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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã: um desafio no espaço.

 

Aleluia! Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou. A palavra aleluia vem do hebraico e quer dizer: louvai a Javé, ou seja, louvai a Deus. É empregada na liturgia das igrejas cristãs, usada em demasia por certa seita dos chamados Aleluias. No espiritismo não é usada a não ser por analogia ou como simples expressão de alegria. O sábado da ressurreição é também chamado sábado de aleluia. Mas as palavras não são mágicas, são apenas expressivas. O que nos interessa é saber que neste sábado e neste domingo celebramos em todo mundo cristão o fato mais importante da história humana: a ressurreição de Jesus.

 

A ressurreição é uma lei natural: tudo nasce, morre e renasce em nosso mundo. Mas a ressurreição de Jesus foi considerada pelas igrejas cristãs como uma exceção, um fato milagroso. Não obstante, a importância histórica desse fato está precisamente no ensino que ele encerra: a de que todos nós também ressuscitamos. Por isso escreveu o apóstolo Paulo na sua primeira epístola aos coríntios: Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos como dizem alguns dentre vós, que não há ressurreição de mortos? Se não há ressurreição de mortos também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e também é vã a nossa fé. Paulo considera Cristo ressuscitado como as primícias dos que dormem (capítulo 15, versículo 20). Primícias quer dizer: primeiros frutos. E figuradamente, primeiros gozos, primeiras alegrias. Os que dormem, os mortos, que acreditaram nos dogmas da condenação eterna e ficaram na Terra como se fossem cadáveres à espera do juízo final, estes tiveram na ressurreição de Cristo suas primeiras alegrias de após morte, porque essa ressurreição foi o anúncio da libertação de todos.

 

Paulo havia recebido o evangelho diretamente do próprio Cristo como ele mesmo afirmava. Graças a isso e à sua poderosa inteligência, Paulo pôde compreender o verdadeiro sentido da ressurreição de Jesus. Mas em que corpo ressuscitou o Cristo? Responde-nos o próprio Paulo no capítulo 15 da Primeira Epístola aos coríntios: Insensato. O que semeias não vivificará se primeiro não morrer. Não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão como o de trigo. Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se o corpo animal e ressuscitará o corpo espiritual. Há o corpo animal e há também o corpo espiritual.

 

Aleluia amigos ouvintes! Aleluia! Não há morte! Tragada foi a morte na vitória. Nosso corpo carnal é apenas uma veste grosseira do nosso verdadeiro corpo que é o espiritual. E agora as próprias ciências dos homens estão chegando a essa conclusão. A descoberta do corpo bioplástico pelos cientistas russos dá o golpe de misericórdia na morte, dentro do próprio campo do materialismo. Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. Deus nada criou para a morte, mas tudo criou para a ressurreição. Depois da morte, ressuscitamos no corpo espiritual, e se necessário mais tarde ressuscitamos na própria carne graças à reencarnação. A ressurreição da carne é o renascimento do espírito no processo das vidas sucessivas.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Direção e participação do professor Herculano Pires. Produção do Grupo Espírita Emanuel. Transmissão número 110. Terceiro ano.

 

Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640 KHZ e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 KHZ. Todos os domingos esse programa é reprisado pela Rádio Mulher de São Paulo das seis às sete horas da manhã com sugestões especiais para o seu domingo espiritual.

 

Tiradentes ressuscitou para libertar o Brasil.

 

A 21 de abril de 1792, o Alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, foi enforcado às onze horas da manhã no Largo da Lampadosa, no Rio, diante da multidão e de três regimentos da cavalaria. Sua casa foi destruída e o terreno em que se erguia foi salgado. Seu corpo foi esquartejado e espalhado por vários lugares. A figura clássica que dele nos restou assemelha-se bastante às imagens do Cristo, por isso muita gente o considera uma espécie de Cristo brasileiro que deu a vida para a libertação dos humilhados que a tirania do tempo esmagava em nossa pátria. Tiradentes foi o protomártir da independência do Brasil. Sua bravura se manteve inalterada até o último instante. Surgiu no patíbulo na hora da execução com sua túnica e sua cabeleira que o assemelham à pintura de Jesus, carregando tranquilamente o crucifixo entre as mãos. Altivo, sereno, consciente dos seus deveres para com a pátria lamentou apenas que não tivesse mais dez vidas para sacrificá-las todas pelo Brasil. Humberto de Campos no livro Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho, psicografado por Chico Xavier, conta-nos que Tiradentes acompanhou Dom Pedro I em sua viagem a Santos, e na sua volta a São Paulo. Impulsionou-o a dar o grito de independência no Ipiranga. Tiradentes ressuscitado levou a cabo sua missão servindo-se da mediunidade do príncipe português que seria o nosso primeiro imperador. Assim, proclamada a independência por um príncipe português, ficou anulada espiritualmente a dissidência entre as duas partes e hoje se fundem no seio da mesma língua, da mesma tradição e do mesmo anseio de liberdade e espiritualização.

 

A vida e a morte de Tiradentes têm o sabor de uma lenda, de um mito heroico. Se a sua figura e o seu sacrifício se assemelham aos do Cristo, guardadas as proporções entre o humano e o divino. Seu esquartejamento e a sua ressurreição nos lembram o mito de Osíris, o deus egípcio, que morto e esquartejado, ressuscitou para o cumprimento de sua missão. Tiradentes é hoje um dos nomes tutelares do Brasil. Na sua elevada posição espiritual, o grande Alferes vela pela nossa pátria e o nosso povo.

 

Faça suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã escrevendo para a Rádio Mulher, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana você pode fazer perguntas pelo telefone sempre no horário comercial discando estes números: 269-4377 ou 269-6130. Na primeira quarta-feira de maio venha ao nosso auditório, da Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, para fazer suas perguntas ao microfone e ouvir as respostas na hora. Você pode dialogar conosco. A gravação do auditório se inicia às 20h30.

 

Perguntas e respostas.

 

Dado o grande interesse despertado pela oferta da coleção da Revista Espírita de Allan Kardec (12 volumes encadernados em percalina verde com gravação a ouro), a editora Edicel nos ofereceu mais uma edição para o programa de hoje.

 

Atenção amigos ouvintes! A primeira resposta certa que chegar à Rádio Mulher e à comissão julgadora dará direito à coleção completa da Revista Espírita oferecida neste programa. Uma nova coleção, portanto, que será oferecida para aqueles que responderem a pergunta deste programa. As demais respostas que acertarem ou que se aproximarem da pergunta terão o prêmio de um livro espírita.

 

Prestem atenção a este problema que é bastante interessante. Todas as respostas dadas ao programa chegarão naturalmente à Rádio Mulher, seja no escritório central, ou seja aqui na Rua Granja Julieta, e serão encaminhadas à comissão que vai selecionar, ver aquela que ganhou. A primeira resposta certa que chegar às mãos da comissão, que a comissão encontrar, ganhará a Revista Espírita, a coleção total. As outras respostas, quando acertarem ou se aproximarem da pergunta, ganharão um volume, um livro espírita dado também por este programa e pela editora Edicel. Não confundir com as respostas que chegaram hoje, que vão ser lidas aqui neste programa hoje e que ganharão o prêmio dado no programa anterior.

 

Pergunta nº 1: Pedido de ouvir o programa

 

Locutor - Professor, recebemos uma carta de São Luiz do Maranhão, do senhor João Francisco Ribeiro que pergunta: por motivos alheios à minha vontade fui obrigado a voltar para minha terra natal. Quando morava em São Paulo tive a grata satisfação de ouvir seu programa e agora tão longe como farei para ouvi-lo? Pois muita falta me faz suas perguntas de fé e suas respostas positivas. Gostaria de receber do programa livros de Allan Kardec.

 

J. Herculano Pires - É claro que nós não podemos estender a nossa irradiação até onde se encontra esse nosso ouvinte. Entretanto, lembramos o seguinte: vários dos nossos companheiros de ideias costumam fazer gravações do programa. Era possível, portanto que o senhor João Francisco Ribeiro entre em entendimento com alguns destes amigos que podem lhe enviar alguns programas gravados para ele lá ouvir no seu gravador particular. Por outro lado, há a possibilidade também de alguma emissora de São Luiz do Maranhão que se interesse pelo programa receber as nossas gravações lá. Outra maneira não vejo como atendê-lo.

 

Quanto a livros do programa, sabe o ouvinte, estes livros são distribuídos em atenção às respostas dadas às nossas perguntas, ou a perguntas feitas que pelo seu interesse nos levam também a oferecer um livro. Continue a nos enviar as suas perguntas, portanto, e quando tiver a possibilidade de enviar um livro, este lhe será enviado.

 

Locutor - Professor, temos aqui várias respostas dadas por ouvintes do programa No Limiar do Amanhã. O ouvinte José Carlos Vequiato responde sobre a pergunta: o que lei de adoração? A ouvinte Inês da Silva, da Rua 15 de Agosto, São Miguel Paulista, responde os volumes da codificação do espiritismo pela ordem de publicação. O ouvinte Renato Lopes também sobre os volumes da codificação do espiritismo na ordem de publicação. A ouvinte Luísa Moretti de Oliveira responde também sobre as obras da codificação por ordem de publicação. São esses os ouvintes que escreveram respondendo perguntas de programas anteriores ao passado.

 

J. Herculano Pires - O ouvinte José Carlos Vequiato responde sobre a lei de adoração e diz que a lei de adoração foi estabelecida por Moisés. O engano é evidente. Não se trata de nenhuma lei estabelecida por Moisés. A lei de adoração figura no “Livro dos Espíritos” na parte referente às leis morais. Há todo um capítulo de Allan Kardec sobre a lei de adoração. Infelizmente o senhor Vequiato não acertou.

 

Quanto à ouvinte Inês da Silva, ela responde a pergunta sobre os volumes da codificação e nos dá esse volume por ordem de publicação segundo solicitamos. Na verdade, ela se aproxima da resposta certa e nós lhe oferecemos um livro que será “Antologia do mais além”, uma oferta nossa e da editora Lake - Allan Kardec.

 

O ouvinte Renato Lopes também fala sobre os volumes da codificação. Oferecemos-lhe o livro “Vida e obra de Allan Kardec” da editora Edicel. A resposta está certa.

 

A ouvinte Luiza Moretti de Oliveira responde também sobre as obras da codificação. Entretanto acrescentou às obras da codificação propriamente dita, os livros “O que é o espiritismo” e “Obras Póstumas” que não figuram na codificação. Não obstante, aproximou-se e nós lhe oferecemos também um volume de “Vida e obra de Allan Kardec” da editora Edicel.

 

Eu queria lembrar que estas respostas estão chegadas com atraso, porque se referem a programas anteriores. Os prêmios, portanto, já foram distribuídos. Não obstante, levando em consideração que os ouvintes contam com as dificuldades de remessas, nós continuaremos atender mesmo aquelas perguntas que venham atrasadas.

 

Download Pergunta nº 2: Umbanda e mesa branca

 

Locutor - Professor, uma ouvinte que pede para não divulgar o seu nome, telefonou e pergunta: Nunca acreditei no espiritismo de qualquer espécie, umbanda ou mesa branca. Minha vizinha é médium e chamou-me para assistir uma sessão espírita em sua casa. Como desde que perdi meu filho nada mais me interessa, fui tomar passe da reunião. Tomada pelo espírito ela deixou cair em cima da mesa algumas rosas que surgiram do ar. Quero saber se este fato aconteceu para provar-me que o espiritismo existe ou para dar conformação pela perda de meu filho.

 

J. Herculano Pires - Os espíritos, em geral, não têm interesse em convencer as pessoas que resistem naturalmente aos fatos, à evidência dos fatos, e resistem até mesmo às intuições que todos nós trazemos dentro de nós quanto à existência da vida espiritual. Não obstante, este fato tem um sentido. Talvez seja não apenas de consolação, mas talvez seja uma maneira pela qual o seu próprio filho quis lhe fazer sentir a sua existência após a morte. Os espíritos se servem dos meios de que dispõem no momento para trazerem ao coração da mãe, do pai ou de alguma pessoa amiga, trazerem a eles não só uma consolação, mas também uma certeza de que a vida espiritual existe e continua.

 

Se a senhora nunca acreditou no espiritismo – e eu quero lembrar que espiritismo é um só, não há espiritismo de umbanda ou mesa branca –, o espiritismo é um só, é a doutrina de Allan Kardec codificada no “O Livro dos Espíritos” e nos livros subsequentes da codificação kardeciana. A denominação mesa branca é uma expressão popular que não tem nada que ver com a doutrina. Umbanda não é espiritismo. Umbanda é uma religião africana transportada para o Brasil com o tráfico negreiro. Esta religião aqui se misturou com a religião católica, com a crendice dos nossos índios, e dessa mistura resultou a chamada umbanda dos nossos dias. Não é possível a confusão entre uma religião primitiva que veio das selvas da África para o Brasil, com uma filosofia de bases científicas de consequências religiosas que nos chegou da França e que é o espiritismo.

 

Há uma diferença não apenas cultural, mas uma diferença no sentido de método. O espiritismo é uma doutrina desenvolvida segundo um método rigoroso de raciocínio. É, portanto, uma doutrina moderna de filosofia assentada em pesquisas científicas. Não é possível confundir no plano da concepção religiosa duas doutrinas que se manifestam de maneira tão opostas.

 

Acreditamos que se a senhora não aceitou o espiritismo é justamente por não ter tomado conhecimento dele. E por isso vamos lhe pedir licença para lhe fazer um presente de irmão. Procuramos dar-lhe um livro que deve interessar-lhe bastante a fim, inclusive, da senhora poder obter a consolação que deseja; não uma consolação feita de palavras, mas sim de dados positivos que lhe mostrem a realidade da sobrevivência do seu filho após a morte. Este livro é “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. A senhora pode retirar esse livro a partir de segunda-feira no horário comercial no escritório central da Rádio Mulher, à Rua barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. pode a senhora procurar lá a partir de segunda-feira que o livro estará à sua disposição.

 

Download Pergunta nº 3: Sobre as Médiuns que serviram Kardec – resposta premiada

 

Locutor - Professor, temos aqui a primeira carta sobre a pergunta feita no programa anterior. É do ouvinte Pedro Arnaldo Ribeiro da Rua Particular D, Tatuapé. Eis a sua resposta dada à pergunta que foi feita pelo programa No Limiar do Amanhã:

 

As médiuns que serviram a Kardec para a recepção de “O Livro dos Espíritos” foram Juli Baudin e Caroline Baudin, de quatorze e dezesseis anos, respectivamente. Eram filhas do senhor Baudin de cuja família Kardec se tornou amigo por intermédio do senhor Fortier, também seu amigo, e que fora o primeiro a lhe falar entusiasticamente a respeito das mesas girantes, o que Kardec de início não aceitou. Estamos por coincidência comemorando mais um aniversário deste livro que a 18 de abril de 1857 lançava no mundo a essência de uma nova doutrina que iria se constituir na Terceira Revelação.

 

J. Herculano Pires - O ouvinte Pedro Arnaldo Ribeiro, da Rua Particular D, no Tatuapé, ganhou a coleção completa da Revista Espírita de Allan Kardec encadernada em percalina verde e com gravação a ouro. Foi a sua a resposta que chegou primeiro, e que trouxe resposta completa, informação precisa, todos os dados pedidos e ainda com acréscimo de mais informações a respeito do episódio do início da codificação.

 

Felicitamos o ouvinte Arnaldo Ribeiro por haver conquistado este prêmio da coleção completa da Revista Espírita de Allan Kardec numa oferta da editora Edicel através do programa No Limiar do Amanhã.

 

Queremos encarecer aqui neste momento em que é concedido o prêmio máximo do programa passado, do programa anterior, queremos esclarecer que a coleção da Revista Espírita é de suma importância para o conhecimento da doutrina. Quando lemos o “Livro dos Espíritos”, o “Livro dos Médiuns”, e os demais livros da coleção, a todo momento deparamos com indicações de Kardec de que devemos procurar ampliação da matéria ali contida em determinados volumes da Revista Espírita. Até há alguns anos, até há pouco, não havia no Brasil coleção da Revista Espírita traduzida em português. Apenas alguns privilegiados possuíam coleções francesas. Hoje felizmente nós temos a coleção completa, e isto é um privilégio porque fora da França o único país do mundo que tem a coleção completa da Revista Espírita em língua nacional é o nosso país, é o Brasil. Levamos ao conhecimento dos nossos ouvintes interessados no estudo espiritismo esse fato auspicioso de que nós já estamos em condições atualmente de aprofundar o nosso conhecimento doutrinário. O espiritismo não se reduz apenas aos cinco volumes da codificação. Aqueles cinco volumes são os volumes orientadores do estudo, os que dão os princípios básicos da doutrina, mas esses princípios são desenvolvidos, como sabemos, através de numerosos estudos e também eles são fundamentados nas numerosas pesquisas de Kardec durante doze anos na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Esses estudos e essas pesquisas não se encontram em outro lugar senão na coleção da Revista Espírita de Allan Kardec.

 

Locutor - Professor, também o doutor Eurípides de Castro, da Rua Leão XIII telefonou respondendo: As médiuns que serviram a Kardec para a recepção do Livro dos Espíritos foram Juli e Caroline de quatorze e dezesseis anos, respectivamente, e mais tarde se juntaria a senhorita Jafé no processo da revisão do livro.

 

J. Herculano Pires - A resposta do nosso prezado amigo, o doutor Eurípides de Castro, companheiro ativo do movimento espírita, é uma resposta certa, precisa, mas houve uma pequena falha que naturalmente a prejudica. Não nos foram dados os nomes completos das médiuns, das médiuns que receberam a codificação, que receberam o “Livro dos Espíritos” que seriam Julie e Caroline Baudin. Apenas estão aqui os primeiros nomes de ambas. Entretanto, a resposta foi telefônica. É possível que o doutor Eurípides de Castro, na pressa de telefonar, não tenha se interessado em completar o nome das médiuns ou tenha julgado que isso seria desnecessário. De qualquer maneira, a resposta é bastante precisa, mas o prêmio já foi concedido à primeira pergunta respondida. Damos, entretanto, ao nosso ouvinte Eurípides de Castro um volume a ser por ele escolhido e que remeteremos ao escritório da Rádio Mulher para que ele de lá retire posteriormente.

 

Download Faça suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, escrevendo para Rádio Mulher, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana você pode fazer perguntas pelo telefone sempre no horário comercial discando estes números: 269-4377 ou 269-6130. Na primeira quarta-feira de maio venha ao nosso auditório à Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, para fazer as suas perguntas ao microfone e ouvir as respostas na hora. Você pode dialogar conosco, a gravação do auditório se inicia às 20h30.

 

Perguntas e respostas.

 

Locutor - Professor: temos aqui uma série de cartas de ouvintes que escreveram ao programa No Limiar do Amanhã dando resposta à pergunta feita no programa passado. O ouvinte Dionísio Martins Varjão, da Rua Romeu Ferro, Vila Gomes Butantã.

 

J. Herculano Pires - Este ouvinte aproximou-se da verdade e nós lhe damos um livro que é o primeiro volume da coleção da Revista Espírita.

 

Locutor - O ouvinte Moacir Batista de Paula da Rua Vinte e Sete, Jardim Nove de Julho.

 

J. Herculano Pires - A este ouvinte o segundo volume da coleção da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte José Carlos Oliveira da Rua Angaturama.

 

J. Herculano Pires - Oferecemos a ele o livro “Vida e obra de Allan Kardec” da editora Edicel.

 

Locutor - O ouvinte Alfredo Alves da Rua Amaral Gurgel.

 

J. Herculano Pires - “Vida e obra de Allan Kardec”. Locutor - A ouvinte Encarnación Gimenez. J. Herculano Pires - Primeiro volume da coleção da Revista Espírita.

 

Locutor - A ouvinte Vera Regina Rodrigues da Rua Bartolomeu Feio.

 

J. Herculano Pires - Um volume de “Vida e obra de Allan Kardec”.

 

Locutor - O ouvinte Antonio Bonfati.

 

J. Herculano Pires - Um volume de “Antologia do Mais Além” da editora LAKE.

 

Locutor - A ouvinte Heloisa G.G. Borneman.

 

J. Herculano Pires - Um volume da coleção Revista Espírita. Primeiro volume.

 

Locutor - O ouvinte José M. Pereira Bessa.

 

J. Herculano Pires - “O Livro dos Espíritos” da editora LAKE.

 

Locutor - O ouvinte Cid Carlos Pinto de Camargo da Avenida Lins de Vasconcelos.

 

J. Herculano Pires - Um volume da coleção da Revista Espírita.

 

Locutor - A ouvinte Alice S. Morse da Rua Brigadeiro Tobias.

 

J. Herculano Pires - Um volume da coleção Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte José de Oliveira Brito.

 

J. Herculano Pires - Um volume de “Vida e obra de Allan Kardec”.

 

Locutor - Ouvinte Adolfo Muniz Furtado da Rua Coronel Diogo.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Aimberê de Souza Atura.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Julia de Matos Falcão.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - A ouvinte Maria L. Santos do Brooklin.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Ruth de Maria.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Manoel J. M. Falcão.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Antônio Carlos do Nascimento da Rua Amador Bueno.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Inês da Silva da Rua Quinze de Agosto.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Geraldo Teles de Melo da Rua Bom Pastor.

 

J. Herculano Pires - Um volume da Revista Espírita.

 

Locutor - Ouvinte Maria de Lourdes Oliveira da Vila Matilde.

 

J. Herculano Pires - Um volume de “Vida e obra de Allan Kardec”.

 

Locutor - Temos agora, professor, uma carta do senhor Olívio Segato que respondeu: Kardec redigiu a codificação do espiritismo estudando, classificando e explicando os ensinamentos dados pelos espíritos de ordem elevada que, portanto, foram os orientadores desta codificação. J. Herculano Pires - Esta resposta nós fizemos questão que fosse lida para que os ouvintes todos vejam a maneira por que não se deve responder às perguntas. Todas as respostas anteriores precisaram os diversos volumes da codificação, dando também a data da sua publicação conforme perguntamos. Entretanto, o senhor Olívio Segato resumiu-se a explicar que a codificação foi dada através de estudo de Kardec e com o auxílio dos espíritos. Não é essa resposta a ser dada, de maneira que o senhor Segato errou completamente. Ele precisava especificar que a codificação do espiritismo se constitui dos seguintes livros, citar os livros e a data de publicação como fizeram os outros ouvintes. Quero lembrar que se não lemos as respostas anteriores é porque todas elas se limitaram a explicar isso que falamos, enumerar os livros da codificação. Algumas dessas respostas não acertaram, outras acertaram. Mas para todas elas de acordo com o nosso critério de acerto e de aproximação foi dado para cada uma delas um volume.

 

Locutor - O ouvinte Ivo Galvani respondeu à pergunta: “O Livro dos Espíritos” foi escrito por uma legião de espíritos, porém serviram-se de Kardec como aparelho para que esse livro se tornasse realidade. Portanto, o “Livro dos Espíritos” foi psicografado por Kardec sendo ele o codificador do espiritismo; não inspirou-se em nenhum médium.

 

J. Herculano Pires - Esta resposta também está completamente errada, porque Kardec não era médium psicógrafo. Não houve da parte de Kardec nenhum trabalho de psicografia. “O Livro dos Espíritos” foi recebido de acordo com o que se pode ler particularmente na vida de Kardec no livro “Obras Póstumas”, foi escrito da seguinte maneira: Kardec fazia perguntas nas sessões na casa do senhor Baudin às duas meninas Julie e Caroline Baudin. Essas duas meninas respondiam pela escrita indireta através da cesta de bico. As respostas dadas eram, portanto, escritas e Kardec, através dessas respostas, ele foi vendo que surgia aos seus olhos uma doutrina. Entretanto, essa doutrina teria que ser codificada, daí o problema da codificação. Kardec reuniu todos os elementos de acordo com suas perguntas e as respostas dadas pelos espíritos, estruturando a doutrina que figura no “Livro dos espíritos”. Entretanto, nós vamos oferecer ao ouvinte Ivo Galvani, um volume de “Vida e obra de Alan Kardec” que ele pode retirar a partir de segunda-feira no horário comercial no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. A partir de segunda-feira no horário comercial. Pergunta 4: O que é perispírito

 

Locutor - Professor, temos agora mais algumas cartas de ouvintes que nos escreveram sobre perguntas feitas em programas anteriores.

 

O ouvinte José Correia Narciso, da praça Júlio Prestes, FEPASA, responde sobre a pergunta “O que é o perispírito?” Sua resposta: É uma substância vaporosa, mas ainda bem grosseira para nós. Entretanto, bastante vaporosa para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde queira.

 

“Qual é a função do perispírito?” Resposta: É a substância protetora do espírito.

 

J. Herculano Pires - Este ouvinte respondeu a pergunta pela metade. Na verdade, o perispírito, pode-se dizer, assemelha-se a uma substância vaporosa, segundo o próprio Kardec disse, mas não é esta uma definição do perispírito. Esta é apenas uma explicação da aparência do perispírito. A resposta que teria que ser dada é que o perispírito é o corpo espiritual, o corpo que reveste o espírito e que liga o espírito ao corpo material. É um elemento intermediário, um elemento de ligação.

 

O perispírito é semi-material, como explica Kardec, justamente porque ele é um corpo que representa um traço de ligação entre o espírito e a matéria.

 

O espírito não se liga diretamente à matéria. Ele tem sempre de se servir de um meio intermediário, de um processo de intermediação. Esse processo intermediário é precisamente o perispírito, e justamente por isso esse corpo espiritual é constituído de elementos materiais e de elementos espirituais em mistura. É um processo bastante curioso que a princípio, quando o espiritismo, surgiu foi muito criticado do ponto de vista científico. Entretanto, hoje, com a descoberta da anti-matéria, a própria física está dando explicações bastante semelhantes à do espiritismo.

 

A definição do perispírito, portanto, não está certa nesta resposta.

 

Quanto à pergunta sobre a função do perispírito, a resposta foi: é a substância protetora do espírito. Já vimos que não é apenas isso. A substância protetora é, por assim dizer, uma explicação de uma das funções do perispírito. O espírito não está, como dizia Kardec, descoberto; ele se manifesta no plano material em que vivemos através de um instrumento corporal. Este instrumento corporal é o que nós chamamos de perispírito. É o corpo espiritual de que falava São Paulo; são as várias formas de designação dadas a este corpo em várias ciências psíquicas e também, como nós sabemos, nas ordens ocultistas da mais alta antiguidade. Entretanto, este perispírito tem outra função muito mais importante que é a de ligar o espírito à matéria, de conservá-lo na sua encarnação. Estes esclarecimentos é que deviam ser dados na resposta que nos foi oferecida pelo senhor José Correa Narciso. Entretanto, de acordo com o critério seguido neste programa, oferecemos ao senhor Narciso um volume do livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec, “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. Este volume o senhor Narciso pode procurar no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira no horário comercial. O livro estará lá em seu nome para lhe ser entregue.

 

Locutor - Professor, o ouvinte Adelísio Abade Conceição também respondeu à pergunta “o que é o perispírito”. O perispírito não é outra coisa senão o que os outros chamam de invólucro material fluídico. Esse fluídico é perfectibilidade dos sentidos à extensão da vista e das ideias. Isto quanto aos espíritos elevados. Os fluidos terrestres estão ainda completamente aderidos a eles. Portanto, é matéria, daí o aparecimento do frio, da fome etc. Isto quanto aos espíritos atrasados.

 

J. Herculano Pires - Como vemos, esta resposta também não é precisa. Ela é vaga; de certa maneira desorientada, misturando elementos que podiam ser afastados. A resposta tinha de incidir precisamente sobre a natureza do perispírito e a sua função. Nada mais do que isso. Entretanto, também ao senhor Adelísio Abade Conceição vamos oferecer, precisamente para que ele possa estudar com mais cuidado este problema, o volume de “Iniciação Espírita” de Allan Kardec.

 

Download Pergunta 5: Codificação de Kardec do Espiritismo

 

Locutor - Temos aqui uma carta, uma longa carta do Tenente Coronel Frederico Moreira que responde a duas perguntas. “Como foi que Kardec codificou o espiritismo?”, e “Qual foi o espírito superior que o auxiliou?”.

 

Na segunda pergunta, a sua resposta é a seguinte: E quanto ao espírito familiar que auxiliou Kardec durante todo tempo na correção de todos os cadernos para a confecção dos livros espíritas, muito embora o próprio Kardec até então Rivail lhe solicitasse para que desse o nome, ele recusou-se dizendo simplesmente: “Para ti chamar-me-ei a “Verdade”. E assim esse espírito entrou na história do espiritismo.

 

J. Herculano Pires - Sim, a resposta do nosso prezado ouvinte está certa quanto ao espírito que assistiu a Kardec na codificação. Não foi apenas durante a correção dos cadernos, como diz aí, porque na verdade este espírito foi quem levou Kardec a entender a necessidade de realmente reunir todos os elementos das respostas dadas pelos espíritos para a formação de um livro. Ele, entretanto, presidiu ao advento do espiritismo. O nome “Verdade” é realmente o nome que ele possuía naquele momento. Ele não se recusou a dar o nome; ele disse aquilo que devia dizer, porque, como sabemos, a profecia de Jesus a respeito do advento do espiritismo afirmava que o espírito da verdade, ou o espírito “Verdade” seria enviado à Terra, que ele, Jesus, pediria a Deus para que isso acontecesse a fim de que a revelação espírita pudesse completar a obra do cristianismo na Terra.

 

Então, essa parte da pergunta, ou seja, essa segunda pergunta o nosso prezado ouvinte respondeu aproximando-se da verdade.

 

Entretanto a sua longa carta nos dá uma resposta sobre o problema da codificação do espiritismo, descrevendo, de maneira precisa de acordo com o que está nos livros, o processo pelo qual Kardec iniciou e desenvolveu o trabalho de codificação. Mas no final da sua carta o nosso prezado ouvinte volta à sua tese que refutamos no programa anterior segundo a qual onde houver uma manifestação espírita, seja de qualquer forma, de qualquer maneira, ali existe espiritismo. Insiste, portanto, o ouvinte, em considerar o espiritismo uma coisa absolutamente vaga sem nenhuma definição, reduzida apenas à fenomenologia espírita.

 

A verdade é que o próprio Kardec afirmou de maneira decisiva e enfática no próprio “Livro dos Espíritos”, e isso pode ser lido na própria introdução à doutrina espírita que abre esse livro, Kardec afirmou ali e afirmou também no final, nas conclusões do livro, que o fenômeno espírita não é o mais importante no espiritismo. O realmente importante é a doutrina. É verdade que a doutrina nasceu da investigação dos fenômenos, mas os fenômenos em si são fenômenos naturais, comuns, como quaisquer outros da natureza. Ora, dizer, portanto, que onde existe um fenômeno de comunicação espírita ali está o espiritismo é dar de mão com toda doutrina espírita, é abandonar todo trabalho de elaboração da doutrina, de estabelecimento de um sistema de pensamento e de concepção do mundo, da vida e do homem que os espíritos superiores nos trouxeram através das manifestações e que Kardec, incumbido pelo próprio Cristo, como nós vemos, por exemplo, no livro “A Caminho da Luz” de Emmanuel, Kardec codificou, reuniu e estruturou devidamente de acordo com as exigências da vida terrena.

 

É preciso compreender que espiritismo é doutrina. Doutrina! Não é fenômeno! Fenômeno é simplesmente o elemento que serviu de base para o desenvolvimento da doutrina. Da mesma forma que, por exemplo, a química, a física, a botânica são ciências, são, portanto, teorias científicas desenvolvidas com base nos fenômenos naturais que a elas correspondem. Não podemos dizer que onde nasce uma planta nós temos uma botânica. Não podemos dizer que onde há uma reação química natural ou realizada por um processo qualquer, ali temos a química. Não podemos dizer, absolutamente, que pelo fato de existir espaço em algum lugar, ali existe a física. É preciso distinguir bem essas coisas porque do contrário nós não compreenderemos nada a respeito de uma doutrina complexa e profunda como é o espiritismo.

 

O nosso prezado ouvinte está enganado a respeito disto. Aconselhamo-lo a ler mais a obra de Kardec, principalmente “O Livro dos Espíritos” ponderando bem aquilo que Kardec diz a respeito do valor da doutrina e da necessidade de se compreender a doutrina antes mesmo de se tratar com a fenomenologia espírita.

 

Download Atenção ouvintes! Atenção! Vamos agora fazer a nossa pergunta: Qual o processo pelo qual o espírito consegue transmitir sua comunicação pelo médium?

 

A primeira carta com a resposta certa que nos chegar às mãos dará direito à coleção completa da Revista Espírita de Allan Kardec.

 

Este programa será reprisado domingo das seis às sete da manhã pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ com sugestões especiais para o seu domingo espiritual.

 

O Evangelho do Cristo em espírito e verdade, não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica. Abrindo o evangelho ao acaso encontramos o seguinte no Evangelho de João no capítulo 15 do versículo 11 ao 15. Eu vos tenho dito estas coisas a fim de que o meu gozo esteja em vós e o vosso gozo seja completo. Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar a alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas tenho vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu pai.

 

Este trecho do Evangelho de João é bastante significativo neste momento em nós tratamos aqui ao mesmo tempo de duas grandes doações de vida em favor não apenas dos amigos, mas de todo o próximo. Nós estamos, como sabemos, num momento em que celebramos a ressurreição de Jesus. Jesus deu a sua vida para salvar a humanidade. Não há nisto um sentido mágico como lhe atribuem geralmente as teologias e as liturgias das várias igrejas. Não, não há um sentido mágico. Não foi o derramamento do sangue de Jesus que salvou a humanidade, não foi o crime da sua crucificação que salvou a humanidade. O que salvou a humanidade foi a doação espontânea de Jesus que doou todo seu amor para que as criaturas humanas pudessem encontrar nas suas palavras, no seu ensino e no seu exemplo, o caminho de redenção de que necessitavam. A redenção, como sabemos, é a evolução do espírito, o desenvolvimento do espírito vencendo todas as resistências da matéria, superando todas as dificuldades do mundo, superando principalmente o seu próprio egoísmo, o amor e até mesmo, o apego a si. Essa forma de redenção não tem nenhum elemento mágico, nenhum resíduo de superstições do passado. Essa forma de redenção é puramente racional. E foi ela que Jesus nos ensinou, foi ela que Jesus nos trouxe. Assim ele nos deu a sua vida. Não a sua vida espiritual que é eterna e infinitamente superior a tudo quanto possamos imaginar no plano vital do nosso planeta. Ele nos deu a sua vida existencial, a vida de uma encarnação, de um avatar, de um momento em que ele passou pela terra encarnando-se na própria espécie humana para ajudar os homens como homem, para dar aos homens o seu impulso de amor e para auxiliá-los na escalada evolutiva tão dura, tão difícil para todos nós quando ainda lutamos para fazer com que o nosso espírito se converta realmente em espírito e não se afunde na materialidade do planeta. Essa doação de Jesus supera todas quantas houve e haverá na Terra, porque foi a doação de um espírito superior, de um espírito infinitamente superior à nossa humanidade terrena que aqui se deu em amor, em amor por nós todos. Mas além desta doação que celebramos hoje, temos ainda outra que foi a constante do nosso programa referente a um acontecimento dos mais importantes e significativos da história do Brasil: a doação de Tiradentes. Tiradentes também se doou, também se deu. Ele não tinha evidentemente a grandeza espiritual de Jesus; era um espírito irmão de Jesus como todos nós somos e a caminho da evolução espiritual. Ele veio ao Brasil para aqui realizar um trabalho de redenção nacional. De acordo com as informações que Humberto de Campos nos dá no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, Tiradentes até mesmo se precipitou no cumprimento da sua missão e foi advertido pelas esferas espirituais mais altas de que não devia precipitar os acontecimentos. Não obstante, o seu grande amor pela pátria, pelo povo, pela irmandade que ele possuía em cada dos brasileiros; este grande amor e o seu temperamento impulsivo, ardoroso, audacioso, valente, tudo isto o levou a esta precipitação. E a prova de que ele não foi punido por isso, de que ele não foi castigado por isso, a não ser naquilo que foi a sua doação de vida na Terra, nós temos também na informação mediúnica de que Tiradentes acompanhou Dom Pedro I e de que foi ele o espírito que se serviu da mediunidade do príncipe português para fazê-lo dar o brado da independência aqui em São Paulo às margens do Ipiranga. Ora, se depois de haver passado para a vida espiritual, passando por este sacrifício doloroso da forca e da ignomínia que pesava sobre ele pela acusação dos poderosos da época, passando por isso, Tiradentes, entretanto, encontrou na espiritualidade o apoio da aceitação da sua doação espiritual porque ele voltou à Terra para prosseguir no cumprimento da sua missão. Ora, Jesus nos ensina nesse trecho de João que o que mais importa para nós é sabermos dar-nos em favor dos outros. Não adianta, naturalmente, a nossa busca de poder, de riqueza, de vaidade, de orgulho, de arrogância, porque todas essas coisas são passageiras e inúteis. Elas criam dispersão, elas alimentam o ego, fortalecem o nosso egoísmo. Mas quando nós nos doamos, quando nós nos oferecemos em favor dos outros, quando sacrificamos a nossa vida até mesmo como Jesus sacrificou, e como Tiradentes a sacrificou também, quando fazemos isso nós estamos realmente cumprindo o mandamento que Jesus nos deixou: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. É bastante significativo que tenha caído neste programa, depois que desenvolvemos aqui os temas da Páscoa e do sacrifício de Tiradentes, este trecho que tão de perto toca aos nossos corações e que se sintoniza de tal maneira com os fatos aqui relatados. É bastante significativo porque isto nos mostra que a vigilância espiritual não nos abandona no desenvolvimento do nosso trabalho espiritual no programa No Limiar do Amanhã. Temos aqui essa assistência dos amigos espirituais, dos amigos do lado de lá da vida, daqueles que já superaram antes de nós as condições humanas para se transformarem em nomes tutelares do nosso país, do nosso povo, da nossa gente. E temos a certeza de que continuando com os nossos olhos voltados para os ensinos de Jesus, com o nosso coração deposto aos pés do mestre divino, na certeza de que a Terra passa neste momento por uma fase decisiva do seu processo evolutivo, continuando assim com fé, com certeza da vitória final do espírito sobre a matéria em toda parte, em todos os instantes, continuando dessa maneira nós podemos estar certos de que nunca nos faltará, a nós que realizamos o programa, a vós que ouvis o programa, àqueles que colaboram conosco em todos os sentidos para que este programa se mantenha no ar; a todos nós não faltará jamais a coragem necessária e o esclarecimento preciso para que os problemas aqui propostos sejam solucionados à luz da doutrina espírita. Agradecemos neste momento a Jesus por nos ter concedido que no programa de hoje tivéssemos a bênção deste trecho do evangelho de João, do capítulo 15 a partir do versículo 11 até o versículo 15, este trecho que nos ensina a doar-nos aos outros, a oferecer-nos ao próximo, a fazer da nossa doação pessoal, individual, da doação do nosso espírito e da nossa vida aquilo que o apóstolo Paulo chamava oferecer-se a Deus como uma hóstia imaculada, quer dizer, oferecer-se a Deus numa oblata perfeita, elevando-nos através da compreensão das necessidades não apenas nossas, mas dos outros e lutando em todos os instantes da nossa vida, da nossa existência passageira na Terra para que a verdade triunfe em cada uma das nossas palavras e dos nossos atos. Que Deus nos ampare para que possamos realmente cumprir isso no processo de desenvolvimento em que a Terra se encontra neste instante. Que possamos dar a ela a nossa doação pequenina, insignificante, é verdade, mas que a doemos de coração, que a doemos com inteireza de alma, com plenitude de espírito, e que a doemos seguindo e obedecendo o mandamento supremo de Jesus, aquele que realmente nos liberta de todas as ilusõ

 

es e de todas fascinações inglórias do mundo. Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade e se você provar que está com a verdade, ficaremos com você. Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640 KHZ e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, estado do Paraná, 780 KHZ.

 

No Limiar do Amanhã: acertemos o nosso passo com o futuro.

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