências religiosas. Daí, o caráter também religioso ou aspecto religioso do Espiritismo.

 

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Pergunta 12: Tudo é matéria e não existe o espírito?

 

Locutor - Não se assuste de eu me dizer filósofo. Não sou apenas professor de filosofia, sou também filósofo. Tenho a minha doutrina própria e através dela provo que tudo é matéria e não existe o espírito. Os espíritas poderiam contestar-me? Duvido muito.

 

J. Herculano Pires - É, o senhor tem uma segurança absoluta daquilo que o senhor conquistou, que o senhor conseguiu. Entretanto é bom lembrar que, em filosofia, nunca há segurança absoluta. A filosofia se caracteriza principalmente pela dúvida. Por quê? Não a dúvida negativa mas aquela dúvida metódica de que falava Descartes, que nos leva a verdade. É preciso sempre duvidar das nossas certezas absolutas, mesmo porque nenhum homem, seja filósofo, seja cientista, nenhum homem traz em si a capacidade de atingir a certeza absoluta, em todas as coisas. Às vezes, as mais belas teorias científicas, que parecem comprovadas pela experiência, caem fragorosamente diante de uma nova prova que não se esperava e que é feita de maneira espontânea, inesperada. O Universo, com suas leis, não nos pede licença para traçar os seus caminhos. E nós devemos ter muito cuidado, nas nossas convicções. O senhor diz um absurdo, quando diz que o senhor provou que não existe matéria, que não existe espírito, quer dizer, que só existe matéria. Quando o senhor diz isto, o senhor diz um absurdo. Por quê? Veja bem, hoje, a própria Física, que é a ciência, por excelência, da matéria, a própria Física já rompeu o seu arcabouço material. Ela não pode mais ser materialista. E sabe por quê? Porque Einstein já disse isto: o materialismo morreu por falta de matéria, como uma criatura pode morrer por falta de oxigênio. O oxigênio do materialismo era a matéria. Mas a matéria desapareceu, desde o momento em que a Física provou que a matéria nada mais é do que condensação de energia. Descondensa-se a energia, desaparece a matéria. Onde está a matéria? Veja o senhor. O senhor, na sua filosofia, conseguiu provar aquilo que a própria ciência, nas suas investigações, não conseguiu provar. Pelo contrário, a Física atômica e nuclear dos nossos tempos chegou à descoberta da antimatéria. O senhor já pensou nisso? E, nas investigações sobre a antimatéria, os físicos e biólogos soviéticos acabam de descobrir, como nós temos visto nos noticiários recentes e nos livros aí publicados. O senhor pode passar, por exemplo, numa livraria, no centro da cidade e procurar um livro que se chama Descobertas Psíquicas Por Trás da Cortina de Ferro*. É um livro lançado por uma editora norteamericana, mas uma editora universitária. Ora, o senhor encontra, neste livro, os depoimentos dos físicos russos, sobre a descoberta do corpo energético do homem, que eles chama de "corpo bioplástico". E os seus depoimentos sobre as pesquisas que estão fazendo com a morte. No momento em que o indivíduo morre, eles veem o corpo bioplástico. Ou seja, veja bem, o nome que eles deram ao corpo, "bioplástico". 'Bio', porque é o corpo da vida. É este corpo energético invisível, que, só através das pesquisas da antimatéria, eles conseguiram ver. É este corpo que dá vida ao corpo humano material. E 'plástico', por quê? Porque é ele que dá plasticidade ao corpo, que forma, que organiza o corpo. Ele é, portanto, este corpo bioplástico, aquele modelo energético que Claude Bernard, o pai da Medicina moderna, já havia dito que era absolutamente necessário para nós explicarmos a constituição, a organização e o funcionamento do corpo humano. Assim, o senhor terá uma explicação melhor, para ter mais cautela com a sua filosofia materialista, que está muito fora de tempo, meu amigo.

 

*Este livro, de Sheila Ostrander e Lynn Schroeder, foi lançado no Brasil com o título Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro, pela Ed. Cultrix.

 

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Abrimos o Evangelho ao acaso e caiu-nos o seguinte: Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, 6:19-20.

 

“Acaso não sabeis que vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus e que não sois de vós mesmos? Por que fostes comprados por preço? Portanto, glorificai a Deus no vosso corpo.”

 

- Com este trecho da Primeira Epístola aos Coríntios do apóstolo Paulo, nós estamos diante do problema da responsabilidade que temos no tocante ao nosso corpo material. Costumam dizer as pessoas que não conhecem o Espiritismo, que esta doutrina despreza a matéria e, consequentemente, despreza o corpo material. Assim sendo, os espíritas seriam pessoas que pouco se importariam com o seu corpo material. Não é verdade. Pelo contrário, os espíritas têm um grande interesse pela manutenção da sua saúde, do seu organismo físico em condições de realmente corresponder às necessidades da sua encarnação presente na Terra. Porque eles sabem que o corpo lhes é dado como um instrumento de evolução. Nós não tomamos o corpo na Terra, não encarnamos apenas para aproveitar as possíveis oportunidades da vida material. Não! O Espírito busca sua felicidade além da matéria. A felicidade real não é deste mundo como sabemos. Ele tem de se preparar através da evolução, muitas vezes, penosa, na vida material, onde tantos sofrimentos, tantas angústias, tantas dificuldades nos cercam. Ele tem de passar por tudo isso, para encontrar as condições necessárias de felicidade no mundo espiritual. Por quê? Porque todos somos ainda espíritos em evolução e, portanto, espíritos imperfeitos. Temos de corrigir as nossas imperfeições, de vencer os nossos defeitos. Temos de superar todas as nossas deficiências e então sim, nos tornaremos capazes de ser felizes. A felicidade não está fora de nós, está em nós mesmos, no nosso equilíbrio interno que, em geral, não temos. É por isso que o apóstolo Paulo insiste com a necessidade de termos responsabilidades sobre o nosso corpo. Nós somos responsáveis por ele, e como diz aí o apóstolo, o nosso corpo é o templo do Espírito Santo.

 

Ora, essa revelação de Paulo é bastante importante para compreendermos certas passagens do Evangelho. Como aquela em que Jesus diz: “todo pe-cado vos será perdoado, menos o pecado contra o Espírito”. E alguns textos dizem contra o Espírito Santo. Pouco importa. Seja contra o Espírito ou seja contra o Espírito Santo, porque na verdade o espírito sempre é santo. Quer dizer, santo no sentido de ser uma entidade imortal, uma entidade que não se destrói com a morte, que continua viva e que está ligada ao poder supremo de Deus, por ter sido criada por ele. Essa entidade então, que é o Espírito, é santo por esse motivo. Embora seja o espírito de um celerado, de um bandido, de um homem depravado, o Espírito dessa criatura é uma centelha divina. E ele está, por assim dizer, mergulhando na lama da Terra, mas que não será prejudicado na sua essência. O corpo lhe é dado então para que ele se depure e para que ele consiga fazer com que esta centelha divina brilhe sobre todos os seus erros, sobre todas as suas imperfeições, elevando a um plano superior. Para isto, é necessário que o homem tenha então, cuidado, o máximo cuidado na condução do seu corpo, no uso do seu corpo, no emprego que dá ao seu corpo material. Este corpo não lhe é dado para se tornar um animal na vida terrena, mas pelo contrário, é um corpo animal que lhe é dado para que ele consiga dominar este animal. É para que ele consiga insuflar neste corpo a chama do Espírito, a flama espiritual que deve elevá-lo acima da condição animal. O homem que se rebaixa, conspurca o seu corpo. O homem que se enlameia, por assim dizer, na vida moral, ele está tentando contra o seu Espírito. Este é o grave pecado que não lhe será perdoado, porque ele terá de pagá-lo em vidas sucessivas. Terá de pagá-lo duramente, até se libertar da atração das coisas inferiores. Esta, pois, é a grande advertência que o apóstolo Paulo nos faz neste trecho da sua Epístola aos Coríntios, a Primeira Epístola dele aos Coríntios, que é um verdadeiro tratado de espiritualidade superior.

 

Certos psicólogos ensinam que o ódio é uma necessidade, que temos de odiar alguém ou alguma coisa. Mas Jesus ensinou que devemos amar aos nossos inimigos e orar por eles. Quem está certo, os psicólogos do ódio ou Jesus?

 

No Limiar do Amanhã, só o amor constrói, o ódio destrói.

 


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