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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

Para uma nova era é necessária uma nova educação. E uma nova educação está surgindo no Brasil para socorrer um mundo em agonia. As escolas espíritas brasileiras são alicerces do novo edifício educacional que se ergue em nossa Terra para um mundo que está nascendo. A educação espírita é uma consequência natural da filosofia espírita e é o socorro que Deus envia à Terra nessa fase de transição a fim de que as novas gerações sejam educadas em espírito e verdade. Educação espírita é educação integral e permanente.

 

A Revista Educação Espírita é o instrumento de divulgação e orientação do movimento educacional espírita, fundada e dirigida pelo Grupo Espírita de Estudos Pedagógicos e lançada pela editora Edicel. A Revista Educação Espírita é única no mundo porque só no Brasil surgiram condições para o seu aparecimento. Todo espírita consciente das suas responsabilidades doutrinárias tem o dever inalienável de ajudar a divulgação dessa revista. Saindo de três em três meses, a Revista Educação Espírita aparece apenas quatro vezes por ano. Amigo ouvinte, você pode colaborar! Adquira o seu exemplar na livraria da Federação Espírita ou na livraria Edicel, Rua Genebra, 122, esquina da Rua Maria Paula.

 

Está saindo agora novo exemplar da Revista Educação Espírita. Sua finalidade não é comercial, é doutrinária. A educação é um instrumento de preparação do futuro. Sem uma educação espírita, não teremos jamais um mundo melhor na Terra. Pense nisso, amigo ouvinte. Medite sobre isso, amigo ouvinte, e ajude-nos a assentar as pedras do alicerce da nova era. Adquira, leia e medite sobre cada exemplar da Revista Educação Espírita. Precisamos de você, da sua colaboração. Propague a Revista Educação Espírita fazendo seus amigos e conhecidos tomarem conhecimento dessa nova realidade doutrinária que surge entre nós, em São Paulo e no Brasil para a América e para o mundo. Leia neste último número da Revista Educação Espírita os trabalhos enviados pelos educadores da Venezuela e da Argentina esclarecendo a importância da nova educação para o mundo.

 

Não se deixe iludir pelas opiniões de pessoas e instituições que se entregaram à fascinação das trevas e combatem a educação espírita. Pense nisto, amigo ouvinte. Desde Platão, cinco séculos antes de Cristo, até Kardec, que trata do assunto no Livro dos Espíritos e na Revista Espírita passando pelos maiores pedagogos de todas as épocas, sabemos que a educação é o único instrumento capaz de transformar o mundo. O espírita e a instituição espírita que se opõem ao desenvolvimento da educação espírita estão sob a fascinação de espíritos que não trabalham na seara do Cristo, mas nos pantanais do anticristo. Não dê ouvidos à perturbação. Pense o que seria de você sem educação e o que será do mundo sem educação espírita.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emanuel. Transmissão número 115. Terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640 KHZ, e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 KHZ. Todos os domingos esse programa é reprisado das seis às sete da manhã pela Rádio Mulher de São Paulo com sugestões especiais para o seu domingo espiritual. Chico Xavier e os fanáticos do Pacaembu.

 

Correu bem a solenidade de entrega do título de cidadão paulistano ao médium Chico Xavier no ginásio esportivo do Pacaembu não obstante a expectativa de tumulto que foi criada a respeito por certa imprensa. O público espírita se portou com a dignidade de sempre e o homenageado mais uma vez deu exemplo de humildade, bom senso e lucidez que sempre o caracterizaram. Mas a sombra do preconceito religioso e cultural contra o espiritismo pairou no ar durante toda a sessão e acabou se encarnando num gesto que a todos decepcionou; foi quando por ordem do presidente da Câmara Municipal, vereador João Brasil Vita, o médium foi abruptamente retirado do ambiente por um grupo de soldados da polícia militar e enviado à casa onde estava hospedado. A medida foi tomada por precaução, em defesa do médium. O presidente Brasil Vita temia que os populares, ansiosos por falar com Chico Xavier, por abraçá-lo e pedir autógrafos, o molestassem. Em entrevista à imprensa na véspera da solenidade, o presidente revelara o seu receio de que os adeptos de Chico Xavier tumultuassem a sessão da Câmara e dissera que requisitaria a força policial para prevenir qualquer incidente. Na própria sessão do Pacaembu, ao encerrar os trabalhos, causou espécie a sua atitude agradecendo a compostura do povo, o que confirmou a sua apreensão. A retirada súbita do médium provocou rumores e versões inverídicas entre os presentes. Mais da metade do povo que quase lotava o imenso ginásio retirou-se decepcionado. Pouco depois Chico Xavier voltava para atender os seus amigos e admiradores, como sempre o fez em toda parte sem nunca ter havido o menor incidente, mas encontrou ainda um mesmo ambiente de suspeita e apreensão. Por que tudo isso? Porque o preconceito anti-espírita, alimentado através de gerações, criou a idéia fixa, o estereótipo do espírita como criatura perigosa, fanática, ignorante, supersticiosa e até mesmo dominada por forças diabólicas. Não bastou a ordem da sessão, a compostura do povo, a que se referiu o próprio vereador Brasil Vita, o respeitoso e feliz discurso de Chico Xavier para afugentar a prevenção do ambiente. Na sua edição de domingo, o jornal o Estado de São Paulo, como sempre faz, fez o possível para diminuir o sucesso da solenidade, mas teve que reconhecer no tom irônico da sua nota que não se verificaram no Pacaembu lances extremos de histerismo e violência, apesar de todos lutarem por um abraço, uma palavra ou um autógrafo do médium. Temos assim, nas medidas excessivas de precaução tomadas pelo ilustre presidente da Câmara Municipal e no registro do jornal O Estado de São Paulo, duas provas gritantes e até mesmo chocantes da maneira errônea por que somos vistos pelas vítimas inocentes do preconceito anti-espírita. Nada menos de oitenta policiais foram convocados para manter a ordem num local onde não havia a menor sombra de desordem, onde só havia sentimentos de respeito, de amor ao homenageado, de gratidão para com para egrégia Câmara Municipal de São Paulo, de confiança e entusiasmo pelos destinos do Brasil, coração do mundo e pátria do evangelho, como lembrara em seu magnífico discurso o vereador Celso Matsuda, representante da juventude paulistana e da nova mentalidade que se desenvolve, graças a Deus, em nosso país. Nem ao presidente Vita, nem ao jornal O Estado de São Paulo ocorreu a lembrança de Chico Xavier na Bienal Internacional do Livro, no Parque do Ibirapuera, onde compareceu uma multidão de dez mil pessoas que ali permaneceu das quatorze horas às quatro horas da madrugada, para obter autógrafos do médium, sem que se verificasse nenhum incidente. Não ocorreu também a lembrança da entrega do título de Cidadão são bernardense ao Chico Xavier no ginásio do estádio de São Bernardo do Campo que ficou completamente lotado pelo povo e onde tudo correu num melhor ambiente de fraternidade e respeito. Não ocorreu ainda a lembrança dos longos programas do canal quatro em que Chico Xavier permaneceu até alta madrugada respondendo aos interpelantes do Pinga Fogo sem que a menor faísca ateasse outra chama no ambiente que não fosse a do entusiasmo e da verdadeira fé cristã. Como veem os ouvintes, a nossa luta pela divulgação do espiritismo, pelo desenvolvimento da cultura espírita, e particularmente da educação espírita em nosso país, deve ser cada vez mais intensa. Pairam ainda no ar as nuvens da suspeita, da incompreensão, da deformação intencional do espiritismo que os seus inimigos gratuitos levantaram por toda parte em campanhas sistemáticas de difamação da doutrina e dos seus adeptos. Populares e intelectuais mal informados ainda nos olham como os romanos do tempo de Nero encaravam os cristãos primitivos.

 

Perguntas e respostas.

 

Faça suas perguntas por carta ao Programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana você pode fazê-las pelos seguintes telefones: 269-4377 ou 269-6130 no horário comercial. Na primeira quarta-feira de junho, dia 06, venha ao nosso auditório, à Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, fazer as suas perguntas ao microfone e ouvir as respostas na hora. O programa de auditório se inicia às 20h30 toda primeira quarta-feira do mês. A entrada é franca. Venha, traga seus amigos e familiares.

 

Pergunta nº 1: Escrever livros

 

Locutor - Professor, o ouvinte José Castilho, do Jabaquara, pergunta: Como o senhor escreveu o livro Barrabás e o livro Lázaro? Seria intuição mediúnica ou auxiliado por outros? J. Herculano Pires - Claro que todo escritor, seja espírita ou não, tem sempre inspiração dos seus amigos espirituais. Aliás, dentro da doutrina espírita considera-se que toda produção artística e toda atividade mesmo humana têm sempre uma parte de inspiração. Quando as pessoas não se fecham naturalmente no seu orgulho, no seu egoísmo, na sua pretensão de executar tudo por si mesmo sempre são assistidas. Os bons espíritos nos acompanham e nos inspiram quando nós trabalhamos com boa intenção e com o desejo realmente de que esse trabalho possa auxiliar os outros. Assim, eu posso responder ao senhor que tanto a novela Barrabás quanto a novela O Relato de Judas, e o romance Lázaro, todos eles foram escritos por mim, foram baseados nas pesquisas que eu realizei do assunto e eu mesmo declaro, logo na introdução de Barrabás, que dedico o livro aos meus guias históricos e cito os nomes dos historiadores, dos investigadores do cristianismo que serviram de base para o meu trabalho, no tocante ao aspecto histórico do livro. Mas o problema fundamental não é esse. O problema fundamental dos livros é praticamente o problema espírita da transformação do mundo pelo cristianismo e naturalmente da criação de uma nova era que surgiu na Terra graças à expansão do cristianismo. É claro que nesse ponto eu fui auxiliado pelos nossos amigos espirituais. Eles me prestaram, através da intuição, muitos recursos de que eu praticamente não dispunha.

 

Download Pergunta nº 2: Transfiguração de Cristo

 

Locutor - Professor, o ouvinte Blanco Osório pergunta: Existe alguma relação entre a mediunidade de transfiguração com o fenômeno de transfiguração apresentada em Cristo no monte Tabor? Quero ter maiores detalhes sobre o assunto.

 

J. Herculano Pires - Existe sim porque o fenômeno de transfiguração apresentado por Jesus no monte Tabor é o mesmo fenômeno de transfiguração que nós obtemos nas sessões mediúnicas. É um fenômeno tipicamente mediúnico. Os médiuns que dispõem dessa faculdade especial de transfigurar, eles realmente se transfiguram e nos mostram então um fenômeno semelhante àquele que ocorreu no monte Tabor. Da mesma forma nós podemos dizer que o fenômeno de Pentecostes, quando as línguas de fogo desceram sobre os apóstolos e eles falaram línguas estranhas, é um fenômeno tipicamente mediúnico porque nós podemos obter fenômenos semelhantes nas sessões espíritas, desde que disponhamos de médiuns capacitados para isso. Muita gente estranha que nós estabeleçamos comparações entre os fenômenos do evangelho e os fenômenos espíritas. É preciso lembrar, entretanto, que Jesus mesmo foi quem declarou que nós mesmos, todos podíamos fazer tudo aquilo que ele fazia e até mesmo mais do que aquilo que ele fazia, porque ele lembrou certa vez aos judeus que na própria escritura judaica estava escrito: Vós sois deuses. Reconhecendo assim que nós, criaturas humanas, somos espíritos criados por Deus e que dispomos de todas as possibilidades dos espíritos, então ele reconhecia também a possibilidade, através da nossa evolução, chegarmos a produzir os fenômenos que ele produzia e até mais do que aqueles; que ele também podia fazer muito mais, mas ele referiu-se, assim, dando-nos uma confirmação de que esses fenômenos eram realmente mediúnicos. Dessa maneira essa interpretação não é uma interpretação espírita. É simplesmente uma interpretação baseada não só nos fatos, mas também nas próprias declarações de Jesus, segundo o evangelho. A respeito... O senhor disse que queria maiores informações... Nós vamos lhe oferecer um livro que certamente lhe dará bastante compreensão deste problema na sua mais larga extensão. É o livro “O Espiritismo e a Igreja”, do reverendo Araldo Nilsen. Esse reverendo Araldo Nilsen foi o tradutor da Bíblia para o islandês, comissionado para fazer essa tradução pela Sociedade Bíblica Britânica. É, portanto, não só um homem de grande gabarito intelectual como também era um sacerdote da igreja anglicana que posteriormente foi elevado a bispo dessa igreja. Dessa maneira esse livro é insuspeito; não é escrito por um espírita, mas um livro escrito por um sacerdote da igreja anglicana e, além disso, como já vimos, um tradutor credenciado da própria Bíblia. Neste livro, Araldo Nilsen revela a sua surpresa por ter encontrado em reuniões espíritas aquilo que ele buscava ansiosamente nos seus estudos teológicos e nos seus estudos bíblicos, ou seja, a explicação de como se dera o fenômeno do Pentecostes. E estabelece outras relações entre os fenômenos espíritas e os fenômenos relatados nos evangelhos. Este livro, portanto, o senhor pode procurá-lo a partir de segunda-feira no horário comercial, no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. O senhor ali receberá este livro como um presente de irmão que o Programa No Limiar do Amanhã lhe faz através da editora Edicel.

 

Download Pergunta nº 3: Não entender pedidos por estar incorporada

 

Locutor - Professor, dona Dulce de Almeida, do bairro de Pinheiro, pergunta: Sou médium de incorporação, vidência e psicografia. Fiz curso na Federação Espírita. Frequento um grupo da Federação. Na hora de dar os passes, o grupo manda que dê o passe tal ou o passe tal. Ela não entende nada em virtude de estar incorporada. Quer saber se está certo e como se explica.

 

J. Herculano Pires - A senhora, naturalmente, tendo feito os cursos necessários, devia–ou não sei se conseguiu fazer isso – fazer uma leitura completa, um estudo preciso, minucioso do “Livro dos Médiuns” de Allan Kardec. Assim, a senhora teria esclarecimentos bastante precisos, bastante seguros para a sua prática mediúnica. No tocante aos passes, nós já temos falado numerosas vezes neste programa: os passes espíritas não são padronizados. Os passes espíritas são dados de acordo com a intuição ou a influência que o espírito que atende ao médium lhe transmite. O que acontece é que na Federação, infelizmente, eles aceitaram, durante uma diretoria, na gestão de uma diretoria anterior a esta que lá se encontra no momento, aceitaram a introdução de uma sistemática de passes que não corresponde com as exigências da doutrina. É uma sistemática de passes magnéticos classificados como Passe 1, Passe 2 e assim por diante. Essa sistemática de passes não corresponde, como dissemos, aos princípios espíritas, não corresponde às exigências do passe propriamente espiritual e sim aos passes magnéticos. Ora, na Federação, de acordo com os trabalhos mediúnicos ali realizados, os passes terão de ser forçosamente mediúnicos e, portanto, espirituais. A senhora estude este assunto no “Livro dos Médiuns” e converse com as pessoas responsáveis por essas sessões a que senhora está freqüentando, dando a elas a opinião que nós lhe transmitimos aqui no ar.

 

Download Pergunta nº 4: Voz direta

 

Locutor - Professor, o ouvinte Felipe F. de Menezes Junior, da Praça João Mendes, responde: O fenômeno pelo qual os espíritos comunicantes em vez de falarem incorporados em um médium, ou usando de processo telepático, fazem-no diretamente através de um aparelho vocal improvisado no plano invisível. Pode ser uma voz audível, clara e distinta, por todos que estão na sessão ou ao nas proximidades dela, ou somente pelo médium em cuja consciência ecoa vibrantemente. Esse fenômeno é classificado no grupo dos efeitos físicos ou manifestações físicas juntamente com a levitação, o transporte, a tiptologia e a materialização. Neste grupo também se incluem os correlatos: desdobramento, bilocação, bicorporeidade, dupla personalidade, mediunidade curadora e as obsessões que podem ser externas ou internas.

 

J. Herculano Pires - A resposta do nosso ouvinte, Sr. Felipe de Menezes Junior, quase atingiu aquilo que nós desejamos, ou seja, uma resposta completa sobre o fenômeno de voz direta. Mas infelizmente ele não acertou da maneira que devia ter feito, porque inclusive depois de ter falado numa classificação acertada dos fenômenos – se bem que essa classificação não é única, o fenômeno não tem apenas uma classificação, pois ele tem duas manifestações diferentes –, mas depois de ter acertado uma das manifestações, a sua resposta confundiu esse próprio acerto, ao incluir, por exemplo, nos efeitos físicos, fenômenos de bilocação, de dupla personalidade, fenômenos, enfim, que não são absolutamente de efeitos físicos. Dessa maneira nós não podemos dar ao nosso ouvinte, o que nos aborrece muito, a coleção da Revista Espírita de Allan Kardec. Mas lhe oferecemos o primeiro volume dessa coleção da Revista Espírita. Esse primeiro volume é encadernado em percalina verde com gravação a ouro da mesma forma que a coleção toda, e ele pode retirar essa oferta no escritório da Rádio Mulher no endereço que temos dado aqui.

 

Download Pergunta nº 5: Voz direta – fenômeno espontâneo

 

Locutor - Professor, o ouvinte Natalino D’Olívio, Rua José de Albuquerque, também responde: O fenômeno de voz direta é a comunicação do espírito sem o concurso da voz humana. Através da voz direta pode-se ouvir assobios, gritos, palavras, conversas, assim como mensagens. Trata-se de um fenômeno espontâneo e só muito raramente pode ser provocado. De duas maneiras distintas se produzem: às vezes é uma voz interior que repercute no nosso foro íntimo, nada tendo de material as palavras conquanto sejam claramente perceptíveis. Outras vezes são exteriores e nitidamente articuladas, como se proviessem de uma pessoa que estivesse ao nosso lado. Kardec denominou esse fenômeno de pneumatofonia (do grego, pneuma: ar, sopro, vento, espírito; e phoné: som ou voz), quer dizer, voz dos espíritos sem o concurso da voz humana. Embora o fenômeno se produza sem o concurso da voz humana não quer dizer que o concurso ocorra sem a concurso do médium.

 

J. Herculano Pires - A resposta do senhor Natalino D’Oliva também não está completa. Faltou aqui a classificação do fenômeno que não foi dada. No mais, ela está perfeita. É uma resposta que realmente mostra o seu conhecimento da doutrina espírita e nos coloca bem à vontade para aprová-la neste sentido. Infelizmente faltou uma parte, a parte da classificação fenomênica. Por isso mesmo não podemos lhe dar a coleção, mas lhe damos também o primeiro volume da Revista Espírita de Allan Kardec nas mesmas condições que fizemos ao ouvinte anterior.

 

Download Pergunta nº 6: Voz direta – técnica

 

Locutor - Professor, a ouvinte Hilda da Silva Nami, Rua Pierre, responde: O fenômeno da voz direta é a emissão de sons vocais produzida por um ou mais espíritos conforme a soma de fluidos em disponibilidade, sem o concurso da voz humana. Ela se verifica de dois modos: interior e exteriormente. Interiormente quando a criatura ouve de dentro de si o eco de uma voz. Este é produzido por um espírito através do perispírito do encarnado sem auxílio, portanto, sem o aparelho sensorial. O segundo, de forma exterior, é produzido, segundo o espírito de André Luiz, por espíritos que se utilizam dos fluidos exteriorizados pelo médium, principalmente da boca, nariz e ouvidos, os que são, em seguida, manipulados e esculturados através da mentalização conjugada à ação técnica, para a formação de um aparelho de fonação com todas as suas minúcias, inclusive as cordas vocais que denominam de garganta ectoplástica, pela qual se comunicam. Pertencem à categoria pneumatofônica. J. Herculano Pires - Também esta resposta, tendo embora se estendido bastante sobre a técnica, por assim dizer, do fenômeno, baseada essa explicação no livro de André Luiz, apesar de toda boa vontade que ela revela, não nos deu a classificação. A classificação é dada assim: pertence à categoria pneumatofônica. Ora, pneumatofônica quer dizer simplesmente pneumatofonia, quer dizer então que nós não temos uma classificação. Nós temos a repetição apenas da designação que Kardec deu ao fenômeno, do nome que ele deu, mas não da classificação. Damos à ouvinte o primeiro volume da Revista Espírita, nas mesmas condições que demos aos anteriores.

 

Download Faça suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana você pode fazê-las pelos seguintes telefones: 269-4377 ou 269-6130 no horário comercial. Na primeira quarta-feira de junho, dia 06, venha ao nosso auditório, à Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, fazer suas perguntas ao microfone e ouvir as respostas na hora. O programa de auditório se inicia às 20h30 toda primeira quarta-feira do mês. A entrada é franca. Venha e traga seus amigos e familiares.

 

Réplica ao canto fúnebre.

 

J. Herculano Pires - Os poetas desencarnados não necessitam naturalmente de transmitir as suas produções poéticas através de médiuns que falem a mesma língua que eles falavam na Terra. Isso por quê? Porque a língua dos espíritos não é a língua articulada nossa. A língua dos espíritos é o pensamento. Kardec já ensinara no seu tempo, como nós sabemos nas suas obras, que os espíritos têm a linguagem telepática, e naturalmente através da mediunidade eles usam essa linguagem de maneira que, com a maior facilidade, utilizando a linguagem do pensamento e conjugando isso com a possibilidade de tradução para a língua em que o médium se encontra, que o médium usa, eles transmitem realmente os seus poemas. Estou dando essa rápida explicação antes que seja lido o poema. Esse poema é uma resposta ao famoso poema da poetisa inglesa Edna Vincent Millay que, como sabemos, é uma das maiores poetisas dos Estados Unidos do tempo de Whitman, de Poe e de outras naquela mesma linha, por assim dizer, de renovação da poética norte-americana. Esta poetisa, como outros estão dando atualmente através de Jorge Rizzini comunicações bastante significativas através de poemas que embora em nossa língua caracterizam bem a temática e o estilo dos poetas da língua inglesa. Vamos aproveitar o Rizzini que está aqui presente no nosso auditório para que ele mesmo nos diga alguma coisa a respeito de como recebeu este poema e de que maneira os poetas norte-americanos estão se servindo dele para a transmissão de suas poesias.

 

Jorge Rizzini - Meu querido Herculano Pires, na verdade você, nesse breve comentário, já disse quase tudo aquilo que iríamos realmente dizer. Mas o nosso mentor espiritual, Manoel de Abreu, desencarnado há duzentos anos, havia nos dito que iríamos passar a receber poesias de poetas não brasileiros nem portugueses, mas poetas europeus e norte-americanos. Então eu fiquei atento, na expectativa, e o primeiro poeta que veio para surpresa minha foi Edgar Allan Poe, cujo poema, nas mesmas bases d’O Corvo, do célebre poema O Corvo, do próprio Allan Poe, nós recebemos então esta mensagem intitulada Meu Testemunho, que, aliás, você próprio, eu já li para você em sua casa, recorda-se, né, Herculano?

 

J. Herculano Pires - Lembro perfeitamente. Achei um poema magnífico.

 

Jorge Rizzini - Depois veio [Inaudível] Collins, outro grande poeta americano, Edwin Robinson e agora a Edna Vincent Millay. Agora, tive a... mesmo nos casos anteriores, eu não registrei visualmente a presença dos espíritos; foi um processo telepático, telepatia espiritual, porque existem duas telepatias, a telepatia material, entre os vivos, e a telepatia espiritual que é o meu caso.

 

J. Herculano Pires - Você vai me perdoar um pouquinho, Rizzini, mas eu quero dizer a você que a telepatia entre os homens também é espiritual.

 

Jorge Rizzini - Sim, espiritual... Sim, claro. Mas eu quero me referir, Herculano, no sentido...

 

J. Herculano Pires - Isso porque a própria parapsicologia hoje, por isso que eu quero fazer esse adendozinho aí – interessante que nós conversemos um pouco... Jorge Rizzini - Quando eu disse material, Herculano, no sentido aqui nesta existência, na matéria...

 

J. Herculano Pires - Sim, eu compreendo...

 

Jorge Rizzini - na telepatia fora da matéria.

 

J. Herculano Pires - Eu estou fazendo um adendo porque é interessante que o ouvinte veja que nós estamos apresentando a coisa assim de improviso...

 

Jorge Rizzini - Claro.

 

J. Herculano Pires - E realmente a parapsicologia hoje, como nós sabemos, a partir da declaração de Rhine de que o pensamento não é físico, mas sim extrafísico, ela já admitiu a natureza espiritual da telepatia.

 

Jorge Rizzini - Eu fiz essa separação apenas para deixar bem evidente os dois tipos: a telepatia entre os vivos, que seria realmente, com rigor, seria a maneira certa de se dizer, e a telepatia espiritual que é o meu caso. Mas no caso da Edna Milley, eu tive a felicidade de surpreender, tive uma visão exterior, eu a vi por inteiro em meu escritório, em minha casa, e foi interessante, Herculano, o por menor em que ela então se sentiu... teve a necessidade de se justificar. Então ela disse: trouxeram-me aqui! Como quem diz: não sei pra quê... então estou aqui à espera de alguma coisa. Essa entrada foi bastante curiosa para mim, que vivi naquele instante o fenômeno. Mas era a promessa do nosso mentor Manoel de Abreu que estava então se realizando naquele instante. E aí, então, no dia seguinte, recebi este poema que é uma réplica, como você disse muito bem, àquele famoso poema da própria Edna, poema que corre o mundo todo, porque foi traduzido em todas as línguas, que é O Canto Fúnebre. Esse poema se intitula: Ah! Canto Fúnebre, que é uma réplica. Nós vamos ouvir então na voz da Meire.

 

Ah! Canto Fúnebre

 

Das lembranças que deixei na Terra, tortura-me uma.
É um crime descomunal e nada além de um conceito.
Ah! Canto Fúnebre, versos que me inspirou a bruma,
teus dezesseis espinhos cravaram-se no meu peito.

Ao solfejá-lo, não entendi as espirais da vida:
a beleza, o amor, a inteligência, as virtudes da natureza.
Para quê? A flor se desenvolvia e depois, numa descida,
ia parar no ventre da morte, e sem qualquer defesa.

No tentáculo do polvo, eu, depois, subdividida.
Talvez meus sonhos renascessem numa rosa aberta,
num mausoléu, mas isso é um sonho.
E envolta pela morbidez, imaginava-me hirta e fria,
e indiferente a mim, o ser.

Revelada, porém, a esfinge está. Eu trago o facho da verdade.
Ah! Canto Fúnebre! És da verdade um simples fragmento.
No corpo vive a morte, no espírito a eternidade.
Rasguei os véus da morte e ao mundo me apresento.
[ Canto Fúnebre

Não me resigno que na dura terra amantes corações sejam encerrados.
Assim é e assim será, como sempre foi na era mais distanciada:
Para as trevas lá vão os sábios e os belos. Coroados
De lírios ou de louros, lá vão; mas não estou resignada.

Contigo, dentro da terra, amantes e pensadores
Misturam-se com o pó anônimo revolvido.
Um fragmento do que conheces, de tuas dores,
Uma fórmula, uma frase rica, -- mas o melhor está perdido.

A resposta aguda e pronta, o riso, o amor, o olhar, o gesto.
Foram-se para alimentar as rosas. Belo e jucundo
É o lírio. Cheirosa é a rosa. Bem sei, mas protesto.
Mais preciosa era a luz em teus olhos do que todas as rosas do mundo.

Dentro, lá dentro no fundo das trevas da morte
Vão ter o belo, o meigo, o bom. No Silêncio do nada
Vão desaparecer o inteligente, o gracioso, o forte
Eu sei. Mas não aprovo. E não estou resignada.]

 

Perguntas e respostas.

 

Pergunta nº 7: Cura espiritual

 

Locutor - Professor, o ouvinte Leonil Alves Ferreira, da Rua Dezenove de Dezembro, Santo Antônio da Platina, Paraná, pede-lhe um curativo espiritual para sua esposa Ernestina. Ela tem visto vultos de duas mulheres que a acompanham diariamente perturbando sua saúde e impedindo-a até mesmo de visitar os parentes.

 

J. Herculano Pires - Eu não posso, evidentemente, dar nenhum curativo espiritual à sua mulher. Estas visões que ela está tendo são provas de mediunidade, sintomas evidentes de que ela é médium. O senhor deve procurar aí em Santo Antônio da Platina o nosso amigo Aldrovando, porque o Aldrovando, como todos aí em Santo Antônio da Platina sabem muito bem, se empenha num grande trabalho de divulgação do espiritismo aí no centro espírita. Ele poderá encaminhar a sua mulher ao esclarecimento deste problema e ajudá-la a vencê-lo. Esteja certo de que a presença sua junto ao Aldrovando explicando-lhe este fenômeno será o curativo que o senhor procura de mim aqui em São Paulo. Ele está aí mesmo, bem perto do senhor, aí em Santo Antônio da Platina. Por sinal que dando-lhe essa explicação e fazendo-lhe este pedido, um pedido que eu lhe faço é que procure o Aldrovando para que ele lhe explique isso, ao mesmo tempo nós lhe oferecemos através do nosso programa um livro que o senhor precisa ler: é “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. Esse livro será enviado aí à emissora Difusora Platinense para que ela lhe entregue. O senhor receberá aí este livro. Eu quero também aproveitar esse momento em que estou falando a Santo Antônio da Platina, ao responder o seu pedido, quero lembrar que o nosso amigo Aldrovando esteve recentemente aqui em São Paulo, veio participar representando os espíritas platinenses da sessão da Câmara Municipal em que foi entregue pelos vereadores o título de cidadão paulistano a Chico Xavier. Aldrovando nos deu uma grande alegria com a sua presença, trazendo-nos também as notícias do grande trabalho que se realiza em Santo Antônio da Platina no campo do espiritismo. Assim, agradeço a oportunidade que o senhor me deu de fazer este breve registro em nosso programa.

 

Locutor - Professor, o ouvinte Manoel Augusto Guimarães, Jardim Brasília, responde: Na época das mesas girantes, ao dizer-lhe Fortier que não só giravam, como falavam, Kardec duvidando da realidade, resolveu estudar o fenômeno em maio de 1855, resultando deste estudo o aparecimento de “O Livro dos Espíritos” em 18 de abril de 1857. A seguir, Kardec escreveu as demais obras que compõem a codificação espírita. Eis os nomes dos espíritos que transmitiram as obras de Kardec, liderados pelo Espírito da Verdade: João Evangelista, Agostinho, Vicente de Paulo, São Luiz, Sócrates, Platão, Fenelon, Franklin, Swedenborg e Paulo Apóstolo.

 

J. Herculano Pires - Esta é certamente uma resposta a uma pergunta que nós fizemos sobre a codificação. A resposta chegou muito atrasada. O prêmio destinado a essa resposta já foi dado. Mas, não obstante, nós vamos lhe conferir o primeiro volume da Revista Espírita de Allan Kardec.

 

Locutor - O ouvinte Renato Moreti, da Rua Antônio Foster, responde: As obras da codificação, por ordem de publicação, são as seguintes: 1857, o “Livro dos Espíritos”; 1859, “O Que é o Espiritismo”; 1861, “O Livro dos Médiuns”; 1864, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; 1865, “O Céu e o Inferno”; 1868, “A Gênese”; 1890, “Obras Póstumas”.

 

J. Herculano Pires - O nosso amigo Moreti errou incluindo dois livros que não pertencem à codificação. O “Principiante Espírita” e “Obras Póstumas”. São livros subsidiários da codificação, não pertencem à série de cinco volumes da codificação.

 

Locutor - Professor, o ouvinte Hermann M. Espaquezi, Capital, pergunta...

 

J. Herculano Pires - Bom, vou interromper esta pergunta pelo seguinte: o senhor Espaquezi não faz propriamente uma pergunta, ele faz uma defesa, através de uma carta, de um ponto de vista político e nós aqui não incluímos política no nosso programa. De maneira que a carta do senhor Espaquezi não pode ser respondida por nós. O nosso programa não trata de assuntos políticos. Ele trata aqui de um programa político internacional bastante melindroso, de maneira que não podemos incluir a sua resposta, que praticamente ele nos deu uma resposta e não uma pergunta. Não podemos incluir a sua resposta no nosso programa. Pedimos ao senhor Espaquezi que, querendo tratar de assuntos puramente espirituais dentro do espiritismo ou referente ao espiritismo, até mesmo contrários ao espiritismo, pode nos escrever à vontade. Quanto à defesa de pontos de vista políticos, principalmente uma defesa de um ponto de vista indefensável, como ele fez nesta carta, nós não trataremos no programa.

 

Download Pergunta nº 8: Aumento dos espíritos encarnados

 

Locutor - Professor, o ouvinte Benito Romeu Nisticó, da Rua Bartolomeu Feio, pergunta: Como no mundo atual existem tantos espíritos encarnados se no início da formação do mundo existiam tão poucos? De onde vieram estes espíritos? São novos?

 

J. Herculano Pires - Eu perguntaria ao Sr. Nisticó se não leu no evangelho de Jesus aquela expressão do nosso divino mestre quando disse que Deus sempre trabalhou e continua trabalhando até hoje. Quer dizer, até o momento em que ele falou e continuaria para sempre. Nós temos uma visão muito curta desses problemas. Na verdade, a produção, por assim dizer, dos espíritos, a geração dos espíritos é contínua no universo. Se na época que existiam poucos espíritos na Terra, esse espíritos haviam sido criados por Deus, nós perguntamos por que Deus teria de parar de produzir, de criar espíritos? De acordo com a doutrina espírita, a criação dos espíritos é incessante porque ela procede, de acordo com os princípios dessa doutrina, de um verdadeiro processo natural que se desenvolve com a evolução do princípio inteligente do universo através dos reinos da natureza. Dessa maneira, continuamente em todos os mundos, não apenas na Terra, mas em todos os mundos habitados do espaço, por toda parte no universo infinito, os espíritos estão se multiplicando incessantemente. Não há, portanto, nenhum problema no tocante a este assunto. Entretanto, para que o Sr. Nisticó possa compreender melhor o problema, nós tomamos a liberdade de lhe oferecer um livro, o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec, no qual ele poderá tomar conhecimento deste assunto de maneira mais perfeita. Este livro ele pode retirar a partir de segunda-feira, sempre no horário comercial, no escritório central da Rádio Mulher à Rua Barão de Itapetininga, 46 – 11º andar, conjunto 1.111.

 

Download Locutor - Professor, o ouvinte Alberto Bibiano, da Rua Aimberê, Capital, também responde à pergunta feita pelo programa No Limiar do Amanhã sobre as obras básicas da codificação.

 

J. Herculano Pires - Sim, eu estou tomando conhecimento aqui da resposta do Sr. Bibiano. Ela é uma resposta que realmente está certa, mas como já sabemos e como já falamos aqui, essa resposta está chegando atrasada, porque o prêmio destinado às respostas a essa pergunta já foi entregue em programa anterior. Entretanto, oferecemos ao Sr. Bibiano um volume da Revista Espírita, o primeiro volume da Revista Espírita de Allan Kardec, esse primeiro volume encadernado em percalina verde com gravação a ouro e que ele pode retirar no escritório central da Rádio Mulher de acordo com o endereço que temos dado aqui constantemente. Eu queria aproveitar essa oportunidade para lembrar o seguinte: a resposta que demos em programa anterior sobre o fenômeno de voz direta ainda não foi respondida. Todas as respostas que nos chegaram até agora são incompletas, de maneira que ela continua no ar. Nós não vamos fazer hoje nenhuma outra pergunta. Os ouvintes que quiserem, poderão enviar sua resposta àquela mesma pergunta que já fizemos, concorrendo assim ao prêmio de uma coleção completa da Revista Espírita de Allan Kardec encadernada em percalina verde e com gravação a ouro. Vamos dar de novo a resposta [a pergunta] para que todos possam respondê-la com segurança. A pergunta é a seguinte: o que é o fenômeno de voz direta? Como Kardec o denominou? E qual é a sua classificação na escala dos fenômenos espírita?

 

Em geral, as respostas deixam de indicar a classificação ou a indicam de maneira errada. É preciso que as pessoas que queiram responder certamente a essa pergunta recorram ao livro que trata da fenomenologia, particularmente “O Livro dos Médiuns”, e procurem então localizar bem este assunto para poderem concorrer de fato ao prêmio que é a coleção da Revista Espírita.

 

Este programa é um esforço de esclarecimento doutrinário, um diálogo radiofônico sobre os problemas fundamentais da vida e da morte. Não fazemos propaganda religiosa, não temos igreja e não buscamos adeptos. Não somos salvacionistas, pois cada um só pode salvar-se por si mesmo, pelo desenvolvimento da sua fé e pela prática de boas obras. Não queremos tirar ninguém da sua religião, mas que cada qual procure compreendê-la em seu sentido espiritual. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade. E se você provar que está com a verdade, ficaremos com você.

 

O evangelho do Cristo em espírito e verdade, não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica. Abrindo o evangelho ao acaso, encontramos no evangelho de João, no capítulo 08, do versículo 52 ao 59, a seguinte passagem: Disseram-lhe os judeus, agora estamos certos de que estás possesso de demônio. Abraão morreu e também os profetas. E tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca jamais provará a morte. Porventura és tu maior que o nosso pai Abraão que morreu? Também os profetas morreram. Quem pretendes tu ser? Respondeu Jesus: Se eu me glorificar, a minha glória não é nada. Quem me glorifica é meu pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. Entretanto, vós não o tendes conhecido, mas eu o conheço. Se eu disser que não o conheço, serei como vós, mentiroso. Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. Vosso pai Abraão alegrou-se de ver o meu dia; viu-o e regozijou-se. Perguntaram-lhe os judeus: Ainda não tem cinquenta anos e viste a Abraão? Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão fosse feito, eu sou. Então, pegaram em pedras para lhe atirar, mas ele encobriu-se e saiu do templo.

 

J. Herculano Pires - Vemos nesta passagem do evangelho de João um episódio bastante significativo que nos traz, inclusive, informações sobre aquilo que podemos considerar a natureza do Cristo. Vemos que ele, segundo declara neste capítulo 08 do evangelho de João, não só neste trecho lido, mas também na parte anterior do capítulo, vemos ele afirmar que não pertence ao nosso mundo. Na verdade, sabemos que o Cristo teve a incumbência de criar a Terra, o nosso planeta, o mundo que habitamos; ele foi o criador, o formador deste mundo; ele veio, portanto, de esferas superiores, quer dizer, de planos superiores da espiritualidade. Isto, entretanto, não quer dizer, segundo pensam algumas pessoas, que ele não tenha passado pelo processo de evolução, que ele seja Deus, ou que ele seja uma espécie de criatura ligada a Deus de maneira misteriosa e criada ao mesmo tempo que Deus, se Deus pudesse ter sido criado. Não, não quer dizer isso. Quer dizer apenas que Jesus fez parte de mundos anteriores à Terra, mundos que evoluíram muito antes que o nosso, e tendo atingido os planos mais elevados da evolução, então puderam esses mundos produzir os espíritos superiores entre os quais se encontrava o espírito de Jesus. Ele, Jesus, o Cristo segundo a designação grega que os discípulos gregos do seu evangelho lhe deram, ele veio, portanto, à Terra com uma finalidade bem definida: a de organizar o nosso mundo terreno e dirigir a humanidade que aqui se encarnaria. Assim, de acordo com o espiritismo, a direção espiritual da Terra está nas mãos de Jesus. As suas mãos misericordiosas orientam o desenvolvimento através dos tempos de toda nossa evolução na Terra. A população terrena, portanto, nesse desenvolvimento, é dirigida por uma luz superior, por uma inteligência divina que, não obstante, não podemos confundir com a inteligência de Deus. Há uma distinção nítida a ser feita. Nós podemos apelar para o esclarecimento desta divisão, podemos apelar para uma informação que encontramos já antes do advento do Cristo na própria filosofia de Platão. Platão se refere na sua filosofia ao Demiurgo, e essa figura, o Demiurgo, nada mais é que, de acordo com as próprias palavras de Platão, um deus secundário. Este deus secundário é naturalmente um ministro de Deus. E diz então Platão que Deus fornece a matéria prima da qual se serve o Demiurgo para formar um mundo. A imagem parece bastante explicativa da maneira por que nós consideramos no espiritismo a figura de Jesus. Deus forneceu a matéria-prima, e Jesus construiu a Terra. As suas mãos, por assim dizer, modelaram o nosso planeta como as mãos de um oleiro modelam na sua olaria as formas de um vaso. Ele preparou o recipiente celeste, porque a Terra é um mundo do espaço, é um mundo do céu. A Terra não é um mundo perdido nos planos inferiores da criação, mas um mundo em evolução no giro constante das galáxias ao redor dos planos superiores. E a Terra, nesta sua evolução, modelada por Jesus, recebeu então todo conteúdo humano espiritual que veio à Terra através das gerações sucessivas, desde os homens das cavernas até os nossos dias. Entretanto, quando Jesus, presidindo a evolução terrena, enviou sucessivamente ao nosso planeta as grandes figuras que nos trouxeram as revelações do passado – por exemplo, as revelações de Hermes no Egito, de Viasa na Índia, de Zoroastro na Pérsia e assim por diante –, quando ele nos enviou essas figuras que correspondem aos seus auxiliares espirituais no destino da Terra, na direção e na orientação do nosso planeta, ele preparava o momento em que ele mesmo deveria vir em pessoa para participar da evolução terrena e para nos dar o impulso decisivo nos caminhos dessa evolução. A vinda de Jesus, portanto, marca um momento superior da nossa evolução. Quando ele se encarnou entre nós, ele veio tomar o corpo carnal, veio fazer-se homem entre os homens para nos trazer as suas lições de viva voz, trazendo-nos também o esclarecimento de muitas das lições anteriores a ele, quando ele aqui apareceu, ele nos trouxe não só um ensinamento, mas nos trouxe também o seu exemplo, e mais do que o seu exemplo, ele nos trouxe o impulso espiritual da sua evolução com a qual impregnou, se assim podemos dizer, a própria carne humana para que o homem dali por diante encontrasse maior facilidade no seu desenvolvimento espiritual. Entretanto, vemos que os homens do tempo, os próprios judeus, entre os quais ele nasceu, e os judeus constituíam nesse tempo o povo espiritualmente em melhores condições para recebê-lo. Entretanto, os próprios judeus, como dizíamos, não foram capazes de compreender os seus ensinos e de recebê-lo com a dignidade espiritual necessária. Até hoje, como sabemos, o judaísmo continua dogmaticamente nos seus postulados mosaicos; não sai dessa situação, não aceita que o Cristo tenha vindo através de Jesus, e isto nos mostra como é difícil a mentalidade humana mudar através dos tempos. Nós temos uma tendência à inércia mental, a nos fixarmos em dogmas, em princípios tradicionais e a permanecermos, por assim dizer, enleados nesses princípios sem conseguirmos avançar na compreensão real das coisas. Justamente em virtude dessa inércia mental, os homens recusam continuamente as novas revelações, os novos ensinos que o céu continua a nos enviar sem cessar. Por toda parte, como sabemos, os espíritos se comunicaram sempre em todos os tempos. Os espíritos superiores se serviram dos oráculos, das pitonisas na antiguidade para transmitirem muitos dos ensinos necessários à evolução humana. Atualmente, os espíritos superiores nos trazem as suas mensagens através dos médiuns. Os médiuns são os novos profetas, porque os profetas bíblicos foram também seus instrumentos, os novos profetas que aqui estão para trazerem os novos ensinos da revelação, o ensino do Espírito da Verdade. E os homens continuam apedrejando esses profetas como nos tempos passados.

 

No Limiar do Amanhã é uma tribuna livre para o debate dos problemas do espírito. Mande-nos suas perguntas, ouça as respostas, aceite-as ou discorde delas, e ouça também as perguntas que lhe fazemos, enviando-nos as suas respostas. Entre no diálogo radiofônico do programa No Limiar do Amanhã ajudando a preparação dos novos tempos.

 

Uma nova terra e um novo céu estão nascendo. Ajudemo-nos uns aos outros para que o homem novo do evangelho possa nascer em nós.

 

No Limiar do Amanhã: tragada foi a morte na vitória.

 


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