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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

(No Limiar do Amanhã para 12/05/1976).

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

É tempo de reparação. Chico Xavier, o médium humilde da antiga cidadezinha de Pedro Leopoldo, próximo a Belo Horizonte, tantas vezes atacado, ridicularizado, perseguido até mesmo no emprego, no seu obscuro ganha pão, agora está recebendo homenagens de todo o Brasil. Nosso povo reconheceu, afinal, a autenticidade do médium.

 

O tempo correu e a perseverança do servo fiel triunfou sobre a incompreensão do mundo. Velhos agressores, adversários gratuitos daquele que foi irmão de todos, agora lhe beijam as mãos. Só mesmo o sectarismo intransigente, o farisaísmo orgulhoso continua na tocaia, mas as suas fileiras já foram também beneficiadas pela presença de elementos renovadores de mente arejada e coração tocado pelo evangelho.

 

No próximo sábado dia 19 Chico Xavier receberá o título de Cidadão Paulistano que lhe foi concedido por votação unânime da egrégia Câmara Municipal de São Paulo. Não é uma homenagem de espíritas, mas popular, que os representantes do povo lhe prestam carinhosamente, sobrepondo-se a preconceitos religiosos e ideológicos de qualquer espécie. É tempo de reparação. Chico Xavier receberá o título no ginásio do Pacaembu dia 19, às 15h. Delegações do interior e de vários estados estarão presentes para testemunhar o afeto e a gratidão do Brasil ao médium que consagrou a sua vida à elevação espiritual do nosso povo.

 

É tempo de reparação. Belo Horizonte, a capital mineira em que os inimigos gratuitos de Chico Xavier lhe armaram ciladas e de onde partiram muitas ordens de perseguição ao médium, agora se apressa para lhe entregar título de cidadão belo-horizontino. A Câmara Municipal de Belo Horizonte, como a de São Paulo, aprovou a concessão do título por unanimidade. Não são os espíritas mineiros que vão homenagear Chico Xavier. É o povo da capital do estado através do seu legislativo. Em agosto ou setembro Chico Xavier deverá viajar para Belo Horizonte a fim de receber o seu galardão. A cidade que tantas vezes o ameaçou agora o consagra.

 

É tempo de reparação. Os livros psicografados por Chico Xavier são arduamente lidos pelo nosso povo. Jornais profanos chamam o médium de líder espiritual do Brasil. A imprensa, o rádio, a televisão disputam a sua presença. O médium não dispõe de tempo para atender a todos os convites que lhe fazem. Todas as cidades brasileiras querem ser visitadas por ele. Chico Xavier, o ofendido, o caluniado, o ridicularizado é agora o aclamado. Mas o importante é que a reparação não afeta o médium. Ele sabe e repete sem cessar que as homenagens que lhe tributam não pertencem a ele e sim ao espiritismo. Essa homenagem representa o conhecimento oficial popular do valor da mediunidade. A rocha mediúnica sobre a qual se assenta a doutrina espírita agora se transforma na pedra angular do novo Brasil que está nascendo.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emanuel. Transmissão número 113. Terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640 KHZ e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 KHZ. Todos os domingos esse programa é reprisado pela Rádio Mulher de São Paulo das seis às sete horas da manhã com sugestões especiais para o seu domingo espiritual. A reprise domingueira é feita somente pela Rádio Mulher.

 

A “Revista Espírita” e a pureza da doutrina.

 

Vamos conferir hoje o prêmio de uma coleção da ““Revista Espírita”” de Allan Kardec, doze volumes encadernados em percalina verde e com gravação a ouro ao ouvinte que responde certo nossa pergunta feita no último programa de abril, mês do livro espírita. Será premiada a primeira resposta certa que chegou às mãos da comissão selecionadora.

 

A coleção da “Revista Espírita”, inteiramente redigida por Kardec, é obra de leitura obrigatória para todos os que se dizem espíritas e particularmente para os expositores da doutrina. A “Revista Espírita”, mais do que lida, precisa ser estudada pelos dirigentes de grupos, diretores de trabalhos mediúnicos, professores de cursos doutrinários e, particularmente, pelos oradores e conferencistas espíritas. O desinteresse pela “Revista Espírita” é prova de falta de formação cultural e, portanto, falta de compreensão doutrinária. Espiritismo é cultura, e a “Revista Espírita” é a maior fonte de enriquecimento cultural no campo doutrinário.

 

É um absurdo, é até mesmo uma vergonha que só agora tenhamos a coleção da “Revista Espírita” em nossa língua no país em que o espiritismo se aclimatou melhor em todo o mundo. As obras de Allan Kardec não se constituem de apenas seis ou dez volumes, como muita gente supõe. Constitui-se de vinte volumes de quatrocentas páginas em média cada um. Não conhece espiritismo quem não conhece esses vinte volumes. Kardec afirma a todo momento nos seus livros que o conhecimento do espiritismo não é fácil, depende de estudos prolongados e sérios, acompanhados de práticas mediúnicas muito bem controladas. Precisamos fazer que espíritas e não espíritas compreendam bem isto. Sem estudo apurado e meditado de toda obra de Kardec, ninguém pode dizer-se conhecedor do espiritismo.

 

Até agora o espiritismo foi para o Brasil o que a lua foi para a Terra: um mundo conhecido apenas por uma face. A face oculta do espiritismo que somente alguns privilegiados conheciam está agora ao alcance de todos. É a coleção da “Revista Espírita” que guarda muitas surpresas para muitos pretensos doutores do espiritismo. Por isso vamos nos empenhar junto à editora Edicel, a única editora que lançou a revista em português, para repetirmos ainda neste ano a façanha de distribuição de coleções da revista aos nossos ouvintes. Ainda neste ano, se Deus quiser, voltaremos a distribuir a coleção da “Revista Espírita” aos que derem respostas certas às nossas perguntas doutrinárias.

 

As perguntas a este programa devem ser feitas por carta ou telefone. As cartas devem ser dirigidas à Rádio Mulher, programa No Limiar do Amnahã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Os telefones são os seguintes: 269-4377 ou 269-6130 que estão à disposição dos ouvintes durante a semana no horário comercial. Cada primeira quarta-feira do mês venham ao nosso auditório, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, às 20h30 para fazer as suas perguntas ao microfone e ouvir a resposta na hora.

 

Perguntas e respostas. Distribuímos hoje a última coleção da “Revista Espírita” de Allan Kardec, doação da editora Edicel, para a primeira resposta certa à pergunta que fizemos no último programa de abril. Os ouvintes que responderem à pergunta que vamos fazer hoje de maneira certa ou aproximada receberão o prêmio de um livro espírita.

 

Locutor - Professor, temos aqui as respostas dos ouvintes referentes a perguntas feitas pelo programa No Limiar do Amanhã. A ouvinte Maria Barufaldi da Rua Luiz Góes, Vila Mariana, responde.

 

J. Herculano Pires - Bom, eu já estou lendo aqui a resposta da senhora Maria Barufaldi, mas infelizmente ela aproximou-se apenas daquilo que nós queríamos como resposta. E lhe damos então um volume de “Iniciação Espírita” de Allan Kardec.

 

Locutor - O ouvinte Antônio Caetano também responde sobre a mesma pergunta que respondeu a ouvinte Maria Barufaldi.

 

J. Herculano Pires - Também para o senhor Antônio Caetano nós damos o “Livro dos Médiuns” de Allan Kardec.

 

Locutor - O ouvinte Alberto Bibiano responde à pergunta feita no dia dezessete de março de [19]73: por que umbanda não é espiritismo?

 

J. Herculano Pires - O senhor Bibiano respondeu mais ou menos certo. Damos então a ele “Iniciação Espírita” de Allan Kardec, da editora Edicel.

 

Locutor - O ouvinte Ramiro Eduardo Bispo responde sobre o perispírito.

 

J. Herculano Pires - Resposta mais ou menos certa, damos o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec.

 

Locutor - A ouvinte Neuza P. Lourenço, da Rua Quirino Puca, Vila Romana, também responde sobre a codificação do espiritismo.

 

J. Herculano Pires - Essa ouvinte deu uma resposta bastante longa, mostrando que realmente consultou os livros a respeito para poder responder certo. Mas infelizmente apenas aproximou-se da verdade, ou seja, daquilo que nós queríamos como resposta exata à nossa pergunta. Damos o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec.

 

Locutor - A ouvinte Lindaura Santos da Rua Bernardino de Campos, Brooklin, responde à pergunta feita no dia 31.

 

J. Herculano Pires - Também sobre a codificação, mas aproximou-se apenas. “Iniciação Espírita” de Allan Kardec.

 

 

Locutor - Professor a ouvinte Inês da Silva responde à pergunta sobre o perispírito. J. Herculano Pires - Sim, a resposta está mais ou menos certa. O primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec.

 

Locutor - O ouvinte Geraldo Martins Lemes da Avenida Gabriela Mistral responde sobre o perispírito.

 

J. Herculano Pires - Também a ele nós oferecemos o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec, nós e a editora Edicel.

 

Locutor - O ouvinte Dionísio Martins Varjão responde sobre o perispírito.

 

J. Herculano Pires - Também o primeiro volume da “Revista Espírita”.

 

Locutor - O ouvinte Alfredo Alves responde sobre o processo que o espírito consegue para dar a comunicação.

 

J. Herculano Pires - Sim, o problema da comunicação mediúnica. O ouvinte vai receber o “Livro dos Médiuns” de Allan Kardec na recente edição da LAKE.

 

Locutor - O ouvinte Adão Trindade responde sobre a comunicação.

 

J. Herculano Pires - Também a resposta deste nosso ouvinte está imprecisa. Nós lhe damos o “Livro dos Médiuns”, nós e a editora LAKE, na edição mais recente por ela lançada e que é um livro cheio de anotações e de explicações a respeito do problema que ele enfrentou para responder a esta pergunta, e pedimos a ele ler com atenção o tópico referente a este assunto. Locutor - O ouvinte Adolfo N. Furtado responde sobre a pergunta do processo pelo qual o espírito consegue transmitir a sua comunicação pelo médium.

 

J. Herculano Pires - É ainda o problema da comunicação mediúnica. O “Livro dos Médiuns” da editora LAKE, Livraria Allan Kardec Editora.

 

Locutor - O ouvinte Pedro Soares da Rua Chico Pontes responde sobre a coleção dos livros espíritas de Kardec e datas de publicação.

 

J. Herculano Pires - Este ouvinte também respondeu de maneira acertada com alguns pequenos senões. Entretanto, essa resposta a que ele se refere já foi dada o prêmio da coleção da “Revista Espírita”, de maneira que a resposta dele chegou atrasada. Mas nós lhe damos o “Livro dos Espíritos” na nova edição da LAKE, Livraria Allan Kardec Editora.

 

Locutor - A ouvinte Vera Regina T. Nistico, da Rua Bartolomeu Feio, Brooklin, responde sobre a pergunta de comunicação.

 

J. Herculano Pires - De comunicações. É o que eu estou vendo aqui. Aliás, esta ouvinte fez uma resposta longa procurando esclarecer bem o assunto, mas infelizmente também aproximou-se do que nós queríamos, ou seja, da resposta exata. Entretanto, devo reconhecer, e com muito prazer, que a resposta revela uma pessoa que está realmente desejosa de ter bastante conhecimento do assunto. Nós lhe oferecemos o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec.

 

Locutor - A ouvinte Inês da Silva, da Rua 15 de agosto, São Miguel Paulista, também responde sobre a comunicação.

 

J. Herculano Pires - Esta ouvinte dá uma resposta muito sucinta, muito curtinha e que não explica realmente quase nada. Não obstante, pela sua boa vontade vê-se que ela realmente procurou atingir de maneira sintética a essência do problema, mas não é fácil fazer isso, principalmente num problema tão complicado quanto este. Entretanto, nós lhe damos também o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec.

 

Locutor - professor, o ouvinte pedro gaspi filho, reeducando da penitenciária do estado, responde sobre as obras da codificação.

 

J. Herculano Pires - Este ouvinte procurou relacionar certamente as obras da codificação acrescentando os livros subsidiários de Kardec. De fato, a sua resposta está certa e nós o felicitamos por assim ter feito. Mas como já dissemos numa resposta anterior, este prêmio já foi dado anteriormente; esse assunto já está liquidado; nós estamos apenas atendendo às respostas que chegaram em atraso e procurando premiar o esforço daqueles que procuraram responder certo. Damos então ao senhor Pedro Gaspi Filho um volume do “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, na última edição da LAKE, Livraria Allan Kardec Editora.

 

Pergunta nº 1: Pneumatofonia

 

Locutor - E agora, professor, temos as respostas dos ouvintes relativas à última pergunta feita no programa de abril, que dará direito à última coleção da “Revista Espírita”. A ouvinte Maria Anunciação de Góes, da Rua dos Anjos, Santo Antônio da Platina, Paraná, responde: “Voz direta é um fenômeno espírita no qual o espírito produz sons, palavras e frases diretamente sem utilizar a voz do médium. Kardec a chamou de pneumatofonia externa, quando o som soa em uma sala e é ouvido por todas as pessoas presentes. Aproveito a oportunidade para enviar um abraço fraterno a toda equipe deste programa”.

 

J. Herculano Pires - Essa é uma resposta que nos vem dos nossos amigos de Santo Antônio da Platina, no Paraná. Nós vemos que a repercussão do nosso programa lá vai aos poucos integrando a comunidade platinense naquilo que nós podemos chamar a comunidade radiofônica do programa No Limiar do Amanhã. Esta resposta nos deu muita satisfação, ficamos bastante contentes de recebê-la, e gostaremos que os platinenses continuem a participar do nosso diálogo radiofônico. Infelizmente a resposta não está completa. Na verdade, faltou aqui a classificação do fenômeno como Kardec, segundo Kardec a estabeleceu. Por outro lado, Kardec chamou o fenômeno de pneumatofonia e explicou que existe não só o fenômeno em si de manifestação da voz independente da voz do médium, mas também que existe a pneumatofonia subjetiva que é comunicada diretamente à mente do médium.

 

Locutor - Outra ouvinte, dona Maria de Lurdes Pedroso, da Rua Venceslau Brás, Santo Antônio da Platina, Paraná, também responde sobre a mesma pergunta: “o fenômeno de voz direta é a comunicação oral dos espíritos sem o auxílio da voz humana. É o som ou voz que eles fazem ouvir no ar e que parece repercutir junto aos nossos ouvidos. Kardec denominou este fenômeno de pneumatofonia, que vem do grego pneuma e de phoné, som ou voz. Kardec classificou o fenômeno no espiritismo como direta e indireta, pois que às vezes os espíritos falam ao lado ou ao ouvido de alguém e outras vezes podem manifestar-se no pensamento”.

 

J. Herculano Pires - Essa resposta aproximou-se bem mais da explicação que nós pretendíamos a respeito do fenômeno de voz direta. Realmente, as duas ouvintes de Santo Antônio da Platina souberam explicar o fenômeno e dar o nome exato que Kardec atribuiu, ou seja, pneumatofonia. Inclusive, nessa última resposta, com a explicação da própria etimologia desse nome que é grega. Mas infelizmente aqui nós também não temos a explicação do fenômeno. Nós pedimos, e acentuamos bem isso na nossa pergunta, que houvesse não só a explicação do que é o fenômeno, qual o nome que Kardec lhe deu e qual a sua classificação na fenomenologia espírita. Essa parte, portanto, é de bastante significação e nós precisamos que ela seja respondida. Também quero acentuar aqui que a nossa ouvinte Maria de Lurdes Pedroso não deixou bem claro o problema da pneumatofonia nos seus dois aspectos. Quando ela diz que o médium pode ouvir o som como que alguém que fala ao seu lado ou ao ouvido, e outras vezes pode manifestar-se a voz no pensamento. Nós temos então que de certa maneira a pneumatofonia seria uma espécie de voz murmurada ou falada ao ouvido do médium. Não. Não é assim. A pneumatofonia ou voz direta tem realmente esses dois aspectos como já acentuamos. A voz pode ser dirigida apenas ao pensamento de uma determinada pessoa, então é um fenômeno subjetivo. Não se torna objetivo, porque as outras pessoas não ouvem. Mas quando se trata do fenômeno objetivo, não é apenas um murmúrio no ouvido da pessoa; é uma voz muitas vezes vibrante, bastante forte, às vezes até retumbante que se produz no ambiente para todos ouvirem. E até mesmo pessoas que não estejam no ambiente, que estejam, por exemplo, numa sala próxima ou em qualquer região aproximada do local, essas pessoas também podem ouvir, porque a voz é realmente uma voz material dando impressão de ser falada por um alto-falante, dando-lhe, portanto, uma proporção, um vigor que excede o comum da voz humana. Isto é importante assinalar para se compreender bem a extensão e a significação do fenômeno de voz direta. É um dos fenômenos mais bonitos do espiritismo, dos mais importantes, e um fenômeno que realmente é convincente, porque o individuo que o ouve lembra-se perfeitamente da voz da pessoa amiga ou parente que ali está se manifestando, pode reconhecê-lo pelo timbre da voz como se estivesse falando com ele em vida. Aliá, eu queria lembrar aqui que existe um livro bastante interessante sobre esses fenômenos de voz direta que foi traduzido por Monteiro Lobato aqui no Brasil. É o livro “Rumo às Estrelas”, do escritor inglês Denis Bradley, todo ele relatando fenômenos de voz direta. Este livro foi reeditado recentemente com o título referente apenas ao aspecto da sobrevivência espiritual do homem, a imortalidade humana, ou a imortalidade da alma, uma coisa assim. Quer dizer, esse título modificou o título original que era: “Rumo às estrelas”, porque Denis Bradley queria dizer que quando nós ouvimos um fenômeno como este de voz direta, nós nos convencemos realmente de que nós, as criaturas humanas, não fomos destinadas apenas à vida terrena, material, mas que nós estamos evoluindo em direção às estrelas. Felicito as duas ouvintes de Santo Antônio da Platina pelas respostas que nos deram. Lamento não poder dar a uma delas o que seria muito prazer pra nós aqui do programa No Limiar do Amanhã a coleção completa da “Revista Espírita” de Allan Kardec, porque as respostas não vieram completas. Mas atribuímos às duas o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec que lhes será remetido.

 

Download Perguntas e respostas.

 

Pergunta nº 2: Psicofonia

 

Locutor - Professor, o ouvinte Ivan Demetrio Santana, reeducando da Penitenciária do Estado, responde: “A transmissão de uma mensagem através do médium poderá ser por psicofonia, psicografia ou incorporação. Psicofonia consiste no espírito fazer uso do fluido animal do médium e através deste transmite a mensagem o espírito do médium que as recebe e transmite pela voz. Psicografia é também uma transmissão do fluido animal que o espírito faz uso e o médium, usando papel e lápis, escreve a mensagem que o espírito transmite. O médium fica num estado de sonolência obedecendo aquilo que o espírito transmite. Incorporação, já quase extinto esse processo por força da evolução, consiste em o espírito incorporar-se ao médium dominando quase todo seu invólucro material. O médium perde a noção dos sentidos”.

 

J. Herculano Pires - Eu gostaria de acentuar alguns aspectoa da resposta do senhor Ivan Demetrio Santana mostrando que não é bem assim como ele nos expõe aqui. Quando se fala de psicofonia, nós estamos falando precisamente de incorporação. Quer dizer, não são dois fenômenos distintos. A psicofonia é a própria incorporação e, portanto, este fenômeno de incorporação não está extinto em virtude do processo de evolução, não está se extinguindo, absolutamente. É um dos fenômenos mais reais, mais constantes, particularmente aqui no Brasil, em nosso meio espírita. No tempo de Kardec na França, nós sabemos que Kardec deu preferência à psicografias. E por que fez isso? Porque a psicografia, segundo ele mesmo explicava, era mais capaz de permanência. A mensagem podia depois ser estudada, analisada uma vez que estava escrita, psicografada. Mas isto durante naturalmente todo seu período de pesquisa, porque Kardec fundou o espiritismo através da pesquisa. Então, o documentário das mensagens psicográficas era, como foi realmente, de grande importância para o espiritismo. Mas posteriormente na própria França e em todo mundo, a psicofonia ou a mediunidade de incorporação, como se costuma falar, essa mediunidade teve grande avanço e continua a ter, continua a desenvolver-se muito, porque é através dela que o espírito consegue falar com liberdade, sem as dificuldades e os entraves que a psicografia mesmo costuma apresentar para vários médiuns. E também porque a mediunidade de psicofonia é mais acessível a maior número de médiuns. Assim eu queria esclarecer que psicofonia e incorporação são dois nomes de um mesmo fenômeno. Não quer dizer que na incorporação o espírito se apodere do corpo do médium, dominando quase todo seu envoltório material. Não. O fenômeno é o mesmo. O espírito se aproxima do médium, emite o fluido não animal, mas o fluido do seu perispírito, o fluido do seu corpo espiritual, emite este fluido em direção ao médium e o envolve neste fluido. Em consequência, o fluido do perispírito do médium, que é o corpo espiritual do médium, reage e também se expande ao encontro daquele, havendo assim uma fusão de fluidos da qual resulta o processo da comunicação. Uma vez as duas vibrações, a do espírito comunicante e a do médium, essas duas tentativas de comunicações se realizem realmente na comunicação dos fluidos entre si, então nós temos a comunicação falada, que é a psicofonia ou a comunicação de incorporação. Creio que ficou claro que não se trata de fluido animal, mas sim de fluido perispiritual e também que não se trata absolutamente de um domínio do absoluto do espírito sobre o médium. Diz aqui o senhor: o médium perde a noção dos sentidos. Não. Na psicofonia, como em qualquer outro fenômeno de comunicação, o médium só perde os sentidos quando ele é médium inconsciente, porque existem as duas categorias. Aliás, três categorias: o médium consciente, o médium semiconsciente e o médium inconsciente. Só quando ele é inconsciente é que ele perde os sentidos, do contrário não. Dessa maneira nós queremos agradecer ao senhor Ivan Demetrio Santana a sua remessa de resposta à nossa pergunta. Esperamos que continue a fazê-lo. Infelizmente, esse problema também já está superado; sua resposta chegou atrasada, mas, não obstante, nós vamos lhe dar com muita satisfação o primeiro volume da “Revista Espírita” de Allan Kardec, encadernado em percalina verde e com gravação a ouro.

 

Download Pergunta nº 3: Voz direta

 

Locutor - O ouvinte Adolfo Muniz Furtado, da Rua Coronel Diogo, responde: “o fenômeno da voz direta é a comunicação oral dos espíritos sem o concurso da voz humana. A voz direta produz-se de duas maneiras: como voz interior que repercute no nosso íntimo, ou como voz exterior, como provindo de uma pessoa que estivesse próxima e viva. Kardec denominou este fenômeno de pneumatofonia. Classifica-se como fenômeno espontâneo e que só muito raramente pode ser provocado. As pessoas dotadas da faculdade de ouvir os espíritos são denominadas médiuns audientes”.

 

J. Herculano Pires - Aliás, eu queria corrigir agora antes de responder isto aqui, um erro que eu cometi na resposta anterior ao nosso ouvinte, senhor Ivan Demetrio Santana, quando eu disse que o problema por ele respondido já estava superado, que era porque a resposta dele chegou atrasada. Não. Foi um engano de minha parte, a resposta dele chegou na hora e está dentro do processo normal de respostas a essa pergunta feita no último programa de abril. A distribuição de prêmio é a seguinte: a pessoa que acertar a resposta de maneira completa receberá a coleção completa da “Revista Espírita”. O que aconteceu com o senhor Ivan é que a sua resposta, como vimos não foi completa, então ele não pode receber a coleção, o que nos entristece, nós queríamos que ele recebesse. Mas lhe damos o primeiro volume da “Revista Espírita” como dissemos, encadernado em percalina verde e com gravação a ouro. Agora quanto a essa outra resposta do senhor Adolfo Muniz Furtado, nós encontramos também algumas deficiências na resposta, não chega ela a cobrir tudo aquilo que nós perguntamos. Justamente por isso não podemos também conferir-lhe a coleção da “Revista Espírita” como prêmio. Vamos lhe dar o primeiro volume nas mesmas condições que fizemos ao anterior: primeiro volume da “Revista Espírita” encadernada em percalina verde com gravação a ouro. É uma oferta nossa e da editora Edicel. Mas queremos advertir aqui o seguinte: a classificação do fenômeno dada pelo senhor Muniz Furtado não está perfeita, não é certa. Não é simplesmente fenômeno espontâneo. Todo fenômeno espírita é espontâneo quando é natural. Ele só deixa de ser espontâneo quando provocado. De maneira que o fenômeno provocado é aquele que se dá nas pesquisas, nas experiências científicas. Ora, nós estamos falando aqui dos fenômenos naturais, que são todos espontâneos. A classificação de espontâneo e natural refere-se apenas a uma divisão da fenomenologia espírita no tocante à pesquisa científica e ao comum das suas manifestações. Não é essa classificação. Nós queremos saber, na classificação geral dos fenômenos, em que lugar está situado o fenômeno de voz direta. Não vamos dizer mais nada a respeito porque as respostas dirigidas a esta pergunta, nenhuma delas acertou, de maneira que nós não podemos adiantar aquilo que serviria de um dado concreto para as respostas que virão ainda. A coleção da “Revista Espírita” continua em jogo. Todos os ouvintes do programa podem responder a essa pergunta e concorrer a este prêmio que ficou em suspenso. Nós não tivemos ainda nenhuma resposta positiva que pudesse merecer a coleção completa da “Revista Espírita”.

 

Locutor - Professor, não conviria que o senhor repetisse a pergunta para aqueles ouvintes que ainda não escreveram pudessem também fazer a sua resposta?

 

J. Herculano Pires - Sim, você tem razão, mas eu acho bom nós darmos a pergunta depois. Vamos continuar com as respostas e depois nós damos a pergunta.

 

Locutor - A ouvinte Osvaldina da Silva Souza, de Guarulhos, responde sobre o que é o perispírito e qual a sua função.

 

J. Herculano Pires - Essa resposta sim refere-se a uma pergunta já superada, e consequentemente a “Revista Espírita” já foi distribuída, mas, não obstante, nós damos também a esta ouvinte, agradecendo a sua resposta à pergunta que se aproximou bastante da realidade, damos a ela o primeiro volume da “Revista Espírita” nas condições que já citamos. Agora vamos repetir a pergunta que ficou em suspenso uma vez que nenhuma das respostas chegadas até o momento aqui à Rádio Mulher, nenhuma delas responde realmente àquilo que perguntamos. A pergunta foi formulada nos seguintes termos:

 

O que é o fenômeno de voz direta? Como Kardec denominou este fenômeno? E qual a sua classificação na fenomenologia espírita?

 

Anotem bem:

 

O que é o fenômeno de voz direta? Como Kardec o denominou? E qual a sua classificação na fenomenologia espírita?

 

É necessário responder então os três tópicos como nós esclarecemos aqui na ocasião no programa do dia 28 de abril de [19]73. Nós esclarecemos aqui o seguinte: essa pergunta está colocada em três tempos. O primeiro tempo: o que é o fenômeno de voz direta. Quem quiser responder certo, tem de consultar naturalmente o “Livro dos Médiuns” para ver o que é o fenômeno de voz direta. Então, tem de dizer o que é ele, como ele se passa. Depois: como Kardec o denominou. Tem que dar, portanto, o nome que Kardec deu a este fenômeno. E depois: qual a sua classificação na fenomenologia espírita. Os fenômenos espíritas são classificados. No “Livro dos Médiuns” as pessoas encontram essa classificação. Classificado por tipos, não pelo fato de um fenômeno ser, por exemplo, um fenômeno considerado espontâneo, ou seja, um fenômeno normal que ocorre naturalmente através da mediunidade sem nenhuma tentativa de pesquisa científica, e o outro que é a investigação científica. Isto não é classificação do fenômeno. O fenômeno é classificado pela sua natureza, por aquilo que ele apresenta de característico. Existem determinados fenômenos que se enquadram numa classificação e outros que se enquadram em outra. É isto que nós queremos saber.

 

Download Perguntas e respostas.

 

Pergunta nº 4: “Exilados da Capela”

 

Locutor - Professor, o ouvinte José M. Ferreira Bessa pergunta: o que se pode compreender dos “Exilados da Capela”? E por que Emanuel em o livro “A Caminho da Luz” cita tanta vezes a Capela? O que ainda não pude entender.

 

J. Herculano Pires - O senhor sabe que em “A Caminho da Luz”, Emmanuel trata da evolução da humanidade terrena. Ele procura abranger num pequeno livro todo panorama evolutivo da Terra, o desenvolvimento das civilizações a partir do aparecimento do homem na Terra. E ele vem mostrando como as civilizações foram se desenvolvendo, se sucedendo, mas ao mesmo tempo ele nos dá uma contribuição importante do ponto de vista espírita que é incluir no processo evolutivo da Terra as migrações de espíritos de que fala o “Livro dos Espíritos”. Nós sabemos que a Terra teve naturalmente a sua própria humanidade. Essa humanidade é caracterizada por certas raças primitivas que habitavam o planeta e que se desenvolveram aqui mesmo, através do processo de evolução do princípio inteligente. Então, essas raças primitivas habitavam a Terra quando, em virtude da evolução realizada em outro mundo do espaço, houve a migração de espíritos desse outro mundo para a Terra, quer dizer, na proporção em que esse mundo que é o planeta Capela da constelação do Cocheiro, muito distante da nossa Terra, esse planeta que se assemelha à Terra, segundo afirma Emmanuel, ele teve uma evolução muito grande e passou para um plano superior. Em virtude disto, grande parte da humanidade que habitava esse planeta não podia continuar nele, precisava de se dirigir a um planeta nas condições em que ele, o planeta de Capela, se encontrava anteriormente para poder continuar o seu processo evolutivo. Então, essa humanidade desse planeta veio espiritualmente à Terra e veio encarnar aqui. Houve então uma invasão, por assim dizer, espiritual da Terra por estes espíritos que constituíam a parte da humanidade do planeta Capela que não podia acompanhar a sua evolução. Eles vieram matricular-se, por assim dizer, na escola da Terra para aqui repetirem o curso que tinham feito lá em Capela, mas do qual não haviam passado no exame. Aqui eles continuariam então evoluindo, estudando, se desenvolvendo, aprimorando-se para depois poderem voltar ao seu planeta de origem. Entretanto, a vinda destes espíritos deu origem a novas raças aqui na Terra. Daí um dos motivos da multiplicidade das raças que existem no nosso planeta. É por isso, portanto, que Emmanuel insiste em falar do planeta Capela, porque é um exemplo que ele quer nos dar, uma ilustração, por assim dizer, histórica, do ponto de vista da evolução espiritual, daquele princípio do espiritismo que trata a humanidade como cósmica e não apenas como terrena e determina a existência de migração de espíritos no espaço de um mundo para outro. Da mesma forma que aqui na Terra, quando descobertos os continentes, os diversos continentes, verificou-se que a humanidade terrena não é apenas a europeia nem apenas a asiática, mas que havia outros ramos da humanidade semeados em continentes ainda desconhecidos, e estabeleceu-se então a migração de um continente para outro, assim também acontece no espaço, na proporção em que os mundos evoluem. Agora mesmo, o nosso mundo está passando por uma fase evolutiva bastante acelerada em que ele vai entrar em contato com outros mundos e estabelecer não apenas as relações necessárias às migrações espirituais, mas também as comunicações materiais entre as humanidades encarnadas em vários mundos que estejam no seu mesmo plano de evolução. Espero que esta minha resposta ajude o senhor a compreender melhor este pequeno livro. Mas aconselho o senhor a reler este livro de Emmanuel “A Caminho da Luz”, e relê-lo com atenção, que o senhor compreenderá o que ele quer dizer ao referir-se ao planeta Capela. Mas gostaria também que o senhor consultasse no “Livro dos Espíritos” os pontos referentes a este processo de evolução dos mundos no espaço, que é muito importante. Tem, no “Livro dos Espíritos”, a escala dos mundos. O senhor consulte isso. E ao mesmo tempo aproveito a oportunidade para lhe fazer presente através deste programa, em nome do programa e da editora Edicel, do livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec, onde também o senhor encontrará elementos interessantes a respeito deste assunto.

 

Download Pergunta nº 5: Ademar de Barros e Hitler

 

Locutor - Professor, o ouvinte Antero da Silva Borges nos escreveu e pergunta: assim como o senhor esclareceu as encarnações de Joana D’Arc e Emmanuel também, poderia esclarecer as encarnações de Ademar de Barros e Adolf Hitler? O primeiro tinha sido Dom Pedro I e o segundo Davi?

 

J. Herculano Pires - Eu, quando me referi aqui às encarnações de Joana D’Arc, quando falei também das encarnações de Emanuel, eu estava me baseando, naturalmente, como expliquei aqui, nas informações dadas pelos próprios espíritos. Eu não expliquei por mim mesmo. As explicações são baseadas, por exemplo, no caso de Emmanuel na comunicação que Emmanuel deu a Chico Xavier sobre a sua encarnação anterior como padre Manuel da Nóbrega aqui no Brasil, e também nos próprios livros de Emmanuel, por exemplo, no livro “Há dois mil anos” e o livro “50 anos depois”, em que ele se refere a encarnações dele. São relatos. Não são romances de ficção, são relatos que ele considera real, baseados nas suas memórias das encarnações anteriores. No tocante a Joana D’Arc, como nós sabemos, as explicações foram dadas principalmente por Leon Denis, sucessor de Kardec. Em seus livros, ele obteve informações importantes de Joana D’Arc que se dizia ter sido também, como sabemos, no passado, o apóstolo que falhou na sua missão junto a Jesus: Judas. E que depois no desenvolvimento dos seus processos reencarnatórios veio encontrar a redenção total do seu espírito na encarnação de Joana D’Arc. Ora, quanto a estas reencarnações que o senhor fala aqui de Ademar de Barros e de Adolf Hitler, do primeiro como tendo sido Dom Pedro I, e do segundo como tendo sido Davi, são apenas suposições, suposições de pessoas curiosas e às vezes até mesmo de pessoas que gostam de fazer graça a respeito do problema da reencarnação. Não há nada absolutamente que nos autorize a dizer que o senhor Ademar de Barros tenha sido Dom Pedro I. Nada. As personalidades de ambos, as condições em que viveram, as situações diversas que tiveram de enfrentar, tudo isso nos mostram duas personalidades bastante distintas. Se nós aprofundarmos o assunto de uma e de outra, veremos que as relações que se pretendem estabelecer entre esses dois personagens históricos são puramente superficiais, não chegam a atingir as dimensões reais do caráter de cada um deles. No tocante a Adolf Hitler ter sido Davi, também é uma especulação absolutamente sem base, sem nenhuma base. Davi, como sabemos, foi o grande Davi dos judeus. Ele foi, portanto, aquele que dirigiu os judeus nos seus destinos de acordo com as classificações que a história bíblica nos dá. E Hitler? Hitler foi o perseguidor, o que massacrou os judeus. O senhor veja que a contradição aí, em si mesma, já bastaria para aniquilar a suposição ou a hipótese de uma reencarnação. O problema das reencarnações é muito mais sério do que se pensa. Não é apenas por aparências externas que nós vamos chegar a conclusões a respeito. Nós só podemos aceitar o problema da reencarnação, explicável como no caso de Emmanuel, porque Emmanuel é um espírito de alto gabarito, como tem demonstrado em suas comunicações e, portanto, quando ele faz uma afirmação dessas, e quando nos traz relatos históricos da importância desses dois grandes livros que são “Há dois mil anos” e “50 anos depois”, quando ele nos apresenta obras dessa natureza, nós, que conhecemos o problema espiritual, não temos o direito de duvidar. Emmanuel não viria de maneira alguma fazer-nos uma mistificação, ou nos oferecer uma informação errônea quando ele tem um interesse puro e exclusivo, como tem demonstrado através de quarenta anos de manifestações através de Chico Xavier, de nos levar à verdade, ao esclarecimento da verdade. No tocante ao caso de Joana D’Arc, também nós temos como fiador essa figura extraordinária de pesquisador e de conhecedor profundo do espiritismo, que foi Leon Denis. Mas quando nós estamos sem o endosso de criaturas assim, sejam elas espirituais ou terrenas, e baseando-nos apenas em suposições nossas ou dos outros, é melhor não tocarmos no assunto. Eu queria lhe dizer que tudo isso que eu disse é apenas para esclarecer o problema, colocar o problema em seus termos. E queria oferecer ao senhor um livro pequeno bastante interessante chamado “O Principiante Espírita”. Apesar de se chamar “O Principiante Espírita”, é um livro de tamanha significação doutrinária, que muita gente que estuda espiritismo durante anos e anos a fio devia estar estudando este livro. Eu lhe confesso que mesmo os maiores conhecedores do espiritismo sempre procuram estudar este livrinho, porque apesar de pequenino este livro é de grande significação. “O Principiante Espírita” foi lançado recentemente numa nova edição bonita, gostosa de se ler pela editora LAKE, Livraria Allan Kardec Editora. O senhor e todos os demais que receberam livros hoje em nosso programa já sabem, naturalmente, que devem procurar os seus volumes no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111 a partir de segunda-feira.

 

Download O evangelho do Cristo em espírito e verdade, não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica. Abrindo o Evangelho ao acaso encontramos em Lucas no capítulo segundo do versículo oitavo ao décimo segundo a seguinte passagem: Naquela região havia pastores que viviam nos campos e guardavam seu rebanho durante as vigílias da noite. Um anjo do senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor brilhou ao redor deles e encheram-se de grande temor. Disse-lhes o anjo: Não temais, pois eu vos trago uma boa nova de grande gozo que o será para todo povo. É que hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é Cristo senhor. Eis para vós o sinal.

 

Encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada numa manjedoura.

 

Começamos este programa falando da situação de renovação, ou melhor, de reparação onde se encontra, por exemplo, o problema de Chico Xavier. Lembramos que Chico Xavier, na sua humildade, ele teve de enfrentar perseguições, calúnias, ofensas de toda espécie, mas terminou, graças à sua persistência no cumprimento dos seus deveres mediúnicos, no cumprimento dos desígnios do alto a respeito de sua tarefa mediúnica na Terra, terminou recebendo, como nós vemos, uma verdadeira consagração popular do povo brasileiro em toda parte, independentemente de aspectos religiosos, de sectarismos de qualquer espécie. E nos cai na abertura do evangelho precisamente este tópico de Lucas referente ao natal de Jesus, ao seu nascimento humilde cercado apenas pelos pastores do campo, pelos animais na manjedoura, colocado numa situação de criança abandonada, desprezada por todo seu povo, desprezada, portanto, por Israel. A criança abandonada nos seus panos humildes, na própria manjedoura, como se não tivesse a condição humana necessária para receber o acolhimento devido num lar em condições realmente satisfatórias para o seu desenvolvimento. Mas vimos que, ao mesmo tempo em que isso acontecia, a humildade de Jesus era coberta, por assim dizer, uma apoteose de acontecimentos espirituais que iluminavam o céu e que faziam a Terra sentir, na profundeza dos corações humildes e sinceros, os grandes acontecimentos que iriam ocorrer dali por diante com o seu nascimento. Não estabelecemos, evidentemente, uma comparação que seria absurda entre o médium e a figura sublime de Jesus. Não. Colocamos apenas os fatos em paralelo para mostrar uma lei, uma lei que rege o processo da espiritualização dos mundos inferiores. De acordo com o espiritismo, essa lei exige de todas aquelas criaturas que descem ao plano terreno em abnegação, submeter-se primeiramente à condição sacrificial, humilhar-se, sentir a humildade necessária, para depois conseguirem obter a vitória espiritual que lhes virá no momento certo e preciso.

 

Nosso programa não é de propaganda doutrinária, mas de esclarecimentos de problemas espirituais à luz do espiritismo. Não somos pregadores, somos expositores. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade. E se você provar que está com a verdade, ficaremos com você. Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara, e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná.

 

No Limiar do Amanhã, tragada foi a morte na vitória.

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