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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

Hoje é o dia da cidadania paulistana de Chico Xavier. A partir de hoje o maior médium psicógrafo do mundo é cidadão de São Paulo. Na verdade, Chico Xavier pertence à grei paulistana desde tempos imemoriais. Sua ligação com o planalto de Piratininga vem de épocas remotas. Quando Emanuel lhe revelou em tocante mensagem que ele, Emanuel, estivera no Brasil na gloriosa encarnação do Padre Manuel de Nóbrega, tornou-se claro para todos os que conhecem os problemas das afinidades espirituais que o médium humilde participou também da fundação de São Paulo.

 

Desde o início das suas atividades mediúnicas há mais de quarenta anos, Chico Xavier contou sempre com o apoio, a admiração e a ajuda entusiástica de Piratininga. Ele mesmo diz, comovido, que deve a São Paulo a assistência constante e carinhosa do seu povo generoso. A entrega do título de cidadão paulistano a Francisco Candido Xavier equivale apenas ao reconhecimento oficial de um fato histórico. Chico Xavier regressa hoje ao lar antigo, à casa paterna, como o filho pródigo do evangelho. Mas no sentido espiritual. Não é o filho que havia transviado, mas o filho que continuou fiel aos princípios que recebera no lar. Sua prodigalidade não foi a do esbanjamento, mas a do amor. Pródigo no amor aos semelhantes, na dádiva de si mesmo em favor de todos, na dispensação incessante e abnegada da luz para um mundo em trevas.

 

A egrégia Câmara Municipal de São Paulo o recebe como o pai da parábola, reintegrando-o na comunidade familiar. O mais novo cidadão paulistano é também o mais velho. Acima da história, temos a palingenesia, a transcendência do processo reencarnatório em que as criaturas humanas e os povos se reencontram nos caminhos da evolução. A lei de afinidade rege o processo palingenésico eternizando os laços de famílias além das coordenadas do tempo. Nada se perde, tudo se transforma. Tudo nasce, morre e renasce, desde os grãos de areia até os astros no infinito.

 

É por isso, amigos ouvintes, que a solenidade política de hoje, o ato de entrega do título de cidadão paulistano a Chico Xavier não representa apenas uma formalidade rotineira. O formalismo desaparece diante da transcendência do ato, da significação deste episódio espiritual cujas raízes mergulham além do tempo, na própria seiva espiritual da vida. Atenção, amigos ouvintes, as palavras de Chico Xavier ao agradecer a homenagem de hoje não serão as palavras arranjadas de um discurso formal. Chico e Emanuel falarão pelos mesmos lábios transmitindo a mensagem sincrônica de dois corações que pulsam na sintonia do infinito. Este é o sinal dos novos tempos, a marca da nova era, a prova de que os homens estão pisando No Limiar do Amanhã.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emanuel. Transmissão número 114. Terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640 KHZ e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 KHZ. Todos os domingos esse programa é reprisado pela Rádio Mulher de São Paulo das seis às sete da manhã com sugestões especiais para o seu domingo espiritual. E o verbo se fez carne.

 

Apoiado nas palavras de João, o Evangelista, “e o verbo se fez carne”, Edições Cairbar Schutel acabam de lançar no volume inicial dessa linha editorial espírita um pequeno livro intitulado “O Verbo e a Carne”. Como subtítulo explicativo traz o seguinte: duas análises de roustainguismo. A primeira análise é do professor Herculano Pires que submete a obra de Roustaing inicialmente à análise lógica e depois à análise espírita do texto. A segunda é do saudoso escritor e conferencista Júlio Abreu Filho que submete a obra de Roustaing à análise [inaudível] e histórica, mergulhando fundo nos problemas espirituais relacionados com os textos bíblicos e evangélicos.

 

O problema do roustainguismo é um dos mais melindrosos do movimento espírita brasileiro, pois quem o sustenta é a própria Federação Espírita Brasileira, divulgando a obra de Roustaing e fazendo intensa e apaixonada propaganda da mesma. Na França, onde essa obra foi publicada no tempo de Kardec, não se fala mais dela. Em nenhum outro país do mundo se ouve falar do roustainguismo. Por que motivo Roustaing permanece em nosso país? Por que razão encontra entre nós defensores acérrimos dos seus princípios? E por que essa obra é tão combatida em nosso meio?

 

O livro “O Verbo e a Carne” coloca o problema do roustainguismo sobre a mesa para uma dissecação anatômica. Os trechos principais da obra são transcritos fielmente e submetidos a exames. Os autores de “O Verbo e a Carne” não querem discutir a questão, mas examinar atentamente o assunto, e dispondo dos instrumentos adequados, retalham o corpo doutrinário do roustainguismo, pondo à mostra as suas intenções viscerais. É um livro diferente, escrito de maneira sintética, não se perde em divagações.

 

Temos em “O Verbo e a Carne” uma verdadeira amostragem dos tópicos fundamentais da obra de Roustaing. O leitor se informa em poucas páginas do todo o conteúdo dos quatro volumes massudos dos quatro evangelhos de Roustaing que contém nada menos que duas mil páginas. A análise rigorosa dos textos de Roustaing é feita com perícia e firmeza. Em poucas palavras, o bisturi da razão corta os pontos principais da doutrina roustainguista e expõe o que nele se encontra. É a primeira vez que os espíritas brasileiros podem encarar o mistério do roustainguismo à luz da razão kardeciana. Quem não ler este livro estará moralmente proibido de falar da questão Roustaing. Registramos com satisfação o aparecimento de “O Verbo e a Carne” que está sendo distribuído pela LAKE, Livraria Allan Kardec Editora, e encarecemos aos ouvintes a necessidade de ler e divulgar esse livro. Todo resultado da venda de “O Verbo e a Carne” é destinado à Casa da Criança de São João Batista do Glória. Atenção amigos! Atenção ouvintes! “O Verbo e a Carne” não é vendido para fins comerciais. Os autores nada recebem pela sua venda. Todo resultado da venda será empregado na Casa da Criança de São João Batista do Glória, de Minas Gerais, através da LAKE.

 

Mande suas perguntas por carta ao Programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana as perguntas podem ser feitas por telefone no horário comercial discando 2694377 ou 2696130. Na primeira quarta-feira do mês, venha ao nosso auditório para fazer suas perguntas ao microfone e ouvir as respostas na hora. As gravações de auditório começam às 20h30. Rua Granja Julieta, 205. Entrada franca.

 

Perguntas e respostas.

 

Depois de responder às perguntas dos ouvintes, faremos também nossa pergunta aos ouvintes. As respostas certas que nos forem enviadas ou que se aproximarem do acerto darão direito a um livro espírita. Pergunta nº 1: Enjoo em passes

 

Locutor - Professor, a ouvinte Francisca Grec, da Rua Leôncio de Carvalho, São Paulo pergunta: estou em desenvolvimento mediúnico e também aplico passes sob a orientação de Chico Xavier. Nestas ocasiões sinto-me mal, principalmente o estômago enjoa muito. Mas quando volto ao meu consciente, tudo passa. Isso é normal? E por que acontece?

 

J. Herculano Pires - A senhora naturalmente está dando passes a mandado de Chico Xavier, não propriamente sob a orientação. Geralmente as pessoas escrevem ao Chico ou vão lá consulta-lo e ele manda que as pessoas deem passes para se curarem a si próprias, porque na verdade quem dá um passe não está atribuindo a alguém alguma coisa, não está prestando benefícios aos outros somente; está também se beneficiando. Se a senhora se sente mal, inclusive com enjoo de estomago durante o passe, mas depois a senhora volta à normalidade e não sente mais nada, não há motivo nenhum para alarme. A senhora deve continuar no seu trabalho, lendo sempre “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, fazendo as preces necessárias, preparando-se antes de dar os passes.

 

Download Pergunta nº 2: Reconhecimento da mediunidade

 

Locutor - Como se conhece a mediunidade de efeitos físicos ou como ela se manifesta?

 

J. Herculano Pires - Toda mediunidade se conhece pelas suas manifestações. Nós nunca podemos dizer que uma pessoa é médium neste ou naquele sentido de psicografia, de efeitos físicos, de voz direta e assim por diante, se nós não tivermos a prova, ou seja, não tivermos visto os sintomas dessa mediunidade nas suas manifestações. As pessoas que costumam dizer com certeza, com segurança absoluta: “o senhor é médium de tal coisa” sem terem visto nada a respeito, sem terem tido uma prova concreta da mediunidade dessa criatura a quem se dirige, são pessoas que falam o que não sabem. A mediunidade se revela pelas suas manifestações.

 

Download Pergunta nº 3: Agua fluidificada

 

Locutor - Se tivermos meio litro de água fluidificada e completarmos o mesmo podemos ter o mesmo valor curativo?

 

J. Herculano Pires - Este é um problema que tem sido bastante discutido no meio espírita, e vários espíritos dizem através de médiuns que não tem o mesmo valor. Entretanto, há também aqueles que afirmam e nós, de nossa parte, estamos com esses, afirmam que uma vez a pessoa fazendo uma prece antes de aumentar a água e pedindo o auxílio dos espíritos para que a fluidificação possa ser aumentada, é possível fazer este aumento de água sem necessidade de se pedir uma nova fluidificação de água especial. A senhora, naturalmente, com essas perguntas está mostrando bastante interesse pelo problema mediúnico, não só porque possui mediunidade, mas porque também quer se inteirar a respeito. Nós lhe daremos o “Livro dos Médiuns” de Allan Kardec, na última edição da LAKE, Livraria Allan Kardec Editora. Este livro a senhora pode procurar a partir de segunda-feira próxima em qualquer dia da semana no horário comercial no escritório central da Rádio Mulher à Rua Barão de Itapetininga, 46 – 11ºandar, conjunto 1111.

 

Download Pergunta nº 4: Quando João Batista irá reencarnar?

 

Locutor - Professor, o ouvinte Antônio Lara, da Rua Ungalha, da Vila Ipojuca, São Paulo, pergunta: Há muitos anos um grupo de Poços de Caldas anunciou a reencarnação do profeta João Batista. Houve na ocasião até mesa redonda para discutir o assunto. No que ficou aquela história? João veio ou continua por lá mesmo?

 

J. Herculano Pires - Esses assuntos assim de reencarnação sempre partem de pessoas que conhecem muito pouco o espiritismo, ou na verdade não conhecem nada. Quem somos nós para sermos avisados de que uma figura, principalmente assim, uma figura assim de alta projeção como João Batista, vai se reencarnar, ou já se reencarnou? Isso tudo não passa de suposições e, em geral, de mistificações, certamente por isso nunca mais se falou no assunto.

 

Download Pergunta nº 5: Pintura mediúnica e estudo de médium

 

Locutor - Professor, o ouvinte Renato Moreti pergunta: Pode um espírito desencarnado pintar as paisagens do plano espiritual através dos dedos de um médium sem ter o conhecimento de pintura? E segunda pergunta: quantas vezes um médium deve estudar o “Livro dos Médiuns”?

 

J. Herculano Pires - A pintura mediúnica é bastante conhecida no meio espírita e vem desde o tempo de Kardec, quer dizer, quando Kardec começou a levantar o problema dos fenômenos mediúnicos e a estuda-los, Kardec já encontrou médiuns pintores. A própria “Revista Espírita” de Kardec nos dá notícia dos médiuns pintores daquele tempo. Assim existem realmente médiuns pintores e estes podem não só fazerem um quadro referente a paisagens terrenas como também de paisagens espirituais, é evidente. Pergunta o senhor se podem fazer isso através dos dedos. Realmente, há a pintura de dedos. Não é apenas uma pintura mediúnica; também existe a arte terrena de se pintar com os dedos, é um curioso trabalho de pintura. E existem os médiuns pintores que também se servem dos dedos. Aqui mesmo em São Paulo, como sabemos, existem alguns entre os quais a pintora Cláudia que ainda recentemente esteve expondo seus quadros pintados a dedo na Livraria Espírita da Rua 24 de Maio. Quanto à pergunta referente às vezes que o médium deve estudar o “Livro dos Médiuns”, eu responderia que na verdade ele deve estudar sempre esse livro, porque o “Livro dos Médiuns” deve ser o livro de cabeceira dos médiuns. Ele é o tratado mediúnico por excelência, e tudo quanto se escreveu posteriormente sobre a mediunidade, não do ponto de vista assim de estudar apenas aspectos da mediunidade, mas com a pretensão de substituir o “Livro dos Médiuns”, tudo quanto se fez neste sentido, não passa de esboços muito imprecisos e bastante distantes da riqueza, da exuberância e da profundidade com que o “Livro dos Médiuns” aborda o problema mediúnico. Nós podemos mesmo dizer que o “Livro dos Médiuns” hoje, no momento em que a parapsicologia é tão explorada no Brasil e no mundo, o “Livro dos Médiuns” representa em essência e na verdade o maior tratado de parapsicologia que nós poderemos querer encontrar, porque ali estão todos os fenômenos estudados pela parapsicologia, e com uma antecedência de um século, esses fenômenos já estão explicados no “Livro dos Médiuns”.

 

Download Pergunta nº 6: Comunicação entre espírito e médium

 

Locutor - Professor, a ouvinte Maria de Lurdes Oliveira, da Rua Pedro Deora de Campos, Vila Matilde, responde à pergunta feita pelo programa dizendo: O espírito transmite sua comunicação com os médiuns através da combinação dos fluidos perispiríticos. O espírito, por assim dizer, identifica-se com a pessoa que deseja influenciar, não só lhe transmite seu pensamento como também exerce sobre ela uma influência física, fazendo-a agir ou falar à sua vontade obrigando-a a dizer o que ele quiser. Serve-se, numa palavra, dos órgãos dos médiuns como se fossem seus. Pode, enfim, neutralizar a ação do próprio espírito da pessoa influenciada. Os bons espíritos servem-se dessa influência para o bem.

 

J. Herculano Pires - A resposta que nos é dada pela senhora Maria de Lurdes Oliveira na verdade mostra várias deficiências. A maneira por que o espírito se comunica é realmente a ligação fluídica que se processa entre o espírito e o médium. Entretanto, não podemos dizer de maneira alguma que o espírito se apossa do corpo do médium, se apodera dos seus órgãos e faz dele o que quiser. O médium não é um robô, o médium não é um boneco de palco ou de teatro movido por cordéis. O médium, segundo a própria palavra médium, é um intermediário, é uma pessoa que serve ao espírito com boa vontade, que se coloca à disposição do espírito para transmissão da sua mensagem. Entretanto, o médium vigia o seu próprio corpo, ele é o dono do corpo, o espírito não se apodera do seu corpo. Ele faculta ao espírito a possibilidade de transmitir a sua mensagem, de transmitir até mesmo os seus gestos, a sua maneira de ser, e às vezes a própria voz, e até mesmo nos casos específicos de mediunidade, de transfigurar o médium para que ele se assemelhe ao espírito comunicante. Mas tudo isso com o consentimento do médium. Os casos de possessão são diferentes, são casos mórbidos, casos em que as pessoas são assoberbadas por espíritos inferiores, espíritos com os quais essas pessoas têm dívidas do passado; são casos cármicos como nós costumamos chamar, casos, portanto, que não estão no plano propriamente da mediunidade de trabalho, da mediunidade de serviço, mas sim da mediunidade generalizada. A pessoa possessa fica entregue ao espírito. Entretanto, mesmo nestes casos, a possessão se dá em virtude de um consentimento inconsciente da pessoa, porque o espírito se aproxima servindo-se das fraquezas da pessoa que vai procurar envolver. Ao falar com essa pessoa mentalmente, ela toca nos pontos fracos dessa criatura e se a pessoa aceita sugestões malignas do espírito, então ela vai se entregando pouco a pouco a ele. Mas há sempre um problema de consentimento. Nunca a pessoa é envolvida de súbito, é tomada de uma hora para outra envolvida e dominada pelo espírito. Há sempre um processo lento, sutil, de troca de ideias, de entendimento no plano mental entre o obsessor e a pessoa obsedada. Então, quando o obsedado se entrega e o espírito dele se apossou, é porque entre ambos houve, por assim dizer, um pacto, embora seja um pacto não expresso, não firmado, não declarado. Neste pacto, houve a entrega do médium ao espírito e só assim o espírito pode dominá-lo. Então é preciso que no trabalho de desobsessão, se consiga afastar o espírito, doutrinando não só somente ele, mas também o médium. A necessidade de esclarecer o médium vem precisamente do fato de que a repulsa ao espírito obsessor tem de partir do espírito do próprio médium. Mas não devemos confundir esses casos de obsessão, que são casos mórbidos, com os fenômenos mediúnicos onde o médium é sempre senhor de si mesmo e controla a manifestação. Para isso ele deve ter educação mediúnica que é dada através do estudo da mediunidade e da orientação que o médium recebe nos centros espíritas. Para que a senhora conheça melhor este problema, nós vamos lhe oferecer um volume do “Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, na recente edição da Livraria Allan Kardec Editora. A senhora pode procurar este livro no escritório central da Rádio Mulher de acordo com o endereço que estamos dando no programa a todo momento. Download Pergunta nº 7: Manifestações Locutor - Professor, a ouvinte Terezinha da Silva, da capital, pergunta: Desde criança vejo uma luz estranha constantemente diante dos meus olhos. Por duas vezes ouvi vozes sem conseguir entender o que diziam. Já consultei vários centros espíritas, mas continuo tendo as mesmas visões e ouvindo a mesma voz atrapalhada. Professor, tenho medo e gostaria de ouvir sua orientação. J. Herculano Pires - Nestes casos onde a mediunidade está brotando espontaneamente e em que ela se desenvolve, portanto, daquela maneira que é ideal, se desenvolve com naturalidade, geralmente as pessoas se amedrontam. Mas não há razão para isso. A manifestação dos espíritos é um fato normal. Desde todos os tempos, desde que o homem é homem na Terra, os espíritos se manifestaram através das pessoas dotadas de sensibilidade mediúnica. A senhora, portanto, não tem razão para alimentar este medo. A senhora tem de combate-lo, a senhora tem de compreender que os espíritos estão sempre ao redor de todos nós, que nos transmitem suas ideias, que nos influenciam para o bem ou para o mal, nos dão sugestões várias, e que por isso mesmo no evangelho de Jesus está lá aquela advertência segundo a qual devemos orar e vigiar constantemente. Orar e vigiar para que as influenciações, as sugestões malignas não consigam dominar-nos o pensamento. E vigiar constantemente para que os pensamentos bons possam ser discernidos e nós então não nos deixemos levar pelas influências perturbadoras. A senhora precisa continuar não apenas indo ao centro espírita uma vez ou outra, mas frequentando sessões com regularidade; precisa estudar seriamente o espiritismo; precisa, enfim, tomar conhecimento do assunto a fim de que a senhora possa dirigir a sua mediunidade com segurança. Ela é um instrumento abençoado que Deus lhe concede para o trabalho da caridade. Através da sua mediunidade desenvolvida, a senhora poderá dar socorro aos espíritos necessitados e às criaturas necessitadas aqui na Terra, sem correr nenhum risco, porque o risco que se corre na mediunidade é o risco pessoal da nossa imprudência. Mas a senhora lendo, a senhora se orientando, a senhora estando assistida num bom centro espírita não correrá risco nenhum. Nós vamos lhe dar para início dos seus estudos o livro “O Principiante Espírita”, de Allan Kardec, edição recente da LAKE.

 

Download Mande suas perguntas por carta ao Programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana as perguntas podem ser feitas por telefone no horário comercial discando 2694377 ou 2696130. Na primeira quarta-feira do mês venha a nosso auditório para fazer suas perguntas ao microfone e ouvir as respostas na hora. As gravações de auditório começam às 20h30. Rua Granja Julieta, 205. Entrada franca

 

Perguntas e respostas.

 

Pergunta nº 8: Jornal Espírita

 

Locutor - Professor, o ouvinte Afonso Gimenez, da capital, pergunta: Onde posso requisitar a assinatura do Jornal Espírita Nova Era, ou a Aurora, ou outro qualquer?

 

J. Herculano Pires - O Jornal Aurora, segundo me parece, já não está mais circulando há muito tempo. Quanto ao jornal A Nova Era é de Franca. O senhor poderia escrever à redação do jornal A Nova Era em Franca, pedindo uma assinatura. Entretanto, me parece que aqui mesmo em São Paulo o senhor poderá obter uma assinatura na livraria Edicel ali da Rua Genebra, 122, esquina da Rua Maria Paula, ou talvez na própria livraria da Federação Espírita do Estado, ou também na livraria da Rua Aurora, 706, a Livraria Espírita da Rua Aurora, 706, próximo à Avenida São João. Numa dessas livrarias o senhor encontrará, quando nada, o endereço necessário para pedir a assinatura no endereço certo.

 

Download Pergunta nº 9: A mulher que fala com Marte

 

Locutor - Professor, o ouvinte Olívio Segato, da Rua Visconde de Cavalcanti, pergunta: Tenho um livro cujo título é “A Mulher que fala com Marte”, em que o autor, Luiz Quirino, narra o seguinte: Dona Zoca, médium dotada de extraordinários poderes de percepção extra-sensoriais comunica-se com um habitante do planeta Marte chegando a ser levada telepaticamente a visitar o planeta vermelho. O livro não é de ficção; contem depoimento de psicanalistas. Seria isso realmente possível?

 

J. Herculano Pires - Tenho conhecimento deste livro e inclusive de algumas das pessoas que deram opinião a respeito dele. Um dos psiquiatras que opinaram a respeito esteve conversando longamente comigo. Posso te assegurar que a opinião desse psiquiatra, pelo menos, não era uma opinião positiva no sentido absoluto. Ele chegou à conclusão de que na verdade dona Zoca era uma médium, ou seja, uma mulher que tinha, do ponto de vista parapsicológico, percepção extra-sensorial, e do ponto de vista mediúnico ela estava sujeita à influenciação de espíritos. Mas isso não quer dizer que o psiquiatra apoiasse a tese de que dona Zoca recebia um espírito provindo do planeta Marte e que as suas possíveis viagens interplanetárias fossem reais. Não. A opinião do psiquiatra se restringiu apenas, de acordo com o que ele mesmo me falou, à afirmação da percepção de existência extra-sensorial e de comunicações de espíritos através de dona Zoca. Nós sabemos que esse problema de médiuns receberem a informação de que espíritos de outros planetas vêm busca-los para leva-los em espírito até lá e fazerem vê-los lá paisagens e coisas estranhas de um mundo diferente, este problema está geralmente no capítulo das mistificações. Porque na verdade não é necessário que aconteçam fatos dessa natureza para trazerem ao nosso conhecimento qualquer coisa de excepcional com respeito a outros mundos. Kardec sempre explicou, sempre acentuou que o espiritismo não é Astronomia. Podíamos dizer hoje que o espiritismo não é Astronáutica. O espiritismo reconhece a existência da pluralidade dos mundos habitados no espaço. Tem informações a respeito desses mundos através de comunicações espíritas do mais elevado teor, dadas com segurança através de médiuns bem experimentados na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Mas o espiritismo nunca se interessou por aprofundar as minúcias desse assunto, porque, como Kardec dizia dentro da sua sensatez e do rigor do seu método, a investigação espírita deve se ater ao problema do espírito, da sua existência, da sua manifestação, da sua natureza e do seu destino. É isso que interessa ao espiritismo. No tocante à pluralidade dos mundos habitados, é, como dizia Kardec, um princípio que decorre da própria lógica, pois não podemos admitir um universo povoado de mundos vazios apenas para termos a pretensão de sermos na Terra os únicos seres inteligentes a habitarem mundos espaciais. Não. Dessa maneira o espiritismo considera a existência dos mundos habitados como um princípio determinado por uma necessidade lógica, e considera que a prova científica da existência desses mundos e da sua habitabilidade será dada futuramente pela investigação astronômica, e hoje como sabemos pela pesquisa Astronáutica. Assim, não devemos dar importância a livros dessa natureza que apareceram muitos no passado e continuarão a aparecer muitos ainda no futuro.

 

Download Pergunta nº 10: Estudo de mediunidade

 

Locutor - Qual livro que um médium deve ler e ter sempre como fonte de informação para melhor desempenhar sua função, e onde poderei encontrá-lo?

 

J. Herculano Pires - Há pouco ainda respondi uma pergunta sobre isso e vou dizer ao senhor a mesma coisa. O livro fundamental da mediunidade é o “Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec. Nada se escreveu mais completo nem melhor no mundo até hoje sobre mediunidade do que este livro. Ele é que deve reger, que deve dirigir o conhecimento da mediunidade pelo médium. O médium deve tê-lo como livro de cabeceira. E como o senhor se interessa por ele, nós vamos lhe dar um volume do “Livro dos Médiuns” da edição recente da LAKE, Livraria Allan Kardec Editora. Este “Livro dos Médiuns” nessa edição recente da LAKE não é apenas uma reprodução do texto de Kardec, mas um livro comentado e explicado, e inclusive posto em relação com as pesquisas atuais da parapsicologia. Essas explicações e essas comparações mostram que o “Livro dos Médiuns”, na verdade, é o maior tratado de parapsicologia que nós podemos conhecer, porque ele antecipa todas as explicações. Há um século ele vem antecipando as explicações que a parapsicologia está procurando exaustivamente através de suas pesquisas. E isso não gratuitamente. Explica isso com base nas pesquisas intensivas realizadas por Kardec durante doze anos na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em Paris.

 

Download Pergunta nº 11: Médiuns que ajudaram Kardec

 

Locutor - Professor, o ouvinte Pérsio Bottman, da Rua João Castelhano, responde a pergunta feita no dia 14/04: as médiuns que serviram a Kardec para a recepção de “O Livro dos Espíritos” foram as meninas Caroline Baudin, de dezesseis anos, e Julie Baudin, de quatorze anos, pela psicografia indireta através da cestinha de bico. Elas colocavam as mãos nas bordas de uma cestinha à qual estava preso um lápis, e este escrevia numa lousa sob o comando dos espíritos as respostas que Kardec fazia. O livro foi depois revisado pelo Espírito da Verdade, pelo mesmo processo, através de outra menina, a senhorita Jaffet.

 

J. Herculano Pires - A resposta do nosso ouvinte está quase perfeitamente certa. Apenas há aqui um pequeno senão, mas sem importância e nós não vamos aprofundar isso, mesmo porque esta pergunta já nos está chegando atrasada. As respostas sobre essa pergunta já foram examinadas, o prêmio maior da coleção da “Revista Espírita” já foi dado, mas nós vamos conferir ao senhor Pérsio Bottman um prêmio de acordo com nossa distribuição de livros. O primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec da editora Edicel. Nós queremos aproveitar para avisar mais uma vez a todos os ouvintes que ganharam livros neste programa que devem procurar esses livros a partir de segunda-feira próxima sempre no horário comercial no escritório da Rádio Mulher, escritório central à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. Os livros estarão ali à disposição dos ouvintes que foram premiados

 

Download Pergunta nº 12: Aviso por sonho

 

Locutor - Professor, a ouvinte Odete Lopes, da capital, pergunta: Minha mãe conviveu com um cidadão com quem não foi casada, isso no interior de São Paulo. Em consequência dessa união, vim ao mundo. Todavia, o referido cidadão não me reconheceu como filha, haja vista que minha certidão de nascimento apresenta-se como folha de pai ignorado. Sem saber que o mesmo era meu pai, sentia por ele uma certa atração e achava-o bastante bonito. Com o decorrer do tempo, ou seja, quando contava com oito anos de idade, fiquei sabendo que meu pai outra pessoa não era senão aquele moço bonito de quem tanto gostava. Com o passar dos anos, o mesmo ficou gravemente enfermo. Pouco antes de sua morte mandou buscar-me através de terceiros. Embora sabendo ter sido rejeitada, atendi a solicitação feita e assim apresentei-me ao moribundo, no caso, meu pai. Ao ver-me chamou-me com dificuldade de minha filha e pediu-me que sentasse ao seu lado. Olhava-me com ternura como se estivesse arrependido pelo que fez. Após alguns dias, meu pai faleceu. Fui informada de que deixara algumas propriedades no interior de São Paulo. Sonhei várias vezes com ele, mas o último sonho muito me impressionou. Sonhei que estava em sua companhia e ele indicava-me uma placa de metal com os seguintes dizeres: Cartório. Lembro-me que lhe fiz uma pergunta: só agora o senhor lembrou que sou sua filha? Professor, seria este sonho um aviso alertando-me para o recebimento de alguma herança?

 

J. Herculano Pires - Os sonhos dessa natureza geralmente se referem a tentativas de compensação que os espíritos fazem com relação às pessoas que prejudicaram aqui na Terra, ou às quais eles se consideram em dívida, mas essa compensação nem sempre é material. Muitas vezes é apenas uma compensação espiritual, é o carinho, a proteção, o amparo que o espírito arrependido procura dar à pessoa a quem prejudicou. É claro que no seu caso houve um prejuízo para a senhora, não só um prejuízo financeiro, mas também um prejuízo relativo à falta de reconhecimento de seu pai para com a filha que ele deixara no mundo. É possível que o espírito do seu pai a esteja procurando beneficiar, mas a senhora não deve se preocupar especialmente com o problema financeiro, com o problema material, porque certamente as coisas que aí ficaram em situação material, se não tivessem sido modificadas quando ele em vida, agora não poderão ser mais. O espírito, por mais que faça, não pode modificar aquilo que ficou determinado quando da sua existência como homem na Terra. A senhora deve continuar orando para seu pai. Ore para ele, peça em benefício dele, porque ele manifestou carinho para com a senhora antes de morrer, e se agora está também manifestando-se através do sonho com a senhora, ele está mostrando que as ligações de ambos vêm de um passado longínquo, e muitas vezes a ocorrência que lhe parece perturbadora, o fato de ele não a ter reconhecido em vida como devia, muitas vezes pode ter a procedência em acontecimentos do passado que só mais tarde a senhora irá conhecer e esclarecer.

 

Download Pergunta nº 13: Dificuldade do estudo de um médium

 

Locutor - Professor, o ouvinte José Carlos do Amaral, da Rua Irmão do Pio, Ipiranga, pergunta: Frequento um centro espírita do meu bairro e mandam sentar à mesa para desenvolver há dois anos e não deu em nada. Por quê? Como devo proceder para fazer o exame espiritual? Ainda mais peço uma outra orientação. Sei que tenho mediunidade e há muito venho sentindo envolvimento, principalmente pelos pés que me causam uma dor horrível. Já fui ao médico, mas nada resolveram. Disseram-me que era problema espiritual e não material, mas cada dia que se passa o problema continua e à noite não consigo dormir, sentindo o mesmo envolvimento em maiores proporções.

 

J. Herculano Pires - O problema do desenvolvimento mediúnico é um problema que realmente exige bastante atenção das pessoas que dirigem os centros e que lidam com os médiuns. O senhor precisa naturalmente continuar a frequentar o seu centro, mas procure conversar com as pessoas que o dirigem, explicando a sua situação. Este problema de o senhor sentir que o seu desenvolvimento começa pelos pés é muito estranho, e que os pés doem muito, porque na verdade o desenvolvimento mediúnico não processa assim. Esse problema da dor nos pés pode revelar, isto sim, alguma ação ou atuação de espíritos nesse sentido. Entretanto, o certo, o necessário é que o senhor procure ler, orar, esclarecer-se, para poder esse problema da mediunidade resolver de maneira satisfatória. Não se esqueça de que o médium é o intermediário entre os espíritos e os homens, e por isso mesmo quanto mais ele mantiver o seu teor moral elevado, melhores são as ligações dele com os bons espíritos, afastando-se, portanto, os maus que não conseguem atingi-lo. Vamos lhe fazer um presente de um livro: “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. O senhor precisa ler este livro com muita atenção. Além, naturalmente das instruções mediúnicas que o senhor já deve receber no seu centro, o senhor leia “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, todos os dias, se possível de manhã e à noite, abrindo o livro ao acaso e lendo o trecho que lhe cair sob os olhos. Leia e medite sobre esse trecho. Pode lê-lo inclusive em voz alta, se possível, porque isso beneficiará não somente o senhor, mas as entidades espirituais que estiverem ao seu redor, procurando atingi-lo no seu plano físico e, portanto, acessível à sua leitura em voz alta. Procure ler esse livro e orar. Tenha certeza de que fazendo assim e frequentando o centro, o senhor irá resolver esse problema o mais brevemente possível.

 

Download Pergunta nº 14: Perispírito (bem resumido)

 

Locutor - Professor, o ouvinte Getúlio de Paula Ramos responde: O perispírito é um invólucro fluídico e serve de intermediário entre o espírito e o corpo. A união da alma, do espírito e do corpo constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser que chamamos espírito.

 

J. Herculano Pires - Muito bem, esta sua resposta está excelente, mostrando que o senhor conseguiu resumir facilmente este problema do perispírito, e está bem claro o que o senhor diz aqui. Mas esta resposta nos chegou já bastante atrasada. Este problema já foi resolvido e o prêmio principal que era uma coleção da “Revista Espírita” já foi dado. Entretanto, nós vamos dar ao senhor o primeiro volume da “Revista Espírita”, de Allan Kardec, encadernação de percalina verde com gravação a ouro. Esse primeiro volume o senhor retirará a partir de segunda-feira sempre no horário comercial a qualquer momento dentro desse horário, no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111.

 

Download Pergunta nº 15: Perispírito e médiuns em volta da mesa

 

Locutor - Professor, temos ainda mais uma resposta do ouvinte José Alves Ferreira: O perispírito é um envoltório fluídico leve que serve de liame e de intermediário entre o espírito e o corpo. Espécie de corpo etéreo e vaporoso. Perguntas: Os médiuns que estão sentados em redor de uma mesa precisam tomar passe individual?

 

J. Herculano Pires - Bom, vamos primeiro tratar da sua resposta sobre o problema do perispírito. Como o senhor viu na resposta anterior, essa pergunta já está atrasada. Não obstante, o senhor deu uma resposta, embora reduzida, que mostra o seu interesse pelo assunto. Vamos agora às perguntas. O senhor pergunta se os médiuns que estão sentados ao redor de uma mesa precisam tomar passes individuais. É necessário saber em quais condições. Os médiuns podem sentar-se ao redor de uma mesa especialmente para tomar passes, em sessões de passes. Mas quando os médiuns se sentam ao redor de uma mesa para servir a sessão mediúnica, eles não precisam de passes. Entretanto, quando o médium tem dificuldades para recepção do espírito, ele não toma propriamente passe, mas tanto aquele que dirige a sessão como outras pessoas que o auxiliam, fazem imposição das mãos sobre ele, sobre sua fronte, sobre a sua cabeça, procurando auxiliar na recepção, transmitindo a ele aquilo que nós podemos chamar um acréscimo de fluidos necessários para que a comunicação se efetue. No tocante ao tratamento, portanto, dos médiuns, nesse sentido, isso é permitido.

 

Download Pergunta nº 16: Direção do passe

 

Locutor - Há diferença entre tomar passe pela frente ou pelas costas?

 

J. Herculano Pires - Sim, é claro. A aplicação fluídica, como qualquer aplicação de fluidos elétricos ou magnéticos, pode se destinar a uma determinada parte do corpo que esteja mais afetada e mais necessitada desses fluidos de maneira que o médium, quando está dando esse passe, recebe a intuição da maneira melhor por que ele deve dar esse passe.

 

Download Pergunta nº 17: Muitos trabalhos ao mesmo tempo

 

Locutor - Dois médiuns fazendo consultas no mesmo tempo e falando alto, outra pessoa fazendo prece, tudo isso ao mesmo tempo, pode atrapalhar os trabalhos?

 

J. Herculano Pires - Os trabalhos em sessões práticas de espiritismo têm à sua maneira de se realizar e devem ser efetuados de acordo com o controle e a orientação que o presidente da sessão naturalmente informado e já orientado de acordo com seus conhecimentos doutrinários possa imprimir a esses trabalhos. Às vezes, há possibilidade, num trabalho mediúnico de manifestações de espíritos sofredores, necessitados, há a possibilidade de que vários espíritos se manifestem ao mesmo tempo. Por quê? Há pessoas no ambiente incumbidas de atender aos vários espíritos. Não tem importância nenhuma que haja uma espécie de aparente balburdia com vários espíritos falando e vários doutrinadores ao mesmo tempo. O que interessa nesses casos é o atendimento pronto do maior número possível de espíritos necessitados. Isto, naturalmente, desde que haja uma conjugação, uma sintonia entre as pessoas que trabalham no campo mediúnico e os espíritos que atuam, os espíritos que dirigem, que orientam e que assistem aos trabalhos. Muitas vezes nós podemos reduzir, restringir as manifestações espíritas controlando-as através de um processo artificial, mas só fazemos isso com prejuízo daquilo que é mais importante nos trabalhos mediúnicos que é a sua espontaneidade. Sempre, pois, que a espontaneidade puder ser mantida nos trabalhos mediúnicos, ela é preferível a qualquer esforço de trabalho para controle artificial da sessão em prejuízo da realidade e do interesse das manifestações mediúnicas.

 

Download O evangelho do Cristo em espírito e verdade; não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica. Aberto o evangelho ao acaso encontramos a seguinte passagem em Atos, capítulo 20 versículos 29 a 35: Eu sei que depois da minha partida virão a vós lobos ferozes que não pouparão o rebanho, e que dentre vós mesmos surgirão homens que falarão coisas perversas para atrair os discípulos para si. Portanto, vigiai lembrando-vos que por três anos não cessei noite e dia de admoestar cada um de vós com lágrimas. Agora vos encomendo a Deus e a palavra da sua graça aquele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. Vós mesmos sabeis que estas mãos proveram as minhas necessidades e as dos que estavam comigo. Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando é necessário socorrer os fracos e vos lembrar das palavras do senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: Coisa mais bem aventurada é dar do que receber. Antes de passar propriamente ao comentário desse texto do evangelho que acabamos de ler, eu acabo de receber aqui um bilhetinho da Maria Helena me avisando que muitos ouvintes estão reclamando respostas às suas perguntas que nos foram remetidas. De fato, nós temos várias perguntas a responder e isso porque é grande o número de perguntas que nos são endereçadas. O programa tem os seus limites. Nós, entretanto, estamos dando vazão às respostas na medida do possível. E eu quero lembrar particularmente as pessoas que têm interesses mais imediato nas respostas que podem se aproveitar das nossas gravações de auditório sempre na primeira quarta-feira do mês, quando poderão fazer a pergunta ao microfone e ouvir a resposta na hora. Isto se torna mais fácil. Mas as que têm perguntas por escrito devem esperar, porque de acordo com as possibilidades do nosso programa, iremos dando as nossas respostas sem cessar e todos serão respondidos.

 

Passemos agora a apreciar rapidamente este texto do livro de Atos dos apóstolos que acaba de ser lido. Como nós sabemos, esse trecho, como já foi dito aqui, refere-se ao capítulo 20 do livro de Atos e o texto vai do versículo 29 ao 35 desse capítulo vigésimo. Nós vemos aí o apóstolo Paulo recomendando aos seus companheiros daquele tempo que tivessem cuidado quando ele se retirasse, porque ele ia viajar, ele ia continuar a sua missão, ia levar os seus ensinos a outras igrejas, ou seja, a outras congregações religiosas do cristianismo nascente pelo mundo todo. Mas ele temia pelos que ficavam, e isso por quê? Porque Paulo não era apenas um pregador zeloso, não era apenas aquele homem que se dera inteiramente à pregação do evangelho, mas era também um homem que conhecia bastante o seu tempo, a sua época, um homem de elevada cultura, de grande entendimento, de aguda inteligência. Ele sabia que os rebanhos, por assim dizer, do cristianismo nascente, aqueles pequenos aglomerados em que iriam nascer na sua simplicidade, na sua pureza, estavam cercadas por lobos devoradores, por lobos famintos. Esses lobos famintos não eram apenas da Terra, eram também do espaço, aquilo que o próprio apóstolo Paulo chamava muitas vezes as potestades do ar. Quer dizer, as forças que existem na própria atmosfera terrena no plano espiritual. Assim, os cristãos primitivos que encarnavam realmente no seu comportamento humano, na sua figura de criaturas humanas os ensinos de Jesus e que procuravam modificar o mundo através da modificação de si mesmos, transformar a Terra a partir da sua própria transformação, esses cristãos estavam sempre ameaçados pelas forças negativas que procuravam deturpar a doutrina de Jesus e atrair as pessoas para as mistificações e as fábulas de que falava também o apóstolo Paulo, as mentiras com que iludiriam as pessoas de boa fé. A advertência de Paulo é tão severa que ele nos fala aqui não somente nos lobos vorazes como também nos fala das coisas perversas a que as pessoas podiam ser induzidas por influência daquelas criaturas perturbadoras encarnadas e desencarnadas que constantemente se infiltravam no meio cristão. Entretanto, Paulo mostra sua confiança em Deus, a sua certeza de que todos aqueles que se portassem bem, todos aqueles que se fizessem merecedores da graça de Deus, essa graça que ele implorava ao partir em favor de seus companheiros, todos eles seriam defendidos, todos eles encontrariam na sua própria fé o apoio necessário para repelirem as mistificações que fossem trazidas ao meio cristão. Hoje, tanto tempo depois, quando o espírito da verdade se encontra na Terra presidindo ao desenvolvimento da nova revelação que é o espiritismo, a situação cristã é a mesma. Os agrupamentos espíritas onde quer que estejam estão sujeitos às infiltrações de espíritos trevosos, mistificadores, perversos, que procuram desviar as criaturas do caminho do bem, levando-as para a aceitação de fábulas, de utopias, de absurdos que desvirtuam e desfiguram o cristianismo e o espiritismo. O espiritismo, como sabemos, não se apresenta na Terra como uma revelação inteiramente nova, desligada do passado, mas sim como desenvolvimento natural, histórico e profético do cristianismo. Justamente por isso ele também está sujeito, ele, o espiritismo, à mesma situação em que esteve o cristianismo primitivo. Confiemos, pois, em Deus, e firmemos a nossa convicção doutrinária nas bases fundamentais do espiritismo para não nos deixarmos iludir.

 

No Limiar do Amanhã é um diálogo radiofônico sobre os problemas fundamentais da vida e da morte. Não é um programa de pregação religiosa, não queremos converter ninguém, queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, e se você provar que está com a verdade, ficaremos com você.

 

No Limiar do Amanhã: tragada foi a morte na vitória.

 


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