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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço. Não basta saber que sobreviveremos à morte, é preciso saber como vamos sobreviver. Ninguém morre. O que morre é o corpo. Ninguém fica enterrado ou rolando no pó da terra à espera do juízo final. Deus não é carrasco. Deus é pai. Qual o pai terreno, o pai humano, o pai de carne e osso que se o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou se o filho lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente venenosa? A justiça de Deus não é semelhante à justiça dos homens. Não façamos a injustiça de considerar Deus inferior a nós. Deus é amor, ensinou o apostolo João.

 

A Bíblia é o Velho Testamento, o conjunto de escrituras judaicas do tempo longínquo da primeira revelação. Os evangelhos constituem um novo testamento. Vieram muito depois dos tempos bíblicos; vieram para nos dar a graça em substituição à lei. A velha lei dos judeus ensinava: dente por dente, e olho por olho. Até hoje, eles a estão praticando. Mas a nova lei do evangelho nos trouxe um novo ensinamento: amai a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a vós mesmos. Amai aos vossos inimigos. E até hoje, ainda não aprendemos a praticá-lo. Até quando continuaremos mortos na letra que mata?

 

O Novo Testamento é a segunda revelação. Através dele nos foi revelada a misericórdia de Deus. Mas por que preferimos permanecer encravados nos tempos bíblicos odiando, perseguindo e matando em nome de Deus? Não devemos condenar a Bíblia, pois ela corresponde ao seu tempo, ao tempo dos homens violentos e brutais incapazes de compreender que Deus é pai. O ensino bíblico foi renovado por Cristo. Ele não revogou a lei, mas confirmou-a. Confirmou, porém, a lei de Deus que também está na Bíblia e não as leis bárbaras dos homens que enchem de horror e atrocidades as páginas do velho livro judaico. Deus nos deus entendimento para entendermos as coisas. Os evangelhos nos mandam, por acaso, apedrejar, esfolar, matar alguém, passar nossos irmãos pelo fio da espada?

 

Depois dos evangelhos, temos o Pentecostes, a terceira revelação prometida pelo Cristo. Terceira e última, porque as línguas de fogo do Pentecostes abriram sobre a carne as comportas da mediunidade, e a mediunidade é o batismo do fogo e do espírito de que falou João Batista. O Pentecostes apostólico foi o anúncio dos novos tempos, e os novos tempos chegaram com o espiritismo, o Pentecostes universal profetizado por Joel. O Livro dos Espíritos é a terceira revelação. Terceira e última, pois com ela o senhor derramou o seu espírito sobre toda a carne, e a verdade continuará a fluir sem cessar sobre o mundo. Na revelação espírita, o ensino de Jesus se completa, segundo a sua promessa, para que o mundo se converta.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do grupo espírita Emanuel. Transmissão número 121. Terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Este programa é transmitido todas as semanas neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo 730 KHZ, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640 KHZ, e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780 KHZ. Aos domingos, este programa é reprisado pela Rádio Mulher de São Paulo de seis às sete horas da manhã com sugestões especiais para o seu domingo espiritual.

 

Faça suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana você pode usar os telefones 269-4377 ou 269-6130 para fazer suas perguntas. E na primeira quarta-feira de cada mês, venha ao nosso auditório da Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, para fazer suas perguntas ao microfone, ouvir as respostas na hora e dialogar conosco a respeito. Primeira quarta-feira do mês às 20h30.

 

Perguntas e respostas.

 

Antes de iniciarmos as perguntas e respostas, quero lembrar aos nossos ouvintes que durante este mês, até o fim do mês, continua vigorando a nossa pergunta feita aos ouvintes sobre quais são os três elementos fundamentais do universo, elementos que constituem, segundo o Livro dos Espíritos, a trindade universal. Essa pergunta deve ser respondida por todos aqueles ouvintes que quiserem participar do nosso diálogo radiofônico. E de acordo com o que ficou estabelecido, de agora em diante nós faremos sempre uma pergunta por mês. A pergunta deste mês, portanto, será essa que dará direito aos ouvintes adquirem com respostas certas um livro espírita que lhe será gratuitamente entregue. Além dessas perguntas, nós queremos lembrar que o nosso programa no próximo mês possivelmente oferecerá um novo prêmio maior para perguntas que serão propostas aqui. Assim, nós procuramos estimular o nosso entendimento com os nossos ouvintes, e ao mesmo tempo a distribuição de livros espíritas de acordo com as perguntas formuladas. Queremos também lembrar a todos aqueles ouvintes que ainda continuam reclamando a falta de respostas para suas perguntas que nós nos esforçamos para responder a todas, mas é necessário que tenham um pouco de paciência, porque temos perguntas acumuladas. Entretanto, lembramos que toda quarta-feira do mês temos o nosso programa de auditório. Sempre na primeira quarta-feira do mês. Neste programa de auditório, aqueles que quiserem obter respostas imediatas, mesmo que sejam perguntas já enviadas aqui, poderão formulá-las de novo no auditório e terão então a resposta na hora. Ouvindo a nossa resposta, poderão aceitá-la ou contestá-la como quiserem, pois o programa tem por finalidade estabelecer, principalmente nesta gravação de auditório, estabelecer um diálogo entre nós e os ouvintes.

 

Pergunta nº 1: Tristeza ao estudar

 

Locutora - Professor, a ouvinte Célia Fundin Rosa pergunta: Faz sete meses que sou espírita e estou me doutrinando, mas, quanto mais esclarecimento tenho, mais tristeza sinto. Gostaria de saber se este sentimento é bom ou ruim, porque estou confusa e sinto agora as nossas misérias. A gente pode fazer tão pouco. Por que as pessoas não querem ser ajudadas? Por favor, que livro devo ler agora?

 

J. Herculano Pires - A senhora precisa, naturalmente, compreender que a mensagem espírita não tem por finalidade deixar-nos confusos nem aborrecidos. Pelo que a senhora nos revela aqui, o seu aborrecimento vem do fato de querer fazer mais do que pode. Ora, nós devemos fazer tudo quanto podemos, tudo quanto nos é possível, tudo quanto nos é concedido por Deus. Mas não podemos querer superar as nossas condições de um momento para outro. A senhora deve se alegrar com a visão nova da vida e da própria criatura humana que o espiritismo lhe deu, e deve prosseguir nos seus estudos na certeza de que irá alcançando cada vez mais um conhecimento superior do universo, do homem, do destino do homem, da natureza do homem, da criatura humana e assim por diante. Continue lendo e confiando, e procure prosseguir nos seus estudos. Leia “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, se é que a senhora já leu “Iniciação Espírita”. Senão, leia também, primeiramente, “Iniciação Espírita” do próprio Allan Kardec e em seguida leia os demais livros da codificação. Entretanto, como o trabalho, o esforço, representa uma coisa bastante importante na doutrina espírita, nós vamos lhe dar de presente o livro “Mais Luz”, de Batuíra. É um livro lançado pela editora GEEM do Grupo Espírita Emmanuel de São Bernardo do Campo. Neste livro Batuíra esclarece o problema do trabalho à luz do espiritismo. Estou certo de que ele lhe fará muito bem. Procure este livro a partir de segunda-feira próxima, em qualquer dia da semana, sempre no horário comercial, no escritório central da Rádio Mulher, Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111.

 

Download Locutor - Professor, o ouvinte Dionísio Martins Varjão nos escreve esclarecendo dúvida de sua pergunta anterior. Diz ele: O motivo desta é somente para esclarecer um equívoco na minha carta anterior, preocupado pensando que talvez não soube me explicar com clareza. O assunto que me referi, pedindo-lhe que me respondesse quem era príncipe deste mundo, eu confesso que fiquei plenamente convicto da vossa resposta, o que sou muito grato. Mas quanto a eu ter dito que ouvi esta explicação, quero deixar bem claro que o professor a quem me referi, que me explicou diferente, é um senhor do qual assisto às aulas de médium na Federação Espírita. E na resposta que tive do programa, pareceu-me que ficou entendido que eu tivesse dito que eu ouvi o senhor falar que era Jesus o príncipe deste mundo. Portanto, quero deixar claro que me expressei mal.

 

J. Herculano Pires - Muito obrigado pelo seu esclarecimento e lamento se o equívoco, por acaso, partiu de minha parte, porque assim como o senhor pode ter se enganado na sua maneira de expressar, eu também posso ter entendido mal a sua referência a um professor ou ao professor que teria dito isso. Mas não tem importância nenhuma. O importante é que o senhor tenha ficado satisfeito com a resposta, ou seja, que a resposta realmente tenha esclarecido para o senhor o problema.

 

Locutor - Professor, o ouvinte João Donatelli pergunta: sou principiante do espiritismo. Desde os quatorze anos percebi em mim certas faculdades paranormais que, embora em pouca intensidade, existem. A princípio pensei que tudo não passasse de ilusão, mas tive tudo confirmado quando ao ser consultado por um médium de efeitos físicos, deu o fato por verdadeiro. Comecei a estudar o espiritismo e ouvir todos os seus programas. Meu coração se engrandeceu com isso. Eu verdadeiramente passei a viver melhor. Luto pela vida agora com mais coragem e muito mais amor ao próximo. O maior sonho da vida seria ganhar os doze livros da Revista Espírita, isto naturalmente se com a ajuda dos bons espíritos eu conseguir acertar as respostas. Desde já eu agradeço não só por que eu possa vir a ganhar, mas pelos inúmeros benefícios que o seu programa vem fazendo, e toda doutrina espírita tem proporcionado a muitas pessoas. J. Herculano Pires - Estou certo de que o senhor vai prosseguir nos seus estudos e tudo correrá bem. O senhor terá não só os esclarecimentos de que necessita, porque a doutrina realmente nos dá esses esclarecimentos como também terá a oportunidade de verificar o desenvolvimento das suas faculdades paranormais. Essas faculdades, embora pareçam mínimas no momento, pode atingir, no processo de desenvolvimento, um grau ou uma altitude que o senhor ainda não pensa, que o senhor nem imagina. Quanto a adquirir os doze volumes da Revista Espírita, consegui-los, talvez o senhor ainda consiga. Nós teremos aqui outras chances no nosso programa para a concessão destes volumes. Entretanto, para que desde já o senhor tenha uma ideia do que é a revista e para facilitar o seu conhecimento do assunto, vamos lhe dar também neste programa e neste momento o primeiro volume da Revista Espírita de Allan Kardec, da editora Edicel. O senhor pode procurar este volume a partir de segunda-feira, segundo tenho dito, no escritório central da Rádio Mulher. Pergunta nº 2: Reencarnação, efeito, processo e memória

 

Locutor - Professor, o ouvinte Hermínio Bernardo, da Rua Rui Barbosa, pergunta: Qual o efeito da reencarnação? Qual o processo? Por que foge aos princípios da Bíblia? O espírito reencarnado pode lembrar-se de alguma coisa da primeira encarnação?

 

J. Herculano Pires - O senhor faz três perguntas que eu vou procurar responder em sequência. O senhor pergunta, primeiro, qual o efeito da reencarnação. De acordo com a doutrina espírita, a reencarnação faz parte do grande processo da evolução. Todas as coisas evoluem no universo, desde a pedra até o homem. Tudo está em constante evolução. Podemos mesmo dizer que a lei do universo é a evolução. Assim, os espíritos no seu desenvolvimento, através das formas humanas, eles não podem adquiri, atingir os pontos culminantes da evolução através de uma encarnação apenas. Se nós olharmos para a humanidade presente aqui na Terra, veremos que ela nos apresenta os mais variados tipos, desde o indivíduo mais maldoso até a figura do santo mais elevado. Assim como nos apresenta desde o idiota até o gênio. Há uma verdadeira escala humana ao nosso redor, e nós mesmos, todos nós, estamos incluídos nessa escala progressiva. Aqueles que estão mais adiantados representam, naturalmente, os que passaram por maior número de encarnações, ao mesmo tempo que seguiram, nessas encarnações, as leis necessárias do ponto de vista moral e espiritual para sua evolução. O efeito da encarnação, portanto, é o aprimoramento do espírito, é o desenvolvimento dos seus poderes latentes, das suas faculdades ocultas, essas faculdades que nós todos trazemos em nosso espírito e que serão desenvolvidas através das vidas sucessivas. É para isso que existe a reencarnação.

 

O senhor pergunta depois: qual o processo por que fogem aos princípios da Bíblia. Eu não entendi bem a forma que o senhor formulou essa pergunta. Entendo que o senhor perguntou qual o processo da reencarnação. Ora, o processo, como nós sabemos, é que toda criatura nasce, vive e morre. Mas ao morrer, essa criatura realmente não se acabou, não desapareceu. O que desaparece é apenas o seu corpo material. E o corpo material se dissolve na Terra enquanto o espírito continua vivo no seu corpo espiritual. Para o senhor ver que esse processo não foge absolutamente da Bíblia, mas pelo contrário, está bem explícito, bem claro na própria Bíblia. Eu lembraria ao senhor que na primeira epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo, referindo-se ao corpo espiritual, ensina: Nós temos corpo animal e corpo espiritual. Enterra-se o corpo animal e ressuscita o corpo espiritual. Este é o princípio, portanto, da morte e da ressurreição. Uma vez morrendo o homem na Terra, ele, como criatura humana essencialmente espiritual, passa a viver no mundo dos espíritos. Entretanto, a sua volta à Terra é necessária. E quem ensinou isso foi Jesus falando principalmente ao Rabi Nicodemos, como nós vemos na conhecida passagem evangélica, quando Jesus disse: Não te assustes de eu te disser que é preciso nascer de novo. E o Rabi Nicodemos, que era rabi, era mestre em Israel, era sacerdote e mestre do templo de Jerusalém, assustou-se de Jesus dizer isso e perguntou-lhe: Como dizes que eu tenho de nascer de novo? Preciso entrar no ventre de minha mãe e nascer outra vez? Aí Jesus lhe respondeu que é necessário nascer da água e do espírito. A água, como nós sabemos, é o símbolo da matéria para os povos antigos, os povos da antiguidade. Quem nasceu da água nasceu da matéria. Por isso Jesus ensinou que era necessário nascer no corpo e no espírito, e por isso mesmo Jesus anunciou logo em seguida: O que é carne é da carne, e o que é espírito é do espírito. O ensino da reencarnação está no próprio evangelho, mas não apenas no evangelho, está também no Velho Testamento. Se o senhor consulta, por exemplo, o livro intitulado O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que é um livro em que Kardec analisa, estuda e comenta vários tópicos do evangelho de Jesus, o senhor verá ali uma boa explicação sobre a presença da reencarnação na Bíblia, ou seja, no Velho Testamento judaico. De maneira que a reencarnação não está ausente da Bíblia. Pelo contrário, está presente e foi um ensino válido, um ensino bastante efetivo, bastante explícito feito por Jesus e registrado nos evangelhos.

 

O senhor pergunta a seguir: o espírito reencarnado pode lembrar-se de alguma coisa da primeira reencarnação? Bom, o senhor se refere à primeira naturalmente, pensando que os espíritos têm uma, duas ou três encarnações apenas. Não. Os espíritos têm muitas reencarnações de acordo com a necessidade evolutiva de cada um. Os espíritos podem ter centenas de encarnações até se aprimorarem, até vencerem suas encarnações. Analise o senhor a sua própria situação na Terra. Todos nós temos defeitos, temos imperfeições, às vezes, desde que nascemos até a morte, lutamos para vencer as nossas imperfeições. E com o passar dos anos, vemos que bem pouco conseguimos vencer. Então, isso nos mostra como é necessária uma sequência verdadeira de reencarnações a fim de que o nosso espírito se liberte de muitos dos seus defeitos, das suas imperfeições. Assim, nós não temos lembrança da primeira encarnação. Nós temos, em geral, algumas lembranças das últimas encarnações que vivemos na Terra, anteriores a essa que agora estamos vivendo. E é graças a essas lembranças que o problema da reencarnação está sendo objeto de pesquisa científica no campo da parapsicologia. O senhor pode encontrar em qualquer livraria de São Paulo livros sobre a reencarnação que atualmente o problema das reencarnações está sendo o objeto de pesquisas científicas no campo da parapsicologia. O senhor pode encontrar em qualquer livraria de São Paulo livros sobre a reencarnação e sobre as pesquisas científicas realizadas atualmente nesse campo. E o senhor verá então que a reencarnação hoje não é mais apenas um problema de religião. É, sobretudo, um problema de ciência. Mas para que o senhor possa ter uma visão mais concreta deste problema, principalmente do ponto de vista das escrituras sagradas em relação ao problema da reencarnação, eu vou dar ao senhor em nome deste programa e em nome da livraria Boa Nova, da Rua Aurora, 716. Este livro que se chama Cristianismo Redivivo, de Bruno Bertoco. O senhor pode retirá-lo a partir de segunda-feira durante o horário comercial em qualquer dia da semana no escritório central da Rádio Mulher à Rua Barão de Itapetininga, 46 – 11º andar, conjunto 1.111.

 

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Pergunta nº 3: Transporte, incorporação do médium, exus

 

Locutor - Professor, a ouvinte Diva Pereira, de São Caetano do Sul, nos telefonou e pergunta: Qual é o grau de evolução que o espírito precisa ter para ir de um país a outro? E a segunda pergunta: o espírito não evoluído também incorpora no médium? E terceira: O que são os exus?

 

J. Herculano Pires - Então vamos responder por ordem as suas perguntas. Primeiro, a senhora pergunta o grau de evolução do espírito para que ele possa ir de um país a outro. O grau de evolução dos espíritos varia muito. Nós podemos partir dos espíritos que não conseguem, depois da morte, elevar-se aos planos espirituais e ficam vivendo ainda aqui na Terra, até aqueles que penetram nas profundezas do infinito. Mas um espírito que possa ir de um país a outro, basta ter um grau mediano. Não é necessário que ele seja um espírito muito evoluído. Com certa evolução ele já consegue ir de um país a outro com facilidade, porque o espírito tem a velocidade do pensamento. Ele pensa e imediatamente se projeta naquela direção, se ele o quiser.

 

Quanto à segunda pergunta, eu posso lhe responder que o espírito não evoluído, quer dizer, o espírito ainda inferior no campo da evolução, pode perfeitamente, e precisa muitas vezes – é ele quem mais precisa – dar comunicação mediúnica através da incorporação num médium. Entretanto, a palavra incorporação não deve ser tomada ao pé da letra. Quando nós falamos que o espírito se incorpora, muita gente pensa que o espírito se apossa do corpo do médium, afastando do médium seu próprio espírito. Ele se encarna, por assim dizer, no médium. Não é isso que acontece. O espírito apenas estabelece uma ligação fluídica, vibratória, energética com o médium, e através desta vibração ele transmite, através do médium, que é um intérprete, a sua mensagem, a sua comunicação. Na maioria das vezes, são os espíritos inferiores que se comunicam, porque estão em sofrimento, muitas vezes nem mesmo sabem que morreram, porque tendo aqui na Terra uma ideia negativa da morte, pensando que a morte é a própria destruição do espírito, e ao morrer, sentindo-se do lado de lá vivos e em seu próprio corpo espiritual que ele confunde com o corpo material, ele não acredita que morreu. Então, as suas comunicações, nas sessões espíritas, são sempre em maior número do que dos espíritos bons, dos espíritos evoluídos, porque esses espíritos precisam comunicar-se a fim de se esclarecerem e de melhorarem a sua situação no plano espiritual.

 

Quanto à sua pergunta: o que são os exus? É uma pergunta que escapa ao campo da doutrina espírita. Esta é uma pergunta referente à umbanda, referente às formas de sincretismo religioso afro-brasileiro que são muitas aqui no Brasil. Entretanto, posso lhe responder que os exus, de acordo com o que eu sei a respeito, são espíritos inferiores, os mesmos espíritos que no catolicismo são considerados como demônios. Mas para nós, espíritas, essas entidades são espíritos necessitados de esclarecimento, de doutrinação, como costumamos dizer nas sessões espíritas. Para que o senhor tenha oportunidade de conhecer melhor estes problemas, vou lhe dar um livro: O Principiante Espírita, de Allan Kardec. Embora este livro tenha esse nome modesto, humilde de principiante espírita, ele é um livro de grande valor, e muita gente que está no espiritismo há mais de vinte ou trinta anos, ainda precisa ler este livro. Todos nós que estudamos espiritismo, sempre precisamos ler este pequeno livro, porque ele apresenta uma síntese maravilhosa da doutrina feita com muita clareza por Kardec. A senhora pode retirar este volume a partir de segunda-feira próxima, durante a semana, no horário comercial no escritório central da Rádio Mulher.

 

Download Perguntas e respostas. No Limiar do Amanhã é um programa para livre debate dos problemas espirituais. Não estamos mais no tempo do “crê ou morre”, mas no tempo do “crer para viver”. Não podemos mais aceitar princípios espirituais de olhos fechados. A fé cega não é fé, é fanatismo. Deus não quer fanáticos e por isso nos deu a inteligência, o raciocínio, o discernimento. A fé verdadeira é esclarecida e arejada. Por isso não nos propomos a converter ninguém. Cada qual pensa como quer e segue o caminho que mais lhe convém. Mas queremos dar a todos a oportunidade de verificar se sua fé suporta ou não a luz da razão. Precisamos usar a cabeça, aprender a pensar. Quando seguimos os outros de olhos vendados, podemos cair no barranco. Mande-nos suas perguntas e suas contestações. Debata conosco os problemas fundamentais da vida e da morte. Estamos no tempo do diálogo e da compreensão. O fanatismo é uma forma de ignorância. J. Herculano Pires - Vamos entrar na apreciação aqui das respostas que nos foram dadas sobre a pergunta a respeito do fenômeno de agênere. Todas as respostas dadas constituem um volume bastante grande. Nós vamos dar apenas aqueles que acertaram. Temos aqui a resposta da ouvinte Zelinda Holtz. Ela respondeu acertadamente a pergunta e nós lhe damos o livro O Verbo e a Carne da editora LAKE. A seguir temos a pergunta do senhor Sérgio Ribeiro da Cunha. Damos-lhe um volume de Educação Espírita da Edicel. Não pergunta, resposta, quero dizer. Temos a seguir a resposta de Ubiratan Tupinambá. Damos-lhe um volume da Antologia do Mais Além, da editora LAKE. A resposta do senhor Ivan Pereira e Silva. Damos-lhe o livro O Verbo e a Carne, editora Cairbar, distribuição da editora LAKE. Temos também do senhor Adolfo Muniz Furtado uma resposta certa. Damos-lhe o livro Educação Espírita, um volume da Edicel. Temos a resposta do senhor João Gomes Lopes. Damos O Verbo e a Carne, LAKE. Senhor Adão Trindade. Damos também Antologia do Mais Além. Senhora Helena Aversa que respondeu a pergunta com certa precisão, mostrando realmente ter compreendido o assunto. Oferecemos-lhe um volume de Lázaro, da Edicel. O ouvinte Alfredo Alves nos deu infelizmente uma resposta completamente errada, referindo à gênese e não ao fenômeno agênere. O ouvinte José Benavente respondeu certo. Damos-lhe um volume do Livro dos Espíritos da editora LAKE, edição recente. O ouvinte João Fernandes Ramires também infelizmente a sua resposta está errada, senhor Ramirez. A ouvinte Joaninha R. Silveira. Damos-lhe um volume de Antologia do Mais Além, editora LAKE. Ouvinte Antônio Chagas, um volume de Lázaro, Edicel. Ouvinte Alberto Albino, O Verbo e a Carne, editora LAKE. A ouvinte Nida Cesário de Abreu, O Verbo e a Carne, editora LAKE. O ouvinte Dionísio Martins Varjão. Damos-lhe um volume da Revista Espírita, de Allan Kardec, editora Edicel. Assim, damos por liquidado este problema da pergunta sobre o agênere. Entretanto, aguardem que virá também uma pergunta sobre a teoria do agênere, uma pergunta mais completa que, que ao responder, todos os ouvintes que responderem essa pergunta estarão concorrendo a uma coleção da Revista Espírita, de Allan Kardec.

 

Pergunta nº 4: Não estudar

 

Locutor - Professor, o ouvinte Jader Frutuoso, do Centro Espírita do Jardim Guarapiranga, pergunta: primeiro, qual a atitude que devemos tomar em relação ao médium que não quer estudar e afirma que há dez ou doze anos recebe os mentores e que nunca precisou estudar; que se coloca entre os kardecistas, mas só recebe pretos velhos e índios? Qual a opinião do professor sobre centros que, para iniciarem ou encerrar os trabalhos, usam médiuns em transe? J. Herculano Pires - É claro que o médium que não quer estudar é como alguém que quisesse exercer uma profissão superior sem estudar, sem fazer o curso necessário, sem adquirir conhecimentos. A mediunidade é um problema bastante complexo, bastante melindroso. O médium devia fazer um curso intensivo de mediunidade. Por isso, até mesmo, existem hoje nas instituições espíritas cursos de médiuns. É necessário mesmo que os médiuns estudem. O que o senhor tem a fazer é mostrar a este médium os perigos que ele corre. Se ele pretende estudar com os espíritos que se comunicam, é preciso ele compreender o seguinte: os espíritos lhe mostram através de exemplos as situações em que vivem no mundo espiritual. Mas se ele não tiver conhecimento doutrinário e se não tiver um certo conhecimento geral para compreender esses exemplos, ele não compreenderá nada. Ele necessita de estudar da mesma forma que um homem sedento necessita de água para poder sobreviver. Do contrário, ele está correndo um grande risco. Ele pode inclusive cair num estado de obsessão e até mesmo de possessão. É necessário que se acautele, que procure ler, estudar, frequentar um bom centro onde receba instruções das pessoas amigas, das pessoas que ali frequentam e que devem ter conhecimentos e experiências da doutrina.

 

No tocante ao fato de um médium que se diz kardecista colocar-se entre os kardecistas e só receber espíritos de pretos velhos e índios, pode ser uma questão de afinidade dele com estes espíritos. Uma questão muitas vezes de compromisso. Um indivíduo que veio para a Terra com determinada mediunidade, está sempre ligado a certas correntes, por assim dizer, de espíritos, a certas falanges espirituais com as quais ele tem compromisso do passado. O que é necessário não é que ele deixe de receber pretos velhos e índios, pois os espíritos de pretos velhos e de índios não pertencem absolutamente à umbanda; são espíritos como quaisquer outros. Pretos velhos e índios são espíritos como de brancos, de jovens, de mulheres, de moças, de todos os tipos de criaturas humanas. Não é o fato de serem pretos velhos ou de serem índios que os ligam à umbanda. Acontece que na umbanda, as manifestações de pretos velhos e de índios são classificadas de maneira diferente do espiritismo e têm finalidades diferentes. No espiritismo, essas manifestações devem ser encaradas com naturalidade. São espíritos como quaisquer outros que necessitam se comunicar ou que se comunicam muitas vezes, particularmente no caso dos pretos velhos, como espíritos já dotados de um grande desenvolvimento moral, capazes de auxiliar as criaturas com conselhos morais, com orientações espirituais seguras. Então, não há perigo nenhum, não há problema nenhum em que o médium kardecista receba espíritos de pretos velhos e de índios.

 

Quanto à minha opinião sobre centros que para iniciarem seus trabalhos usam médiuns em transe é o seguinte: os trabalhos em todos os centros, como Kardec ensina precisamente, são trabalhos realizados por nós, criaturas humanas. A nós compete abrir e encerrar as sessões de acordo com o sistema adotado em cada instituição espírita. Isto não impede, entretanto, que durante o encerramento, algum espírito ali presente, espírito bom, espírito elevado, espírito que se reconhece pela sua linguagem, pela sua maneira de expor as coisas, queira também dar uma comunicação final. Ele poderá dá-la. Mas o encerramento compete ao presidente da sessão.

 

Eu queria lhe dar, para esclarecimento melhor destes assuntos e também para que o senhor mostre a esse médium de que aqui se referiu, quanto ele necessita de estudar, eu vou lhe dar um volume do Livro dos Médiuns, da editora LAKE, que o senhor pode retirar no escritório central da Rádio Mulher.

 

Download Pergunta nº 5: Causa da morte

 

Locutor - Professor, o ouvinte Idelfonso Serafim dos Santos, da Rua XV de Novembro, pergunta: A pessoa que morre atingida por um raio teria pecado contra quem?

 

J. Herculano Pires - A pessoa que morre de uma forma ou de outra não quer dizer absolutamente que esteja morrendo por causa de um pecado contra alguém. É um erro pensar assim. Todos nós morremos. Todos nós temos o nosso fim. O nosso fim pode ser tranquilamente numa cama, pode ser subitamente numa rua por um desarranjo orgânico qualquer, pode ser num desastre. Mas isso não quer dizer absolutamente que nós tenhamos sempre de morrer de uma forma que corresponda a dívidas que temos para com outros. A morte é um processo natural, faz parte da própria vida. Quando a pessoa morre num desastre, é evidente que se este desastre principalmente se constituir de várias pessoas, trata-se de uma morte coletiva. É evidente que se trata de questão cármica, como nós dizemos no espiritismo, porque todas aquelas pessoas se revelam, assim, acumpliciadas em alguma situação do passado. Entretanto, não quer dizer que elas estejam sendo levadas à morte por uma determinação superior, mas sim que elas mesmas, elas próprias na vida espiritual, diante da sua dor de consciência, do peso que as suas faltas anteriores lhes produzem na consciência, pediram para passar por essa morte coletiva. Quando uma pessoa morre de raio quer dizer que chegou o seu fim, e que dentro do seu destino, aquela foi a forma mais apropriada, mais conveniente, de acordo com suas condições anteriores, para que ele passasse para a vida espiritual. Mas isso não quer dizer absolutamente que ele tenha provocado a morte de uma pessoa em outra vida através de um raio ou coisa semelhante. Não devemos ter essa preocupação mínima no tocante a coisas que não podemos compreender em sua plenitude. Basta-nos saber que todos nascemos, morremos e passamos para um plano espiritual, e aqui voltamos para continuar. E que todos pagamos, por assim dizer, por aquilo que fizemos de mal para os outros, mas o pagamos conscientemente, porque no plano espiritual, nós nos sentimos obrigados a pedir uma encarnação e uma morte correspondentes àquilo que fizemos.

 

Download Pergunta nº 6: transporte e aporte

 

Locutor - Os espíritos têm facilidade de transportar animais através de paredes assim como fazem com objetos? Gostaria de uma explicação mais detalhada dessas duas perguntas, se for possível, naturalmente.

 

J. Herculano Pires - O senhor já não ouviu falar, já não leu, por acaso, em livros espíritas que fenômenos ocorrem com os próprios médiuns dentro das salas em sessões? Os médiuns dotados de mediunidades de efeitos físicos e que se especializam, por assim dizer, no campo dos transportes e dos aportes, que são fenômenos de transporte de objetos para fora ou para dentro do recinto. Muitas vezes esses médiuns, eles mesmos, são transportados da sala de sessão ou para o exterior, ou para outra sala do prédio em que se encontram. Isso mostra, portanto, que não somente os objetos, mas também os seres vivos podem ser transportados pelos espíritos de um lugar para outro. O senhor não ouviu falar nos fenômenos de levitação? Quando o médium é erguido no espaço, quando ele se eleva, aparentemente sem contato, sem força nenhuma que o ajude, mas na verdade é auxiliado pela força psíquica de que falava Willian Crookes, ou pelo ectoplasma, de que falou Richet, o indivíduo é elevado no espaço, e aquele que é elevado no espaço pode também ser transportado para outro lugar. A Bíblia, os evangelhos e os livros sagrados de todas as religiões estão cheios de fenômenos dessa espécie. De maneira que os animais podem também ser transportados como as plantas e os objetos em geral. Eu queria lhe dar um livro que é O Principiante Espírita, de Allan Kardec, da editora LAKE. O senhor deve procurar a partir de segunda-feira no escritório central da Rádio Mulher.

 

Download Pergunta nº 7: Lincoln e Kennedy

 

Locutor - Professor, o ouvinte Adelísio Abade Conceição pergunta: Faz três anos que, andando pela casa, encontrei um papel que, entre outras coisas, tinha essa curiosidade. Circular nos Estados Unidos uma intitulada “estranho”, pela qual se verifica que entre Lincoln e Kennedy existe nada menos que só similitudes e coincidências. A estatística é a seguinte: primeiro, os dois presidentes haviam feito seu conselho de batalha, a igualdade de direitos cívicos entre brancos e negros. Segundo, Lincoln foi eleito em 1860, Kennedy foi eleito em 1960. Portanto, cem anos de diferença. Terceiro, ambos receberam balas na nuca que os matou. Quarto, ambos morreram diante de suas esposas em sextas-feiras. Quinto, os dois tiveram como sucessores pessoas de sobrenome Johnson. Sexto, Andrew Johnson nasceu em 1808, Lincoln nasceu em 1908, também cem anos de diferença. Os dois assassinos, Booth e Oswald, eram sulinos e defendiam causas populares. Booth e Oswald foram mortos antes de serem julgados. Nove: o secretário de Lincoln, que se chamava Kennedy, e o aconselhou a não ir ao teatro, onde foi assassinado. O secretário de Kennedy, que se chamava Lincoln, o havia aconselhado não ir a Dallas, onde foi assassinado. Dez: o nome das famílias dos presidentes assassinados constam, cada um deles, de sete letras: K-E-N-N-E-D-Y; e o outro: L-I-N-C-O-L-N. Esta é a pergunta do ouvinte.

 

J. Herculano Pires - O senhor naturalmente não formulou aqui uma pergunta. O senhor referiu-se a apenas um fato. Essas coincidências todas aqui anotadas foram muito exploradas depois da morte de Kennedy. Muita gente entendeu que através delas se podia afirmar que Kennedy era uma reencarnação de Lincoln. Entretanto, as reencarnações não se dão para estas repetições. As reencarnações seriam ciclos viciosos, se aquilo que se passou numa se repetisse na outra, de maneira assim tão semelhante. Naturalmente, tratam-se de coincidências. Eu não quero dizer que sejam apenas coincidências fortuitas, mesmo porque não acredito que existam coincidências ocasionais no sentido do azar. Acredito que sejam coincidências significativas, coincidências que ligam naturalmente dois grupos de pessoas que viveram em tempos diferentes, mas que estão ligadas por situações comuns. Então podemos estabelecer uma ligação entre Kennedy e Lincoln, entre o governo de ambos, entre a plataforma política, as causas que ambos defenderam e as situações a que foram levados, estabelecer essa relação considerando que nos dois casos, dois grupos de pessoas afins, de pessoas que viveram simultaneamente nas duas encarnações estivessem ligadas. Mas isto não quer dizer que Kennedy tenha sido Lincoln. É preciso termos muito cuidado nessa questão, porque o processo reencarnatório é um processo que determina, sobretudo, uma questão de evolução, de necessidade evolutiva do espírito, e não tem a finalidade de nos trazer sempre as mesmas situações já vencidas em um século atrás, um século passado.

 

Download Pergunta nº 8: E quem não conhece Jesus

 

Locutor - Professor, o nosso ouvinte, continuando sua carta, Adelísio Abade Conceição, pergunta: A revista Manchete de número 1097 publicou uma reportagem na qual dizia que Cristo morreu pela salvação dos homens. No entanto, na mesma revista de número 1105, em edição de 23 do corrente mês, uma leitora discordou dizendo: Cristo morreu por causa dos homens que não queriam seguir seus ensinamentos. Daí surge a minha dúvida. Concluiu a leitora: quem quiser sua salvação, tem que seguir os ensinamentos de Jesus.

 

J. Herculano Pires - Eu não sei bem qual é sua dúvida. Suponho que seja a seguinte: o senhor diz assim “daí surgiu a minha dúvida” e repete a frase da leitora: “quem quiser a salvação, tem que seguir os ensinamentos de Jesus”. O senhor, naturalmente, tem dúvida no seguinte, segundo eu penso, segundo eu percebo da sua pergunta: é preciso que todos sigam os ensinamentos de Jesus para salvar-se? E aqueles que não conhecem Jesus? Será essa a sua dúvida? Na verdade, existem no mundo milhares de criaturas no mundo que não conhecem o Cristo, que nunca leram o evangelho de Jesus e, consequentemente, poderiam não ser salvas se não seguissem seus ensinos. Mas acontece que os ensinos de Jesus estão no mundo desde que o mundo é mundo, muito antes de ele vir à Terra para nos trazer o seu evangelho. Grandes figuras estiveram na Terra, grandes espíritos enviados por ele, preparando seu advento aqui. E esses espíritos ensinaram os mesmos princípios. Os princípios do evangelho constituem aqueles que regem, na sua essência, todas as religiões do mundo. Não quer dizer, portanto, seguir Jesus que se tenha de seguir os ensinamentos dessa ou daquela igreja cristã. O que importa no ensinamento de Jesus não são os dogmas instituídos pelas igrejas, não são os formalismos eclesiásticos. Não. O que importa são, isto sim, os ensinos morais, espirituais que tocam realmente o espírito do homem e o fazem sentir diante dele a responsabilidade que têm de seguir para o seu desenvolvimento, para o seu aprimoramento. Do fato, quem não segue a Jesus, seja o maometano, seja budista, seja taoista, xintoísta, ou o que quer que seja, de qualquer religião do mundo, quem não cumprir aqueles preceitos que Jesus nos deu para nós pautarmos a nossa vida aqui na Terra, não conseguirá salvação do ponto de vista da evolução espiritual, segundo o espiritismo. E terá de voltar à Terra várias vezes para aprender a se tornar cristão, mesmo que não seja rotulado de cristão. Eu quero, para terminar isso, dar-lhe um volume de O Evangelho Segundo o Espiritismo no qual o senhor encontrará esclarecimentos maiores sobre isso. É o Evangelho da editora LAKE. O senhor recebe esse livro como presente de irmão deste programa e dessa editora, e pode procurá-lo a partir de segunda-feira próxima em qualquer dia e em qualquer hora dentro do horário comercial na sede do escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46 – 11º andar, conjunto 1.111. Lá chegando, o senhor encontrará este livro num pacote destinado ao senhor com o seu nome.

 

Faça suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Durante a semana você pode usar os telefones 269-4377 ou 269-6130 para fazer suas perguntas. E na primeira quarta-feira do mês, venha ao nosso auditório à Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, para fazer suas perguntas ao microfone, ouvir as respostas na hora e dialogar conosco a respeito. Primeira quarta-feira do mês, às 20h30. Vamos repetir os números para as perguntas telefônicas: 269-4377 ou 269-6130.

 

Download O evangelho do Cristo em espírito e verdade. Não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica. Abrindo o evangelho ao acaso, encontramos em Gl, 3:1-9 a seguinte passagem:

 

Ó insensatos Gálatas! Quem vos fascinou a vós ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós. Recebestes o espírito por obras da lei ou pela mensagem da fé? Sois tão insensatos. Tendo começado no espírito, estais agora vos aperfeiçoando na carne? Sofrestes tantas causas em vã, se é que na verdade foram em vão? Aquele que vos subministra o espírito e opera milagres entre vós, acaso, fá-lo ele por obras da lei ou pela mensagem da fé? Justamente como Abraão creu a Deus e foi lhe imputado para justiça, sabei, pois que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. A escritura prevendo que Deus justificaria os gentios pela fé, de antemão anunciou as boas obras a Abraão. Em ti serão bem-aventuradas todas as nações.

 

Neste trecho da epístola do apóstolo Paulo aos Gálatas encerra naturalmente o ensinamento, que de acordo com as igrejas, é interpretado também em vários aspectos. Entretanto, quando nós olhamos o problema do texto, da letra à luz do espírito, quando não nos apegamos apenas à letra que mata, segundo ensinou o próprio Paulo, mas procuramos sentir o escrito pelo espírito que vivifica, saltam aos olhos alguns aspectos bastante importantes do ponto de vista do espiritismo. Quando Paulo fala em obras da lei e mensagem da fé, chamando atenção dos Gálatas, chamando-os mesmo de insensatos por eles não compreenderem a situação em que se encontram no cristianismo nascente, no momento em que recebem a nova revelação, quando Paulo faz essas referências, nós precisamos compreender bem algumas expressões como, por exemplo, “obras da lei”. Sabemos que muita gente nos acusa em várias religiões cristãs de materializarmos o problema da salvação ao dizer que “sem caridade não há salvação”, “que fora da caridade não há salvação”. Então dizem aqueles que querem nos contradizer, contradizer os espíritas: não é pela obra que se salva, mas sim pela fé. Eles se baseiam se apoiam principalmente nesta passagem do apostolo Paulo. Entretanto, quando Paulo fala em obras da lei, a que ele se refere? Por acaso, se refere a obras de caridade? À conduta do homem na vida? Ele se refere às atividades do indivíduo? Não. Paulo se refere às obras da lei que são aquelas que a lei mosaica exigia que os judeus cumprissem no templo de Jerusalém. Ele está se referindo, portanto, aos rituais do templo. Obras da lei são as exigências rituais do judaísmo. Não é através das obras da lei, não é através do ritualismo das igrejas, das exigências rituais de qualquer religião, que nós encontramos a salvação. Mas sim na fé. E por isso mesmo, ele acrescenta aqui logo em seguida que Abraão, por exemplo, não recebeu pelas obras que ele não tinha praticado, que ele não tinha feito, mas sim pela fé. E que aqueles que ministram o espírito e operam milagres, pergunta ele: por acaso, fazem isto através das obras, ou fazem através da fé? Porque também Jesus não se entregou à prática das obras da lei. Jesus, como sabemos, compareceu ao templo, compareceu às sinagogas, mas não para o cumprimento do ritualismo determinado e para seguir as práticas rituais ali estabelecidas, e sim para muitas vezes desprezá-las ou contrariá-las a ponto de ser advertido pelos fariseus quanto ao seu desprezo pelas chamadas obras da lei. E aqueles que ministravam o espírito e operavam milagres entre o povo eram, como sabemos, os discípulos de Jesus que também não se submetiam às práticas rituais das igrejas. É por isso que Paulo adverte aos Gálatas: insensatos! Que tendo começado pela fé, tendo aprendido no cristianismo nascente as necessidades da fé, entretanto, depois procuravam tornar às obras da lei. No mesmo sentido em que ele advertia quanto à tentativa judaica de introduzir no cristianismo nascente certos rituais do judaísmo inclusive o batismo, inclusive o batismo da circuncisão, que era um tipo diferente de introdução do homem numa determinada fé naquele tempo. Ora, vemos que este trecho da epístola do apóstolo Paulo coincide perfeitamente com o conteúdo do nosso programa de hoje, não obstante tenha sido o evangelho sido aberto ao acaso, sem nenhuma intenção e pelas mãos de uma locutora da rádio que estava presente ao nosso programa e que não participava absolutamente do sistema do programa. Entretanto, ao abrir por acaso, ela encontra precisamente esta mensagem que vem completar o nosso programa de hoje, trazer o ensino evangélico para a confirmação de tudo quanto aqui foi dito.

 

Estamos na era do espírito, e devemos compreender o espírito desapegando-nos da letra e de todo o formalismo que possa impedir a nossa compreensão espiritual da mensagem espiritual do Cristo.

 

Ciência e religião conjugam-se na verdadeira cultura. O tempo do materialismo e do religiosismo cego já passou. Não seja um farauto, não seja um retrógrado; desenvolva o seu conhecimento, complete a sua cultura, acerte o seu passo com os novos tempos. Participe do nosso debate radiofônico.

 

No Limiar do Amanhã tragada: foi a morte na vitória.

 


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