Portuguese English Spanish

 

A princípio, era uma reunião familiar de estudos e mediunidade, que ocorria semanalmente na casa de Virgínia e Herculano Pires. Com o tempo, chegaram os amigos e se juntaram ao grupo.

Quando a família se mudou para a residência da Rua Doutor Bacelar, o imóvel contava com uma garagem que não era utilizada. Conforme o trabalho de Herculano se tornava mais conhecido, aumentava o número de pessoas que vinham procurá-lo, em busca de orientação espírita. Para melhor atender a essa demanda e, ao mesmo tempo, constituir um novo espaço de divulgação espírita, em 1972, o casal deu início às Palestras na Garagem, que eram semanais e dirigidas por Herculano.

Muitas delas foram carinhosamente registradas em fitas cassete pela tia Lourdes (Lourdes Anhaia Ferraz) e pelo Sr. Miguel Grisolia. Agora você pode ler as transcrições dessas gravações, fruto de um trabalho detalhado e paciente de Antonio Leite, da equipe de colaboradores da Fundação. 

SOBRE A QUALIDADE DOS ÁUDIOS: As gravações originais apresentam níveis de qualidade variáveis. Alguns trechos estão quase completamente corrompidos. A linguagem coloquial está mantida nas transcrições. A numeração não segue a ordem cronológica, mas a criação de um índice das mesmas.

 

 

 

 

Palestra 11: Escala dos Mundos (Parte 2) [1]

Introdução. Classificação dos Mundos. Evolução e fim dos mundos. O erro da visão roustainguista. 

Vamos fazer a nossa conversa aí sobre os problemas espíritas nesse presente curso a que tanto nos cabe meio livremente, sem nenhuma programação prévia e de acordo com apenas aquilo que a gente acha mais importante no momento.

Nós já tratamos então da Trindade Universal que é fundamental no Espiritismo: Deus, Espírito e Matéria, como elementos fundamentais do Universo. Tratamos da Escala dos Mundos mostrando aquilo que nós podemos chamar a “posição cósmica do Espiritismo”, no tratar dos problemas relacionados com o espírito, não apenas restringido à Terra, mas mostrando a sua projeção no infinito, considerando a Humanidade não como terrena, mas como cósmica, a Humanidade existente nos diversos mundos povoados no infinito. Vimos que, na escala dos mundos, existe uma classificação importante, porque muita gente pensa que nós afirmamos que todos os mundos do infinito são habitados. E muita gente chega mesmo a pensar que nós afirmamos que são habitados por criaturas humanas como nós, em nossa mesma condição. Essa classificação é importante para mostrar que não é assim, é aquela que se refere aos mundos transitórios. Nós vimos que os mundos transitórios são mundos despovoados, mundos que não são habitados, mundos que não dispõem de atmosfera, não dispõem de vida. Portanto, naturalmente essa classificação dos mundos transitórios está incluída na classificação geral de mundos primitivos.

Então nestes mundos transitórios, também nós podemos encontrar mundos transitórios com atmosfera, com vegetação e vida animal, mas ainda sem a vida humana. Muita gente pensou, por exemplo, quando se descobriu, quando se verificou – descobriu, não! se verificou – positivamente que a Lua não tem vida, não tem elementos vivos. Muita gente pensou que isso vinha contra a teoria da pluralidade dos mundos habitados no Espiritismo e não vem, porque na teoria da pluralidade dos mundos habitados ela não é absoluta, ela inclui diversos tipos de mundos que nós vimos, desde os mundos primitivos até os mundos celestes ou divinos, há uma progressão, um grande desenvolvimento.
Depois nós procuramos estudar como, de que maneira se processa a evolução dos mundos. Foi o que nós fizemos na nossa conversa anterior, procuramos esclarecer aquilo.

Hoje, nós íamos tratar do Princípio Vital. Eu acho muito importante, o problema do princípio vital porque está bastante relacionado com a mediunidade, com os problemas mediúnicos. Mas se houver, se ficou na mente dos senhores alguma coisa assim que precise ser conversada melhor, discutida sobre o problema da evolução dos mundos, nós podemos tratar disso, se houver naturalmente algum problema. Se vocês se lembram bem nós tratamos aqui da evolução dos mundos a partir dos mundos primitivos, passando pelos mundos de provas e expiações, os mundos de regeneração, os mundos felizes até atingir o plano superior dos mundos celestes ou divinos. Se ficou alguma coisa pendente procuramos reexaminar.

Ouvinte: Esses mundos celestes ou divinos são ainda materiais?

Herculano Pires: Os mundos celestes e divinos eles têm naturalmente... Bom, o senhor tocou aí num ponto bastante curioso. De acordo com a Doutrina Espírita, espírito e matéria estão presentes em todo o Universo, são elementos fundamentais do Universo e a matéria é uma decorrência do espírito. Nós podemos dizer que a Criação se processa de maneira não apenas contínua, mas sequente. Deus cria o espírito, o espírito por sua vez tem poder criador que ele recebe de Deus. Esse poder criador do espírito se manifesta, primeiramente, de uma forma que nós poderíamos chamar, não de mecânica, mas dinâmica. Do próprio espírito, do seu poder criador dimana, por assim dizer, aquilo que se chama matéria. Então a matéria é uma espécie de emanação do espírito. Assim como se considera em geral que a criaçao do espírito é uma emanação de Deus. São figuras que nós não podemos saber naturalmente, desses planos completamentos abstratos, fora da nossa possibilidade de verificação real, de verificação positiva, concreta. Nós não podemos saber com exatidão como as coisas se passam, então há várias formas assim simbólicas ou alegóricas de se interpretar esses fatos.

Ora, sendo assim, o espírito naturalmente produz a matéria, e hoje essa produção da matéria cientificamente já foi possível provar. A teoria física de que a matéria é uma condensação de energia coincide perfeitamente com isso. Quer dizer, a energia existe, não do ponto de vista assim esquemático, cronológico, mas existe no nosso pensamento antes da matéria. Essa energia, por motivos vários, ela pode se concentrar. Havendo uma concentração de energia, produz-se então a formação da matéria. A matéria como energia, como concentração de energia, não obstante esta expressão de que ela forma uma coisa concreta, opaca que é como nós vemos as coisas materiais. Não obstante isto ela entretanto não é assim, isso é apenas uma aparência para nós, nós sabemos que a matéria é constituída de átomos. Basta isso para mostrar que existe, naquilo que parece a opacidade da matéria ou a sua natureza compacta, existe uma infinidade de espaços vazios. E os estudantes de Física sabem muito bem que o espaço vazio entre uma partícula do átomo e o núcleo, por exemplo, é um espaço muito maior do que a medida da partícula ou a medida do núcleo. Quer dizer, é um espaço enorme, é como no Sistema Solar, a distância da Lua à Terra, a distância dos planetas ao Sol é muito superior à dimensão de qualquer desses corpos. Então, há mais espaço vazio na matéria do que realmente espaço ocupado pela matéria, pela condensação da energia, há mais espaço vazio.

Então, compreendendo assim, nós vemos que essa concentração da matéria é um processo verdadeiramente dinâmico, porque a concentração da matéria não produz uma situação estática na matéria, mas sim uma situação dinâmica. Um pedaço de pedra, um grão de areia, um fio de cabelo são verdadeiros turbilhões atômicos, são verdadeiras galáxias no espaço, podemos dizer que um fio de cabelo pode ser comparado com uma galáxia. Então, aí já nos mostra a complexidade tremenda desses problemas, que nós temos de enfrentar mais ou menos de maneira esquemática para podermos compreender. Neste sentido, eu poderia dizer, respondendo à proposição feita pelo doutor Milton, que nos mundos celestes existe matéria, mas matéria num estado que para nós não seria matéria. É aquela tese espírita de que a matéria varia em seus estados de maneira infinita. Nós não sabemos até onde vai essa variação. Ela existe em espaços que para nós são impalpáveis, são imponderáveis, nós não podemos perceber e, nem mesmo com os mais aprimorados instrumentos, nós podemos captar esse tipo de matéria.

Daí aquela proposição espírita também de que não existe o vácuo, não existe o nada. Nós quando falamos no vácuo nós estamos enunciando um conceito relativo, não absoluto, porque o que é vácuo para nós é aquilo que contém forças e elementos que escapam aos nossos sentidos, e escapam aos nossos aparelhos, aos nossos instrumentos de captação, nós não podemos captar. Então temos a impressão de que ali naquele local, ou dentro daquele objeto ou coisa semelhante, daquele vaso, onde se fez o vácuo, daquela ampola por exemplo onde se produziu o vácuo, ali não existe nada. Mas é uma ilusão dos nossos sentidos, porque ali existem forças que, somente agora, estão sendo possíveis perceber através, não diretamente, mas através de sintomas, de consequências dessas forças produzidas em campo inacessível à nossa percepção através de instrumentos. Então não há o vácuo em parte alguma, em toda parte nós temos a relação espírito matéria. Mas a matéria nos estados mais refinados, por exemplo nos mundos felizes ou nos mundos celestes, assim designados por sua natureza por se destinarem à vida de Espíritos que nós chamamos de Espíritos Puros, purificados, de espíritos que realmente seriam em qualquer religião considerados como santos, ou que eram, na Antiguidade, considerados como os deuses. E esses Espíritos Puros vivem então em mundos onde a natureza da matéria torna a matéria para nós invisível, impossível de vermos, de captarmos, de apalparmos ou coisa semelhante. Então nós diríamos ali não existe matéria, mas é uma expressão nossa, é uma posição nossa em termos de observação, não é a realidade.

Aliás, não faz muito tempo, saiu um livro muito curioso de físicos russos, me parece, três físicos, chamado Os sete estados do Cosmos[2]. Esse livro foi traduzido na própria Rússia por aquele departamento oficial que eles têm lá, de línguas estrangeiras. Não houve tradução em português, porque o português parece que não figura lá, nesse departamento, por estar restrito a uma pequena parte do mundo, então eles se dedicam mais às línguas mais divulgadas. Mas há uma tradução em francês muito bonita, muito clara, muito precisa. E nesta tradução, então, os físicos são físicos atuais, físicos agora da Era Espacial. Então eles mostram ali as sondagens no espaço, feitas através dessas sondas espaciais que são enviadas com instrumentos pelo Cosmos. E há uma programação que tem sido executada muito intensamente, de remessas de sondas espaciais que nem sempre são noticiadas, comentadas. Só não tem grande repercussão, porque se trata de sondas interessadas em pequenos problemas, problemazinhos que, para nós, parecem diminutos, mas que para a Ciência têm grande importância. E os resultados dessas sondas espaciais trouxeram uma contribuição muito importante para o esclarecimento do problema científico do vácuo. Isso me chamou muito a atenção, eu tenho até um volume do livro que me interessou muito, por causa da posição espírita, eu quis ver até onde havia coincidência. A coincidência é perfeita, é plena, eles chegaram à conclusão de que não existe o vácuo.

O resultado das pesquisas nestas sondas no Cosmos, com dados enviados às vezes de uma distância enorme, porque as sondas, não levando seres humanos, elas vão penetrando no Cosmos, vão embora enquanto podem. Enquanto é possível captar, aqui na Terra, as mensagens dessas sondas, vão se obter os dados, depois elas desaparecem, perdem-se, não há mais captação possível. Então, os dados são muito valiosos, porque atingem uma extensão enorme do Cosmos e a conclusão deles é essa, conclusão de físicos. Não existe o vácuo em parte alguma, não existe o “Nada”, o “Nada” é apenas uma abstração mental nossa, nada mais do que isto, não existe o “Nada” em parte alguma. O Universo é pleno, o Universo é cheio de forças em toda parte – agora, variando naturalmente as condições. E muito curioso é que quando eles falam nos sete estados do Cosmos, eles analisam precisamente os sete estados da matéria, as sete formas de acordo com o que eles pensam. A matéria se tornou acessível à investigação científica atual. E a gente logo relaciona isto com certas passagens antigas que realmente mostram, principalmente, quanto de intuição o homem trouxe à Terra, na sua encarnação. E quanto essas intuições realmente revelam, às vezes, de coisas que somente mais tardes vão ser provadas. É o problema dos Sete Véus de Ísis. Basta recorrer-se um pouco à mitologia e vai se ver que, na mitologia, nós encontramos uma porção de previsões feitas assim, para os símbolos. Os sete véus de Ísis coincidem com os sete estados do Cosmos, que são sete véus da matéria envolvendo uma realidade que nós ainda não conhecemos.

Ouvinte: Haveria algum relacionamento com os sete corpos do ente humano, do homem, conforme a Teosofia prega?

Herculano Pires: Eu acho que, no problema dos sete corpos, há um relacionamento com esse problema dos sete véus de Ísis e, também, com o número sete. Porque o número sete é um número cabalístico, pertence à Cabala judaica. Assim nós vemos, no judaísmo, tudo é setenário, tem aquele famoso como é, castiçal de sete braços[3], as sete pragas do Egito e assim por diante.

Ouvinte: Sete cidades do Piauí[4] ... cidades pré-históricas?

Herculano Pires: Também entra nessa concepção do número sete, o número sete é um “número mágico”. Então, naturalmente os indivíduos que estudaram o problema do homem, eles chegaram à conclusão de que existem os sete corpos, são os videntes antigos. Mas nós sabemos que no Espiritismo o homem tem apenas dois corpos, é o corpo material e o corpo espiritual. Fora do corpo espiritual, o que ele tem é a sua essência que é o Espírito. E nós podemos dizer que o espírito tem naturalmente o seu próprio corpo, que não é o corpo espiritual que nós chamamos, porque este corpo espiritual é um elemento de manifestação do espírito. Mas o corpo do espírito nós não sabemos como é, o corpo no sentido de estrutura, porque o espírito é uma inteligência. O espírito é essencialmente, fundamentalmente, é mente. A mente, entretanto, ela tem a sua estrutura dentro da qual ela funciona, mas nós não sabemos como. E Kardec, n’O Livro dos Espíritos, mostrou que este problema era um problema que está ainda fora do nosso alcance. Porque quando ele perguntou aos Espíritos: Ora se o espírito tinha forma, o espírito purificado, livre dos corpos, ele tinha forma? Os espíritos responderam: “Para nós sim, para vós não”. Para eles, Espíritos, têm forma, para nós, não têm. A teosofia fala muito no “mundo dos sem formas”. É um mundo onde não há formas.

Eu acho isto relativo, quer dizer, não há formas para nós, para a nossa percepção, porque essa resposta dos espíritos foi bem esclarecedora. Kardec insistiu: “Mas se nós víssemos, pudéssemos ver um espírito puro, como nós o poderíamos ver? Eles responderam: “Como uma centelha etérea”. [Nós] o vemos como uma centelha, vemos nada mais do que isso, seria a única coisa acessível à nossa percepção, aquele resplendor, aquele brilho do espírito, nada mais.

Então o problema, por exemplo, na Teosofia é um problema referente às várias funções humanas. Então (dizem) existe não somente o corpo que eles chamam de “astral” que é, para nós, o perispírito. O corpo astral é o corpo espiritual de que falava o apóstolo Paulo, mas além desse corpo astral, tem o corpo mental, tem o corpo que não me lembro o nome, o corpo emocional, o corpo das emoções e assim vai, até completar os sete corpos. Como nós vemos, são funções, cada corpo corresponde, cada corpo dessa escala Teosófica corresponde a uma função do ser. O corpo mental, o pensamento. O corpo astral é o corpo, como eles dizem sempre, é o corpo dos desejos. É o corpo em que funciona naturalmente a percepção, a sensação, que é realmente isto, é o corpo perispiritual, é o corpo de captação da realidade na sua ligação com o mundo material.
Esse corpo, chamado perispírito no espiritismo, é o elemento, por assim dizer, vital, que permite às sensações captadas pelo corpo físico serem transmitidas ao espírito. Bom, então nós vemos que tudo isso são funções, mas se nós vamos descascar o homem, tirar as suas várias capas, os seus vários corpos, então nós estamos vendo que cada corpo que nós tirarmos do homem. nós negaremos a ele uma função. Se nós tirarmos o corpo mental do homem, então ele não tem mente, então não funcionará a mente.

Quer dizer, eu acho que isso aí é uma aplicação do número “sete”, no seu sentido cabalístico, a uma doutrina interpretativa do mundo, do homem, da vida. Uma grande doutrina, eu respeito muito a Teosofia. Eu, antes de ser espírita, fui teosofista, pertencia a uma loja do Rio de Janeiro, a loja Perseverança, e aprendi muito de Teosofia. Respeito a Teosofia, bem entendido a Teosofia Mundial. Porque existe aqui, no Brasil, uma Teosofia brasileira que infelizmente, infelizmente pelo que eu vi, pelo que eu li dessa Teosofia brasileira, ela está para a Teosofia Mundial, na mesma posição da Umbanda para o Espiritismo. É a “Umbanda teosófica”, a Teosofia brasileira. Então a Teosofia, que tem sede aqui em São Lourenço. Aqui na Lacerda Franco, tem sede aqui... Quer dizer, a sede brasileira é em São Lourenço. E uma vez promoveram lá, uma concentração teosófica para assistirem à descida de um disco voador. E foi a reportagem dos jornais, aqui de São Paulo. Por exemplo a reportagem dos Diários[5] (eu trabalhava nos Diários na ocasião) esteve lá, foi com toda aparelhagem para fotografar os discos voadores, estiveram lá mais ou menos uma semana esperando o disco voador. De acordo com a teoria da Sociedade Teosófica Brasileira, não da Mundial, os discos voadores vêm do próprio interior da Terra. Existe lá a cidade ou um país que é Agarta, um misterioso país no centro, no oco da Terra, por assim dizer, no seu interior. Infelizmente na última hora veio um comunicado lá do comando geral dos discos voadores de que a descida do disco tinha sido adiada sine die. Subida, bom mas eles sobem e descem, né?

Então, eu respeito muito a Teosofia Mundial, como uma grande doutrina e realmente é, elaborada por criaturas de elevada cultura e grande inteligência, por exemplo Madame Blavatsky[6]. Madame Blavatsky foi uma das potências intelectuais que houve no mundo, uma das mulheres mais cultas e inteligentes de que se tem notícia, ela elaborou uma obra grandiosa. E depois dela, uma outra mulher fulgurante, que é a Annie Besant[7]. Também os livros da Besant são extraordinários. Mas é preciso lembrar que a Teosofia se desenvolve baseada nas tradições da Índia. Todo elemento fundamental da Teosofia decorre dessas tradições. As informações, por exemplo, das grandes religiões indianas sobre situações do homem, da vida, essa coisa toda, foram sendo interpretadas. Madame Blavatsky interessou-se pelo Espiritismo. Em Nova York, ela assistiu a uma sessão espírita em que houve muita manifestação de Espíritos inferiores. Ela teve muito má impressão, ela era médium, ela era uma grande médium, Madame Blavatsky, e ela teve muito má impressão daquilo e então formulou uma teoria, que é a teoria dos “cascões astrais”, não sei se já ouviram falar nisso.

Os “cascões astrais” são o seguinte. Quando nós morremos, nós deixamos na Terra o nosso “cascão material”, que é o nosso corpo. O nosso cadáver fica aí. E nós partimos com o nosso corpo espiritual que é o perispírito, no Espiritismo. Mas chegando lá no mundo espiritual nós, se temos uma evolução suficiente para isso, abandonamos também o perispírito, nós nos desatamos dele[8]. O perispírito não se dissolve na Terra, ele é um elemento “astral” (como eles dizem), ou um elemento, como nós dizemos no Espiritismo, semimaterial, constituído do fluido universal, portanto, de energias espirituais e materiais em conjugação. Este “cascão astral” fica flutuando no espaço, fica abandonado como se fosse um corpo levado pelo vento por aqui... por ali... um balão vazio. Então Madame Blavatsky apresentou esta hipótese sobre os cascões astrais. Dizendo que as manifestações espíritas eram dadas por Espíritos elementares, vejam bem, Espíritos elementares, que de acordo com a teoria teosófica, são os Espíritos que, na sua evolução, vinda dos reinos inferiores da Natureza, chegaram à condição de entrarem para a humanidade, mas ainda não entraram. Então, são elementares, do ponto de vista humano. E que esses Espíritos, dotados de inteligência, costumam revestir-se dum desses “cascões”. Por exemplo, vou passando por aí e vê um “cascão astral” e corre atrás, como um menino que pega um balão. Como um menino que pega um balão de mecha apagada. E eles entram dentro desse “cascão” e vêm pra sessão e dão uma comunicação como sendo o Espírito que abandonou aquele cascão, que abandonou aquele corpo.

Ora a teoria é interessante, é bem forjada, mas acontece que os elementos da memória, da lembrança, tudo isto é do Espírito! Não estão no “cascão astral”. Foi um erro de compreensão do problema do corpo espiritual. De acordo com a Doutrina Espírita, esses elementos não estão no perispírito. O perispírito é um corpo, como o corpo físico, agora se o Espírito “perdeu” o perispírito, todas as suas lembranças, tudo aquilo que o caracteriza, toda a sua personalidade fica no espírito e não, no corpo. O corpo astral chamado “cascão” seria um cadáver, um cadáver astral, nada mais do que isso. Quer dizer, então não haveria condições para isto, mas ela formulou essa doutrina e essa doutrina até hoje é sustentada por muitos teosofistas.

Dois ou três anos atrás... não faz mais. Uns cinco anos atrás o Brito (não me lembro todo o nome dele, secretário da Sociedade Teosófica Mundial aqui no Brasil, que tem sede ali perto do Quartel dos Bombeiros, ali na rua Anita Garibaldi, praça Clóvis Bevilacqua) ... Ele me convidou pra fazer uma palestra lá na Sociedade Teosófica. Eu disse: “Olha, eu faço a palestra, mas eu não vou fazer sobre Teosofia, porque eu sou espírita. Agora, se vocês quiserem, eu faço uma palestra de comparação da Teosofia com o Espiritismo.” Então ele aceitou, achou muito bom até. E eu fui lá e fiz a palestra. Fiz uma exposição rápida do tema, estabelecendo comparações, mostrando...

Por exemplo, há coisas muito curiosas. O Espiritismo, como nós sabemos, ele começa em 1857 com a publicação d’O Livro dos Espíritos; a Teosofia apareceu em 1875 – veja a inversão. Quer dizer, em 1857 nasce o Espiritismo; em 1875, a Teosofia. A inversão numérica aí pode não ter significado nenhum mas, ao menos, dá à gente, a impressão de qualquer coisa relacionada. O que deu significado a isto foi a teoria, levantada pelo senhor Sinnett (Alfred Percy Sinnett). Sinnet foi um grande presidente da Sociedade Teosófica Mundial e um grande teórico da Teosofia, tendo publicado vários livros muito importantes. [Final da Fita 1]

Levado pelo pragmatismo da nossa ciência, da nossa sociedade, da nossa tecnologia, o mundo ocidental se afastou da realidade espiritual. Então as religiões do Ocidente ficaram sendo uma espécie de “religiões primárias”, religiões que se servem de símbolos, de alegorias e de afirmações puramente abstratas, sem nenhuma comprovação a respeito dos problemas da vida e da morte, e que fazem da morte o mesmo mistério que havia, por exemplo, no Egito Antigo. Então era necessária uma revitalização do espiritualismo no Ocidente e essa revitalização só poderia ser feita em termos adequados ao temperamento ocidental.

Então ele diz que o nosso temperamento, no Ocidente, nos leva para as coisas práticas. E por isso mesmo, as ciências se desenvolveram (aqui) nesse sentido objetivo, positivo, de investigação da matéria, de interrogação da Natureza, por assim dizer, para podermos chegar a respostas consideradas certas, exatas, sobre os problemas com que nos defrontamos. Quer dizer, só um movimento desencadeado neste plano, nessa orientação, poderia trazer a possibilidade de um reavivamento espiritual no Ocidente.

Então surgiu o Espiritismo que, realmente, como nós já vimos aqui, tem uma orientação puramente científica. O Espiritismo, que não se baseia em revelação dada pelos espíritos gratuitamente e aceita humildemente pelos homens, não. Que não se baseia em revelação dada por nenhum “profeta”, por nenhum “grande revelador”, mas que se baseia na investigação dos fenômenos. A investigação dos fenômenos espíritas, levando assim à descoberta das leis que regem esses fenômenos, provando a existência de entidades espirituais, nestas manifestações, e só então provocando aquilo que chamamos hoje o diálogo de Kardec com os Espíritos. Kardec estabeleceu aquele diálogo, que foi um diálogo inquisitivo, um diálogo em que ele apertava os Espíritos para dizerem isto, dizerem aquilo, E ele insistia continuamente e estabelecia um controle lógico de todas as respostas, fazendo análises rigorosas para chegar à aceitação, ou não, daquilo que lhe era dado, e tentando sempre a comprovação pela experiência. Os Espíritos diziam uma coisa que ele não aceitava, ele discutia com esses Espíritos. Mas depois dessa discussão, ele ia à pesquisa.
Eu sempre cito, por exemplo, aquele caso, [em que] os espíritos disseram a Kardec que havia numerosos, havia uma multidão de Espíritos que não sabiam que tinham morrido. Continuavam no plano espiritual, como se estivessem vivos na Terra. Eles não sabiam que tinham morrido. Kardec achou isso absurdo, dentro da lógica da vida nossa aqui na Terra, ele disse: “Isso é absurdo! Porque um indivíduo que passa por um desastre, perde um braço, uma perna ou coisa qualquer, ele sabe que aconteceu isso. Agora, um indivíduo que perde o seu corpo. E ele não sabe que morreu... Isto é absurdo, eu não posso aceitar isso.” Os espíritos não insistiram com ele. Disseram simplesmente: “Pesquise. Você tem elementos de pesquisas. Você inaugurou um método de pesquisa que tem dado certo. Pesquise os fatos.” E Kardec pesquisou. Então, ele mesmo ficou assombrado ao ver que, realmente, nas manifestações mediúnicas, muitos Espíritos se manifestaram sem saber que tinham morrido. Como hoje nos vemos aqui, nas nossas sessões, quantas vezes aparecem Espíritos que não sabem que morreram, é preciso despertá-los para isto. O fato de ele ter morrido, de ele já não ser mais uma pessoa carnal.

Então Kardec viu isso através da experiência e, depois, a experiência se confirmou no mundo inteiro, porque em toda parte os Espíritos se manifestam nessas condições, até fora do Espiritismo. Fora do Espiritismo ou em qualquer meio, porque a mediunidade é uma faculdade humana natural e não é preciso você ser espírita para ser médium. Não é preciso estar dentro do Espiritismo, para ser “tomado” por um Espírito. Então, as manifestações têm sido numerosas e as investigações posteriores a Kardec, até hoje, comprovaram isso.

Quer dizer, existem realmente Espíritos que não sabem que morreram. Como pode ocorrer isso? Aí vem a pergunta e o esclarecimento também na pesquisa. Kardec teve o cuidado inclusive de fazer a evocação na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, de espíritos de vivos. E fazer como se faz por exemplo a experiência com as pessoas vivas num laboratório, ele fazia com os espíritos de vivos na investigação realizada através de sessões com médiuns. De que maneira? Eram em pessoas que se predispunham a serem evocadas, ele não iria fazer evocação abusivamente de qualquer pessoa. A pessoa se predispunha eu estou às ordens, se puder servir para as experiências, para as pesquisas. Foi aliás sugestão de um membro da Sociedade Parisiense, essa sugestão dele no sentido de que houvessem pessoas que se prontificassem à servir para essas experiências. Então eles faziam o registro na sociedade com o nome da pessoa, residência, habitualmente quais são as suas horas de repouso, porque é justamente durante o repouso que é possível o desprendimento do Espírito.

Mas apesar disso havia o controle do guia espiritual dos trabalhos, Kardec não evocava nunca nenhuma dessas pessoas sem que o guia espiritual dissesse pode, pode evocar porque ele está em condições de vir. Então essas pessoas se manifestavam e a preocupação de Kardec era identificar perfeitamente o indivíduo. Ele preferia sempre que a comunicação fosse dada através de um médium que não conhecesse o indivíduo para ser evocado, então se tornava mais fácil a prova, ou pelo menos a suposta prova de que era o indivíduo. E através dessas investigações o que interessava à Kardec era o corpo espitirual, ele sabia como o indivíduo se sentia desligado do corpo material. E estudando isto ele foi então entrando mais a fundo no conhecimento do corpo espiritual, ai ele viu porque que o indivíduo pode morrer e não saber que morreu. Porque o corpo espiritual é por assim dizer uma duplicada do corpo material, ele é o verdadeiro modêlo do corpo material. O corpo material se desenvolve de acordo com as linhas, com a estrutura do corpo espiritual. Sendo assim é evidente que o indivíduo ao morrer ele acorda por assim dizer no outro mundo, ele acorda no outro mundo e neste outro mundo ele acorda sentindo-se num corpo, o corpo é para ele o corpo dele mesmo.

A idéia da morte implica sempre a idéia de aniquilamento, ou a idéia de passagem para um mundo fantástico. Mas o indivíduo se sente num mundo normal, um mundo natural como este nosso mundo aqui e se sente no seu corpo, se sente vivo. Então ele não aceita que morreu, ele não pode nem pensar que ele morreu, ele acha que aconteceu com ele alguma coisa. Ouve um problema qualquer, ele naturalmente perdeu a consciência, depois retomou a consciência e está se sentindo longe de casa, longe dos seus, em algum lugar estranho, mas ele acha que está vivo, está na Terra. Porque o mundo espiritual mais próximo da Terra, este mundo ainda inferior para que vão imediatamente os espíritos que morrem e passam para esse plano do lado de lá. Esse mundo é também constituído de matéria como nós sabemos, de matéria mais rarefeita, mas matéria. Ora, a constituição desse mundo assemelha-se, ou melhor, nossa constituição do nosso mundo assemelha-se à deste mundo, porque esse mundo é anterior ao nosso. Então o indivíduo se sente ali no seu corpo, vivendo no local onde existem casas, terra, árvores, animais, todas as coisas que existem aqui na Terra, ele não pensa que morreu, a idéia dele é a de que está vivo, ele está vivo mais perturbado. Então Kardec compreendeu que realmente o indivíduo pode não saber que morreu.

Acresce que o corpo espiritual geralmente leva para o lado de lá os sinais, as impressões das doenças sofridas aqui na Terra. O indivíduo morreu com uma determinada doença, ele continua no plano espiritual durante um certo tempo ainda sob aquela impressão de que ele está doente, está naquela condição, ele precisa sofrer lá um tratamento feito pelos espíritos no sentido de livrá-lo. E aqueles espíritos mais apegados à vida material, mais difíceis de compreender que ele realmente morreu, esses encontram maior facilidade para o despertar na comunicação mediúnica. Então, certas pessoas perguntam e é justo que perguntem isso. Outro dia achei muita graça de um amigo que estava muito com esse problema. Ele me disse assim: “Mas me diga uma coisa, o Brasil não é o país do mundo onde o Espiritismo está mais divulgado, mais ampliado?” E eu disse, realmente é. “Então como fazem, por exemplo, na Europa e em outras partes do mundo, onde as sessões espíritas são muito menos numerosas do que aqui e onde tem outras finalidades?” Nós sabemos, por exemplo, que, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na própria França, apesar de haver as instituições orientadas pelo Espiritismo, há outras instituições que desviaram muito e são as mais numerosas. As sessões mediúnicas não são feitas, assim, para doutrinação de Espíritos, são feitas para procurar saber o futuro, para procurar descobrir coisas que possam beneficiar as pessoas, têm sempre um objetivo prático. Então, como é que acontece com esses Espíritos que passam para o lado de lá e que não sabem que morreram? Como é que eles... Não há sessões corriqueiras. Até me disseram que pode haver uma sessão, duas ou três por semana. Mas quantos Espíritos podem se manifestar ali? São muitos poucos. E quantos espíritos estão morrendo e estão passando para o lado de lá?...

Bom, mas acontece que a sessão mediúnica, nesse sentido, ela é realizada com a intenção de se prestar um serviço às entidades necessitadas. Mas as entidades necessitadas são socorridas do lado de lá pelos Espíritos e somente aquelas que estão mais apegadas à matéria é que são mais beneficiadas com a comunicação mediúnica. Nem todos os Espíritos que passam pra lá precisam dessa comunicação. E mesmo aqueles que precisam, podem ser tratados também mais demoradamente do lado de lá até que possam despertar. Mas se nós temos a facilidade, através da mediunidade, de auxiliar, de prestar um auxílio a esse trabalho, é justo que façamos o nosso trabalho. Nós damos a nossa contribuição, damos a nossa ajuda e os Espíritos insistem muito nesta ajuda, eles dizem que precisam muito disso, porque eles encontram muito maior facilidade em despertar o indivíduo trazendo-o para uma comunicação mediúnica do que insistir com ele do lado de lá. Do lado de lá ele está mais livre, mais senhor de si na sua posição, ele está se sentindo vivo, está se sentindo como continuação material da sua vida, depois que morreu... Mas quando ele chega numa sessão mediúnica e ele é posto em contato com o médium e que há a ligação vibratória ou fluídica entre ele e o médium, aí é que ele entra naquele processo do princípio vital – quer dizer que ele vai receber, graças à vitalidade do médium – ele vai receber aquela sensação de vida carnal, de que só tem lembrança. Mas ele vai receber agora, concretamente na comunicação mediúnica. Ele se sente envolvido de novo pelos fluídos materiais, pelas vibrações da matéria. Então ele vê que há uma diferença entre a posição dele, lá no plano espiritual, e aquele momento da comunicação mediúnica. E quando a gente consegue despertá-lo para isto e ele percebe, ele prontamente vê, diante dele, a diferença que existe entre uma situação e outra.

Então a comunicação mediúnica auxilia muito na solução deste problema. E por isso, mesmo as sessões mediúnicas funcionam quando se destinam a esses trabalhos, como uma espécie daquilo que eu já falei aqui muitas vezes, de “pronto socorro”. Pronto socorro [trecho incompreensível] ...recentemente são trazidas imediatamente à comunicação mediúnica.

Nós vemos possibilidade para isto, porque elas se beneficiam bastante. Aliás, nesse sentido, houve um caso muito curioso na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. O senhor Sanson[9] era um materialista. E esse materialista, depois da publicação d’O Livro dos Espíritos, ele, ao ler O Livro dos Espíritos, ele aceitou a Doutrina. Ele aceitou que havia muita lógica naquilo, porque aquilo substituía com vantagem ao seu materialismo, então ele se tornou espírita. Trabalhou ao lado de Kardec, foi um grande trabalhador do Espiritismo na França, era um assíduo frequentador das sessões, estava presente em todas. Mas veio a época dele morrer também, ele já estava velho, adoeceu. E ele mandou uma cartinha para o Kardec pedindo o seguinte: Eu quero que você me evoque para uma comunicação mediúnica, logo após a minha morte, e vou explicar porque eu quero isso. Porque eu tenho comigo a impressão de que o espírito, comunicando-se logo após a morte, o estado de perturbação em que ele fica ao passar para o lado de lá desaparece imediatamente. E apesar de eu ser espírita e ter consciência de que, morrendo, eu passo para o plano espiritual, é possível que eu também caia nesse estado de perturbação, porque no transe da morte a gente não pode controlar racionalmente tudo o que acontece (como numa doença qualquer), então eu posso passar e cair num estado desse.

Kardec atendeu. Quando Sanson morreu, estava no necrotério o corpo exposto lá, para o enterro no dia seguinte, Kardec foi para lá com dois médiuns, lá no necrotério, e lá eles fizeram uma prece em favor do espírito do Senhor Sanson e pediram a Deus que se esse espírito pudesse comunicar-se por um dos médiuns ali presentes, eles gostariam de poder auxiliá-lo. Imediatamente o senhor Sanson manifestou-se por um médium daqueles, conversou com Kardec, identificou-se perfeitamente e disse que ele estava muito contente, porque o simples fato de saber que ele ia ser evocado, o simples fato de Kardec ter chegado ali, com a presença daqueles médiuns, já o auxiliou bastante. Aquela perturbação do momento da morte já começou a desaparecer, ele ficou perfeitamente lúcido e deu a sua comunicação.

Então quer dizer, são fatos assim que geraram o Espiritismo, que fizeram aparecer a Doutrina Espírita. Ela é baseada nesses fatos, nestas investigações. Investigações que, por muito tempo, foram consideradas pela Ciência como absurdas. Por quê? É como dizia Kardec, os cientistas querem que nós apresentemos a eles o espírito, através do microscópio. Mas acontece que o espírito é invisível... Então eles não podem aparecer no microscópio. Nós não temos um elemento material pra dar aos cientistas, “você pode ver um espírito aqui... “Podemos dar os Espíritos, dar manifestações de materialização, dar manifestações de voz direta. Mas os cientistas recusam essas manifestações. Então, nós não temos elementos que possam provar a eles positivamente a realidade espírita, mas, para nós, essa realidade está provada. Então ele firmou assim e chamou de Ciência Espírita: é a Ciência da investigação do espírito com metodologia própria, com método de investigação estabelecido por ele, que consiste na manifestação do Espírito e, ainda, a interpelação do Espírito. Na interpelação, a gente vai obtendo os dados necessários e, nas manifestações mais concretas, nas de materializações e outras, estão a identificação, estão os fatos.

Mas como nós sabemos, as objeções científicas são objeções que só agora estão caindo. Estão caindo, porque o avanço da Ciência já atingiu o plano do Espírito. Podemos dizer que a descoberta da antimatéria foi um grande acontecimento, evidentemente, na história da Ciência, marcando a passagem do plano puramente materialista, objetivista, da Ciência para o plano do subjetivo. Ela está entrando realmente num plano diferente e está comprovando, como nós já vimos aqui, em outras vezes, as grandes bases do Espiritismo. Quando nós lembramos da pesquisa russa sobre o corpo bioplasmático, o corpo energético do homem, da descoberta desse corpo (cientificamente) pelos cientistas soviéticos, nós tivemos um grande passo dado pela ciência, que já descobriu até o perispírito. Porque realmente o corpo energético de que eles falam é o perispírito, é o corpo modelador do corpo humano. Isto já é científico e admitido no campo da Física e da Biologia... É o corpo modelador. Por isso ele é “plasmático”. E é o corpo que dá vida ao corpo material, por isso é “bio”, bioplasmático. Quer dizer, é o corpo essencial do homem.

Ora, isso que eles viram, descobriram agora, há cem anos os espíritas vêm sustentando. Essa tese. Porque realmente, o Espiritismo já teria descoberto isso. E a descoberta do Espiritismo foi uma assertiva, como nós sabemos, que foi pontificada pelo apóstolo Paulo. Na I Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo nos dá uma visão perfeita do que é o corpo espiritual, de uma maneira incisiva como nós vemos, dizendo inclusive que nós temos corpo animal e corpo espiritual e que, quando morremos, enterra-se o corpo animal e ressuscita o corpo espiritual. Então ele chega mesmo a dar nome ao corpo espiritual de “corpo da ressurreição”, os mortos ressuscitam no seus corpos espirituais.
Então veja-se que esses problemas se relacionam diretamente com a questão do princípio vital. Por quê? Porque quando nós tratamos da encarnação do Espírito, da sua manifestação através de um médium, nós estamos tratando de problemas [...] Nós vamos tratar disso na próxima [...]

[Pergunta da audiência] A lei do carma é a lei de astral... Mas o sofrimento nem sempre é cármico, compreende? Nem sempre é determinado por ações... As vezes são provas, como nós dizemos no Espiritismo, dizemos que existe provas e expiações. [...]

 

[1] Muito embora o título definido pelo próprio Prof. Herculano seja Princípio Vital, a maior parte versa ainda sobre o tema da palestra enviada anteriormente, Escala dos Mundos.

[2] M. Vasiliev, K. Staniukovich. El Cosmos y Sus Siete Estados. Madri: Editorial Paz Montalvo, 1975.

[3] Esse candelabro judaico é chamado de menorah.

[4] Mais sobre o Parque Nacional de Sete Cidades, localizado no norte do Estado do Piauí: https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_de_Sete_Cidades

[5] Referência aos Diários Associados

[6] Helena Blavatsky (1831 – 1891), escritora russa, responsável pela sistematização da moderna teosofia.

[7] Annie Besant (1847 – 1933), escritora e teósofa.

[8] Aqui vemos uma diferença importante entre o que diz o Espiritismo e a Teosofia, acerca do perispírito. Na filosofia espírita, o perispírito é inseparável do ser espiritual, ele apenas se torna progressivamente mais sutil, conforme o Espírito evolui.

[9] V. Allan Kardec. O Céu e o Inferno, Segunda Parte, Cap. II.

 

Style Selector

Layout Style

Predefined Colors

Background Image