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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

O erro dos kardecistas, escreveu o padre Afonso Rodrigues, parece ser este: interpretar como vindos do outro mundo, pelos espíritos, fenômenos que podemos atribuir a irradiações expedidas de cérebros deste mundo para cérebros deste mundo. Mas o ilustrado sacerdote se engana. Esse erro nunca foi cometido pelos kardecistas, nem por Kardec. Já em 1854, ao iniciar as pesquisas dos fenômenos espíritas, Kardec formulou a hipótese telepática, sujeitando-a à prova experimental.

Neste mesmo ano Kardec tratou dos problemas do inconsciente e lançou a hipótese das comunicações anímicas. Esta última hipótese foi confirmada pela experiência e incorporada à doutrina espírita como explicativa de tipos especiais de fenômenos. É bom lembrar que nessa época, quando Kardec colocava o problema do inconsciente na pesquisa psíquica, Freud ainda não havia nascido. O nascimento de Freud só se daria em 1856.

Quando saiu a primeira edição de O Livro dos Espíritos, a 18 de Abril de 1857, Freud estava ainda no seu primeiro ano de vida. Foi Kardec o pioneiro absoluto na pesquisa psíquica de tipo científico no mundo. Charles Richet reconheceu-lhe essa primazia e também a sua vocação de pesquisador e a sua conduta honesta nas pesquisas. Graças a esta honestidade e ao rigor de seus trabalhos Kardec chegou a conclusões que as investigações posteriores, desde aquela data até hoje, foram sucessivamente confirmando. A Ciência psíquica inglesa, a antiga parapsicologia alemã, a metapsíquica francesa e a parapsicologia moderna norte americana, confirmaram essas pesquisas de Kardec. E finalmente, as próprias pesquisas europeia e russa também deram essa confirmação.

Kardec explica que o espírito encarnado sendo da mesma natureza que o desencarnado, pode produzir em circunstâncias especiais os mesmos fenômenos produzidos por este. E demonstrou que as comunicações anímicas, telepáticas ou não, constituem também uma prova da sobrevivência da alma após a morte e da sua possibilidade de comunicar-se através da mediunidade.

Alexandre Aksakof, cientista russo, e Ernesto Bozzano, cientista italiano, confirmariam mais tarde essa tese de Kardec, através de duas obras hoje clássicas sobre Animismo e Espiritismo. Hoje as mesmas confirmações dadas pelas pesquisas de Rhine e sua esposa, de Soal, na Universidade de Londres, de Carington, na Universidade de Cambridge, de Harry Price na Universidade de Oxford e assim por diante. Essas confirmações vêm, portanto, nos dar a posição de Kardec como definitiva, no campo dessas pesquisas. Carington e Soal chegaram a formular teorias científicas modernas sobre a sobrevivência do espirito após a morte e sua possibilidade de comunicar-se com os vivos. O parapsicólogo católico francês, Robert Amadou, expõe essas teorias em seu livro Parapsicologia, já traduzido e publicado em nossa língua por uma editora paulistana.

Ernesto Bozzano publicou um livro intitulado Comunicações Mediúnicas entre Vivos, também já editado em São Paulo com esse título. Todo espírita estudioso conhece esse problema e não confunde a comunicação de um vivo, com a comunicação de um desencarnado. É pena que o ilustrado Padre Afonso Rodrigues não queira completar a sua cultura com o conhecimento desse aspecto do Espiritismo. Isso lhe daria mais segurança no trato do assunto.

A ciência espírita é uma ciência rigorosa de observação, pesquisa e experimentação. Por isto mesmo os atuais avanços das ciências materialistas, não abalaram uma só das suas conquistas. Pelo contrário, esses avanços só tem confirmado a pesquisa espírita em todos os seus aspectos. Até mesmo o difícil problema da reencarnação tem hoje a sanção das pesquisas universitárias, realizadas por cientistas que não são espíritas nos maiores centros culturais do mundo.

Rabinos, judeus e padres católicos utilizam as antigas práticas do exorcismo para afastar o dibuk, espírito obsessor ou o diabo, espírito mau, nos possessos e endemoniados. Sabem, portanto, distinguir as manifestações anímicas das manifestações de espíritos de mortos. Enganam-se ao dizer, que os kardecistas fazem confusão nesse terreno. A confusão não vem dos espíritas, mas da aceitação da hipótese herética da existência do diabo criado por Deus, como adversário eterno de Deus.

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão 173, 4º ano.

Apresentação: Dulcemar Vieira e José Pires. Sonoplastia: Antônio Brandão. Técnico de Som: Paulo Portela. Direção e participação do Professor Herculano Pires. Uma hora na busca da verdade

Gravação dos estúdios da Rádio Mulher, São Paulo - Brasil.

Todas as semanas neste dia e neste horário. Transmissão da Rádio Mulher, 730 khz, São Paulo. Da Rádio Morada do Sol, de Araraquara, 640 khz. E da Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 khz. Todas as semanas, neste dia e neste horário.

Diálogo no Limiar do Amanhã, uma busca radiofônica da verdade.

A verdade só se encontra nos caminhos da verdade.

 

Pergunta 1: Alguma “entidade espiritual” lhe ajuda nas suas respostas?

 

Locutor - A ouvinte Cecília Simões pergunta. Admiro muito o senhor que demonstra ser muito inteligente. Porém como as palavras fluem da sua boca com tanta naturalidade e convencendo sempre. Sempre concordo com as suas explicações. Pergunto se o senhor teria alguma entidade espiritual a lhe ajudar nas respostas a serem dadas?

JHP - Agradeço muito as suas referências, mas este problema de ser inteligente é um pouco difícil de a gente avaliar. A facilidade no falar, é uma questão também de prática e de uma certa tendência que as pessoas já trazem consigo que, pode-se dizer, é natural de cada pessoa. Mas vamos à sua pergunta. Naturalmente todas as pessoas de acordo com a doutrina espírita, todas as pessoas que trabalham em qualquer setor, têm sempre os seus companheiros espirituais. Nós não estamos sozinhos, não estamos abandonados no mundo. O apóstolo Paulo falava, por exemplo, das nossas testemunhas. Temos sempre as nossas testemunhas. São os espíritos amigos, ou os espíritos inimigos, adversários, que nos observam e que de certa forma nos controlam. Mas temos os bons amigos, aqueles que nos inspiram, que nos transmitem ideias. Essa transmissão telepática do pensamento, hoje bastante difundida em virtude das pesquisas parapsicológicas, é também a arma, o instrumento de que os nossos amigos espirituais se servem para nos dar, nas ocasiões precisas, ideias boas. Talvez aquilo que a senhora considere a minha capacidade de persuasão, talvez não provenha de mim e sim de entidades amigas que nos transmitem as suas intuições. É bom lembrar que essas intuições nós nem sempre as distinguimos, elas se misturam com os nossos pensamentos. Porque essas criaturas que nos ajudam inspirando-nos, são por assim dizer, afins a nós, à nossa maneira de pensar, à nossa maneira de ser e também à nossa posição diante dos problemas da vida.

 

Pergunta 2: Se não frequento seções espíritas, nem qualquer outra igreja. Posso me considerar religiosa ou não tenho religião?

 

Locutor - Outra pergunta da ouvinte Cecília Simões professor. O Espiritismo é uma religião? Se não frequento seções espíritas devido a vários problemas domésticos, apesar de ler livros espíritas e aceitar tudo o que o Espiritismo ensina. Não frequentando qualquer outra igreja, posso me considerar religiosa, ou não tenho religião?

JHP - O problema da religião. A senhora fez bem de fazer esta pergunta por que é interessante colocar-se esse problema. O problema da religião é muito mal compreendido. A religião é como, por exemplo, a filosofia ou como a ciência. Existe aquilo que nós chamamos no sentido geral, a ciência, e aquilo que nós chamamos no sentido específico, as ciências. Quer dizer as diversas ramificações da ciência, mas a ciência é uma só. Assim também é a filosofia. A filosofia é uma só, é um campo do conhecimento, como é a ciência. É por assim dizer, um plano geral em que o conhecimento se desenvolve pela nossa experiência do mundo, pela experiência comum dos homens na sucessão das gerações. Quando nós falamos, portanto, a Filosofia, estamos abrangendo todo o campo do pensamento filosófico. Mas existem as filosofias. Os sistemas particulares muitas vezes pessoais, na maioria pessoais de filosofia, são então os tipos de filosofia. O mesmo acontece no tocante à religião. Existe algo a que chamamos de religião. Este algo tem por fundamento o sentimento religioso. Este sentimento religioso é inato no homem, é uma das características da espécie humana. Todo homem tem este sentimento. A religião, segundo os etimologistas, é uma palavra que quer dizer religar. Fazer a religação de alguma coisa com outra coisa. E justamente por isso esta palavra define o momento em que o homem na sua evolução espiritual se religa a Deus. Ou se nós quisermos tomar uma atitude Kantiana, se religa ao todo, ao todo universal.

E isto pelo seguinte. O homem no seu desenvolvimento. Nós estamos falando do homem num sentido geral, a partir dos homens primitivos até os homens civilizados. O homem no seu desenvolvimento, ele aparece primeiramente ligado à natureza quase como os animais. Os animais são dominados totalmente pelas leis naturais. Nós sabemos que eles são conduzidos pelos instintos e os instintos nada mais são do que as necessidades orgânicas que os impele na busca disto ou daquilo. Os homens primitivos também eram muito dominados pelos instintos, mas já superavam os instintos pelo desenvolvimento da razão. Na proporção em que as suas experiências instintivas iam lhes dando o conhecimento da realidade, dentro da qual eles se encontravam, esses instintos iam sendo substituídos pelo raciocínio, pelo desenvolvimento da razão, portanto. O pensamento discriminativo do homem. O pensamento que não é apenas repetitivo como o do animal, o pensamento que permite ao homem reconhecer as coisas em si, dividi-la das outras coisas. Este pensamento determinou a formação das categorias racionais da mente humana. E o homem na proporção em que evoluiu, ele descobriu, ele sentiu dentro de si e descobriu este sentimento profundo que o ligava ao todo, que o ligava à natureza. E que o ligava no sentido do pensamento abstrato a Deus. Mas o homem naturalmente teve de fazer uma longa caminhada evolutiva para chegar a compreender a concepção de Deus num sentido realmente abstrato, num sentido superior. É por isso que nós vemos em todos os tempos a lei de adoração que conduz o homem através da vida. Esta lei de adoração é um princípio espírita. A lei de adoração que nós trazemos em nosso coração, esta lei fazendo com que o homem passasse a adorar as coisas mais absurdas em lugar de Deus. Quando a sua razão não havia ainda evoluído para o campo das abstrações mentais, quando ele tinha o seu pensamento de natureza quase concreto voltado para as coisas materiais. O homem então empregava a lei de adoração num sentido também material. Vem daí a adoração das pedras, dos rios, das montanhas, dos acidentes geológicos que nós vemos nas tribos primitivas. É o que se chama de litolatria, a adoração natural histórica do homem pelas coisas da natureza. Um monte sagrado como o Sinai, por exemplo, um rio sagrado como o Jordão ou como o Ganges na Índia. Eram, portanto acidentes geológicos pertencentes ao reino mineral. Daí a explicação, a designação de litolatria, adoração das pedras, dos elementos minerais.

Mas há uma evolução contínua no pensamento do homem. Então ele passa da adoração das pedras para a adoração das árvores, das plantas, as árvores sagrada, os bosques sagrados, as flores sagradas. Estamos no campo da fitolatria. Dali o homem evolui para a zoolatria, a adoração dos animais. Os Totens que nós encontramos em toda a história da evolução humana. É sempre a lei de adoração imperando no coração do homem, fazendo-o buscar um elemento de adoração no mundo exterior. Até que ele chega à adoração de si próprio, a adoração do próprio homem. É a antropolatria. O momento em que o homem adora o próprio homem. Os grandes chefes de estado, antigos e mesmo chefes de estado ainda modernos, em cujo país se conserva apenas como resíduo, mas se conserva ideia de que eles são sagrados. Por exemplo, os antigos imperadores chineses, os faraós do Egito que eram divinos, os próprios imperadores japoneses. E nós sabemos que na própria Inglaterra os reis antigamente eram considerados numa posição de verdadeiros deuses. E tanto que isto repercutiu na formação da religião anglicana, onde o chefe do estado é também o sumo sacerdote, o sacerdote supremo da religião. E assim por diante. Mas nesta evolução toda, o homem chegou ao momento em que ele descobriu que todas aquelas coisas que ele adorava, inclusive os mitos por ele mesmo criados. Na Mitologia Grega, na Mitologia Romana, na Mitologia Egípcia ou Babilônica. Os mitos por ele mesmo criados eram coisas que ele não podia provar que existia. O avanço, o desenvolvimento da sua razão, o leva então a afastar-se de Deus, a desligar-se do todo, da natureza. A fechar-se em si mesmo. Ele se considera uma inteligência capaz de julgar o mundo, e se liberta da inteligência suprema que o criou, que é Deus. Então a religião é o impulso que leva o homem a se religar a Deus, a voltar para Deus, a restabelecer o curso da lei de adoração num sentido superior. Este sentimento religioso, base da religião, é que define o homem religioso ou não. O homem não religioso é aquele que permanece desligado deste sentimento, ele não se religou a Deus. Então ele se põe numa posição de ateu, discorda da existência de Deus, não aceita a tese da existência de Deus. Não aceita, portanto, a sobrevivência da alma, acredita nas teses materialistas. Este homem está ainda desligado. Mas no momento que ele se liga com Deus novamente, em que ele se religa, ele se reintegra na sua natureza religiosa.

O Espiritismo não apareceu com a pretensão de se tornar uma nova religião num mundo, como dizia Kardec, cheio de religiões. O Espiritismo apareceu como uma pesquisa objetiva, científica, dos fenômenos paranormais que demonstraram a Kardec a existência do espírito e sua comunicabilidade. Por isso mesmo, ao tratar da existência do homem não apenas neste mundo, mas no mundo pós-morte, num mundo superior. Kardec percebeu naturalmente que o Espiritismo levava a uma consequência religiosa, como ele mesmo afirmou, e daí nasceu aquilo que chamamos Religião Espírita. Mas a Religião Espírita é rejeitada por muitas das religiões existentes, uma vez que ela não se integra na sistemática religiosa. Ela não é organizada na forma de uma igreja, ela não tem padres, ela não tem orientadores supremos aqui na Terra. Qualquer pessoa pode ser espírita independentemente de frequentar qualquer centro ou qualquer grupo espírita. O Espiritismo, como dizia Kardec, é uma convicção pessoal de cada um, uma posição individual, filosófica, mas de consequências religiosas. Porque se o Espiritismo nos prova que nós vivemos depois da morte e continuamos a viver. E prova mais, que há recompensas e castigos após a morte no sentido da interpretação humana, consequências daquilo que fizemos na vida terrena. Então o Espiritismo toca em pontos fundamentais da religião e se apresenta também como uma doutrina que tem um aspecto religioso. Por isso mesmo a religião espírita é ainda muito mal compreendida. Ela é uma religião livre, é aquela religião que Jesus anunciou à mulher samaritana. Está lá no Evangelho, no momento em que Jesus disse à mulher samaritana: “dia chegará em que os verdadeiros adoradores de Deus não irão mais ao monte Garazin, dos samaritanos, nem ao Templo de Jerusalém para adorar a Deus, mas o adorarão em Espírito e Verdade”. Assim, se a senhora realmente tem convicção espírita, se a senhora de fato acredita na existência de Deus. A senhora sabe que os espíritos sobrevivem, que nós somos espírito e não corpos materiais perecíveis. E se a senhora procura orientar-se pelos princípios da doutrina espírita, a senhora é uma criatura religiosa. A senhora tem uma religião que é a Religião Espírita.

 

Pergunta 3: Criogenia: Como fica o espírito de uma pessoa congelada?

 

Locutor – Muito bem professor Herculano. A ouvinte Cecília Simões tem a terceira pergunta a fazer. Ela quer saber em que estado fica o espírito de uma pessoa congelada. Não estaria o homem tentando trapacear as leis divinas congelando um corpo? São esses casos que temos ouvido falar, para acordá-lo depois de muitos anos? Se é possível ressuscitarmos depois de tantos anos um corpo humano, onde fica a lei de data certa para morrer, se é que existe?

JHP – Quanto à lei de data certa para morrer, nós já respondemos em programa anterior a uma pergunta sua a respeito, mostrando que há muita interpretação errada neste terreno. Nós não temos, assim para se dizer, uma data marcada certa, definitiva. Existe um momento decisivo na vida humana que pode chegar mais hoje, mais amanhã. Temos um destino traçado esquematicamente no sentido geral, mas não temos um destino em minúcias, porque o homem dispõe do livre arbítrio. E o homem dispõe do livre arbítrio, porque se ele não tiver liberdade de escolha, de opção, ele não tem responsabilidades pelos seus atos. De maneira que a existência do livre arbítrio cria um problema para a demarcação de uma data exata para a morte da pessoa. Mas de qualquer maneira nós sabemos que um dia morreremos. E o que importa é saber que a morte não existe como morte, como destruição total do ser. A morte é simplesmente uma fase de transição. A morte é um fenômeno biológico, da mesma forma que o nascimento. Nascemos por um processo biológico, morremos por um processo biológico de esgotamento das nossas forças vitais. E pela necessidade, naturalmente a que somos levados seja por uma doença ou por um acidente, de abandonar o nosso corpo material cuja vida se esvai, porque o espírito independe do corpo. O corpo é simplesmente um instrumento de que o espírito se serve para uma vida terrena.

Assim a verdade, a realidade é a seguinte. Ao morrer cada um de nós passa para o plano espiritual. Talvez seja esse plano aquilo que a ciência atual nas suas pesquisas, descobriu como o mundo da antimatéria. Existe a matéria, mas existe a antimatéria. E nós sabemos que assim como todos os elementos físicos aqui da Terra, os elementos minerais são classificados no campo da matéria. Também os cientistas descobriram que esses elementos existem de uma forma diferente, contrária à constituição física material, no campo da antimatéria. E recentemente como sabemos, estão aí os livros e as reportagens, os anúncios, as notícias a respeito, mas principalmente os livros que tratam profundamente deste assunto. Os físicos e biólogos soviéticos descobriram e provaram a existência daquilo que no Espiritismo nós chamamos o perispírito. Ou seja, o corpo espiritual do homem segundo dizia o apóstolo Paulo. Assim, nós passamos a viver num outro mundo que realmente existe, mas este outro mundo é interpenetrado com o mundo material. E nós passamos a ter uma vida humana, continuação da nossa vida aqui na Terra. Mas da qual, na qual teremos de passar por várias transformações através das experiências espirituais que vamos fazendo, para a nossa própria evolução.

Se você quer saber entre no diálogo. Mande suas perguntas ao programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher, Rua Granja Julieta 205, São Paulo. Ouça as respostas e econteste-as, se for o caso. Nós não defendemos dogmas, só queremos a verdade. Estamos no ar para dialogar.

Diálogo no limiar do amanhã. Você está com a verdade ou nós?

 

Pergunta 4: Um espírito mau pode atuar para separar um casal que vive bem? Os espíritos bons não podem evitar isso?

 

Locutor – A ouvinte Maria Catália, da Rua Maranhão, quer saber. Por que um espírito mal pode atuar para separar um casal que vive bem? Os espíritos bons não podem evitar isso, professor?

JHP - É claro que podem. Mas acontece que a nossa vida é tecida por uma porção de acontecimentos e uma porção de fios. É um verdadeiro tecido espiritual, nós estamos ligados a numerosas criaturas. É preciso lembrar que o Espiritismo se baseia no princípio fundamental da evolução, tudo evolui. E esta evolução implica no plano humano o processo da reencarnação. Vivemos uma vida na Terra para desenvolver as nossas potencialidades como ser. Cada um de nós é um ser espiritual, temos potencialidades enormes a desenvolver. O desenvolvimento de uma série de potencialidades decorre no correr de uma existência. Mas acontece que chegamos a um determinado ponto em que através das nossas próprias experiências, criamos muitas complicações nas relações com os outros. Porque somos geralmente ambiciosos, vaidosos, egoístas e criamos complicações que não seriam necessárias. Então passamos para o mundo espiritual carregando em nossa consciência, que é espiritual, carregando em nossa consciência o peso de tudo aquilo que fizemos de errado, de mal para com os outros. Não é Deus quem nos pune, segundo o Espiritismo, a punição é dada por nós mesmos, é a nossa consciência é que nos acusa.

No mundo espiritual nós sentimos as acusações que brotam da nossa consciência, o remorso que nos rói. E a consciência no mundo espiritual, ela é muito mais sensível do que na Terra, porque na Terra ela está por assim dizer abafada pelo equipamento material de que se serve para manifestar-se. Mas no plano espiritual as suas vibrações são intensíssimas. As dores de consciência são então muito maiores do que aqui. É isso que as religiões classificam como o inferno. O inferno a que a pessoa se lança pelas suas próprias ações, e inferno este que está na sua própria consciência. Então o espírito tem necessidade de voltar à Terra. Ele quer reparar o mal que fez, ele quer acertar o passo novamente com os companheiros que ele feriu. Ou dos quais ele naturalmente abusou aqui na Terra, prejudicando-os de várias formas. Então ele volta à existência, e nas existências sucessivas nós temos relações que vão reaparecendo em cada reencarnação. Cada vez que voltamos à Terra, voltamos ligados a uma série de pessoas com as quais temos promessa, temos dívidas. Promessas a pagar, dívidas a cumprir e assim por diante, ou o contrário, vice e versa. Ora, então quando nós vemos o relacionamento dos homens, precisamos nos lembrar de que também existe o relacionamento espírito–homem. Os espíritos que foram nossos adversários e que são nossos credores de vidas passadas, nem todos estão encarnados, muitos deles permanecem ainda desencarnados. Sofreram de tal maneira, em consequência das nossas más ações ou das suas próprias más ações, que, nesta vida em que voltamos, eles não voltaram a encarnar-se. Mas isto não os priva de se aproximarem de nós como espíritos e interferirem nas nossas vidas aqui na Terra. Essas intervenções levaram as religiões a estabelecer o princípio da existência do diabo. E do diabo tentando as pessoas, interferindo na vida das pessoas e procurando levá-las para o mau caminho.

Na verdade o diabo nada mais é de que uma personificação mitológica da maldade humana, são os espíritos maus. No próprio evangelho nós encontramos continuamente essa afirmação de Jesus. Os espíritos malignos, os espíritos maus que ele expulsa de perto das criaturas para que deixem as criaturas em paz. Naturalmente de acordo com as possibilidades de cada vida. Então temos os espíritos bons e os espíritos maus, que são nossos companheiros que mantiveram relações conosco no passado. Da mesma maneira que os bons procuram auxiliar-nos, os maus procuram prejudicar-nos. Mas as relações dos espíritos conosco se fazem por afinidade. Quando nós temos tendências malignas, nós nos afinamos mais, nos sintonizamos melhor com os nossos companheiros maus. E então sofremos as suas intervenções em nossas vidas. E os espíritos bons que nos auxiliam lutam muitas vezes para nos chamar a atenção, para nos desviar daquela atitude que provoca a sintonia com os maus espíritos. Mas nós não estamos ainda capacitados para nos ligar com os bons espíritos. Há, portanto, uma vigilância dos bons espíritos ao nosso redor, mas os maus quando predominam é porque nós, nós mesmos preferimos a ligação com os maus espíritos.

 

Pergunta 5: Se os espíritos têm o poder de curar, por que não atendem os doentes que não podem pagar hospital?

 

Locutor - A segunda pergunta da ouvinte Maria Catália é a seguinte. Se os espíritos tem o poder de curar, por que não atendem os doentes que não podem pagar hospital? Isso não seria caridade?

JHP - Os espíritos curam e curam mais do que nós pensamos. Eles atendem, os espíritos bons, os espíritos superiores, porque são criaturas generosas, criaturas humanas. Nós não consideramos os espíritos como seres sobrenaturais. Os espíritos, diz o Espiritismo, são uma das forças da natureza. Os espíritos são, portanto, criaturas de Deus, e a natureza é a criatura de Deus. Deus criou a natureza como criou os espíritos, os espíritos fazem parte da natureza. Assim como nós vivemos cercados por um mundo de bactérias e de vírus que nós não vemos, mas que agem sobre nós, que tanto nos defendem, como nos provocam doenças, nos agridem. Assim também vivemos cercados por um mundo invisível de espíritos, de criaturas humanas desencarnadas, destituídas do corpo carnal, mas tão vivas, tão reais e tão ativas como nós mesmos.

Ora, então dentro desse mundo nós precisamos compreender que estamos sujeitos à influenciação dos espíritos como estamos sujeitos à influenciação das bactérias no plano material. Se existe a infecção por micróbios no organismo humano, existe a infestação espiritual que é provocada pela influenciação de espíritos sobre nós. Mas não queiramos acusar os bons espíritos de não nos defenderem, eles nos defendem sempre, constantemente. Entretanto as nossas relações se estabelecem por sintonia. Da mesma maneira que nós ligamos o nosso aparelho de rádio com determinada estação, porque gostamos dos seus programas, assim também nós ligamos a nossa mente com determinado grupo de espíritos, porque eles nos são mais agradáveis. Eles correspondem mais às nossas ideias, aos nossos sentimentos. E acontece que quando os nossos sentimentos são maus, os espíritos maus é que predominam na nossa sintonização com o mundo espiritual.

 

Pergunta 6: Por que há espíritos que encarnam e morrem na infância?

 

Locutor - A terceira e a última pergunta da Maria Catália. Se a encarnação é necessária para a evolução do espírito, por que há espíritos que encarnam e morrem na infância?

JHP - A encarnação tem várias fases, várias formas. A natureza é múltipla nas suas manifestações. Não vemos apenas no reino humano isto. No reino animal, no reino vegetal, acontece a mesma coisa. Quantas vezes lançamos uma semente à terra, ela germina, mas não consegue vencer. Não consegue vingar, a planta morre, precisamos plantar novas sementes e assim por diante. É preciso compreender que existe uma relação espírito-matéria. A matéria é uma condensação de energias, como sabemos hoje. E a matéria no nosso mundo é uma matéria extremamente condensada, uma matéria grosseira. O espírito é um elemento fluídico, vibrátil, sensível. Ele procura dominar a matéria e vencer a matéria para poder manifestar-se no mundo. Mas quando ele não tem condições para isto em virtude da sua falta de desenvolvimento espiritual. E quando ocorrem certas determinações cármicas, quer dizer consequências do passado que determinam que no seu nascimento, ele não possa vingar. Então ele encontra mais fortemente os obstáculos da matéria, não consegue dominar o seu organismo, não consegue controlá-lo suficientemente e tem de abandoná-lo. Isto corresponde a uma experiência que o espírito faz, tão necessária à sua evolução quanto se ele vivesse. Se ele vivesse, se ele vingasse, ele teria de passar por outras experiências que auxiliariam a sua evolução. Mas se ele morre ao nascer ou se ele já nasce morto, ele teve a experiência de não poder encarnar-se por falta de um aprimoramento que ele deverá conquistar. É assim que no universo e no desenvolvimento da evolução humana tudo se explica de maneira lógica, segundo a doutrina dos espíritos.

 

Pergunta 7: Onde fica o chamado “destino” que existe nos casamentos?

 

Locutor - Agora é a vez do ouvinte Marino Delbono da Rua Tabatinguera, que pergunta. Se um rapaz que era casado com uma moça por interesse financeiro, onde fica o chamado “destino” que existe nos casamentos?

JHP - Nós poderíamos responder a isto com uma brincadeira que cabe muito bem no caso. Ele vendeu o seu destino. Se ele está querendo casar com uma moça por interesse, porque a moça tem dinheiro, ele está vendendo o seu destino. Ele pode receber um dote em pagamento da troca de destino que ele fez. Nós já falamos aqui que existe o livre arbítrio. As pessoas precisam ter liberdade de agir. Se nós não tivermos liberdade de agir, nós não evoluímos. Porque o nosso desenvolvimento se faz pela nossa capacidade de agir, de escolher, de optar, de saber o que fazer e de determinar aquilo que queremos fazer. Precisamos desenvolver a nossa vontade e não apenas a nossa capacidade de opção. Então é claro que uma pessoa tem o direito, tem a possibilidade de fazer isso. Mas ele vendendo o seu destino, ele trocou uma possibilidade de evolução que lhe foi dada na encarnação por uma acomodação material imediata, passageira e sofrerá as consequências disso. Ele traiu-se a si mesmo e irá pagar duramente isto. Mesmo porque aquela pessoa com a qual ele devia casar-se, aquela moça que estava no seu destino, é para ele uma criatura que vai lhe fazer muita falta, sentimental, emocional, porque ele tem ligações íntimas e profundas com aquela criatura. Então cada um paga pelo que faz, mas paga a si mesmo, não a Deus. Na economia do Universo, perfeitamente estruturada e equilibrada pelas leis de Deus, não há necessidade de tribunais especiais para julgar ninguém. O tribunal está instalado na consciência de cada um.

 

Pergunta 8: Como se explicam as diferenças na vida das pessoas?

 

Locutor - Continuando com as suas perguntas o ouvinte Marino Delbono diz o seguinte. Conheço dois irmãos com pouca diferença de idade. O primeiro é trapaceiro e mau, mas é rico e feliz. O outro é honesto e bom, mas vive com dificuldade, nada dá certo para ele. Como que se explica isso?

JHP - Aí é o problema das experiências que temos de fazer na vida. Esse que é trapaceiro e mal mas vive feliz, ele está fazendo uma série de experiências que o outro já fez. O outro já passou por essas experiências.  Então ele aprendeu a ser bom, a ser generoso, a não se interessar tanto pelas coisas passageiras imediatas. Ele já aprendeu a dar mais valor às coisas espirituais. O destino dos dois aqui na Terra parece injusto, mas não é. Porque aquele que está trapaceando, está malandreando, está prejudicando os outros, ele precisa fazer essa experiência, ele tem que aprender por si mesmo. Há uma lei de pedagogia que diz o seguinte. Só se aprende fazendo. Não adianta ensinar apenas com palavras, é preciso levar as pessoas, os alunos a realmente fazerem aquilo que eles devem aprender, se não fiserem não aprendem. Essa lei não se aplica apenas na pedagogia da Terra, ela vem já de cima, do alto da pedagogia de Deus.

Para os espíritos aprenderem, eles precisam passar por experiências. Então aquele que está trapaceando está sendo feliz enquanto os resultados que lhe são dados aqui na Terra o agradam. Mas no momento em que ele morrer, em que ele passar para o plano espiritual, ele vai se sentir em dificuldades porque não tem condições espirituais para viver num plano superior. Ele continuará apegado aos planos inferiores da Terra. E nesses planos já ele não encontrará as possibilidades de trapacear que tinha aqui. Ele se encontrará com elementos tão inferiores quanto ele ou até piores, que darão a ele aquilo que se chama nas religiões da vida no inferno. Então ele verá que a sua alegria, a sua felicidade passageira na Terra não valeu nada e voltará disposto a viver como o irmão bom viveu. Com sacrifícios, com infelicidades, sofrendo dificuldades, mas desenvolvendo as suas potencialidades espirituais para viver depois espiritualmente feliz.

 

Pergunta 9: A “sessão de copinho” é proibida pelo Espiritismo?

 

Locutor - Professor Herculano agora é a vez da ouvinte Sebastiana Alvarez da Rua Santa Cruz, Vila Gumercindo. Ela quer saber. A sessão de copinho é proibida pelo Espiritismo? Uns dizem que sim, outros que não. O que é que o senhor diz a respeito, professor?

JHP – Não! O Espiritismo não proíbe a sessão de copinho. O que o Espiritismo nos ensina é o seguinte. É que a sessão de copinho é uma forma rudimentar de comunicação mediúnica. Uma forma rudimentar. Então a pessoa que estudou Espiritismo, que evolui, que aprendeu, que conhece os problemas da mediunidade, não precisa da sessão de copinho. Por outro lado há um perigo na sessão de copinho, que não é por ser de copinho, é o perigo das brincadeiras. Na sessão espírita, a possibilidade da comunicação com os espíritos já é um problema muito sério, muito grave. Nós então precisamos ter cuidado nessas relações. Se nós fizermos uma sessão mediúnica, mesmo que não seja de copinho, mas com fins puramente interesseiros ou de brincadeira, nós estamos sujeitos a ser envolvidos pelos espíritos perturbadores. Porque são esses espíritos que acorrem às sessões frívolas, e geralmente as sessões de copinho são frívolas. Fazem reuniões, põem o copinho na mesa e se tem um médium o copinho corre. Realmente o copinho transmite mensagens, mas as pessoas começam a fazer perguntas pueris, brincalhonas. Nenhum espírito elevado vem ali responder essas perguntas, só vêm os espíritos inferiores, os espíritos mistificadores, brincalhões e também os maus espíritos. Então é quanto a isso que se adverte.

A senhora pode ver, existe um livro muito curioso publicado aqui em São Paulo há pouco tempo. As Sessões Espíritas de Monteiro Lobato, e a senhora verá o seguinte. As sessões que Monteiro Lobato fazia eram de copinho, mas eram sessões sérias, sessões que tinham um objetivo sério. Então ele teve comunicações importantes, teve experiências muito bonitas no desenvolvimento das sessões. A médium era a sua própria esposa Dona Purezinha. E Dona Purezinha várias vezes recebeu comunicações dos filhos mortos. Monteiro Lobato e Dona Purezinha haviam perdido dois filhos que morreram moços, eles se comunicavam. Dona Purezinha não gostava da comunicação dos filhos. Ela tinha por assim dizer uma espécie de repulsão a que os filhos pudessem vir se comunicar através de um copinho. Mas Monteiro Lobato gostava e queria e insistia para que os filhos se manifestassem. As sessões deram resultados muito interessantes e foi então publicado após a sua morte e a morte de Dona Purezinha. Porque depois que Lobato morreu, Dona Purezinha se opôs a que se publicasse o livro. O livro foi escrito pelo próprio Lobato. Mas depois que Dona Purezinha morreu se tornou possível, a publicação. Então a ex-secretária de Monteiro Lobato, Dona Maria Sete Ribas, que havia guardado os originais, publicou o livro. É um livro bastante curioso e nos mostra um tipo de sessões de copinho que são perfeitamente viáveis, porque realizadas com objetivos sérios e com seriedade.

 

Pergunta 10: Os espíritas são proibidos de frequentar sessões de Umbanda e Candomblé?

 

Locutor - Dona Sebastiana quer saber na sua segunda pergunta, o seguinte. Os espíritas são proibidos de frequentar sessões de Umbanda e Candomblé? E por quê?

JHP – Não! Os espíritas não são proibidos de fazer coisa alguma. O Espiritismo é a doutrina mais liberal do mundo, não proíbe nada, absolutamente nada, não há proibições. As proibições são geralmente ditadas por igrejas organizadas. O Espiritismo não é uma igreja organizada. Emmanuel por exemplo, o espírito guia de Chico Xavier, teve numa das suas mensagens uma expressão muito bonita quando disse assim. A religião organizada é o cadáver da religião. No Espiritismo se pretende realizar a religião viva, pura, livre, dando ao homem a liberdade. O Espiritismo, então, dá ao homem a consciência das suas responsabilidades. E se o homem não seguir a sua consciência será julgado pela sua própria consciência como nós já vimos.

Quanto às sessões de Umbanda e Candomblé e outras coisas, o Espiritismo não proíbe ninguém de frequentá-las, apenas ensina o seguinte. Que essas sessões não são espíritas. Sessões espíritas são aquelas que se realizam de acordo com as normas do Espiritismo. Essas sessões pertencem aquilo que chamamos, que a sociologia brasileira mesmo chama, de sincrentismo religioso afro-brasileiro. São sessões realizadas de acordo com as influências de religiões africanas e ameríndias, e não de acordo com o Espiritismo. Então desaconselhamos, nós espíritas desaconselhamos essas sessões para aquelas pessoas que querem realmente conhecer Espiritismo.

 

Se você quer saber, entre no diálogo, mande suas perguntas ao programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher, Rua Granja Julieta, 205 - São Paulo. Ouça as respostas e conteste–as se for o caso. Não defendemos dogmas, só queremos a verdade, estamos no ar para dialogar.

 

O Evangelho do Cristo em espírito e verdade. Sem apego a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica.

 

Abrindo o Evangelho ao acaso encontramos o seguinte. Segunda Epístola de Paulo a Timóteo, 2: 1-4:

“Tu pois filho meu, fortifica-te na graça que é em Cristo Jesus. E o que de mim ouviste diante de muitas testemunhas, entrega-o a homens fiéis, os quais sejam capazes de ensinar também a outros. Sofre comigo, como o bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se embaraça com os negócios desta vida, para que possa agradar aquele que o alistou.”

Aquilo que ouviste de mim, diz Paulo nessa carta, a segunda carta dele a Timóteo. Aquilo que ouviste de mim, entrega-o a homens fiéis que sejam capazes de transmitir aos outros. É muito importante esta passagem da Epístola de Paulo, porque nos dá a experiência do apóstolo na divulgação do cristianismo. Nós sabemos que o Espiritismo é o desenvolvimento natural, histórico e profético do cristianismo. Espiritismo e cristianismo não são nada mais, nada menos do que duas fases de um mesmo processo histórico. Porque foi Jesus quem prometeu, como vemos nos Evangelhos, que nos enviaria o Espírito da Verdade para nos conduzir a toda verdade, para restabelecer o seu ensino que haveria de ser desfigurado pelos homens, por falta de possibilidade de compreensão daquilo que ele ensinava. E para nos dizer ainda outras coisas que ele não podia dizer naquele tempo, porque não estávamos em condições de entender. Então o Espiritismo se apresenta no momento preciso, quando a evolução humana atingiu aquele apogeu em que se tornou possível compreender os problemas espirituais, não mais como problemas sobrenaturais, mas sim como problemas naturais acessíveis à indagação e à investigação dos homens.

Assim o Espiritismo, quando a humanidade atingiu esse ponto, pode aparecer e desenvolver-se. Os fenômenos espíritas sempre existiram desde todos os tempos, como nós vemos na Bíblia, que é um dos maiores repositórios de fenômenos espíritas que existe em todo o mundo. Vemos no Evangelho constantemente as manifestações de espíritos. Os espíritos sempre estiveram presentes manifestando-se, porque eles são uma das forças da natureza. Assim como os micróbios só foram descobertos quando Pasteur na sua pesquisa conseguiu verificar sua existência e provar, com muita dificuldade, com muita luta. Porque ele precisou até fugir de Paris para não ser preso e condenado por ter provado que as infecções provinham dos micróbios. Assim como os micróbios sempre existiram, mas só foram descobertos no século XlX graças a Pasteur, assim também os espíritos sempre existiram, sempre agiram na natureza, sempre atuaram sobre os homens. Mas somente quando Kardec, o Pasteur do espírito, descobriu precisamente a existência do espírito e conseguiu determinar as leis através das quais os espíritos se comunicam com os homens e agem sobre os homens, só então o Espiritismo se tornou possível.

Assim, Paulo nos dá uma lição ao dizer ao seu discípulo Timóteo, que confiasse a verdade que ele havia conhecido de Paulo. Pois que Paulo foi o seu mestre, o seu instrutor, que confiasse esta verdade a homens fiéis. Por que homens fiéis? Porque já naquele tempo havia os que desfiguravam o ensino de Jesus, o ensino do Cristo, deturpavam o cristianismo nascente. Então Paulo recomendava a Timóteo cuidado com aqueles a quem ele ia transferir a verdade que havia recebido, os ensinos recebidos de Paulo. Essa mesma condição se aplica hoje à divulgação de Espiritismo. Nós sabemos que no meio espírita, no processo de propagação do Espiritismo encontramos muitos homens que não são fiéis. Não são fiéis à doutrina, procuram remodelá-la, modificá-la de acordo com as suas ideias pessoais. Esquecem-se de que a doutrina espírita resultou de intensivas pesquisas de Kardec. E não só de Kardec, mas daqueles que o auxiliavam num trabalho verdadeiramente cientifico de pesquisa, observação, experimentação e ao mesmo tempo da revelação dos espíritos superiores que se comunicaram dando instruções à Kardec. Desfigurar essa verdade é, portanto deturpar a doutrina espírita. Assim, a recomendação de Paulo a Timóteo aplica-se hoje também no meio espírita.  É preciso confiar os princípios do Espiritismo a homens fiéis que não sejam orgulhosos e vaidosos, que não queiram impor as suas ideias sobre os princípios espíritas. É a lição que o Evangelho aberto para este programa nos deixa.

 

Um recado de mulher para você, ouça-o e responda-o.

 

Não se pode refutar uma doutrina sem primeiro conhecê-la em todos os seus aspectos. A Doutrina Espírita se apoia em pesquisas cientificas jamais desmentidas. Nenhuma das conclusões atuais da Parapsicologia negou um só dos princípios espíritas. Você é capaz de nos dar um exemplo em contrário? Mande-nos a sua resposta por escrito e ganhe um livro que o auxiliará na busca da verdade.

 

No Limiar do Amanhã, queremos a verdade. Só a verdade, nada mais que a verdade.

 

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