Portuguese English Spanish

A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço. Setembro é o mês da renovação. Vai-se o inverno com suas névoas e chega a primavera com suas flores. Por isso, os Nunes Tutelares da nossa Terra fizeram cair nesse mês a data da Independência. A sete de setembro de 1822 encerrava-se o ciclo da dominação estrangeira ante a proclamação de Dom Pedro I inspirado por Tiradentes. Juntava-se o espírito do proto-mártir ao príncipe encarnado, afugentando as névoas da sujeição política para que raiasse a primavera da liberdade em nossa pátria.

 

Setembro começa sob o signo do entusiasmo patriótico. O Brasil livre que surgiu no Ipiranga avança agora para a liderança do mundo, e fiel à sua vocação libertária, o Brasil não se destina à liderança da força, mas à liderança do amor, da cultura e da paz. O gigante levanta-se do berço esplêndido com a primavera nos braços. Coração do mundo e pátria do evangelho redivivo, ostenta no céu a cruz de estrelas do cruzeiro, convidando todos os povos para a era do espírito. Um novo céu e uma nova terra se acendem no infinito.

 

Tenhamos confiança em nossa terra e em nossa gente, confiamos em nós mesmos, em nossa capacidade de amar e compreender, de sonhar e realizar. Jesus está no leme, como ensinou o poeta Ciro Costa. A bênção de Deus nos chega do infinito num gesto de estrelas. Os últimos serão os primeiros no banquete do rei. As raças em fusão produziram uma nova raça, liberta dos olhos fratricidas e dos preconceitos humilhantes. Somos todos irmãos e como irmãos, caminharemos de mãos dadas para o mundo da regeneração no futuro. Estas não são palavras vazias, mas carregadas pelo sopro do espírito. As vozes de todos os que sonharam com um mundo de paz e amor proclamam através das clarinadas mediúnicas o advento da nova era. Das terras brasileiras surge um novo homem, uma nova sociedade, uma nova cultura. Desponta no horizonte um novo sol, anunciando a civilização do espírito.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 128, terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Oração ao céu do Brasil.

 

Dom Pedro, príncipe regente, proclamou a independência e tornou-se o nosso primeiro imperador. Seu filho ilustre, Dom Pedro II, consolidou o império do Brasil, preparando-o com seu espírito democrático para a grande republica federativa do futuro. O segundo império chegou a ser chamado por um dos nossos historiadores de Democracia Coroada, e Dom Pedro II mereceu a alcunha de Marco Aurélio Brasileiro, por sua cultura e seu amor às letras e às artes. É de sua autoria o soneto “Oração ao Céu do Brasil”, recebido mediunicamente por Chico Xavier e que vamos ouvir na interpretação de Rubens Wagner nestas vésperas da semana da pátria.

 

Céu do Brasil, da glória em que te estrelas
na mensagem de paz ao mundo inteiro,
uarda os astros sublimes do cruzeiro
or nossas avançadas sentinelas.
ecebe as nossas suplicas singelas
derrama no solo brasileiro
as bênçãos do divino timoneiro,
as quais [inaudível]que constelas.
Faze da terra que nos abençoa
florão de amor e rutila coroa
para o trono do bem puro e fecundo.
Faze-nos no imenso campo humano
servidores do Cristo soberano,
no iluminado coração do mundo.
Se Israel teve o ser rei cantor, o Brasil teve o seu imperador poeta, e o fato de Dom Pedro II continuar enviar-nos do além os seus poemas de louvor ao Brasil, demonstra que ele permanece fiel ao amor que devota à nossa terra, hoje como Nume tutelar da pátria brasileira.

 

Agripino Grieco e Chico Xavier.

 

O falecimento de Agripino Grieco no Rio de Janeiro no sábado passado lembra-nos as suas relações muito breves, mas bastante significativas, com Chico Xavier. O médium havia recebido mensagens de um Humberto de Campos. Agripino, que era um crítico literário penetrante e irreverente, pôs em dúvida o fato e quis ver de perto o que se passava com Chico. Agripino encontrou-se com Chico Xavier em Belo Horizonte. Chico recebeu, diante dos olhos assustados do crítico, uma extensa mensagem de Humberto de Campos. O estilo era o mesmo do escritor falecido, a letra se assemelhava, embora aumentada pelo microscópio mediúnico. E Humberto relatava os encontros de ambos nas portas das livrarias no Rio, único lugar em que se encontravam. Agripino Grieco ficou estarrecido e não teve dúvidas em afirmar que se tratava de Humberto de Campos. Era cético, jamais admitira comunicações do além, zombara de Chico e de suas mensagens. Irônico e mordaz, não perdoara a ingenuidade do caipirinha mineiro de Pedro Leopoldo, mas era honesto. E agora, diante da surpresa, não podia negar a verdade. Anos depois, nos encontramos com Agripino Grieco e lhes desfechamos a pergunta a queima roupa: como foi o seu encontro com Chico Xavier em Belo Horizonte? O crítico não se perturbou. Sorriu e explicou: um caso curioso, não sei nada de espíritos e espiritismo, só posso dizer uma coisa, é que Humberto de Campos estava ali e escreveu aquela mensagem. Como? De que jeito? Isso eu não sei. Mas que era ele, disso não tenho dúvidas. Agripino Grieco, agora no além, vai saber como e porque Humberto de Campos esteve ali naquele encontro com Chico Xavier em Belo Horizonte.

 

Perguntas e respostas. Mande-nos suas perguntas por escrito, ouça as respostas com atenção e se descordar delas, escreva-nos contestando. Estamos no ar para manter um diálogo radiofônico.

 

Pergunta nº 1: Kennedy e Lincoln

 

Locutor - Professor, nosso ouvinte Renato Moretti pergunta: em relação aos dois presidentes dos Estados Unidos, Kennedy e Lincoln, não pode ter sido a reencarnação do assassino do presidente Lincoln que pediu para voltar ao mundo para ser presidente com o nome de Kennedy para resgatar o erro que ele cometeu no passado? Quem pode determinar a nossa vida? É só Deus? E também: quando devemos partir para o mundo espiritual?

 

J. Herculano Pires - Não há dúvidas, senhor Moretti, Deus é quem determina tudo, mas é preciso compreendermos o seguinte: nós não devemos estar procurando nos aprofundar na possível descoberta de certos segredos, de certos mistérios que não competem a nós. Porque motivos havemos de pensar que Kennedy foi o assassino de Lincoln? Apenas porque há algumas coincidências entre as vidas de ambos? Não. O espiritismo não se baseia assim em coisas tão fortuitas. É preciso que tenhamos a compreensão do espiritismo de uma maneira mais sólida, mais profunda, lembrando-nos de que os fatos espíritas foram apurados por Kardec através de pesquisas científicas rigorosas durante mais de quinze anos. Ora, essas pesquisas levaram então a estruturação de uma doutrina séria que deve procurar, acima de tudo, conduzir-nos a uma compreensão nova do homem, do mundo, da vida, do universo e de Deus. Não devemos nos preocupar dessa maneira, porque insistem vários de nossos companheiros, nossos confrades, no esclarecimento, na tentativa de esclarecimento de certos problemas que não nos competem. A vida de Kennedy, a vida de Lincoln, os problemas que ocorreram nessas duas vidas competem exatamente àquilo que o senhor falou, exatamente de acordo com aquilo que o senhor falou, competem a Deus e não a nós. Deixemos esses problemas de lado, procuremos compreender o espiritismo na sua realidade objetiva, procuremos aplicá-lo à nossa vida. Isso é o que nos interessa.

 

Download

 

Pergunta nº 2: Seicho-No-Ie

 

Locutor - Professor, a ouvinte Ana Conteras, do Brooklin, pergunta: qual a sua opinião a respeito de Seicho-No-Ie? É válido? J. Herculano Pires - Nós gostamos muito de enfrentar aqui neste programa os problemas espíritas. É verdade que às vezes respondemos sobre questões referentes a outras religiões, mas não compete a nós estar dizendo se esta religião ou aquela é válida. Seicho-No-Ie é, segundo me parece, uma seita japonesa. Agora, em virtude da grande influência dos japoneses aqui no Brasil, nós temos já não mais somente as importações de seitas norte americanas. As seitas norte americanas, como sabemos, são exportadas dos Estados Unidos para o mundo em grande quantidade. E aqui no Brasil elas provocaram uma verdadeira invasão. Nós temos todas as novidades, as mais recentes dos Estados Unidos em matéria de ciência, de seitas religiosas. Mas agora temos também as seitas japonesas. É uma espécie de concorrência do Japão com os Estados Unidos. Não nos interessa aprofundar o conhecimento ou avaliar a validade ou não dessas correntes. São correntes de pensamento. Todas as criaturas humanas têm a liberdade de pensar, tem o direito de escolher aquilo em que querem crer e a maneira porque devem se dedicar a certos problemas espirituais. Nós não iremos, naturalmente, responder a pergunta de maneira afirmativa. Diremos apenas o seguinte: é ponto de vista do espiritismo que todas as religiões, todas as seitas, todas as crenças, desde que praticadas com lealdade, com sinceridade, elas são válidas. São válidas para aqueles que as praticam e podem auxiliar aqueles que as praticam a realmente evoluírem espiritualmente. O espiritismo não tem objeção a nenhuma seita religiosa que seja sinceramente seguida pelos seus adeptos.

 

Download

 

Pergunta nº 3: Juízo final

 

Locutor - Professor, nosso assíduo ouvinte, Olívio Segatto, pergunta: quando os desencarnes são provocados pelo homem, como nos casos de suicídio e homicídios, o dia final pela justiça divina seria outro? Ou esses espíritos teriam que passar por essa situação para acerto de contas em relação a existências anteriores?

 

J. Herculano Pires - Naturalmente o senhor está se referindo ao juízo final, porque pelo que eu vejo aqui, o senhor pergunta se essas criaturas que foram mortas, assassinadas, elas estão sujeitas a ficar esperando um determinado juízo final. Na verdade, nós já esclarecemos aqui neste programa que, de acordo com o espiritismo, o juízo final não é coletivo, o juízo final é individual. Todos nós temos o nosso último dia. Neste último dia, ao passar pela porta da morte, nós nos encontraremos diante de um tribunal que nos vai julgar. Esse tribunal que nos vai julgar não é absolutamente um tribunal mitológico, formado por entidades espirituais que lá estejam exigindo as nossas explicações a respeito da nossa vida. Não. O tribunal perante o qual nós nos encontraremos é a nossa própria consciência, porque a nossa própria consciência é que nos julga. Nós sabemos que na Terra temos a voz da consciência. Conhecemos este problema muito bem. Quando fazemos o bem, esta voz nos aprova, quando fazemos o mal, ela nos condena. Mas aqui nós não estamos diante do tribunal que está julgando em última instancia; estamos apenas diante de um tribunal que procura nos ajudar a acertar, que nos dá conselhos, que nos dá informações, que nos orienta. Mas quando nós terminamos a nossa tarefa terrena, quando vencemos a etapa necessária à nossa existência evolutiva aqui na Terra, então nós vamos nos defrontar no juízo final, que não é evidentemente o final absoluto, mas sim o final de uma vida; nós vamos enfrentar o tribunal da consciência que exigirá de nós, dentro de nós mesmos, uma correção daquilo que fizemos errado, uma reparação daquilo que de mal nós fizemos aos outros e assim por diante. Kardec explica, por exemplo, que o arrependimento, quando nós cometemos alguma falta, é o primeiro passo para a sua reparação. Mas o arrependimento em si não é suficiente para nos aliviar da falta cometida, para nos livrar das suas consequências. O arrependimento é apenas o primeiro passo. Depois do arrependimento, nós temos que enfrentar o problema da reparação. Quem fez o mal tem de repará-lo. É justamente por isso que temos então as vidas sucessivas, as oportunidades reencarnatórias através das quais nós vamos emendando aquilo que fizemos de errado, vamos reparando os nossos erros do passado e vamos, assim, procurando evoluir não apenas através de uma correção praticamente formal da nossa vida, mas também através da prática do amor, da prática da caridade, a caridade naquele sentido de que falava São Paulo, a caridade como o amor em ação, o amor que une os homens e que estende esta união através de todos os tempos para que os homens possam formar no futuro a grande humanidade espiritual que é o objetivo das nossas existências passageiras aqui na Terra. Assim, o senhor não precisa se preocupar absolutamente com este juízo final. A alegoria do juízo final coletivo estava muito de acordo com o pensamento religioso da antiguidade. Este julgamento coletivo era uma ameaça para conter a falta de moralidade, a falta de respeito humano que havia naqueles tempos. Mas o cristianismo trouxe uma nova mensagem. Esta nova mensagem desperta em nós a moral que não vem de fora, que não nos é imposta por coação, mas a moral que nasce de dentro de nós mesmos através das exigências da nossa consciência. Assim, esta consciência que vai nos julgar, e cada um de nós, tenha sido morto de qualquer maneira, morto na cama por uma doença, morto por um colapso, morto por um acidente, morto por um assassinato, de qualquer maneira que morramos, nós realmente chegamos ao fim de uma existência, porque o momento da morte não é nunca ocasional; ele está determinado no nosso destino, e ao passar para a vida espiritual, nós vamos então enfrentar o julgamento final da nossa existência. Mas outras existências virão e o julgamento final nunca se estabelecerá da maneira alegórica com que nos é apresentada nas escrituras sagradas, porque como nós sabemos, elas são simbólicas, elas contêm alegorias que procuram interpretar para os homens do tempo em que foram escritas aquilo que eles não podiam entender racionalmente, mas que nós, hoje, graças a Deus e graças à mensagem do Espírito da Verdade, estamos em condições de entender.

 

Download

 

Pergunta nº 4: Auxílio aos espíritos

 

Locutor - O mesmo ouvinte pergunta ainda: as preces enviadas aos espíritos desencarnados e que porventura já se reencarnaram, teriam o seu auxílio dirigido ao espírito encarnado em novo corpo?

 

J. Herculano Pires - Não. Quando nós dirigimos uma prece em favor de um determinado espírito, essa prece vai beneficiá-lo. Mas eu entendo que o senhor pergunta aqui se nós, as preces que nós dirigimos aos espíritos desencarnados, no sentido de solicitar proteção, auxílio, amparo, ajuda, qualquer coisa assim, nesse sentido não. No sentido de amparar, de auxiliar o espírito com preces, tanto faz ele estar encarnado como desencarnado. Quando nós oramos, por exemplo, por uma pessoa encarnada, nós estamos orando precisamente em favor de um espírito reencarnado na Terra. Assim, as nossas preces em favor de um determinado espírito que seja nosso amigo, nosso irmão, pessoa querida nossa, essas preces, no caso do espírito já estar reencarnado, servirão para ele da mesma maneira. São uma vibração boa, uma mensagem afetiva que o envolverá, esteja ele no espaço ou esteja ele na Terra e que o ajudará. Quando, entretanto, nós solicitamos ajuda de algum espírito amigo que não está em condições de fazê-lo, porque ele se encontra na Terra reencarnado ou porque mesmo lá na vida espiritual ele não está naquela posição que nós supúnhamos, nós pensávamos “ele foi um bom na Terra; deve, portanto, estar no espaço numa condição elevada e em condições de me auxiliar”, nem sempre ele o está. Nós não sabemos, não conhecemos bem a situação dos espíritos, porque não conhecemos os homens. Por mais que nós lidemos com uma criatura durante anos seguidos e entendamos que ela é a melhor criatura do mundo, é possível que ela tenha dentro de si, que ela tenha no seu passado agravos que não nos é dado perceber, que nós não podemos captar e que ela naturalmente também pode não perceber, não deixa transparecer, não porque seja fingida, não porque seja hipócrita, mas porque isso está armazenado na sua memória profunda, no seu inconsciente e essas coisas podem determinar situações difíceis para o espírito após a morte, na vida espiritual. Então, é possível que o espírito não esteja em condições de nos ouvir. Mas se não estiver, existe aquilo que nós conhecemos como, segundo expressão de Emmanuel, a prece refratada, ou seja, a prece dirigida a um espírito bom, segundo nosso pensamento, embora esse espírito não esteja em condições de recebê-la, ela é atendida por outros espíritos incumbidos precisamente de cuidarem do problema das preces e das rogativas que são enviadas da Terra.

 

Download

 

Pergunta nº 5: Fim do mundo e iniciação ao espiritismo

 

Locutor - Professor, escreve-nos o ouvinte Rafael Pinhatari, da Rua Antônio Frederico, Vila Carioca, e pergunta: de acordo com o que li nas escrituras sagradas, a Bíblia, no capítulo vinte e quatro de São Mateus, que diz o seguinte: nos últimos tempos aconteceria sinais do fim do mundo, isto é, guerras, terremotos, nação contra nação etc. Mas isso também aconteceu em séculos passados. Por favor, explique-me essa parte para que eu fique ciente do que se trata. Findo que existirá mesmo fim do mundo como dizem ou como interpretam certos crédulos no caso? Ficarei também satisfeito em continuar ouvindo os comentários por vossa senhoria. Talvez no futuro eu ingresse no espiritismo, que muito está me interessando. Parece-me mesmo que é o caminho exato da humanidade. Quero muitas explicações sobre espiritismo dentro do possível, é claro.

 

J. Herculano Pires - O seu interesse pelo espiritismo nós podemos dizer ao senhor que é realmente importante para o senhor, mas para que ele produza o efeito necessário, não basta que o senhor esteja nos fazendo perguntas e ouvindo as nossas respostas. Se o senhor se interessar pelo espiritismo realmente, o senhor tem de ler, tem de estudar, porque espiritismo é doutrina, e por mais que nós respondamos as suas perguntas, que procuremos lhe dar um conhecimento espírita, não é justo que o senhor fique procurando um intermediário, quando o senhor pode receber diretamente da fonte. As obras de Allan Kardec são as obras que contêm a doutrina espírita na sua mais ampla extensão. O senhor encontraráali, portanto, explicações muito melhores do que aquelas que nós damos aqui. Nós procuramos aqui apenas auxiliar aqueles que não compreenderam certas partes, certos aspectos, certos problemas das obras de Kardec. Procuramos dar a nossa ajuda nesse sentido, mas, na verdade, recomendamos sempre, constantemente, a leitura e o estudo das obras de Allan Kardec. E quero também aproveitar a oportunidade para dizer ao senhor o seguinte: se o senhor está se interessando pelo espiritismo, o senhor evite de começar a ler muitos livros que existem por aí nas livrarias, por toda parte, sobre os mais variados problemas espirituais, mas que não estão dentro da linha, da orientação doutrinária do espiritismo. Isto por quê? Porque a orientação doutrinária do espiritismo é a que melhor se coaduna com aqueles que querem conhecer de fato o problema espiritual em bases racionais. Há muita coisa irracional, ilógica por aí, e muitas vezes em nome do próprio espiritismo.

 

Espiritismo é Kardec. Kardec é espiritismo, não porque Kardec, como homem, como criatura humana tenha criado o espiritismo, mas porque ele foi o intérprete, porque ele foi, como disse Emmanuel, e nós dissemos isso na abertura do programa, Emmanuel classificou Kardec como um dos mais lúcidos discípulos de Jesus, enviado à Terra para fazer a codificação da doutrina espírita no momento oportuno, quando o desenvolvimento das ciências criou, na mente do homem, condições para entender os fenômenos espíritas. Porque antes dessa época, todos os fenômenos espíritas foram sempre interpretados como coisas sobrenaturais ou então como acidentes patológicos, doentios da criatura humana, alucinações e coisas semelhantes. Ora, era necessário arejar a mente humana, era necessário tirar da mente humana os resquícios de todas as superstições e de todas as magias do passado para que a mente humana pudesse encarar objetivamente, logicamente os problemas do espírito.

 

Até hoje, como nós vemos, é um pouco difícil encontrar nas criaturas essa disposição mais séria e mais objetiva no tocante aos problemas do espírito. Há sempre uma nebulosa ou muitas nebulosas turbando a mente humana, impedindo-a de olhar com firmeza o fenômeno espírita. Por isso mesmo, o senhor se interessando pelo espiritismo tem de ler, de estudar as obras de Allan Kardec. Nessas obras, temos primeiro a investigação científica dos fenômenos; depois a pesquisa das explicações dadas pelos próprios espíritos. Essas explicações são passadas por Kardec, como ele costuma dizer, pelo crivo da razão. Depois de racionalmente examinar essas explicações e de confrontá-las com experiências que ele realizou e que todos nós podemos realizar hoje, porque os seus métodos de pesquisa foram expostos por ele minuciosamente, depois disto é que ele viu o que podia aceitar e o que não podia aceitar. Assim, o senhor tem de enfrentar o problema dessa maneira, encarando-o com essa seriedade e essa objetividade que o pensamento científico dos nossos dias requer, exige e que nós precisamos atender.

 

No tocante a esse problema do fim do mundo, nós sabemos que existiram muitas profecias sobre o fim do mundo em todos os tempos, desde muito antes de Jesus, muito antes da revelação cristã já se falava em fim do mundo, e continua a haver coisas assim. De vez em quando surge uma profecia alucinante. O mundo vai acabar no ano 2000, o mundo não passará do ano 2000. Nós devemos nos lembrar de que quando chegamos ao final do ano 1000, de acordo com que a história nos revela, houve também este mesmo problema. Muita gente esperava o fim do mundo na transição do primeiro milênio para o segundo milênio da era cristã. Entretanto, a passagem de um milênio para o outro foi tranquila, perfeitamente tranquila, só o que não houve de tranquilidade foram os suicídios, os desesperos de pessoas que haviam alimentado a ideia de que naquele momento o mundo ia se acabar. Muitos deles se suicidaram para não ver o fim do mundo. Ora, vemos assim que se trata de uma lenda que vem sendo mantida através dos tempos e que vem sendo principalmente mantida em favor de certas interpretações religiosas dos textos sagrados que não levam em consideração o aspecto alegórico, o aspecto simbólico de muitas passagens desses livros.

 

É claro que o mundo terreno, como qualquer outro mundo material do espaço, pode acabar-se, e chegará forçosamente a seu fim no momento conveniente, no momento em que tiver cumprido a sua missão. Nós sabemos que as coisas materiais não têm uma permanência eterna, elas não se acabam na realidade, não se transformam em nada, porque não há nada no universo. Mas elas chegam a seu término, a seu fim, elas se esgotam e passam por uma transformação. No tocante à Terra, por exemplo, os espíritos anunciaram a Kardec desde os primeiros momentos do trabalho da codificação que a Terra é um mundo em acelerada evolução nesses últimos tempos. Kardec realizou seus estudos em meados do século passado. Naquela época, os espíritos diziam que o mundo nosso, o planeta em que vivemos, estava passando por um período decisivo de transição. Ele ia passar para um mundo melhor, ia deixar de ser esse mundo angustiante de provas e expiações em que nós vivemos, para se transformar num mundo de regeneração. Esse mundo de regeneração é um mundo mais feliz, mais evoluído, em que uma humanidade mais esclarecida procura viver de maneira mais humana na Terra. Nós estamos vivendo, como todos nós podemos ver, num mundo desumano, um mundo de agressões violentas por toda parte, um mundo de desrespeito à criatura humana, aos direitos da criatura humana, um mundo de massacres produzidos pelo próprio homem. As armas de guerra que adquiriram uma eficácia pavorosa são aplicadas indiscriminadamente sobre os povos, de acordo com os interesses das nações mais aguerridas. Nós sabemos que na própria vida comum das criaturas humanas, nós estamos vendo a intensificação do crime, do desrespeito constante às regras de moral e a todas as instituições mais sagradas estabelecidas pelo homem, como reflexo daquilo que vem de mais alto, da vida espiritual. Ora, este mundo, portanto, não é um mundo muito desejável, não é aquilo que nós aspiramos; nós todos aspiramos a uma vida melhor, a um mundo mais tranquilo e mais harmonioso. Para esse mundo nós estamos caminhando. Apesar de todos os tropeços do momento, de todas as crises que atravessamos, nós estamos evoluindo; o mundo está crescendo em cultura, em conhecimento, em esclarecimento e o problema espiritual está sendo colocado, graças ao espiritismo, na pauta dessa mesma evolução.

 

Nós estamos aprendendo a compreender que vida e morte nada mais são do que dois polos de uma coisa só. Nós nascemos para a vida e morremos para uma outra vida. Quando nascemos aqui na Terra, na verdade nós morremos no mundo espiritual. Quando morremos aqui na Terra, nós nascemos no mundo espiritual. E assim, temos de compreender a morte, o nascimento e a morte como dois polos da vida, dois polos através dos quais se processa a evolução do espírito, de acordo com as necessidades de cada um de nós. Assim, não devemos nos preocupar com o problema do fim do mundo. Quando o mundo termina, quando ele chega ao fim, é sempre quando se encerra um período histórico. Por exemplo, quando o mundo clássico greco-romano, o mundo de gregos e romanos no qual, como nós sabemos, fulgurava espiritualmente uma província de império romano esquecida e humilde, obscura, que era a província de Israel onde nasceu o cristianismo, quando este mundo chegou a seu fim, um outro mundo começou, que foi o mundo cristão, o mundo do cristianismo, da civilização cristã. O mundo greco-romano-judeu chegou o seu fim quando se esgotaram as suas possibilidades de auxiliar a evolução da humanidade, quando ele não tinha mais nada a ensinar, mais nada a dizer aos homens. Então uma nova revelação surgiu que foi a revelação cristã. E como escreveu Vitor Hugo no prefácio da sua peça teatral sobre Cromwell, ele ali escreveu o seguinte: que o cristianismo derrubou o império antigo, o mundo antigo; matou esse mundo e sobre o seu cadáver lançou os germes de um novo mundo, de uma nova civilização. Essa é a verdade. Assim, o fim do mundo é cíclico. De acordo com os ciclos evolutivos, o mundo chega, o mundo dos homens chega a um determinado fim. O mundo terreno, o mundo material, a natureza pouco participa disso. Mas quando se encerra um ciclo evolutivo da humanidade, encerra-se também uma civilização, e uma nova civilização nasce. Este é o nosso conceito de fim do mundo.

 

Entretanto, podemos dizer que para cada pessoa que morre, o mundo acabou, o mundo material em que ela vivia, e um novo mundo vai começar também, porque ao passar para a vida espiritual, esta pessoa inicia uma vida nova, num mundo novo. Lembramos sempre, aqui nesse programa, aquelas afirmações enfáticas e brilhantes do apóstolo Paulo, na primeira epístola aos Coríntios: nós temos corpo animal e temos corpo espiritual. Quando morremos, enterra-se o corpo animal e ressuscita o corpo espiritual. Pensando assim, o senhor verá que o fim do mundo nada tem de amedrontador para nós.

 

Download

 

Acorde, amigo ouvinte! Desperte do sono da letra para a alvorada do espírito. Vamos ouvir a mensagem do evangelho.

 

Atenção, amigo ouvinte. Abrindo ao acaso, o evangelho de Jesus, caiu-nos o trecho que vamos ler e será comentado. Nada de sermões, amigo ouvinte, apenas algumas explicações.

 

Encontramos em At, 2:17-21 a seguinte passagem:

 

E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor: que derramarei do meu espírito sobre toda a carne, vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos mancebos terão visões e sonharão vossos anciãos; e sobre os meus servos, e sobre as minhas servas, derramarei do meu espírito naqueles dias e profetizarão; mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo; o sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor; e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.

 

Esse trecho de Atos refere-se a um trecho do sermão de Pedro. O apóstolo Pedro é que estava pregando e fez essas referências, essas alusões ao problema principalmente dos últimos dias. De acordo com o que nós já vimos aqui, os últimos dias se referem, realmente – e a confirmação evangélica aqui está bem clara diante de nós –, se refere a um fim de ciclo da vida terrena, porque na realidade, o que Pedro pregava nesse trecho de sermão era que os últimos dias seriam dedicados ao derramamento do espírito do Senhor sobre toda a carne, segundo a profecia bíblica de Joel. Ora, nós vemos que essa passagem se refere a um momento de acentuada evolução do psiquismo das criaturas humanas, ou seja, a evolução espiritual do homem para ter a capacidade de receber as influências espirituais e interpretá-las através da mediunidade. O derramamento do espírito sobre a carne não é nada mais do que a eclosão mediúnica no mundo, e Pedro anunciou isso como sendo o sinal dos últimos dias. Tanto assim, que ele logo acrescenta que o Senhor derramará o seu espírito sobre seus servos e suas servas e elas e eles profetizarão. Profetizar não é nada mais do que dar comunicações espíritas. Os profetas bíblicos fora médiuns e isso nós podemos ver quando analisamos o próprio sentido da palavra profeta, que não quer dizer absolutamente apenas aquele vê o futuro e aquele que prevê acontecimentos futuros, mas sim aquele que interpreta a voz dos espíritos, os ensinos dos espíritos, que é capaz de falar das coisas espirituais. Os profetas da Bíblia, como nós podemos ver nos próprios livros do Velho Testamento, não são apenas anunciadores de coisas novas que vão acontecer no futuro, mas também orientadores espirituais, pregadores de um elevado tipo de moral, são criaturas que procuram incentivar a evolução espiritual da humanidade. Ora, esta é precisamente a função dos médiuns. A mediunidade, então, se generalizando no mundo, anunciaria o fim de um ciclo evolutivo, que era precisamente o ciclo evolutivo do passado. Nós sabemos que a mediunidade sempre existiu na Terra. Os homens sempre serviram de intérpretes aos espíritos. Quando nós investigamos, por exemplo, a evolução da religião na humanidade, desde os tempos das antigas civilizações orientais e chegamos até o mundo clássico greco-romano, nós vemos que a mediunidade era largamente praticada em todos os povos da antiguidade. E praticada através do que? Através dos oráculos, através das pitonisas, que eram os intermediários dos espíritos, eram os médiuns. A pitonisa, como sabemos, trabalhava com a trípodi, ou seja, a mesinha de três pés, exatamente a mesinha que produziu os primeiros fenômenos espíritas que invadiram a Europa, vindo da América, dos Estados Unidos, através da chamada dança das mesas. Os oráculos eram incorporados pelos deuses, e os deuses dos antigos não eram nada mais do que os espíritos. Quando o deus Apolo, por exemplo, falava através do seu oráculo, era um espírito superior que dirigia, que amparava o povo grego no seu desenvolvimento e através de um médium, que era o seu oráculo, transmitia os ensinos necessários. Assim, nós devemos compreender essa passagem do evangelho, na sua plenitude, como uma anunciação dos novos tempos que iam surgir com a implantação do cristianismo na Terra e o desenvolvimento da civilização cristã baseada fundamentalmente na mediunidade. Porque o próprio Cristo foi quem ensinou e desenvolveu o problema da mediunidade, procurando esclarecer os homens a respeito das comunicações espirituais através dos médiuns. Ele mesmo, dando provas evidentes disto, com o afastamento de espíritos das pessoas obsedadas e também na orientação que ele mesmo, depois de morto, trouxe para os seus discípulos, mostrando que a morte havia sido apenas a do seu corpo material, porque ele, ressuscitado em corpo espiritual, podia comunicar-se de novo com os discípulos.

 

Outra parte final aqui desse trecho é que fala dos prodígios no céu e dos sinais na terra. Nós sabemos que o desenvolvimento da mediunidade, de maneira generalizada em nosso planeta, assinala um alto momento de evolução planetária. E neste próprio momento em que o mundo se prepara para uma nova era, também nós nos defrontamos com um problema bastante curioso que é o da conquista do espaço. A Terra esteve até agora isolada, isolada no cosmos, porque era um pequenino mundo inferior que não tinha nada a oferecer aos outros mundos. Mas assim como houve no século XVI a expansão marítima da Europa que conseguiu descobrir a América, assim também neste momento está havendo a expansão cósmica da Terra nas suas tentativas de comunicação com outros mundos, e, ao mesmo tempo, descem para o nosso planeta, como nós sabemos, sondas espaciais procedentes de outros mundos e que são os sinais dos céus que aí estão, alarmando os homens por toda parte e provocando as mais diversas interpretações dessas aparições celestes. Quanto aos sinais na Terra, eles são evidentes ao nosso redor. Nós sentimos que o mundo está se transformando, e se transformando profundamente e rapidamente aos nossos olhos. Assim, o ensino de Pedro nesse trecho do seu sermão, no livro de Atos dos apóstolos, nos traz uma eloquente confirmação daquilo que o espiritismo vem ensinando a esse respeito.

 

No Limiar do Amanhã é um toque de alerta para a era do espírito. A Terra se modifica. O sopro do espírito invade os corações e as consciências dos homens, espanca as névoas da religião, a poeira da filosofia e os erros da ciência.

 

No Limiar do Amanhã: o infinito nos abre a rota das estrelas.

 


Style Selector

Layout Style

Predefined Colors

Background Image