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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço. Transcorre no próximo dia quinze mais um aniversário do jornal O Clarim, de Matão, fundado por CairbarSchutel em quinze de agosto de 1905. Conta sessenta e oito anos de sua fundação esse jornal pioneiro graças à dedicação do grupo de amigos e companheiros de Schutel, que continuou sua obra de desbravamento espiritual nos sertões de Araraquara, abrangendo em sua atividade missionária os sertões de São Paulo até a barranca do Paraná e invadindo sem receio os sertões de Mato Grosso e Paraná.

 

A tradição espírita de uma visita à redação de O Clarim no dia quinze de agosto continuará neste mês e nos agostos futuros. CairbarSchutel foi o bandeirante do espírito que desbravou com armas de luz e amor as selvas selváticas dos nossos sertões, eriçada de intolerância religiosa. O Clarim soou sem cessar ao longo das terras sertanejas anunciando a boa nova em seu terceiro tempo, o tempo da terceira revelação. CairbarSchutel, que foi o primeiro prefeito de Matão, fundou ainda a Revista Internacional de Espiritismo e a casa editora O Clarim ligadas ao Centro Espírita Amantes aa Pobreza,também fundado por ele. Todo esse conjunto de valiosas e ativas instituições doutrinárias continuam funcionando em Matão.

 

Schutel desencarnou-se a 30 de janeiro 1938. Substituiu-o na direção de suas comunicações o seu antigo auxiliar José da Costa Filho que soube dar prosseguimento ao trabalho do mestre com todo respeito devido à linha por ele estabelecida. Após o passamento de Juca, como popularmente o chamavam, assumiu o seu lugar outro discípulo de CairbarSchutel, o experimentado jornalista Ítalo Ferreira. Dona Antoninha Perches Campelo e seu marido Watson Campelo foram os esteios em que Juca e Ítalo se apoiaram em suas administrações.

 

Hoje dão procedimento à obra de Schutel o compadre José da Cunha, que foi companheiro de Schutel, e o jornalista Wallace Leal Rodrigues. O Clarim e a Revista Internacional de Espiritismo modernizaram-se tendo contribuído decisivamente para isso o ilustrador Joaquim Alves, hoje, infelizmente, afastado da obra de Schutel.

 

No Limiar do Amanhã saúda os companheiros de Matão pelo transcorrer do 68º do jornal O Clarim fazendo votos para que as clarinadas espíritas continuem a soar por todo Brasil nesta hora decisiva da era do espírito. Que as lúcidas coordenadas deixadas por CairbarSchutel para sua obra múltipla continuem a ser respeitada pelos seus atuais sucessores. São os votos mais calorosos que podemos fazer. Honra à memória do grande pioneiro.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do grupo espírita Emanuel. Transmissão 125. Terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Perguntas e respostas. Pergunte para você e para os outros.

 

Pergunta nº 1: Manifestações de sofrimento

 

Locutor - Professor, a ouvinte Nair Flores, Vila Planalto, de São Bernardo, pergunta: Integrante do grupo espírita da Federação, gostaríamos de saber se é possível termos recebido manifestações de sofrimentos um tanto confusas dos mortos no acidente de avião do dia onze deste mês, sendo que isso aconteceu no dia doze, ou seja, um dia após o bárbaro acidente.

 

J. Herculano Pires - Não há dúvida que é possível, principalmente pelo fato,pela senhora mesmo mencionado, ou pelas senhoras,de que, na verdade, as comunicações foram um tanto confusas. Não eram, portanto, manifestações precisas. Em geral, quando acontece um acidente, os espíritos que ainda são capazes de permanecer conscientes logo após o acidente eles procuram, como é natural, comunicar-se com alguém. Um grupo espírita reunido com médiuns pode receber uma comunicação destas, como qualquer um médium, mesmo isoladamente, pode perceber o fato, uma vez que as irradiações vibratórias do pensamento e das angústias, das próprias emoções dos acidentados, se expandem no espaço como as próprias ondas hertzianas e podem ser captados onde houver um aparelho receptor em condições. É possível. Seria estranho se eles dessem já no dia doze uma comunicação clara precisando o que havia acontecido com eles. Mesmo assim, entretanto, se entre eles houvesse um espírito em condições de se manter lúcido no momento da passagem, uma criatura que conhecesse o problema da morte, da desencarnação e que tivesse condições espirituais para manter o equilíbrio, assim mesmo seria possível também.

 

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Pergunta nº 2: Corpo de Deus

 

Locutor - Professor, o ouvinte Enéas G. da Silva, Rua Maçaranduba, pergunta: Deus para o espiritismo tem corpo? Se positiva for a resposta, porque os espíritas não designam, a exemplo de algumas religiões importantes e de governos como o nosso, um dia para homenagearem o corpo de Deus? Allan Kardec é homenageado? Qual é o valor decorrente de tal ato? O mesmo contribuirá para a salvação do homem?

 

J. Herculano Pires - O problema do corpo de Deus é um problema encarado teologicamente pelas várias religiões. O espiritismo não encara esse problema dessa maneira. A religião católica, por exemplo, comemora ou celebra o corpo de Deus considerando que Jesus Cristo era Deus. Para nós, espíritas, o corpo de Jesus Cristo não era nem pode ser absolutamente de maneira alguma o corpo de Deus. Por quê? Porque se Deus tem um corpo, esse corpo seguramente não é de natureza material. Mesmo que do ponto de vista materialista ou semi-materialista,se nós quiséssemos atribuir a Deus um corpo, só poderíamos dizer que o seu corpo, como acentuou certa vez o professor Ernesto Bozzano, seria o próprio universo. Porque Deus, segundo a concepção espírita, é a inteligência suprema do universo, causa primária de todas as coisas. Então, é evidente que nós não podemos considerar Deus como encarnado numa criatura humana, falível, reduzido às condições de um homem que está, por assim dizer, condicionado de maneira a não poder, de forma alguma, receber toda carga mental e todo poder espiritual de uma entidade superior que rege todo universo. Quer dizer, para o espiritismo é absurda a encarnação de Deus na Terra. Isto não existe. A Terra é um planeta pequenino, insignificante num universo imenso. E Deus é a inteligência suprema que criou e rege todo esse universo. Assim, nós não temos a possibilidade do ponto de vista lógico de estabelecer no espiritismo um dia para o corpo de Deus. E não devemos nos interessar por isso. O que nos interessa é Deus e não seu corpo. Deus como inteligência suprema, Deus como vibração suprema, Deus como poder superior que tudo controla, que tudo conduz, que tudo rege, e para ele, nós não temos um dia especial. Nós temos que mantê-lo sempre em nosso pensamento se realmente quisermos aproveitar a nossa passagem pela vida terrena.

 

Outrossim, qual o valor espiritual decorrente de Talato? O mesmo contribuirá para a salvação do homem?

 

Não. Para o espiritismo nada dessas coisas, homenagens a Deus, homenagens aos santos, homenagens aos espíritos superiores, dias especiais para este ou àquele santo, nada disto concorre para a salvação do homem. A tese espírita é positiva e clara: fora da caridade não há salvação. A virtude suprema é a caridade. Não adianta, portanto, toda forma ritual ou qualquer sistema de práticas religiosas para salvar o homem. O homem pode praticar todas as religiões da Terra com o maior interesse, com a maior dedicação, com a maior vibração interior no sentido de adoração, no sentido de reverência, mas se ele não souber sair de si mesmo para ajudar aos outros, para se tornar útil aos outros, se ele não tiver amor pelo homem no seu coração ele não se salvará. E este princípio espírita, como nós sabemos, decorre do próprio ensino de Jesus quando disse que toda lei antiga dos judeus e os profetas, quer dizer, todo ensino dos profetas na Bíblia, tudo isto se resumia em dois ensinamentos que no fim resultavam num só: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo. Ora, amar ao próximo como a si mesmo é, entretanto, de Jesus tão bem o resumo dos dois, porque quem ama ao próximo como a si mesmo, ama a Deus. Consequentemente, a caridade é a única condição real para a salvação humana. Entenda-se ainda que salvação no espiritismo não quer dizer desviar o indivíduo de uma perdição eterna, porque não existe a perdição eterna. Mas é apenas auxilia-lo mais rapidamente no caminho da evolução. Salva-se aquele que mais depressa evolui. Salva-se do que? Da perdição eterna? Não. De um atraso no processo evolutivo, nada mais do que isso.

 

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Pergunta nº 3: Vício

 

Locutor - Professor, a ouvinte Nair F. Rocha, da Rua Santo Antônio, pergunta: Criei um filho que me foi dado com dez dias com muito amor como se fosse meu. Acontece que ele casou-se, tem um casal de filhos, mas agora abandonou a esposa e filhos e foi juntar-se a outra mulher, que depois de um ano também deixou-a e foi juntar-se a uma terceira mulher. Não me conformo com esta situação, atitudes que considero de pessoas sem responsabilidades. Tenho sofrido muito também porque sou viciada na bebida e fumo, tanto que não consigo dominar-me. Frequento a Federação espírita para conseguir libertar-me desses vícios, mas não consegui nenhum resultado. Professor, que faço? Preciso realmente de ajuda?

 

J. Herculano Pires - Todos nós precisamos de ajuda, não há dúvida nenhuma. Todos nós estamos na Terra passando por provações. Nós estamos enfrentando problemas que nós mesmos criamos em vidas anteriores. Essa criança que lhe foi dada aos dez anos, que a senhora adotou aos dez meses, portanto bastante pequena, nem isso, dez dias, diz a senhora aqui. Essa criança que senhora adotou aos dez dias, portanto bastante pequena, ela tem ligações espirituais com a senhora. Nada acontece por acaso. Há um laço, uma ligação espiritual profunda entre a senhora e esse seu filho adotivo. E se ele se porta dessa maneira é porque ele viciou-se em existências anteriores no campo da irresponsabilidade. Ele veio agora para ser educado pela senhora. A senhora fez o que pôde, tratou de sua educação, cuidou, deu-lhe orientação, mas se ele não aceitou essa orientação e contínua incidindo nos erros das existências anteriores é porque ele ainda não amadureceu para essa compreensão. A senhora não deve se afligir com isso. Deve orar por ele, deve procurar assisti-lo espiritualmente e sempre que possível chamar-lhe atenção para a necessidade de ser responsável nos seus atos a fim de não se comprometer ainda mais para o futuro. Se a senhora compreender bem este princípio espírita, a senhora verá que estará enfrentando um problema para o qual talvez a senhora tenha concorrido em existências anteriores. Sim, porque as pedras de tropeço, como se costuma dizer, que nós encontramos nesta vida pela frente foram geralmente criadas por nós no passado. Aqueles que nós orientamos mal, ou aqueles a quemnós não atendemos como devíamos em existências anteriores, voltam à nossa frente, surgem de novo em nosso caminho, cobrando-nos as dívidas que nós temos com eles. Assim, a senhora procure compreender isto e ore, peça a Deus, peça a Jesus, peça aos bons espíritos, ao seu espírito protetor e ao espírito protetor deste jovem que lhe auxilie na empreitada atual, na luta para vencer a sua relutância a entrar pelo caminho certo. E a senhora será ajudada. Não nos falta ajuda do alto. A sua presença na Federação, a sua frequência aos trabalhos da Federação é muito boa porque cria para a senhora uma possibilidade de receber maior auxílio das entidades espirituais. Não que exista na Federação qualquer coisa de milagroso, qualquer coisa de mágico, mas simplesmente porque ali, reunindo-se pessoas interessadas em orar, em pedir assistência espiritual, cria-se um ambiente favorável no qual a senhora se integrando também é beneficiada. Continue a fazer assim e tenha confiança em Deus.

 

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A editora GEEM do grupo espírita Emanuel atende pedidos de livros espíritas pelo reembolso postal. Na capital, o atendimento é a domicílio. Caixa postal 888 – São Bernardo do Campo.

 

Pergunta nº 4: Desencarne na infância

 

Locutor - Professor, o ouvinte João Suman pergunta: Que processo tem o espírito que desencarna na infância e permanece pouco tempo no espaço para voltar logo dali uns dois ou três anos depois e que nem sequer tomou conta do tempo que passou na erraticidade, como é o caso deste menino?

 

J. Herculano Pires - Esse menino a que o senhor alude, de acordo com o noticiário que veio dos Estados Unidos, ele foi atropelado por um automóvel e três anos mais tarde teria renascido na sua própria casa, na antiga família. Ora, em casos desta natureza, nós sabemos que realmente acontecem as voltas rápidas dos espíritos à Terra. E por quê? O porquê naturalmente implica uma porção de alternativas, mas em geral se considera que quando isso acontece é porque o espírito tinha de passar por um acidente fatal em virtude de problemas da sua própria consciência. Quando nós morremos aqui no mundo e passamos para a vida espiritual carregamos para lá problemas graves de consciência. Suponhamos, por exemplo, que este menino numa vida anterior tivesse acidentado uma criança na idade em que ele se encontra. Não quer dizer isto que Deus, na sua infinita misericórdia, na sua justiça suprema, determinasse que todos os acontecimentos tenham de ser pagos na mesma moeda e com perfeita exatidão. Mas quer dizer que existe na consciência do espírito uma lei, e essa lei é de Deus. É a justiça de Deus agindo para que nós também sejamos justos. Então, o espírito que atropelou uma criança nessa idade em que esta criança morreu, ao passar para a vida espiritual, sente sua consciência doer, pesar por aquilo que ele fez. Fez por imprudência ou fez por uma falta de atenção no momento, enfim, ele se sente culpado do acontecimento e por isso a consciência o acusa. A dor de consciência aqui na Terra muitas vezes não é suportável. Nós sabemos que são muitos os casos de suicídios em que os indivíduos preferem morrer para procurarem se libertar da dor de consciência por um crime cometido. Na vida espiritual, porém, de acordo com o que nos ensinam os espíritos, essa dor de consciência é muito mais intensa. Por quê? Porque o espírito está livre do envoltório carnal, que de certa maneira abafa, por assim dizer, as suas vibrações espirituais e, portanto, as suas vibrações conscenciais. Mas na vida espiritual não há este envoltório para diminuir essas vibrações e elas se processam em toda intensidade. Então a sua dor de consciência é mais aguda, mais penosa, mais terrível e ele pede para se reencarnar e passar por aquilo mesmo que ele praticou com referência a outro. Ele quer passar pelo mesmo acidente, ele quer sofrer aquela situação para com isto ele se libertar da sua dor de consciência. Então, esta criatura teria, por assim dizer, de se reencarnar nessa família Rogers, nos Estados Unidos, onde nasceu este menino. Teria de nascer ali e crescer como filho desta família. Mas, em virtude do acidente anterior e dos seus pedidos insistentes, ele recebe a oportunidade de encarnar-se, morrer no acidente de acordo com o que é necessário para aliviar a sua consciência, voltar ao mundo espiritual e depois retornar ao seio da família com a qual também ele tem também ligações do passado para prosseguir. São casos, naturalmente, complexos da reencarnação em que funcionam as leis de Deus através da própria consciência da criatura humana. É preciso compreendermos bem este problema. A criatura volta à reencarnação e passa por um acidente que ela julga necessária no seu próprio juízo, no seu próprio julgamento, julga necessária para se libertar de um pesadelo que carrega consigo.

 

Pergunta nº 5: Eternidade

 

Locutor - Outra pergunta: Que ocupação terão os habitantes de um planeta perfeito já que os espíritos lá residentes também são perfeitos por conseguinte?

 

J. Herculano Pires - É claro que se as atividades humanas só fossem necessárias no plano da imperfeição, nos planos inferiores, nós então teríamos de aceitar a teoria do céu como um céu de marasmo, de pasmaceira, um céu de pura contemplação onde não havia nada a fazer. Entretanto, Jesus disse no seu evangelho que ele trabalhava,ele, Jesus,trabalhava constantemente e que o seu pai, ou seja, o nosso pai, que é Deus, trabalhou sempre e continua trabalhando até agora. Com isso Jesus quis demonstrar que não há um céu de pasmaceira, um céu de marasmo, que na realidade a eternidade no seu sentido estático não existe. O que existe é, por assim dizer, a duração. As coisas duram através de toda eternidade, mas essa eternidade é dinâmica. É uma eternidade de trabalho, de ação construtiva. Vejamos o exemplo aqui da Terra: as criaturas que trabalham, por exemplo, com trabalhos braçais, nas lides rudes da agricultura, ou mesmo nas fábricas nas grandes cidades, elas poderiam pensar assim que os homens que dispõem de dinheiro, de recursos, que estão em condições superiores do ponto de vista cultural vivem uma vida de tranquilidade, de descanso sem fazer nada. Porque não consideram como trabalho aquilo que se passa nas classes superiores. Mas é claro que os operários e os camponeses que pensarem assim estão errados. Muitas vezes um homem numa elevada posição tanto social como cultural exerce funções bem mais agudas, mais penosas até do que aquelas que se desenvolvem na agricultura, porque são funções que se não lhe consomem os músculos dos braços, entretanto destroem as células cerebrais que nunca ser reconstroem. As células nervosas que uma vez consumidas não se recompõem mais. Assim, nós temos, como diz Kardec muito bem, os acidentados do trabalho, no meio do trabalho rude, mas temos também os acidentados de trabalho cerebral que são aqueles que sofrem as consequências do desgaste do cérebro. Assim nós podemos pensar com referência aos mundos superiores. Quando pensamos em espíritos perfeitos, devemos pensar em espíritos que têm muito maiores responsabilidades do que nós, e que se defrontam com problemas muito mais complexos do que os nossos, os problemas da evolução para planos cada vez mais elevados. Porque a evolução é infinita, ao menos para o nosso pensamento relativo. E para que os espíritos continuem evoluindo, eles precisam sempre vencer tarefas cada vez maiores, mais complexas, mais profundas para poderem atingir planos mais elevados. Não existem mundos elevados de acomodação, de tranquilidade, de paz, sem trabalho. Existem sim de paz sem luta, sem brigas, sem guerras, sem ciúmes e sem ódios. Mas todos estes mundos estão cheios de trabalho, de trabalho profundo e sereno que leva o espírito às mais altas posições evolutivas que ele pode atingir.

 

Pergunta nº 6: Testemunhas

 

Locutor - E continuamos atendendo ao nosso ouvinte João Sunam. Ele ainda pergunta: Os espíritos de ordem superior têm o privilégio de nos expiar em lugares privados?

 

J. Herculano Pires - O apóstolo Paulo falava que precisamos ter cuidado com as nossas testemunhas. As testemunhas são precisamente os espíritos que nos veem, que nos acompanham e que veem o que fazemos, e mais do que isso,veem o que pensamos, o que falamos, o que sentimos, o que desejamos. Essas testemunhas o apóstolo Paulo nos advertia quanto a elas, porque na verdade elas podem ter interesses diretos ligados a nós e elas se servem justamente dos nossos sentimentos, das nossas intenções para atuarem sobre nós. Assim, os espíritos que estão ao nosso redor constantemente e que estão ligados a nós, eles nos veem em toda parte, em qualquer lugar e podem aproximar-se de nós. Muitas vezes estamos monologando mentalmente sobre um determinado assunto e nada mais fazemos do que responder a uma verdadeira inquirição mental de espíritos que nos sugerem certas ideias e ficam procurando saber até onde nós vamos naquele campo. É preciso, portanto, ter muito cuidado, de acordo com as advertências que nos são feitas por Paulo, pelos evangelhos e também pelo espiritismo no tocante à nossa mente. A nossa mente tem um grande poder. O pensamento é que dirige a nossa vida. Tenhamos cuidado nisso, porque em qual quer lugar onde estejamos os nossos pensamentos são facilmente captados por espíritos muitas vezes perseguidores que querem nos atingir, que querem nos prejudicar e que se servem das nossas próprias ondas mentais para interferirem nelas e desviarem nosso pensamento ou incitarem em nós as paixões inferiores, os desejos perigosos, as intenções malévolas. É necessário, pois, que nos convençamos disso. Não há barreiras, como prova hoje a própria parapsicologia, para a transmissão do pensamento e para a sua captação. Download Pergunta nº 7: Transporte Locutor - Professor, a ouvinte Olga, da Rua João Ramalho, telefonou fazendo-nos a seguinte pergunta: Como os espíritos conseguem transportar objetos materiais e introduzi-los em recintos completamente fechados?

 

J. Herculano Pires - Este fenômeno é o fenômeno chamado de aporte. Nós podemos também, porque essa palavra aporte é inglesa, podemos nos servir da palavra portuguesa: é o fenômeno de transporte. Realmente, este fenômeno ocorre sempre que há médiuns de efeitos físicos, quer dizer, médiuns que tenham a possibilidade de fornecer elementos orgânicos materiais através, naturalmente, das suas vibrações perispiritais aos espíritos para que eles se sirvam desses elementos para fazer o transporte. O transporte de um objeto pode ser feito de várias maneiras e tem várias teorias para explicá-los. A teoria que nos parece mais acessível e que figura no livro dos médiuns é aquela que um espírito deu a Kardec dizendo que eles, quando querem transportar um objeto e fazê-los penetrar através de uma parede ou de qualquer outro obstáculo material para aparecer dentro de uma sala, ou dentro de uma gaveta, ou qualquer outro lugar, eles envolvem este objeto nos fluidos espirituais misturados naturalmente com o ectoplasma do médium, que são os fluidos orgânicos materiais que o médium fornece. E o médium fornece isso sem saber, inconscientemente, porque é da sua própria natureza emitir fluidos sempre que lhe provocam uma excitação espiritual. Então, o objeto impregnado por esses fluidos, envolvido por esses fluidos se torna capaz de atravessar uma parede uma vez que esta parede se constitui também de um processo vibratório que permite essa passagem do objeto por ela. Essa teoria parecia muito absurda antigamente, mas hoje, que o desenvolvimento das ciências nos mostrou que todas as coisas opacas, compactasque oferecem ao nosso sentido, na realidade, não são assim, porque elas são constituídas de átomos, e que entre os átomos há sempre grandes distâncias, grandes espaços vazios. Então se torna mais compreensível esta teoria. Me parece que podemos aceitá-la. Há também uma outra teoria que é da quarta dimensão, a de que além das três dimensões do nosso mundo, existe uma outra dimensão, e isto hoje é praticamente positivo, não há mais dúvidas a respeito. Não existe apenas a quarta, mas talvez a quinta, a sexta, a sétima, a oitava dimensões e assim por diante. Há dimensões no universo que nós não conhecemos. Então é possível que através dessa quarta dimensão seja transmitida para uma sala, para outro qualquer lugar de três dimensões seja transmitido para uma sala, para outro qualquer local de três dimensões, seja transmitido um objeto, porque ao efetuar essa passagem, ela se realiza não dentro das três dimensões que nós conhecemos, mas através daquilo que poderíamos chamar uma fresta, um buraco que nós não vemos, uma parte da nossa sala fechada que não é fechada por um espírito, porque ele está numa outra dimensão do espaço. Assim, é também esta uma teria explicativa deste fenômeno.

 

A editora GEEM do grupo espírita Emanuel atende pedidos de livros espíritas pelo reembolso postal. Na capital o atendimento é a domicílio. Caixa Postal 888 – São Bernardo do Campo.

 

Pergunta nº 8: Visão – materialização

 

Locutor - Professor, o ouvinte José de Oliveira Neves telefonou formulando pela segunda vez esta pergunta para maiores esclarecimentos, porque da primeira vez a referida pergunta foi mal formulada.

 

Dias antes de uma operação nos olhos recebi um pensamento com êxito de minha operação e também que no hospital eu conheceria uma enfermeira com a qual iria casar-me. E de fato tudo isso aconteceu, mas ainda não casei-me com essa moça, isto não quer dizer que não me casarei. Mas o que me deixou intrigado é quenuma noite estava acordado quando vi a minha namorada enfermeira diante de mim, cheguei mesmo a tocar-lhe e senti que estava materializada. Em pensamento, perguntei ao espírito se casaria ou não com ela. A resposta foi esta: O casamento sairá, mas que eu não precipite as coisas. Com calma tudo dará certo.

 

J. Herculano Pires - O senhor fez uma pergunta dizendo que o espírito tinha se materializado no senhor. Eu respondi então que isso não seria possível, que essa materialização não poderia ser feita, ou apenas uma aparição tangível, que não seria propriamente uma materialização, poderia surgir diante do senhor, porque esses fatos são comuns, são numerosos, ocorrem em grande quantidade no mundo. Então este fato não tem nada de misterioso do ponto de vista espírita. A enfermeira, durante o sono desprendendo-se do seu corpo, poderia se aproximar do senhor como espírito, e em virtude de ligações afetivas que existem entre os senhores certamente provindas já de existências anteriores, intensificando-se as ligações, o senhor teria possibilidade de vê-la como se fosse uma criatura humana normal, uma criatura que ali estivesse em seu próprio corpo, quando na verdade não estava em corpo material, mas sim apenas no seu perispírito. É o que se chama geralmente de duplo, o duplo da pessoa que se desprende do corpo material e se projeta à distância. É o fenômeno chamado de bi-locação no espiritismo. E esse fenômeno que ocorre também, como nós vemos, na história dos santos com numerosas entidades espirituais não só da igreja católica,mas de outras várias religiões do mundo. Este fenômeno, ocorrendo assim, vem confirmar apenas ao senhor que realmente existem ligações muito estreitas entre essa criatura que lhe apareceu e a criatura que o senhor viu em sonho, sendo elas, as duas, a mesma criatura. Eu creio que é isso que o senhor quer saber e é a explicação que eu lhe dou. Download Pergunta nº 9: Sonho Locutor - Professor, o ouvinte Antônio Jacinto de Souza, de São Miguel Paulista, pergunta: Sonhei que um espírito mostrou-me um papel e nele estava escrito a seguinte frase: Cuidado! As árvores estão caindo e as folhas estão perseguindo você. Qual o significado deste sonho?

 

J. Herculano Pires - Os sonhos não são fáceis assim de se resolver, de se decifrar, mesmo porque os sonhos estão geralmente ligados a sentimentos muito pessoais daquele que sonhou. Nós não sabemos o que o senhor estava sentindo nessa ocasião, quais eram os seus problemas, e também não é nossa função, absolutamente, adivinhar sonhos e explicar o seu significado. Nós apenas queremos esclarecer que os sonhos têm no espiritismo um sentido muito mais complexo e mais amplo do que no geral se pensa. Quando nós dormimos, geralmente nós nos desprendemos do corpo. O corpo fica livre do espírito, ou o espírito livre do corpo, que é mais acertado dizer. Então, se o espírito tem evolução suficiente para viver no plano espiritual, ele permanece acordado, apenas o corpo dorme e ele,acordado, passa a entrar em relações com o espírito dos seus amigos, conhecidos, parentes e, naturalmente, há conversas entre eles. Mas enquanto isso, o corpo que está em estado de dormência na cama, o corpo tem também o seu cérebro em funcionamento e suas cerdas cerebrais estão evocando cenas da vida de vigília, das suas horas de acordado, e ao mesmo tempo está sendo afetado por ruídos diversos que acontecem ao seu redor, por exemplo, um carro que passa na rua, um avião no céu, que afetam também sua mente, e ele sente as imagens que se formam por associação na sua mente. Então, quando a pessoa acorda, muitas vezes mistura suas lembranças da vida espiritual com aquilo que ocorreu no seu cérebro enquanto dormia. De maneira que o sonho tem uma complexidade muito grande e não é fácil da pessoa decifrar o que houve. Talvez seja essa apenas uma frase, uma frase simbólica, uma frase alegórica de um espírito amigo que quis advertir o senhor de alguma coisa que não estava andando bem na sua vida. Não importa que o senhor não lembre da frase, do sentido, da aplicação da frase. O que importa é que esta frase, que foi dita e que ficou gravada na sua mente, ela foi entendida pelo senhor como espírito e realizou no seu inconsciente a ação necessária para o ajudar.

 

Pergunta nº 10: Espírito do médium

 

Locutor - Professor, o ouvinte Antônio Caetano Sobrinho pergunta: Um médium escrevente pode receber comunicação do seu próprio espírito?

 

J. Herculano Pires - Claro que quando se trata de médium, tanto pode ser um médium escrevente como um médium falante ou psicofônico, como se costuma dizer hoje, todos eles estão sujeitos a dois tipos de comunicação: a comunicação anímica e a comunicação espírita propriamente dita. A comunicação anímica é aquela que provém do próprio espírito do médium. Este fato tem dado motivos a numerosos contraditores do espiritismo para levantarem a tese de que todas as comunicações espíritas são anímicas. Essa proposição, entretanto, é sempre feita por dois motivos: ou o sectarismo religioso, que envolve no caso a má fé, ou a ignorância do assunto. Porque o problema do animismo, segundo o próprio espiritismo, este problema é em si mesmo uma comprovação do espiritismo. Por quê? Porque o médium, sendo um espírito encarnado, nós já estamos diante do fato espírita. Segundo, assim como o médium pode receber uma comunicação de um espírito estranho, ele pode, ele mesmo, dar a sua comunicação. E isso por quê? Porque a comunicação do próprio médium provém não da sua mente consciente, mas do seu inconsciente. É o inconsciente do médium que se manifesta nos momentos de comunicação anímica. Por outro lado, é preciso lembrar que este problema do animismo, ou da manifestação do próprio médium, foi largamente estudado no espiritismo desde Allan Kardec até os nossos dias, e existem duas obras clássicas fundamentais em que o senhor poderá se inteirar completamente deste assunto. Uma delas é do cientista russo AlexandreAksakof. Chama-se “Animismoe Espiritismo”. Aksakof foi um destacado cientista da Rússia czarista, foi conselheiro do Czar e um homem que se dedicou a fundo nas pesquisas no campo do espiritismo. O outro é um livro mais recente, é um livro do famoso pesquisador italiano metapsiquista, espírita, discípulo de Herbert Spencer. Se chama Ernesto Bozzano. Ernest Bozzano escreveu um livro muito curioso chamado “Animismo ou Espiritismo”no qual, depois de uma investigação bastante longa e profunda, ele chega à conclusão de que todas as comunicações anímicas podem ser mesmo classificadas de espíritas, classificações espíritas. Por quê? Porque quando o médium cai em estado de transe, o seu inconsciente aflora à consciência,trazendo consigo as recordações de vidas anteriores. Então a personalidade que ele manifesta é uma personalidade de encarnação anterior por ele vivida. Nesse caso, diz Bozzano,teoricamente nós temos uma manifestação de um outro espírito, não que seja um outro espírito na realidade, mas teoricamente podemos entender assim, porque se trata de uma personalidade anterior, formada numa vivência anterior do espírito e que permanece na sua lembrança, na sua memória, não como um outro ser, mas como uma recordação viva. Esta personalidade que ali se manifesta, portanto, está dando uma comunicação. Por outro lado, esta comunicação tem tanto interesse como uma comunicação de um espírito estranho ao médium. Por quê? Primeiro porque ela serve para a comprovação da teoria da reencarnação. E depois porque ela representa, em geral, uma espécie de catarse psicanalítica. Assim como na psicanálise, procura-se produzir a catarse fazendo com que o paciente se lembre de traumatismos profundos da sua vida atual, que surgem da memória profunda para a mente a fim de ele se libertar de sensações que o estão prejudicando no seu comportamento na vida comum, assim também a manifestação de uma memória profunda do espírito, através da mediunidade, é uma catarse de maior profundidade, uma catarse que vem da memória profunda no sentido mais lato da palavra, porque é daquela memória que remonta as encarnações anteriores. Acredito que assim dei ao senhor a resposta mais completa que podia dar no momento.

 

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O evangelho do Cristo em tom de conversa. O nosso diálogo com o Cristo.

 

Abri o evangelho ao acaso e caiu isto: evangelho de Mt, 1:12 em diante.

 

Depois do exílio em Babilônia,Jeconias gerou a Salatiel. Salatiel gerou a Zorobabel. Zorobabel gerou a Abiude. Abiude gerou a Eliaquim. Eliaquim gerou a Azor. Azor gerou a Sadoque. Sadoque gerou a Aquim. Aquim gerou a Eliude. Eliude gerou a Eliazar. Eliazar gerou a Matã. Matã gerou a Jacó. E Jacó gerou a José, esposo de Maria da qual nasceu Jesus que se chama Cristo.

 

Este trecho do evangelho de Mateus, que é logo no início dos evangelhos – qualquer pessoa abrindo o novo testamento encontra logo este trecho –, parece assim não ter nenhuma importância fundamental. Entretanto, é de grande significação, porque através dessa exposição das gerações sucessivas – aqui, por exemplo, foi lido apenas o trecho referente após o exílio da Babilônia, mas há também no mesmo capítulo o trecho anterior que se refere às gerações que se deram no tempo do exílio. A finalidade deste trecho é mostrar que Jesus descendia da casa de Davi e que, portanto, ele era o messias prometido. Porque os judeus esperavam o messias que vinha da linhagem do rei Davi, e fazendo essa genealogia de Jesus, Mateus pretendeu provar aos judeus que Jesus era realmente o messias por descendência inegável da linhagem de Davi. Isso tem uma grande importância também no movimento espírita particularmente hoje, quando existe, como sabemos, uma tendência da parte de algumas correntes em admitir uma teoria do corpo de Jesus que não corresponde com o preceito ou com o dogma da reencarnação. Ora, nós vemos que o fato de se considerar Jesus fora da linhagem humana já seria um elemento contrário à própria admissão de que ele correspondia àquilo que os profetas chamavam: o nascimento do futuro messias. Quer dizer, a profecia estaria comprometida pelo fato de Jesus não ter encarnado realmente. E se a sua encarnação fosse fluídica, como pretendem essas correntes, então Jesus não teria descendido de Davi, porque Davi, na verdade, era um espírito encarnado e toda sua linhagem é uma linhagem encarnada.

 

Ora, nós vemos, assim, que considerando este aspecto tem uma grande importância no momento em que em todas aquelas instituições, em todos aqueles lugares onde se pretende manter o espiritismo na sua pureza, sustentando os seus princípios de maneira decisiva, de maneira firme, sólida, em todos estes lugares sempre se procura mostrar a realidade plena da encarnação de Jesus como o homem na Terra. E este trecho de Mateus vem a propósito, vem, como se costuma dizer, atalho de foice, segundo a expressão caipira, vem provar que realmente a posição apostólica no caso, já confirmada também por Pedro e por João, como nós sabemos, nas suas epístolas, a posição apostólica era decisiva: Jesus nasceu como uma encarnação, encarnação positiva da linhagem de Davi.

 

Acerte o seu passo com o mundo, amigo, antes que seja tarde. O mundo está avançando para o futuro a dois mil quilômetros por minuto. Não fique parado. Avance com ele. Estude e aprenda as lições do progresso.

 

No Limiar do Amanhã: avancemos no rumo das estrelas.

 


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