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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço. Estamos em tempo de guerra, tudo explode ao nosso redor: a explosão demográfica, a explosão cultural, a explosão industrial, causando conflitos econômicos, políticos, e poluições na Terra e no ar; a explosão religiosa abalando as igrejas em seus fundamentos, e por fim, a mais grave de todas, a explosão da mediunidade num mundo que se fez cego e surdo para os problemas do espírito.

 

Estamos numa guerra sem quartel. Somos atacados por dentro e por fora. O mundo material se torna cada vez mais agressivo, a vida social se confunde, os valores morais entram em bancarrota, as normas sociais se destroem aos nossos olhos. Ao mesmo tempo, as aflições nos desprendem às suas garras de harpias, nossas ideias se embaralham, mediunidades se explodem por toda parte e as obsessões se desencadeiam de um extremo a outro da Terra. Basta abrirmos um jornal, assistirmos a um noticiário de televisão ou de rádio para vermos que o mundo foi assaltado pelos exércitos das trevas.

 

Estamos em guerra e precisamos lutar. Precisamos estar atentos em todos os setores. É hora de lembrarmos a ordem do mestre: vigiar e orar. Não estamos sós. Jesus está no leme, como diz o poeta Ciro Costa. Jesus está no comando da batalha sem tréguas pela evolução da Terra, vigiando ao nosso redor, não seremos surpreendidos, e orando, estaremos repelindo os ataques com as mais poderosas das armas. As potestades do ar a que se referia o apóstolo Paulo atacam-nos por todos os lados, mas os anjos do Senhor lutam ao nosso lado. Confiamos e lutemos sem desânimo que a vitória pertence aos que confiam, aos que não se entregam. Jesus declarou que vinha trazer fogo à Terra, que não trazia paz, mas a espada. O fogo e a espada de Jesus são armas espirituais. O cristianismo iniciou com ele a reforma do mundo, e essa reforma chega nesse momento ao seu ponto decisivo com o desenvolvimento do espiritismo sobre a égide do consolador, do espírito da verdade. Compreendamos isso e não nos atemorizemos. A hora da vitória se aproxima. Sejamos fiéis ao bem, à verdade, ao amor, e cumpriremos o nosso dever cristão. Que cada qual se revista de ânimo e coragem: esta é a verdadeira guerra santa, a guerra do amor contra o ódio, da verdade contra a mentira, da razão contra a loucura. Incluímos o evangelho de Cristo e avancemos sem medo na direção dos novos tempos. A Terra se transforma. No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emanuel. Transmissão número 123. Terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 740 KHZ, e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 KHZ. Aos domingos, esse programa é reprisado pela Rádio Mulher de São Paulo das seis às sete horas da manhã com sugestões especiais para o seu domingo espiritual.

 

Perguntas e respostas.

 

Pergunta nº 1: Materialização

 

Locutor - Professor, o ouvinte José de Oliveira Neves, da Quarta Parada pergunta: antes de conhecer uma pessoa, da qual tenho grande afinidade atualmente, senti a materialização dessa pessoa através de divisão e contato sem imaginar que com o passar do tempo conheceria esta criatura reconhecendo ser a mesma que materializou-se em mim. Como se explica isto?

 

J. Herculano Pires - Para começar, devo dizer ao senhor que ninguém se materializou no senhor. Não há possibilidade de alguém se materializar em alguém. O que aconteceu é que o senhor viu foi uma projeção do eu, como se costuma dizer hoje em psicologia. Quer dizer, essa pessoa, com a qual o senhor iria se relacionar mais tarde, já tinha na verdade relações com o senhor. Relações provenientes certamente de outra existência, de outra encarnação, de outra vida, relações que se passavam e continuaram a se verificar aqui na Terra atualmente à distância, embora, no mundo espiritual durante os momentos de sonos. Enquanto nós dormimos, os nossos espíritos se desprendem, e quando nós temos a capacidade para viver no mundo espiritual, nós vamos à procura dos espíritos amigos, conhecidos, e nos entretemos com eles em conversas como se estivéssemos aqui na Terra. De maneira que quando o senhor se encontrou com essa pessoa nada mais aconteceu do que um reatamento, uma continuidade das suas relações pessoais do ponto de vista humano, do ponto de vista da pessoa encarnada, porque não plano espiritual, essas relações já continuavam segundo essa aparição que lhe foi feita lhe demonstra. Quando nós temos uma aparição, portanto, deste tipo que senhor nos relata aqui, é o espírito que se manifesta a nós de maneira a impressionar a nossa visão, como se fosse uma pessoa viva, uma pessoa realmente encarnada. É verdade que ela é viva, ela continua viva no mundo espiritual, e por isso mesmo mais viva do que na carne, do que no corpo, mas tendo essa visão, o senhor teve então uma anunciação de que ia se dar o encontro pessoal, físico dos dois aqui na Terra. Não há, portanto, nada de extraordinário nisto.

 

Eu aconselharia o senhor se interessar mais pelas questões espíritas, porque isto revela que o senhor possui dons mediúnicos acentuados que podem se desenvolver daqui por diante, e que certamente já estão em desenvolvimento. Mas eu vou tentar lhe dar, através deste programa, um livro que lhe esclarecerá melhor este problema. Acredito que o senhor já tenha alguma informação a respeito do espiritismo, mas com este livro, o senhor conhecerá melhor o assunto. É um livro do professor Ernesto Bozzano, famoso pesquisador italiano, metapsiquista, psicólogo, espírita. Era professor da Universidade de Turim. Ele escreveu um livro curioso chamado “Comunicações mediúnicas entre vivos”. Este livro nós vamos lhe dar de presente. O senhor poderá encontrá-lo no escritório central da Rádio Mulher, escritório central, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. Anote o endereço. É ali na Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. O senhor, a partir de segunda-feira próxima, durante toda semana no horário comercial em qualquer dia, o senhor pode retirar de lá este volume que lhe é dado por este programa e pela editora Edicel.

 

Pergunta nº 2: Transporte

 

Locutor - Professor a ouvinte Olga Beringher, da Rua João Ramalho número 1512, Perdizes, pergunta: Como é que os espíritos conseguem transportar objetos materiais introduzindo em recinto completamente fechado?

 

J. Herculano Pires - Este problema dos transportes ou dos aportes, como se chama geralmente não o espiritismo, adotando uma expressão técnica inglesa, este problema é dos mais complicados, dos mais complexos, realmente. Porque quando um objeto é transportado de um local para outro e chega ser introduzido numa sala, por exemplo, fechada, não há explicação física possível para isso. Ou melhor, diríamos não haveria até há algum pouco tempo atrás. Hoje, com o desenvolvimento da física nuclear, nós já temos possibilidade dentro da própria física materialista de explicar esse assunto, de encontrar uma solução para ele. Mas já bem antes do desenvolvimento da física, um grande cientista alemão da Universidade de Leipzig conseguiu tratar deste assunto, estudar, pesquisar este fenômeno, e chegou à conclusão bastante curiosidade de que podemos explicá-lo através da teoria das dimensões, das dimensões físicas mesmo do nosso mundo. Nós sabemos que vivemos num mundo tridimensional, um mundo de três dimensões. Tudo com quanto lidamos tem três dimensões. Assim, a nossa percepção, a nossa capacidade de perceber as coisas, está restrita ao mundo tridimensional. Entretanto, diz o professor Frederick Zorner, que este professor da Universidade de Leipzig de que falei, diz ele no seu livro “Física transcendental” que na verdade o universo se constitui de muitas outras dimensões que nós não conhecemos. Uma destas dimensões, a mais próxima do nosso mundo tridimensional, é a quarta dimensão. Na teoria física de Einstein, por exemplo, a quarta dimensão é considerada como sendo o tempo. O tempo seria uma dimensão a mais do nosso mundo, e assim nós teríamos um mundo quadridimensional. Mas para o professor Frederick Zorner não era assim. Ele considerava que a quarta dimensão estava além do tempo, porque o tempo era por ele considerado como uma dimensão do nosso próprio mundo tridimensional, ligado ao espaço. Como sabemos,a teoria tempo e espaço em Einstein englobam uma teria só, uma verdade só, uma só realidade.

 

Pois bem, para o professor Zorner há, portanto, uma quarta dimensão. Ora, o senhor imagina o seguinte: numa sala fechada nós temos as três dimensões do nosso mundo; temos o comprimento, a largura, e a altura da sala; temos assim as três dimensões dentro das quais se encerra tudo quanto nós conhecemos. Mas diz o professor Zorner que, além destas três dimensões, há nesta sala uma quarta dimensão que nós não percebemos, há, por assim dizer, uma abertura para o outro mundo, e que é através desta abertura que os objetos são transportados pelos espíritos e introduzidos na sala sem que eles precisem abrir uma janela, nem uma porta, nem coisa alguma, porque os objetos passam naturalmente por essa abertura que é para nós invisível. É a abertura que liga o nosso mundo ao mundo do espaço, além das três dimensões, quadridimensional, e assim por diante, com várias dimensões. Podemos dizer que é a passagem, por assim dizer, entre o mundo espiritual e o mundo material.

 

Mas não se suponha que essa abertura seja realmente um rasgo, uma fresta qualquer existente na parede ou em qualquer lugar. Não. Aí é precisopensarmos num sentido dinâmico e não num sentido estático, num sentido de dimensões que não se constituem realmente de medidas físicas, mas de dimensões vibratórias. Seria um pouco difícil nos estendermos nisto, mas aqui fica a nossa lembrança ao senhor a respeito disso. Aliás, a nossa lembrança à senhora, queira desculpar, a respeito disso. E eu gostaria de lhe dar um livro a respeito que infelizmente não dou, não posso dar, porque a sua edição está esgotada, mas eu lhe aconselho a procurar nas livrarias que vendem livros velhos, livros antigos, é possível que a senhora encontre algum volume, ou então que a senhora recorra à livraria Edicel que está projetando lançar uma nova edição deste livro. O livro do professor Frederico Zorner que se chama “Provas científicas da sobrevivência” em tradução naturalmente para a nossa língua.

 

Pergunta nº 3: Alegoria

 

Locutor - Professor, o ouvinte Enéas G. da Silva, da Rua Maçaranduba,281, pergunta: Aprendi em aulas de catolicismo, ministradas por sacerdotes católicos, que Adão e Eva foi o único casal humano criado por Deus e que as demais pessoas existentes no mundo descendem do referido casal. Sendo Adão e Eva de cor branca,consequentemente seus descendentes têm que ser brancos. De quem descendem as pessoas de cor preta, vermelha, amarela etc.?

 

J. Herculano Pires - O mito de Adão e Eva que consta na Bíblia é realmente um mito. Quando nós falamos de mito, falamos de lenda, mas de uma lenda que tem naturalmente um significado, um sentido. O mito de Adão e Eva foi muito ridicularizado não só por aqueles que não acreditam em religião e nem na existência de Deus e dos espíritos, mas também por religiosos de outras religiões que não aceitavam a explicação judaica e cristã da formação do homem. Entretanto, quando nós hoje estudamos atentamente o mito de Adão e Eva, nós vemos que ele é uma alegoria, uma bonita alegoria que nos dá uma ideia poética de como o homem teria aparecido na Terra. Entretanto, de acordo com o espiritismo, esta alegoria se aplica apenas a uma idade do mundo, a uma época do mundo e não ao início da vida humana na Terra. Adão e Eva seriam, por assim dizer, o símbolo do nascimento da raça judaica, seria o primeiro casal judeu que existiu na Terra. De acordo com o que o senhor pode encontrar em “O livro dos espíritos”, de Kardec, ou em “A gênese” do mesmo Kardec, o senhor vê que este mito de Adão e Eva, simbolizando o aparecimento do homem na Terra, se restringe, entretanto, à concepção judaica do mundo, pertence ao mundo judeu. Justamente por isso, eles tratam apenas do nascimento do homem da forma que lhes parece mais apropriada através da raça branca. As demais raças teriam sido descendentes dela, e algumas, como no caso, por exemplo, dos pretos, seriam raças condenadas por descenderem de pessoas que cometeram graves pecados além de Adão e Eva. Tudo isto, porém, é uma forma lendária, alegórica de tratar do aparecimento do homem na Terra.

 

O espiritismo não concorda com isso. Assim como para os judeus foi Adão e Eva o casal que se constituiu o primeiro da Terra de onde descendeu a humanidade, assim também os babilônios, existiaGilgameshe existiam outros casais, Gilgameshe sua esposa, como outros casais que, de acordo com as várias religiões babilônicas, representavam também os primeiros habitantes da Terra. Para os gregos, por exemplo, o primeiro homem teria sido Heleno, do qual descendeu toda raça Helena. E assim por diante.

 

Em cada grande religião antiga, nós encontramos um símbolo da criação do homem, do desenvolvimento da humanidade na Terra. A todos estes símbolos o espiritismo opõe, naturalmente, uma concepção científica do aparecimento do homem, não totalmente de acordo com o que a ciência antropológica, na sua posição materialista, propõe mesmo em nossos dias, mas coincidindo com as ciências em diversos pontos, porque o espiritismo, investigando este problema, chegou à conclusão de que o nascimento dos homens na Terra decorre naturalmente do que se passa em outros mundos do espaço.

 

A humanidade, para o espiritismo, não é só terrena. Se nós considerarmos só Adão e Eva como o primeiro casal criado por Deus, nós não temos explicações para a humanidade que existe no cosmos, em outros mundos habitados. Para o espiritismo, a humanidade é cósmica, não se limita à Terra, e justamente por isso, o mito de Adão e Eva serve apenas como uma explicação alegórica e poética dada num tempo em que os homens não poderiam compreender, do ponto de vista racional e científico, este problema.

 

 

Pergunta nº 4: Onde fica o espírito

 

Locutor - Professor, a ouvinte Odalva Basso Coleta, da Rua General Marcondes Salgado, 150, faz duas perguntas. A primeira é a seguinte: Gostaria de saber sobre o nosso espírito, de que maneira ele age sobre o nosso corpo? Fica no interior do nosso corpo ou irradiando sobre a nossa mente?

 

J. Herculano Pires - Pois não. Vamos passar então à resposta a essa pergunta sua, a esta primeira pergunta. O problema da ligação do espírito com o corpo é um problema bastante complexo também e que no espiritismo exige muita atenção para nós o compreendermos. O corpo nasce e se desenvolve sobre o influxo do espírito. Desde o momento da fecundação, há uma ligação direta do espírito que vai nascer com o corpo que vai se formar. O espírito já tem corpo, ele tem aquilo que se chama corpo espiritual e que no espiritismo é designado por um termo técnico: perispírito. O perispírito, ou seja, o envoltório do espírito, é um corpo espiritual, o mesmo a que se refere o apóstolo Paulo na primeira epístola aos coríntios quando ele diz: nós temos corpo animal, mas temos também corpo espiritual. E acrescenta que quando nós morremos: enterra-se o corpo material, mas ressuscita o espiritual. E como afirma o apóstolo Paulo nessa mesma epístola, primeira epístola aos coríntios, o corpo espiritual é o corpo da ressurreição.

 

Assim sendo, o nosso corpo espiritual serve de modelo para o corpo material que vai se formar. O espírito ligado ao embrião que vai se desenvolver, ele controla, por assim dizer, o desenvolvimento deste embrião segundo o modelo que ele apresenta no seu corpo espiritual. Este modelo, entretanto, vai se desenvolver juntamente com o corpo. Ele impregnará todas as células do corpo físico, ele se mistura com o corpo físico. Podemos imaginar um corpo energético em forma, por exemplo, de uma estrutura de energias que se ligam ao corpo material grosseiro para lhe dar uma estrutura física adequada. Ora, nós sabemos que hoje os físicos soviéticos e os biólogos soviéticos acabam de realizar na Rússia uma verdadeira façanha científica ao descobrir, através de uma câmara fotográfica de alta frequência inventada especialmente para pesquisas da antimatéria, acabam de descobrir que o homem tem um corpo energético. Pela primeira vez no mundo, cientistas materialistas em pesquisa sobre a natureza humana conseguiram ver aquilo que até agora só os videntes haviam visto, ou seja, o corpo espiritual do homem. Desta maneira, nós podemos dizer que o corpo espiritual está impregnando o corpo material. Ele realmente está anexado, inserido neste corpo material, e ele é o agente que desenvolve, que dá forma e que anima este corpo material. O corpo espiritual é o intermediário entre o espírito e o corpo material. É preciso um intermediário, porque, como sabemos, espírito e matéria são elementos heterogêneos. Então a ação se torna mais fácil de um sobre o outro através de um intermediário que é o perispírito ou corpo espiritual de que falava o apóstolo Paulo.

 

Assim, nós podemos considerar que o corpo espiritual, contendo realmente o espírito, está integrado no corpo material, mas que apesar disto, ele é independente. Assim, por exemplo, durante o estado de sono, quando dormimos – a senhora certamente já ouviu dizer que o povo costuma dizer sempre: o sono é irmão da morte –, realmente ele é o irmão da morte, porque quando morremos o corpo espiritual se desprende do corpo físico, material. Quando dormimos, acontece o mesmo, só que o nosso desprendimento não é total, o espírito se livra do corpo material, mas continua ligado magneticamente a ele, fluidicamente ele está ligado ao corpo material. Na morte, dá-se o contrário, o corpo se liberta totalmente e não fica com ligação nenhuma, o corpo espiritual com o corpo material. Assim, nós compreendemos que existe uma liberdade para o corpo espiritual mesmo enquanto estamos vivos. Nas pesquisas atuais da parapsicologia, verificou-se aquilo que se chama projeção do eu, o que eu agora mesmo me referi ao explicar para um ouvinte uma aparição que ele viu. Realmente, o desprendimento do corpo pela projeção do eu se dá nos momentos de distração, nos momentos de cochilos e nos momentos de sono. Há, portanto, várias formas pelas quais o indivíduo pode se projetar além do corpo e aparecer visivelmente para outras pessoas à distância. Isto prova que não há uma ligação absoluta entre os dois corpos, que os dois mantém uma certa liberdade durante a vida.

 

Nós temos, então, a outra pergunta.

 

Download Pergunta nº 5: Emanuel

 

Locutor - Já ouvi em diversos programas do senhor que Emanuel foi o padre Manuel da Nóbrega em sua encarnação no Brasil. Porque ele se apresenta com o nome de Emanuel e não Nóbrega? Ele teve alguma encarnação após a de Nóbrega nem nosso mundo terrestre? J. Herculano Pires - O problema das encarnações dos espíritos não é um problema que possa ser revelado em toda sua extensão e em todas as minúcias. Nós sabemos algumas coisas quandoelas convém que elas sejam divulgadas, do contrário, não.

 

Sabemos que Emanuel foi o padre Manuel da Nóbrega porque ele é um espírito de grande elevação moral, espiritual, de grande sabedoria, o que demonstra pelos dos numerosos livros que nos transmitiu através da mediunidade psicográfica de Chico Xavier. Sabemos também que é um espírito assim, porque através da vidência, todos aqueles que podem vê-lo,confirmam a sua grandeza espiritual, a sua luminosidade. É um espírito aureolado de luz. Portanto, quando ele revelou a Chico Xavier que ele foi o padre Manuel da Nóbrega, nós não temos o direito de duvidar dessa informação, pois ele não iria fazer essa afirmação sem uma finalidade. A finalidade é demonstrar a sua ligação com o Brasil, porque antes de ter sido o padre Manuel da Nóbrega, ele foi um senador romano, o senador PúbliosLêntulos, em Roma. Posteriormente, ele viveu na África e teve uma encarnação humilde onde, apesar da sua humildade social, já revelava, entretanto, a sua grandeza espiritual. E posteriormente teve também uma encarnação na Espanha segundo sabemos através de várias das suas memórias relatadas nos livros. Masa sua encarnação que mais interessou e a que ele fez questão de se referir aqui no Brasil foi ado padre Manuel da Nóbrega, porque isso mostra as suas relações profundas com nosso país, a razão de estar ele hoje ligado a Chico Xavier para influir diretamente e incisivamente no desenvolvimento do movimento espírita no Brasil. É por essa razão que sabemos disso. Quanto a outras encarnações que ele tenha tido, nós não temos notícias. Entretanto, se a senhora quiser ter uma ideia a respeito, eu aconselho que adquira o livro do professor Clovis Tavares chamado “Trinta anos com Chico Xavier” ou “Trinta anos de convivência com Chico Xavier”. É uma edição da Editora Calvário que a senhora encontrará certamente na Livraria Saraiva.

 

Mande suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Se quiser faça suas perguntas pelos telefones 269-4377 ou 269-6130 durante a semana no horário comercial. E na primeira quarta-feira do mês de agosto, dia primeiro, venha ao nosso auditório para fazer as suas perguntas ao microfone e saber a resposta na hora. Venha dialogar conosco de viva voz sobre os problemas do espírito.

 

Perguntas e respostas.

 

J. Herculano Pires - Antes de entrar propriamente nas perguntas e respostas, nós vamos fazer alguns pequenos avisos que temos aqui para os nossos ouvintes. Pedimos atenção especialmente para o aviso referente aos livros que estão à espera dos seus destinatários no escritórioda Rádio Mulher, escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111. Atenção, amigos ouvintes, porque os ouvintes que não procurarem estes livros, os livros que estão destinados a eles lá no escritório da Rádio Mulher, que foram dados neste programa, os que não procurarem durante a semana que vem, a semana que entra agora a partir de segunda-feira, estes perderão o direito. Até sexta-feira eles podem procurar os livros lá. Se não retirarem os livros até sexta-feira, perderão o direito, não adianta procurar mais. Nós estamos avisando porque é evidente que quando damos um livro aqui, um livro que nós recebemos de uma editora para ser entregue a um ouvinte num gesto de amizade, gentileza, camaradagem, para facilitar ao leitor o esclarecimento da pergunta que nos fez, quando fazemos isso deixamos ao ouvinte apenas o trabalho de ir procurar o livro para ler, de ir retirar de lá sem gastar um tostão, porque é uma oferta gratuita que é feita pela editora através do nosso programa. Então, somos obrigados também, quando os livros se acumulam, quando os ouvintes se desinteressam por eles, somos obrigados a tomar uma medida como essa que é extrema. Damos uma semana de prazo para estes ouvintes, cujos nomes vão ser lidos, irem procurar seus livros sob pena de perdê-los.

 

Locutor - Carlos Isaias, Gentil Lara, Antônio Barbosa Albuquerque, Wilson Gaspar, Vera Maria, Elza de Oliveira, Ashen Tati, Doutor Eurípides de Castro, João Correia Narciso, Maria L. Santos, Maria Barufaldi, Antônio Caetano, Ramiro Eduardo Bispo, Neuza Lourenço, Antero da Silva Borges, Terezinha Carolino, Ernesto Carolino, Francisco Grec, Pedro Soares, Terezinha da Silva, José Carlos do Amaral, Blanco Osório, Natalino D’Olívio, Leonil Alves Ferreira, Dulce de Almeida, Maria KatsueSabo, Osvaldo Morse, Hilária B. da Silva, Corina Antunes, NorivalBonfati, Rosa Inês Gonçalves, José Ferreira Mendes, Nair Maria Ferrin e Maria Aparecida.

 

J. Herculano Pires - Temos agora aqui uma pergunta que nos foi dirigida telefonicamente por um ouvinte sobre um editorial publicado pelo jornal O Clarim, de Matão. Nós vamos nos limitar a ler aquilo que já foi dado num programa anterior sobre este editorial. O jornal O Clarim, de Matão, volta a sustentar em seu editorial a sua posição contra as homenagens que vêm sendo prestadas em todo Brasil ao médium Francisco Candido Xavier. Segundo afirma o jornal, os médiuns não podem ser homenageados e o precedente pode servir para que outros médiuns se interessem também pelo assunto, candidatando-se a títulos e homenagens da mesma espécie. O velho Clarim do Schutel está soando desafinado. Espiritismo não é igreja, nem defende clausura para a defesa da mediunidade. O velho Schutel, estivesse ele pelo menos no leme de O Clarim, continuaria mantendo afinado seu o seu Clarim e não permitiria que aparecessem ali opiniões desta maneira contrárias aos próprios princípios do espiritismo. As homenagens a Chico Xavier não partem do meio espírita, mas pelo contrário, partem de organizações públicas e até mesmo de representantes do poder público. Constituem gigantesco couro de reconhecimento por legisladores em sua maioria absoluta não-espíritas dos méritos não apenas do médium como também e, sobretudo, dos méritos da mediunidade e do espiritismo. Só os cegos não veem isso.

 

Pergunta nº 6: Sexo dos Espíritos

 

Locutor - Continuando com as perguntas e respostas, agora, professor, nós temos a pergunta do ouvinte Roberto Garcia da RuaDom Leopoldo, 188, e ele pergunta: Existe alguma explicação para o sexo do espírito? Ou melhor, espírito tem sexo para poder existir o homem e a mulher? Qual foi a matéria de Jesus após sua ressurreição?

 

J. Herculano Pires - O problema do sexo no espírito nós podemos comparar com o velho problema teológico do sexo dos anjos tão discutido durante a Idade Média. Na verdade, Jesus foi o primeiro a informar, segundo nós vemos no evangelho, que os espíritos não têm sexo. O espírito é a essência humana, a essência da criatura humana. O corpo material é, por assim dizer, o continente dessa essência, aquilo que contém a essência humana para sua manifestação no plano da matéria. Na matéria, o sexo é necessário para a reprodução da espécie e ao mesmo tempo para uma série de experiências de que o espírito necessita para o desenvolvimento das suas potencialidades interiores. O sexo representa, do ponto de vista espiritual, simplesmente uma polaridade. Tudo quanto nós conhecemos na Terra se constitui praticamente de dois polos. Há sempre dois polos nas coisas, não apenas na Terra. Esta polaridade revela, portanto, uma condição de oposição de uma coisa a outra, de um ponto, ou de uma medida a outra. Assim, nós temos no espírito também a corrente positiva e a corrente negativa de energias espirituais. Aquele espírito que é mais carregado de correntes positivas na sua encarnação terrena – por uma imagem que estamos fazendo a respeito a fim de explicar melhor o assunto –, na sua encarnação terrena ele pode se manifestar como um homem, como um espírito masculino. Aqueles que tem as correntes energéticas negativas, não no mau sentido, mas apenas no sentido de ser a corrente que deve se harmonizar com a outra para produzir realmente a energia, então esse se encarna como mulher. Há, portanto, uma questão de polaridade espiritual. Quando o espírito desenvolve ou precisa desenvolver as suas energias viris, ou seja, as suas energias não campo de uma atividade mais intensa e ao mesmo tempo de responsabilidades mais duras no plano material em face da vida material na Terra, ele então se encarna com a polaridade positiva do espírito dotado de grande energia no campo masculino. Quando ele precisa desenvolver a sua afetividade, o seu sentimento, a sua capacidade de penetração sutil nas coisas através da intuição, da delicadeza e de tudo aquilo que constitui as características do espírito feminino, ele se encarna como mulher. Entretanto, quando os espíritos necessitam da encarnação através de várias vidas para o desenvolvimento das suas qualidades internas, eles passam por várias encarnações de homens e de mulheres. Aquele que foi homem numa encarnação pode ser mulher em outra e vice-versa. Para os espíritos, o sexo não tem outro sentido que não seja o da sequência de experiências que cada sexo pode oferecer ao espírito para o seu desenvolvimento. É a lei da evolução que rege esse desenvolvimento. Assim podemos dizer que o problema do sexo não existe para os espíritos. Existe apenas para os homens. Quanto à matéria de Jesus após a sua ressurreição, este é um tema já suficientemente explicado pelo apóstolo Paulo na sua primeira epístola aos coríntios, quando o apóstolo Paulo disse aquilo que nós ainda neste programa repetimos aqui, ou seja, que o perispírito ou corpo espiritual é o corpo da ressurreição, ele acrescentou: assim, aqueles que dizem que Cristo não ressuscitou dos mortos estão dizendo que também nós não ressuscitaremos. E se nós não ressuscitamos, também o Cristo não ressuscitou e será vã a nossa fé. Para que a nossa fé, portanto, segundo o apostolo Paulo, não seja vã, nós temos de compreender que o Cristo ressuscitou como nós todos ressuscitaremos, não no corpo material, mas sim no corpo espiritual. Para que o senhor possa ter uma compreensão mais exata deste problema, eu lhe ofereço aqui no nosso programa o livro “O verbo e a carne”. Este livro é da editora LAKE, Livraria Allan Kardec Editora, que o está distribuindo, mas é uma edição de Edições Cairbar. O senhor pode retirar este livro “O verbo e a carne” no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111,a partir de segunda-feira em qualquer dia da semana durante o horário comercial. Mas quero lembra o senhor: procure retirar durante a semana, porque durante a outra semana nós já teremos novos livros para entregar e não podemos deixar que eles se acumulem lá no escritório.

 

Download Locutor - Recebemos do senhor José Higino dos Santos, presidente da Associação Espírita Jacó, o seguinte comunicado: A Associação Espírita Jacó, organização beneficente de caráter espiritual, tem a grata satisfação de levar ao conhecimento do prezado amigo que neste ano de 1973 está comemorando cinquenta anos de atividades espíritas. Essa associação surgiu pelo entusiasmo de um grupo de batalhadores pela causa espírita que, reunidos na rua Ipanema a 26 de Julho de 1923, fundaram esta atual casa de caridade. A diretoria em exercício, no desejo de reverenciar a memória de seus fundadores eméritos, resolveu realizar reuniões mensais que se efetuam na última quarta-feira de cada mês para o debate de temas espíritas. Essas reuniões, que vêm se realizando mensalmente, iniciaram-se no dia 26 de julho de 1972 com uma palestra e terão curso durante todo ano de 1973. Amparados na compreensão dos bons espíritos, como o do prezado amigo, encaminhamos a vossa senhoria o presente ofício para a divulgação que merecer dentro do seu programa.

 

J. Herculano Pires - Como vemos, é uma das melhores maneiras que se tem de homenagear os fundadores de uma instituição espírita. A medida tomada por essa instituição é das mais louváveis e esperamos que os nossos ouvintes anotem o seu endereço que aqui foi dado e procurem auxiliá-la no desenvolvimento do seu programa.

 

Locutor - Nós recebemos aqui também outro pedido de divulgação: é do senhor Dante Rurdado, presidente da Associação Cristã Caminho da Verdade. Ele pede o seguinte: A ACCV,Associação Cristã Caminho da Verdade, lança um apelo ao ar dirigido aos senhores médicos da capital que, oferecendo-se a ministrar consultas gratuitas a pessoas comprovadamente necessitadas somente aos sábados no período da manhã em nosso ambulatório, à RuaAntônio Bicudo, 37, em Pinheiros, onde dispomos de acolhedoras instalações e remédios a serem doados. Ao médico que se dispõe a fazer esse ato de caridade aos humildes, a quem ficaremos reconhecidamente gratos, informamos o nosso telefone para maiores detalhes. O telefone é 351212 com senhor Rodolfo, das onze às treze horas nos dias úteis. Senhores médicos espíritas que estão ouvindo, ou senhores médicos não-espíritas, mas cristãos, que desejam realmente servir o próximo e não apenas trabalhar na sua profissão de maneira lucrativa. Aqueles que quiserem aproveitar essa oportunidade é muito interessante, principalmente aqueles que moram em Pinheiros. Como se vê é uma oportunidade que essa instituição está oferecendo aos médicos para trabalharem sábado de manhã no ambulatório médico atendendo às criaturas necessitadas gratuitamente. Como se sabe nesses ambulatórios de instituições espíritas, as consultas médicas e as receitas médicas podem ser, inclusive, apoiadas no estoque de medicamentos que geralmente os ambulatórios possuem, de maneira que os doentes são socorridos na hora e não apenas pela consulta, mas também pelos medicamentos de que necessitam. Senhores médicos, atenção! É uma oportunidade muito boa, porque nós vivemos pouco aqui na Terra. Depois passamos para o além.

 

Pergunta nº 7: Umbanda

 

Locutor - Continuando, professor, com as nossas perguntas e respostas, nós temos agora uma pergunta que nos foi formulada por Maria Helena, ela telefonou e fez a seguinte pergunta: Gostaria de ter explicações a respeito da umbanda, pois tenho dúvidas se é ou não uma religião e como podemos defini-la. J. Herculano Pires - Este problema da umbanda tem sido muito discutido e muito mal compreendido em todo o nosso país. Mas na verdade não há motivo para isso. O que tem faltado é estudo do assunto, é leitura dos livros. Os nossos sociólogos, desde Nina Rodrigues até os sociólogos atuais, desenvolveram uma longa pesquisa a respeito desse assunto. Não é apenas umbanda que surge no panorama religioso do Brasil preocupando não só as pessoas que observam de fora das religiões o assunto, mas também as próprias religiões, e até certo ponto também ao espiritismo. Existem várias formas de religião que estão nascendo no Brasil. Podemos dizer que são religiões que nascem no nosso país, mas que foram transplantadas para cá da África, que vieram da África, são religiões que vieram com os negros no tráfico negreiro: umbanda, quimbanda, aruanda, candomblé e assim por diante. São tipos de religiões africanas. Nós sabemos que todas as religiões primitivas, de acordo com as observações antropológicas, sociológicas e etnológicas, todas as religiões primitivas são de fundo mediúnico. O professor Ernesto Bozzano, da Universidade de Turim, na Itália, escreveu um livro muito curioso chamado “Populi Primitive e manifestazionesupranormale”, que dizer, “Povos primitivos e manifestações supranormais”. Talvez nem se precisasse traduzir, porque, num país como o nosso em que há tanta influência italiana, a língua se torna mais fácil. Neste livro, o professor Bozzano estuda o nascimento das religiões entre os povos selvagens e ele mostra uma coisa bastante curiosa: que todas as religiões se originaram da mediunidade. A mediunidade, como se sabe, não é um conceito privativo do espiritismo. A mediunidade é uma faculdade humana natural. Todas as pessoas são médiuns em mais ou menos intensidade, em maior ou menor grau. Todas as pessoas têm mediunidade. A mediunidade é uma faculdade humana como a inteligência, como a percepção, como todas as demais faculdades humanas. Basta desenvolvê-la para que ela se manifeste com maior intensidade. Sendo assim, os povos primitivos também são dotados de mediunidade e por isso nós encontramos por toda parte os pajés, os xamãs, as várias formas assim de sacerdotes primitivos rústicos entre os povos selvagens que eram dotados de faculdades hoje chamadas paranormais. Essas faculdades paranormais que a parapsicologia hoje estuda, confirmando letra por letra e vírgula por vírgula a teoria espírita na mediunidade, estas faculdades paranormais, se manifestando assim, produzem o interesse maior do homem para as coisas do espírito. Sendo o homem espiritual, é evidente que essas faculdades tinham de se aflorar nele, e realmente existem desde que o homem é homem.

 

Umbanda é uma das religiões primitivas africanas que vieram para o Brasil com o tráfico negreiro. Os negros que eram como nossos índios andavam nas regiões selvagens da África em liberdade, eram ali caçados, praticamente caçados pelos traficantes que os carregavam para os naviose os traziam para o Brasil à força como se fossem animais pegados a laço no meio da selva. Aqui chegando, os negros já traziam a sua religião, a religião que eles haviam aprendido desde o nascimento nas suas tribos selvagens. E essa religião eles a conservavam aqui no Brasil. Mas é evidente que aqui a religião que eles trouxeram da África se misturou com o catolicismo, porque o catolicismo era a religião dominante no Brasil e os sinhôs procuravam impor aos negros a religião que eles possuíam. Além disso, havia a catequese dos padres muito interessados em converter os negros ao cristianismo. Além disso, é preciso notar o seguinte: um sociólogo francês, Eli Chatelen, em investigações na África, demonstrou que lá mesmo na África essas religiões primitivas já haviam se misturado primeiro com o islamismo, porque os mulçumanos invadiram a África, dominaram a África em grande parte e catequisaram muitas tribos selvagens, e depois com o catolicismo, porque houve a catequese católica na África intensivamente, de maneira que essas religiões africanas primitivas já vieram misturadas, até aqui no Brasil, com o islamismo e o catolicismo. Aqui a mistura se intensificou e nasceram então as diversas formas de religiões primitivas que hoje existem.

 

Umbanda é, portanto, uma religião que está se desenvolvendo no Brasil tomando uma forma nova. O desenvolvimento desta religião levará normalmente à organização de uma nova igreja que nasce no Brasil, será uma igreja formada com elementos africanos e católicos. Para se ver a mistura do catolicismo basta se ver o seguinte: os deuses africanos passaram a ser representados na umbanda, na quimbanda, na aruanda, no candomblé por imagens de santos católicos, e tendo o nome trocado. Por exemplo, Jesus é Oxalá na umbanda. Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora do Rosário é Iemanjá. E nos terreiros de umbanda se faz altares para essas imagens. São postas as imagens católicas, das santas católicas ali com o nome de Iemanjá. Santa Rita, por exemplo, é Iansã, São Jorge é Ogum, e assim por diante. Quer dizer, os santos católicos foram assimilados pelos umbandistas e foram adaptados a eles os nomes dos deuses africanos. Assim se explica o desenvolvimento da umbanda sociologicamente no Brasil. Há um processo de aculturação, o negro adquire a cultura católica, mistura essa cultura com a sua religião e disto resultam esses tipos de religiões que estão surgindo no Brasil e se desenvolvendo intensivamente, porque como todas as religiões primitivas, a umbanda e as demais congêneres, se interessam muito mais por problemas práticos da vida imediata do que pela elevação espiritual. Em umbanda se busca em geral não a orientação espiritual, mas sim a solução de problemas. Problemas imediatos, problemas de negócios, problemas de casamento, problemas de divórcio, problema de vingança contra pessoas ou de amparo a pessoas na defesa contra vinganças que outros querem fazer, e assim por diante, problemas puramente humanos. Porque nós sabemos que as religiões primitivas se restringiam naturalmente a estes campos práticos das atividades humanas.

 

Assim, é preciso compreender que na umbanda existe mediunidade, mas esta mediunidade que existe na umbanda não é desenvolvida segundo as regras necessárias da ciência espírita. Ela é utilizada em bruto, de acordo com as necessidades imediatas daqueles que acorrem à umbanda pedindo socorro, pedindo ajuda. A umbanda não é espiritismo, ela apareceu no Brasil mais de trezentos anos antes que o espiritismo surgisse na França. O espiritismo nos veio da França, surgiu ali como uma doutrina filosófica de bases científicas e de consequências religiosas. A umbanda praticamente ainda não tem doutrina. A sua doutrina está sendo formulada de maneira esparsa por várias pessoas sem se ter chegado ainda a uma conclusão a respeito, porque cada um lança mão de elementos diferentes, uma vez que as tribos africanas divergiam nas suas posições em face dos problemas da religião primitiva. Cada uma tinha sua religião, e essas religiões todas vieram se misturar no Brasil.

 

Assim, as pessoas que dizem “espiritismo de terreiro” estão falando uma bobagem, porque não existe espiritismo de terreiro. O que existe de terreiro é umbanda, quimbanda, aruanda, candomblé e assim por diante. Espiritismo é uma palavra criada por Alan Kardec, designa uma filosofia que consta dos próprios dicionários técnicos de filosofia. Espiritismo é a filosofia dos espíritos, ela não se confunde absolutamente com essas religiões primitivas. Entretanto, nós, espíritas, respeitamos todas as manifestações religiosas desde que sejam aceitas e praticadas com sinceridade pelos seus adeptos. Nós não combatemos umbanda, nós apenas combatemos no espiritismo a confusão, a mistura que se tenta fazer, às vezes, de má fé para denegrir o espiritismo entre essas formas sincréticas de religiões africanas no Brasil e o espiritismo que antes de mais nada é uma ciência da qual nasce uma filosofia que nos leva a uma concepção religiosa livre, diferente das concepções religiosas dogmáticas. Nos leva a uma concepção religiosa que concorda com aquilo que Jesus ensinou à mulher samaritana: a religião em espírito e verdade.

 

Download O evangelho do Cristo em espírito e verdade.

 

Aberto o evangelho ao acaso, encontramos o seguinte (Mt, 6:28-33):

 

Considerai os lírios como não trabalham nem fiam. Contudo, vos digo que nem Salomão em toda sua glória se vestiu como um deles. Pois se Deus assim veste a erva no campo que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé. Não procureis o que haveis de comer ou beber, nem andeis solícitos, porque os homens do mundo é que procuram todas estas coisas, mas vosso pai sabe que precisais delas. Buscai antes o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.

 

Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Como nós vemos, esta passagem do evangelho concorda perfeitamente com essa expressão do Cristo em outro tópico do próprio evangelho. O interesse que tem este ensino é precisamente fazer com que nos desprendamos dos grandes interesses, das grandes ambições que nos conduzem na vida. Se os lírios do campo, se as aves do céu, se todas as coisas criadas por Deus vivem e se desenvolvem superando as suas necessidades, não pelo esforço próprio, mas pela benção, pela graça que recebe da própria natureza, pelas forças naturais que as protegem e as amparam e as desenvolvem, por que motivo o homem, justamente o homem que é o principal elemento da criação, que é o ponto culminante da evolução espiritual na Terra, o homem que é aquela imagem viva de Deus sobre a Terra – imagem viva no sentido de representar o poder criador, de representar a criatura livre de ação, de atividade que se encontra no planeta. Então, como vemos, devemos sentir nesta passagem, nesta mensagem do evangelho, um convite a nós para a serenidade, a compreensão e a fé. A certeza de que Deus, na sua infinita misericórdia, provê as nossas necessidades acima das nossas ambições desenfreadas.

 

Todas as religiões são boas desde que seguidas com sinceridade. A religião que se volta contra as outras, nega-se a si mesma. Cada religião é um esforço em favor da evolução espiritual do homem. São muitos os caminhos que levam a Deus. Não queremos tirar ninguém do seu caminho; queremos apenas ajudar os que não compreendem os problemas do espírito e os que não acertaram com seu caminho. Deus não faz acepção de pessoas como não faz acepção de religiões. Estamos na era do espírito e precisamos tratar do problema do espírito.

 

No Limiar do Amanhã: a verdade nos libertará.

 


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