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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

A 31 de março de 1848 ocorreram os famosos fenômenos de tiptologia com as irmãs Fox, na cidadezinha de Hydesville, próxima a Rochester, nos Estados Unidos. Pela primeira vez na História, não foram chamados sacerdotes para benzer a casa. Observadores sensatos contestaram a realidade das manifestações e homens de saber e de ciência começaram a pesquisar os fenômenos. A era da razão triunfava sobre os séculos de obscurantismo e de superstições.

 

A família pobre de John Fox era metodista. As meninas Fox eram ainda adolescentes, o juiz Edmund da Corte Suprema dos Estados Unidos, verificou os fatos e sua filha Laura tornou-se médium. Iniciava-se a nova revelação, a Revelação Espírita, que não seria dada por nenhum profeta, mas brotaria dos fatos mediúnicos em todo o mundo, uma revelação universal, não mais pessoal e local, como as do passado.

 

A 18 de abril de 1857, nove anos depois dos fenômenos de Hydesville, o professor Denizard Rivail lançava em Paris O Livro dos Espíritos, baseado em suas pesquisas dos fenômenos espíritas. Assinava o livro com o pseudônimo de "Allan Kardec", nome que possuíra na encarnação anterior entre os celtasm Estava lançada a Doutrina Espírita.

 

A 31 de março de 1869, Kardec falecia em Paris, deixando completa a Codificação do Espiritismo. Cinco volumes de orientação básica, mais três volumes subsidiários e doze volumes da Revista Espírita. Cada volume correspondente a um ano de trabalho paciente e pesquisa profunda. A 31 de março de 1969, o Brasil lançou o primeiro selo postal comemorativo do centenário do passamento de Kardec.

 

Atenção, amigo ouvinte, atenção! As obras completas de Allan Kardec constituem-se de vinte volumes de cerca de quinhentas páginas, em média. Quem não estudar essas obras, não conhece o Espiritismo. Não é fácil conhecer toda ciência que essas obras contêm, mas vale a pena conhecê-las, porque é a ciência que nos revela, através dessas obras, a verdade sobre a Natureza e o destino do homem.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio, produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 153, terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires; locutora: Jurema Iara; sonoplastia: Antonio Brandão; técnico de som: José Milito; gravação dos estúdios da Rádio Mulher, São Paulo.

 

Pergunta 1: O diabo existe?

 

Locutora - Professor, a ouvinte Maria Caerana Ribas, da Rua Borges Lagoa, Vila Mariana, pergunta, primeiro: O papa e os teólogos norte-americanos anunciam que o diabo existe realmente e anda a solta no mundo. O que diz o senhor?

 

J. Herculano Pires - As religiões interpretam a manifestação dos espíritos inferiores como sendo manifestação demoníaca, manifestação do diabo.

 

Na verdade, nós não podemos admitir a existência do diabo sem cair no ilogismo, quer dizer, no campo do absurdo, da falta de lógica. Porque, se o diabo existe como um opositor a Deus, nós então estamos negando a onipotência de Deus, a sua sabedoria suprema e além de tudo, a sua misericórdia e a sua bondade.

 

Diz-se teologicamente que o diabo é um anjo rebelado. Era Lúcifer. Era o anjo mais brilhante e mais sábio do céu, que se encheu de orgulho e se rebelou contra Deus. Esta simples afirmação é ilógica, é inteiramente absurda, nós não podemos admitir dentro da lógica que um anjo que tenha atingido a posição de Lucifer, que se tenha transformado num verdadeiro arcanjo de pureza, de sabedoria e de bondade, se enchesse de orgulho e se revoltasse contra Deus.

 

O orgulho é característico dos espíritos inferiores. Nós podemos encontrar a pessoa mais estúpida, mais ignorante (mais estúpida não no sentido da estupidez comum, mas sim da falta de compreensão das coisas, incapaz de compreender as coisas). Podemos encontrar nessas pessoas mais ignorantes, mais desprovidas, não só de cultura, como também de conhecimento das coisas, de bom senso, encontrar verdadeiros poços de orgulho. São pessoas orgulhosas! Podemos encontrar em pessoas ilustradas, mas moralmente atrasadas, de sentimentos egoístas, inferiores, também verdadeiros poços de orgulho. Mas, não podemos encontrar orgulho, por exemplo, numa figura como São Francisco de Assis, cuja bondade, cuja santidade transparecia em cada um de seus gestos e de suas palavras. Ali não encontramos orgulho, encontramos humildade! A humildade é portanto a característica dos espíritos superiores. Todo espírito arrogante, orgulhoso, é inferior, por mais que ele tenha sabedoria intelectual, falta-lhe o desenvolvimento moral. O Espiritismo nos mostra que a evolução para ser completa tem de ser principalmente nesses dois campos, no campo moral e no campo intelectual. O homem que avança muito no campo do intelecto e não se faz acompanhar de uma evolução moral necessária, pode se transformar no maior criminoso da História, porque não tem o freio moral para controlar o seu egoísmo e o seu orgulho. Mas quando o homem se desenvolve moralmente, ele não tem orgulho, o seu orgulho desaparece, porque o orgulho é simplesmente uma estagnação do egoísmo, e podemos dizer, mesmo, uma inchação do egoísmo. Incha o egoísmo na pessoa, transforma-se, portanto, num elemento patológico aquilo que devia ser um elemento natural da criatura humana.

 

O ego, ou seja, o eu, aquilo que nós somos, se impõe naturalmente diante do mundo. Ele tem de constituir-se num elemento firme, convicto de si mesmo, para poder realizar alguma coisa em frente aos outros e diante do mundo. Mas quando nós saímos dos limites da concepção do eu para aquilo que chamamos egocentrismo, a centralização do ego em si mesmo, então nós estamos no campo do egoísmo.

 

Ora, não podemos admitir que um anjo que havia atingindo o mais alto ponto da evolução espiritual e, portanto, da evolução moral e intelectual, se houvesse enchido de orgulho de tal maneira, que se rebelasse contra o próprio Deus. Começa que isso seria mesmo, do ponto de vista lógico e, portanto, do ponto de vista da evolução intelectual desse espírito, um absurdo. Pois ele sabendo que Deus era o Criador Supremo do Universo e que tinha todo o poder em suas mãos, não poderia rebelar-se contra ele. Assim a concepção do diabo peca por si mesma, logo de início. É absurda! É inaceitável por qualquer pessoa de bom senso! Ora, o que as religiões costumam chamar de diabo não é nada mais, nada menos, de que o espírito inferior.

 

Vamos dizer, por exemplo, para dar um exemplo concreto, um malfeitor, um bandido, um homem acostumado à prática do crime na vida terrena, morre. Seu Espírito passa imediatamente para a vida espiritual, mas passa habitar as regiões inferiores do plano espiritual. As manifestações desse homem não serão benéficas, serão maléficas. O Espírito que passou para lá está formado no bandidismo, na prática do crime, da maldade, do ódio, da vingança. É um Espírito carregado, portanto, de vibrações inferiores. Quando esse espírito se manifesta, ele só pode se manifestar no seu teor, na sua qualidade moral, que é muito baixa. Então as religiões consideram que isso é uma manifestação do diabo.

 

No Espiritismo não aceitamos, absolutamente, isso. Não existem dois seres superiores no Universo, um lutando contra o outro. Deus é único. Precisamos ter essa compreensão, porque Deus é a Mente Suprema que criou o Universo e criou todas as coisas, e Deus, como afirmou São João no seu Evangelho, logo no início, “Deus é amor”. Deus, sendo amor, não pode condenar ninguém eternamente, nem mesmo aquele seu filho que se rebelasse contra ele, como dizem na história do diabo! Não! Deus nunca, jamais, condenou ninguém eternamente e, para mostrar que essa teoria não é apenas do Espiritismo, eu queria lembrar que o próprio padre Chardin, tão considerado hoje no seio da Igreja Católica, ele, que foi combatido inicialmente, quando começou publicar as suas obras, hoje é bastante considerado.

 

Ele, o padre Chardin, ele, Teilhard de Chardin, não concorda com a existência permanente da condenação do diabo e assim nós encontramos, em numerosos teólogos eminentes da atualidade. Homens de pensamento elevado que não se prendem às explicações retrógradas do passado, mas que procuram compreender os problemas espirituais num sentido mais amplo, encontramos tanto no Catolicismo como no Protestantismo, teólogos das igrejas cristãs que não aceitam a teoria do diabo, o dogma da existência do diabo. Assim, nós não podemos aceitar, diante da própria justiça do amor de Deus, que o diabo exista. Ele não existe, o que existe são manifestações de espíritos inferiores, que as igrejas erroneamente tomam por manifestações demoníacas.

 

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Pergunta 2: O senhor acredita em exorcismo?

 

Locutora - A segunda pergunta professor: O exorcismo está agora em moda. Osenhor acredita no exorcismo? Acredita que os padres tenham poder de afastar o diabo de uma pessoa de que ele se apossou?

 

J. Herculano Pires - Eu acredito no exorcismo, como acredito na doutrinação de Espíritos inferiores, nas práticas, enfim, realizadas em todas as religiões e que, no Espiritismo, se tornaram uma prática mais lógica, mais esclarecida, à luz da razão. Práticas essas de afastamento dos Espíritos inferiores que perturbam certas pessoas. O exorcismo é uma prática que vêm, nas igrejas cristãs, como de origem judaica. No judaísmo já se praticava o exorcismo, o afastamento de Espíritos perturbadores, os "dibuk", como eles chamavam em hebraico. Os dibuk eram afastados através de práticas de exorcismo tipicamente judaicas.

 

Não faz muito tempo, na nossa própria televisão, foi exibida uma peça judaica clássica, do teatro judaico, que é "O Dibuk". Esta peça até foi interpretada, no seu papel principal pela Regina Duarte, que fez muito bem o papel da moça tomada pelo Espírito do seu ex-noivo, que não permitia que ela se casasse com outro.

 

O ex-noivo havia morrido e, então, começou acompanhar a noiva e não permitia que ela se casasse com outra pessoa. Os pais dela queriam fazê-la casar com outro, então ele se manifesta para impedir. E levam a moça a uma sinagoga onde, então, o rabino ou, como eles dizem lá, o rebi, pratica o exorcismo, acendendo sete velas pretas, servindo-se da corneta de chifre de carneiro para tocar e espantar o demônio e assim por diante.

 

Mas o demônio, na verdade, não é o demônio. O demônio é o espírito do ex-noivo daquela moça, que estava impedindo que ela se casasse com outro. Ora, essas práticas do Judaísmo vieram para o Cristianismo. Então, existe o exorcismo na Igreja Católica, como existem práticas semelhantes em outra igrejas cristãs.

 

Na verdade trata-se de uma tentativa de afastar, através de certos rituais do culto religioso, os Espíritos inferiores que perturbam e que, muitas vezes, se apossam, por assim dizer, de criaturas humanas, levando-as a práticas completamente fora da razão.

 

Ora, no Espiritismo, nós não adotamos o exorcismo, mas sim, a doutrinação. Porque o exorcismo é o afastamento do demônio, é uma prática violenta pela qual se expulsa o demônio da pessoa perturbada, até mesmo servindo-se, às vezes, de pancadas para que o demônio se retire do corpo do endemoniado.

 

Ora, no Espiritismo, nós não aceitamos o demônio. Não acreditamos na existência do demônio. Para nós, cada Espírito perturbador é uma criatura humana, sofredora, inferior, que precisa de esclarecimento. Então, usamos a desobsessão. A desobsessão é uma prática que corresponde ao exorcismo, mas completamente diferente, porque não há ritual nenhum. Não se acende vela, não se queima coisa alguma, não se serve de instrumento nenhum, de aparelho nenhum exterior. Usa-se apenas a prece e a palavra. A palavra doutrinária. Chamando o Espírito à razão, mostrando a ele o seu engano, a sua situação perturbada, a necessidade dele melhorar, dele pedir perdão a Deus, dele se reintegrar no caminho espiritual, a fim de que ele não só liberte a sua vítima, como se liberte também a si mesmo.

 

Quando se consegue demonstrar isso, a entidade espiritual perturbadora, ela se afasta e, com isso, melhoram-se os dois. Melhora a vítima e melhora o algoz. A tese espírita é de que nós todos somos filhos de Deus e, como filhos de Deus, nós todos temos a herança da eternidade. A vida eterna não é reservada a alguns privilegiados. A vida eterna é comum a todas as criaturas. Deus nos criou para a eternidade. E Deus nos criou para o bem, para o amor e não, para o mal, não para o ódio, não para a vingança. Então, o que nos resta é apenas levar aquela criatura perturbada, ignorante, que se transviou nos caminhos do ódio, levá-la de volta ao caminho claro do amor, da compreensão humana. E quando conseguimos demonstrar a ela, através não só da palavra, como das sensações que ela passa a sentir na companhia dos bons Espíritos que vêm socorrê-la, conseguimos demonstrar a ela que, mudando o seu pensamento e os seus sentimentos, ela se melhora, ela também se sente num plano superior, num plano mais elevado da vida, ela passa a gozar de uma felicidade que nem pensou que existia. Então, é fácil afastá-la. Sem nenhuma violência, sem nenhuma encenação, sem nenhum de todos esses aspectos trágicos que nós vemos, hoje, aí semeados pelo livro O Exorcista e pelas revelações que estão sendo feitas ultimamente, de práticas de exorcismo nos Estados Unidos.

 

Não há necessidade de exorcismo. Não há demônio a exorcizar. Não há Espírito mau, no sentido de eternamente mau, para se afastar das pessoas. O que há são Espíritos inferiores, sofredores, porque todo espírito inferior é tremendamente sofredor, e Espíritos que precisam ser socorridos por aqueles que têm um pouco de Evangelho nos lábios e no coração.

 

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Pergunta 3: Medo do diabo

 

Locutora - Eu lhe confesso, não acredito muito no diabo, mas tenho medo dele. O que será isso, não será uma prova de que o diabo existe? O que devo fazer professor?

 

J. Herculano Pires - A senhora acha que quando a gente tem medo do lobisomem, é prova que ele existe? Quando a gente tem medo da bruxa, é prova que ela existe? Não, o fato de se acreditar em alguma coisa, de se crer nisso ou naquilo, não quer dizer que a coisa seja verdadeira. Há muitas crendices no mundo, muitas, crendices que nada representam, não têm nenhuma ligação com a realidade, a não ser, com a imaginação das pessoas. O fato da senhora ter medo do diabo quer dizer que a senhora leva o diabo a sério, a senhora acha que ele pode existir, a senhora pode ter inclusive relatos de algumas manifestações do diabo que causam susto às pessoas. Eu vou contar uma pequena história à senhora. Dizem que o diabo, quando aparece, dá um estouro e que, nesse estouro, ele lança uma fumaça e que a fumaça tem cheiro de enxofre. No Espiritismo, nas pesquisas espíritas e, depois, nas pesquisas da ciência metapsíquica com o professor Charles Richet, verificou-se essa coisa curiosa: um Espírito para se materializar, se tornar visível e palpável, ele necessita de elementos orgânicos de um médium, esses elementos saem do médium, emanam do corpo do médium numa forma de um fluído e, muitas vezes, de uma pasta leitosa, esses elementos constituem aquilo que o professor Charles Richet, fisiologista, Prêmio Nobel de Fisiologia, chamou de "ectoplasma". Acontece que esse ectoplasma, quando sai em forma vaporosa do corpo do médium, ele sai como fumaça e que esse ectoplasma tem cheiro de ozônio, e o cheiro de ozônio se assemelha muito ao cheiro de enxofre. Então, aí se explicou cientificamente o caso das aparições do diabo: são espíritos que conseguindo a ajuda de um médium de materialização, servem-se do ectoplasma do médium para tentar materializar-se, aparecer e, quando tentam isso, provocam a explosão do ectoplasma e, ao mesmo tempo, o cheiro de ozônio, que se considera, então, como cheiro de enxofre. Mas não é o diabo que está ali, é o Espírito de uma criatura humana ansiosa para se comunicar, de se manifestar com seu semelhante encarnado, de mostrar para as criaturas da Terra que ela não está morta, que ela está viva, mais viva do que nunca. Veja, a senhora, não devemos ter medo do diabo. Devemos confiar em Deus, ter confiança em Deus e amar os nossos semelhantes, mesmo que muito inferiores.

 

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Pergunta 4: Almas purificadas

 

Locutora - Excelentíssimo senhor professor Herculano Pires, envio-lhe o recorte do "Diário de São Paulo" do dia 10 de março de 74, para que o senhor me explique melhor essa questão de almas purificadas. Observe que eu assinalei o local do assunto com um traço. Bento Vicente, Rua Registro, Vila Palmeiras.

 

J. Herculano Pires - Eu vejo aqui que se trata do soneto de Silva Ramos. "Culpas" é um soneto psicografado por Chico Xavier explicando o desastre, a explosão no aeroporto de Orly, na França, do avião DC10, em Paris, aquele avião em que pereceram 345 pessoas numa explosão. Ora, o nosso poeta Silva Ramos, através do Chico Xavier, deu uma explicação através de um soneto, aliás, uma explicação tão bonita, que eu vou pedir à Iara, à Jurema Iara, que leia esse soneto para nós no microfone.

 

Leitura de Soneto - Culpas
A natureza aponta a culpa que começa:
Em cidade praiana, a legião pirata
Desembarca, saqueia, humilha, fere, mata...
Por nada se detém, por mais que se lhe peça...
Quantas vidas ao mar sob golpes à pressa!...
Incêndios e orações no horror que se desata...
Depois, vinho e prazer, os botins de ouro e prata
E as horas avançando ao tempo que não cessa...
Os séculos se vão marchando em luz e treva...
Um dia, em mar aéreo, enorme nave leva
Os piratas de outrora e a justiça divina...
Surge a morte no ar... A aflição se renova...
Preces, gemidos e ais de coações em provas...
E a natureza apaga a culpa que termina.

 

J. Herculano Pires - Não sei se o ouvinte captou bem a síntese extraordinária que esse soneto representa, pegando a invasão de piratas na cidade da costa francesa, isso, naturalmente, há quatro, cinco, séculos atrás, quando os piratas dominavam os mares e, vindo dali para o momento em que a nave explode no ar. O Jumbo, o DC10 explodiu no ar com toda aquela massa de passageiros e tripulantes, mas é muito interessante notar o seguinte: o soneto começa assim, "a Natureza aponta a culpa que começa", e termina assim, "e a Natureza apaga a culpa que termina". Quer dizer, com essa explosão, com essas mortes, a culpa daqueles piratas desapareceu. Então, a culpa que termina na Natureza, num acontecimento da Natureza, não mais no mar de águas, mas num mar aéreo, segundo disse aqui o poeta. Pois bem, o nosso consulente pergunta o seguinte: no comentário feito a respeito desse soneto, o comentário tem um trecho que diz assim, "as vítimas de hoje são almas purificadas que se redimem por vontade própria, não são mais criminosas, são heroínas da evolução". Foi o que o nosso ouvinte não entendeu, como podem ser almas purificadas, essas almas que foram sacrificadas num desastre violento? É preciso compreender o seguinte, as almas se purificam pela evolução. Essas almas, quando nós dizemos assim, que elas foram sacrificadas em virtude de crimes praticados no passado, as pessoas logo pensam, "então elas são criminosas". Os familiares se arrepiam, "mas Fulano era uma pessoa tão boa, como pode ter sido um criminoso?" Como será um criminoso, dessa maneira? Então, é preciso explicar-se às pessoas que os crimes praticados a quatro, cinco séculos passados atrás, esses crimes vêm sendo purificados, quer dizer, vêm sendo pagos pelos criminosos, através de vidas sucessivas. Mas chega um momento final, um momento em que a conta tem que ser liquidada. Esse momento é aquele em que as pessoas se entregam ao sacrifício supremo. Assim como elas incendiaram, queimaram vivas muitas pessoas, elas também querem ser queimadas vivas. Nnão é que Deus exija isso delas, não. Isso é um problema de consciência, a própria consciência da pessoa que evoluiu, que se aprimorou moralmente e que olha para trás e vê, na sua vida passada, aquele quadro dantesco. Essa consciência exige, para se livrar do peso, da dor, do sofrimento, da angústia, exige: "eu quero passar por uma coisa dessas". E então passa, submete-se a essa situação por vontade própria. Vem daí o heroísmo dessas almas. Elas, então, deixam de ser criminosas, purificam-se desse crime. Não quer dizer que elas estejam totalmente purificadas. Purificam-se desse crime, desse pecado por assim dizer, que cometeram e, uma vez libertas, purificadas disso, estão prontas para prosseguir na sua evolução, sem aquele peso na consciência. Então, por isso que dizemos que elas já não são mais almas criminosas, são almas purificadas, avançando no campo da evolução.

 

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Pergunta 5: Livre-arbítrio

 

Locutora - Professor, Ana Maria Henrique, da Avenida Diretriz, Vila Penteado, pergunta: primeira, podem os Espíritos mais evoluídos, com a permissão de Deus, cortar o livre-arbítrio de um outro Espírito, sendo que esse último espírito seja desobediente?

 

J. Herculano Pires - Cortar o livre-arbítrio não pode. Nenhum Espírito, cortar o livre arbítrio de outro e Deus não permite isso. O livre-arbítrio é uma concessão natural que Deus faz a todas as criaturas, para que elas possam evoluir. Sem liberdade de ação, não há responsabilidade. Sem liberdade, ninguém é responsável. Se alguém faz um ato por ordem de outro, o responsável é aquele que ordenou, embora a responsabilidade recaía em parte sobre o que praticou. Então existe uma duplicidade de responsabilidade. Mas quando a responsabilidade é total, cortou-se o livre-arbítrio da pessoa, ela não pode fazer nada, tem de obedecer, apenas. Então, a responsabilidade é apenas de quem ordenou. Ora, Deus não concede isso. O que ele concede ao Espírito superior, é o direito de educar, de corrigir, de ensinar o Espírito inferior e nós sabemos que essa educação, segundo a definição básica de Educação, é sempre um ato de amor e, não, de violência. Não é, portanto, cortando o livre-arbítrio de um Espírito, que o Espírito bom vai agir, é procurando dar-lhe a compreensão, impedindo-o naturalmente de praticar uma ação má, mas sem o despojar do livre-arbítrio, sem lhe cortar o livre-arbítrio. Ele continua querendo fazer o mal, pode não fazer porque o outro impede, mas o impedir não é cortar o livre-arbítrio. Não sei se a senhora entendeu, o livre-arbítrio é um patrimônio do Espírito, indispensável à sua evolução.

 

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Pergunta 6: Recompensa Divina

 

Locutora - A segunda pergunta: uma pessoa que dedicou-se à causa espírita por mais de quarenta anos e, no fim da vida, perde a memória, a ponto de não ter liberdade de ação, não seria uma espécie de injustiça?

 

J. Herculano Pires - Não há injustiça na Lei de Deus. O fato de uma pessoa haver se dedicado durante quarenta anos à prática do Espiritismo ou à prática do Catolicismo, ou do Protestantismo, ou de qualquer religião, não concede privilégio a ninguém. Deus não dá esses privilégios. Deus não se interessa pelas nossas opções, aqui na Terra. Se eu quero ser espírita ou quero ser católico ou quero ser protestante, isso é problema do meu livre-arbítrio. Se eu quero me dedicar ao trabalho nesses campos, esse também é do meu livre-arbítrio. Eu me dedico ou não, se quiser ou não. Agora, a recompensa que eu tenho no Bem, é o próprio Bem que eu recebo. Se eu pratico o bem, realmente com a intenção pura de praticar e, não, com o objetivo secundário de obter um privilégio de Deus. Então, eu posso receber muitas graças nessa prática, porque ela realmente me põe em condições de ser beneficiado por Espíritos superiores. Mas se eu tenho um carma, se eu tenho um problema grave de vidas anteriores, que eu tenho de pagar nessa existência, e se eu, como espírito, me comprometi do lado de lá da vida, antes de me encarnar, que iria pagar aquela dívida nessa existência, isso é, como dizem os Espíritos superiores, ninguém desvia o Espírito desse pagamento. A pessoa passou quarenta anos de prática religiosa boa e pura, mas tem de passar um, dois, três, quatro, cinco, dez anos em estado de perturbação mental, ele sofre essa perturbação. Isso não diminui nada, a sua virtude, os seus méritos. É apenas um resgate que ele está fazendo, de coisas anteriores, de vidas passadas que ficaram lá longe, mas que ele precisava evoluir para poder compreender que devia pagar. Não sei se a senhora pode compreender bem isso, por exemplo, um criminoso que pratica um crime em estado de completa ignorância, de barbárie, ele é um bárbaro. Um indivíduo que não teve educação nenhuma, ele não compreende bem a extensão daquele crime, mas, depois, ele vai para uma penitenciária, onde existem cursos, onde há um processo de educação e ele se educa, ele se reforma. Então, ele adquire conhecimentos que ele não possuía. Só então é que ele vai se lembrar daquele crime e compreender o que ele fez. Aí é que ele vai ter o senso de responsabilidade daquilo que praticou, isso acontece com Espírito também. O espírito, numa vida anterior, fez um crime bárbaro. Ele não estava ainda em condições de compreender aquilo, passa por várias reencarnações, chega numa reencarnação em que ele está mais aprimorado, em que ele evoluiu, em que ele compreenda as coisas de um ponto de vista maior. Lá no mundo espiritual, ele tem consciência de que praticou aquele crime bárbaro. Então aquilo pesa na consciência dele, ele quer pagar. É o caso do soneto que nós lemos ainda há pouco. Então, ele pede para vir passar, aqui na Terra, por aquilo mesmo que ele fez os outros passarem, porque só assim ele se alivia. É um problema dele, não é um problema de Deus, Deus não está cobrando nada. Deus não cobra nada de nós. É um problema do próprio Espírito, ele está pagando para ele mesmo. Assim, não podemos absolutamente ter a ideia de que o indivíduo por que fez isso, fez aquilo, não devia sofrer isso ou aquilo. Os sofrimentos decorrem de nossas ações anteriores e de decisões conscientes do Espírito, antes de se encarnar.

 

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Pergunta 7: Feminino X Masculino

 

Locutora - Professor, o ouvinte Carlos Pivato, da Lapa, pergunta: o Espírito que teve diversas vezes na Terra, na condição de homem e vice-versa, e que esse mesmo Espírito deverá mudar de sexo, obedecendo a lei de causa e efeito. É natural que esse Espírito passe por uma transformação física e moral. Agora, o que eu gostaria de saber é como se processa a metamorfose, em detalhe. E os portadores de desvio sexuais, teriam eles passado por um processo a meio termo?

 

J. Herculano Pires - Há pessoas que querem ligar os problemas de desvios sexuais ao problema da reencarnação. Eu considero isso simplesmente absurdo. A reencarnação é um processo em que o Espírito volta à condição humana na Terra. O espírito é um só, tanto Espírito do homem, como da mulher. Não há sexo no Espírito, no sentido humano, no sentido do sexo material, físico. O Espírito é um só, ele pode se encarnar como homem ou como mulher. Claro que um Espírito que se encarnou como mulher tem uma experiência feminina na Terra, a diferenciação é necessária, justamente, para que as experiências também sejam diferenciadas. Mas esse Espírito, depois de encarnar-se como mulher, ele pode voltar como homem, na outra encarnação. Não é necessário nenhuma transformação no seu Espírito, porque o sexo no corpo material é uma função do organismo material e, não, do Espírito. O Espírito anima aquele corpo com os seus sentimentos, com a sua moral, por que haveria modificações morais entre o homem e a mulher? A moral é uma só tanto para o homem, como para a mulher. Então, o Espírito vem fazer uma experiência de que ele necessita para um aprendizado ou um aprimoramento. Por exemplo, podemos dizer assim, de uma maneira mais ou menos sistemática, podemos dizer que, no homem, o Espírito se encarna, pelo menos na sociedade em que vivemos no mundo, se encarna com a finalidade de fazer experiências de tipo viril, fazer experiências referentes às posições do homem na vida social. Na mulher, ele se encarna com a finalidade de desenvolver a afetividade, o amor, o sentimento, a ternura, a bondade, porque a mulher é mãe, a mulher é aquela que vai cuidar dos filhos que vão nascer, vai encaminhá-los na vida, vigiá-los como um anjo protetor vigia os seus protegidos. Então, a experiência feminina tem uma grande importância para o Espírito, no campo do desenvolvimento afetivo, enquanto a experiência masculina é importante no campo daquilo que nós podemos chamar as virtudes viris, as posições enérgicas do homem na vida, para enfrentar problemas. Mas isso tudo não se relaciona diretamente com a função sexual em si, que é um problema puramente animal do homem quando encarnado. O que o homem aprende naturalmente, numa e noutra encarnação, é superar essas condições inferiores e poder controlar o problema sexual como Espírito que ele é. É é para essa finalidade que ele vem e não tem que passar por metamorfose nenhuma especial.

 

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Pergunta 8: Ramatiís

 

Locutora - Professor, o ouvinte Olívio Segato, Rua Visconde de Cavalcante, pergunta: tem um livro cujo título é "Curiosidades, assuntos gerais", de Valdomiro Vidal, e que diz: "é profundo nosso respeito por todas as crenças religiosas, não podemos deixar de difundir assunto transcendental como este, especialmente destinado à meditação daqueles que têm pendor peca parte científica do Espiritismo" e relata, a seguir, uma comunicação mediúnica recebida em Ivaí, Estado do Paraná, pela médium senhora Guilhermina Drichel, em 1925, sendo espírito comunicante o monge Ipering Vois, martirizado e queimado na fogueira de Tribunal de Inquisição, em Bruxelas, em 1523. Comunica a existência de habitantes do Sol, a seguir, sobre o mesmo assunto, com comunicação de algumas páginas, o livro apresenta descrição feita pelo Espírito de Ramatís, datada de 13 de abril de 1954, no mesmo centro, confirmando a existência de seres no Sol. Sobre Ramatís, ouvi seu parecer diversas vezes. Qual sua opinião sobre esse assunto, prezado professor?

 

J. Herculano Pires - O assunto é o mesmo, é o assunto ramatisiano. Kardec explicou suficientemente, numerosas vezes, que o Espiritismo é a ciência do espírito. O Espiritismo não é Astronomia, nem é Astronáutica. O Espiritismo, naturalmente, precedeu a era astronáutica, com afirmação da existência da pluralidade dos mundos habitados, porque isto faz parte da Doutrina, é princípio doutrinário. Para o Espiritismo, a Humanidade não é apenas terrena, ela é cósmica, ela existe em inumeráveis mundos semeados pelo Infinito. Ora, isto é um princípio doutrinário. Mas o Espiritismo não vai investigar, não vai querer superar as pesquisas da Astronomia, da Astronáutica, para dizer "este mundo ou aquele é habitado desta ou daquela maneira". Vários espíritos se comunicaram, dando informações a Kardec sobre habitação dos mundos no espaço. A maioria dessas comunicações, Kardec simplesmente rejeitou. Ele aceitou algumas comunicações, que pareciam mais lógicas, mais claras, mas apenas as menciona como um exemplo de como os Espíritos podem trazer certas informações curiosas para nós. Mas não as admitiu como absolutas, como decisivas, e não incluiu essas comunicações no sistema doutrinário, não fez delas um princípio, porque ele mesmo dizia nós podemos cuidar de muitas coisas, dirigir a nossa observação para vários planos da Natureza, para várias direções da vida, mas precisamos compreender sempre que o Espiritismo é ciência do Espírito, ele trata da natureza dos Espíritos, da sua possibilidade de comunicação, do seu destino, das relações do Espírito com os homens e, consequentemente, na proporção em que o Espiritismo avança, das relações do Espírito com Deus. Mas fora disso, as demais informações são secundárias, são adjetivas, não são substantivas. Elas não têm importância fundamental. Os Espíritos, que vêm dizer coisas assim, que há habitantes no Sol, que há habitantes na Lua, e assim por diante, são aquilo que nós aqui na Terra chamaríamos de "xeretas", pessoas que se metem no que não é da conta, que querem fazer xeretice, querem fazer mexericos, mexerico cósmico, dizendo "lá no Sol existem tais e tais habitantes". Nós não temos capacidade para saber disso, a não ser quando as ciências se desenvolvam suficientemente, para nos colocar em face da realidade no plano cósmico. Por enquanto, ainda estamos apalpando nesse caminho e devemos rejeitar todas essas comunicações, porque elas começam com informações, primeiramente suaves, pequeninas, como que insignificantes e, depois, vão se ampliando como uma bola de neve, vão crescendo na proporção em que a bola vai rolando, até chegar aos maiores absurdos, como chegou em Ramatís. Nós não podemos aceitar isto, médiuns que falam, que anunciam populações cósmicas nesse ou naquele planeta, isso existe em quantidade. Essas informações mediúnicas não têm valor nenhum, porque não podem ser provadas de maneira alguma. Deixemos isso tudo de lado e tratemos de estudar o Espiritismo naquilo que ele nos interessa, naquilo que ele nos oferece para o nosso desenvolvimento moral e espiritual. Quando nós estivermos em condições de investigar essas coisas, então, poderemos fazer. No momento não estamos, nem os próprios cientistas estão.

 

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Pergunta 9: André Luiz

 

Locutora - A segunda pergunta professor: A pessoa que está iniciando sua caminhada dentro do Espiritismo, frequentando um centro bem orientado, participando de aulas sobre orientação a médiuns, a que momento estaria, de modo geral, apta a ler obras de André Luiz, tais como “Nosso Lar”, “Os Mensageiros”, etc? Faço essa pergunta pois tenho lido essas duas obras e achado maravilhosas. J. Herculano Pires - É muito bom que as pessoas primeiro leiam Iniciação Espírita, de Allan Kardec. Depois de lerem esse livro de Kardec, Iniciação Espírita, tome nota, é muito importante, Iniciação Espírita, depois de lerem isso, de compreenderem a doutrina, aí elas podem ir ler André Luiz.

 

* Este livro é atualmente publicado com o título "Introdução ao Espiritismo", pela Ed. Paidéia.

 

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O Evangelho do Cristo, em espírito e verdade.

 

Abrindo o Evangelho ao acaso encontramos o seguinte, II Epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo primeiro, versículos 6-7: "Mas se somos atribulados é para o vosso conforto e salvação, se somos confortados é para o vosso conforto, o qual opera no suportar com fortaleza os mesmos sofrimentos que nos também sofremos, a nossa esperança por vós é firme, sabendo que como sois participantes dos sofrimentos. Assim também o sereis do conforto."

 

Esse trecho da II Epístola de Paulo aos Coríntios mostra-nos a preocupação do apóstolo com a igreja nascente de Corinto. Nós sabemos que Paulo dirigia as suas cartas aos cristãos que estavam desenvolvendo novas igrejas, novas comunidades. Lembremos de que igreja não quer dizer, propriamente, aquilo que nós hoje consideramos, ou seja, o prédio de uma igreja ou a igreja constituída como uma instituição específica. Igreja é simplesmente uma assembleia, uma reunião de cristãos é uma igreja cristã. Assim, a igreja cristã primitiva era considerada por Paulo com muito cuidado, como aquelas sementes que estavam semeadas no mundo, para que o Cristianismo pudesse nascer ,e ele cultivava essas igrejas com tanto carinho, que escrevia essas cartas a todas as igrejas, sempre precedendo as suas idas até lá, afim de que elas pudessem compreender melhor a importância, o significado do Cristianismo. Então, Paulo fala aí das dificuldades que ele enfrentou na pregação, dos sofrimentos, das provações por que passou, e diz que todas essas torturas passadas por ele e pelos seus companheiros, como Timóteo, que andava com ele, deviam servir de prova para aqueles que estavam na igreja, para que eles se lembrassem que, se eles tinham provações, também os outros, os apóstolos estavam passando provações por eles, mas que de toda provação vinha depois a compensação. A compensação que era dada pelo conforto, como ele diz, o conforto de saber que a gente, depois de haver passado pelo sofrimento, recebe a graça, o prêmio daquilo que fez, do esforço que realizou. Não quer dizer que Deus exigisse de nós o sofrimento para nos dar a graça, mas quer dizer que todo aquele que se esforça, todo aquele que se sacrifica tem o seu mérito pessoal no assunto e, então, aquilo que os apóstolos sofriam, deviam servir de esclarecimento e orientação e, principalmente, de exemplo para aqueles que estavam sofrendo dentro das próprias igrejas.

 

Se uma igreja, e só ela, tem o privilégio de salvar os que aceitam os seus dogmas, o que Deus fará da imensa maioria que não segue essa igreja? Mandará a Humanidade para as chamas do inferno? Mas que Deus seria esse, que concede privilégios a meia dúzia dos seus bilhões, trilhões de filhos, um Deus-pai ou um Deus-padrasto?

 

No Limiar do Amanhã, a evolução é a salvação para todos.

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