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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

No Limiar do Amanhã: um desafio no espaço.

 

Estamos em dezembro, último mês do ano e último da primavera. Aproxima-se o verão, morrem as flores, mas nascem os frutos que o outono se incumbirá de amadurecer. Assim é o tempo, assim é a vida, mas cada estação do ano, como cada idade na existência, tem a sua função, o seu valor, as suas vantagens.

 

Cada ano que passa nos torna mais velhos no corpo e mais jovens no espírito, porque ainda somos crianças espirituais, brincando desprevenidas com as ilusões da vida. O mundo nos fascina e nos engana, mas os anos se incumbem de nos desiludir através das experiências. Nosso espírito se aprimora e se aguça na roda viva do tempo. Tinha razão o poeta Olavo Bilac: envelheçamos rindo, envelheçamos como as árvores fortes envelhecem, agasalhando os pássaros nos ramos, dando sombra e consolo aos que padecem.

 

Jovens ouvintes, aproveitai a primavera da vida para iluminar-vos ao som do espírito que faz nascerem as flores da alma. Ouvintes adultos, aproveitai o verão da existência para cuidar dos frutos da experiência e amadurecê-los no outono que se aproxima. Ouvintes que envelheceis, não vos assusteis com as neves do inverno, porque elas cobrem os celeiros da vida e prenunciam a primavera de uma vida nova. Cada idade, amigos, é um novo degrau da escada de Jacó, pela qual as almas descem à Terra e sobem aos céus no trânsito do infinito. Dezembro é o mês dos balanços, de encerramento de atividades, de avaliação dos resultados; aproveitemos esse dezembro para fazer o balanço das nossas experiências e a avaliação das nossas conquistas no plano do espírito. Não importam os fracassos materiais. Geralmente esses fracassos representam vitórias que só o futuro valorizará. Analisemos bem o ano que se finda e nos preparemos para fazer o melhor no ano que se aproxima. Cada ano, como cada dia, será o que dele fizermos pela nossa vontade e pelo nosso amor.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 90, segundo ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Amigo ouvinte, aqui estamos de novo com as mensagens do amanhã. Não tenha dúvidas, amigo, o amanhã é sempre melhor, dia-a-dia crescemos para a espiritualidade e avançamos para o infinito. Ouça-nos todas as semanas neste dia e neste horário, ligando o seu receptor para a Rádio Mulher de São Paulo 730khz, para Rádio Morada do Sol de Araraquara 640khz e para a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, estado do Paraná, 780khz. Todas as semanas neste dia e neste horário.

 

O espiritismo é uma doutrina de três aspectos que abrange a ciência, a filosofia e a religião. Não pode e não deve ser praticado sem conhecimento, sem estudo. Por isso daremos a você, amigo ouvinte, conforme os termos e o assunto da sua pergunta, um livro que o ajudará a compreender melhor a nossa resposta. Livro é presente de amigo, mas livro espírita é presente de irmão. Preste atenção no presente de irmão que lhe dermos e vá buscá-lo a partir de segunda-feira dentro do horário comercial, no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111. Os ouvintes do interior receberão os seus livros pelo correio. Esta é uma promoção da Rádio Mulher e das editoras espíritas de São Paulo: Geem do Grupo Espírita Emmanuel, Edicel, Edigraf e Lake. Atenção, o ouvinte só tem direito ao livro que for indicado na resposta como presente de irmão. Os livros apenas citados para indicação de fontes não devem ser procurados.

 

Procure apenas o seu presente de irmão e trate de lê-lo o quanto antes. Livro guardado não ensina ninguém. Aprenda lendo.

 

Perguntas e respostas. As perguntas por carta devem ser dirigidas a Rádio Mulher, Rua Granja Julieta 205, travessa da Avenida Santo Amaro, São Paulo. Não faça relatório, faça perguntas. Durante a semana no horário comercial você pode fazer as suas perguntas pelos telefones 269.4377 ou 269.6130. Ouça as respostas pela Rádio Mulher em São Paulo 730khz, pela Rádio Morada do Sol em Araraquara 640khz, pela Rádio Difusora Platinense em Santo Antônio da Platina, Paraná, 780khz. Todas as semanas neste dia e neste horário.

 

Locutor - Professor, o ouvinte Luís Seminário, da Rua José Maurício de Oliveira, Carapuava, Guarulhos, nos escreve dizendo: ouço com satisfação e muito interesse o programa da Rádio Mulher, aos sábados das 19 horas em diante. Acho maravilhoso especialmente porque as respostas me parecem tão esclarecedoras e convenientes. O que me entristece o fato de não ter lido ainda nenhum dos seus livros, mas vou corrigir essa falha da qual me penitencio sinceramente.

 

J. Herculano Pires - Agradecemos muito a esse ouvinte generoso pelas expressões com que saúda o nosso programa e o elogia. Realmente nós todos aqui na Rádio Mulher fazemos um esforço contínuo para manter o programa no nível que nos parece mais adequado à divulgação das verdades do espiritismo, dos seus princípios renovadores para o mundo que tanto deles necessita.

 

Pergunta nº 1: Caridade indiscriminada

 

Locutor - A seguir o ouvinte coloca o problema da caridade indiscriminada perguntando se não somos responsáveis pela viciação das crianças. “Que pais irresponsáveis ensinam a pedir, esmolando nas ruas? O que o senhor diz sobre isso, professor?”

 

J. Herculano Pires - A sua preocupação é justa. Muitos dos nossos companheiros de espiritismo pensam a mesma coisa: que não deveríamos dar esmolas indiscriminadamente a todos aqueles que nos pedem. Entretanto, o ensino do evangelho é bem claro nesse sentido: não manda que perguntemos para quem estamos dando, manda apenas que demos para aquele que pedir. Porque os que pedem, necessitam de uma forma ou de outra.

 

Se o indivíduo pede sem necessitar realmente do ponto de vista material – o que não me parece justo –, mas se ele pede assim, na verdade psicologicamente do ponto de vista de um desequilíbrio da sua personalidade, do seu espírito, ele está necessitando de ajuda e talvez aquela pequena ajuda material que lhe estendamos, seja mais benéfica para ele do que podemos pensar. No tocante às crianças que andam pelas ruas esmolando, nós estamos diante de um problema social muito grave. Um problema que exige de todos nós muita atenção e até mesmo exige uma providência de nossa parte junto das autoridades, apelando a elas para que tomem uma providência sempre que possível nesse sentido. Nós sabemos que as crianças são criaturas ainda em desenvolvimento, susceptíveis de sofrer influenciações de todas as espécies e a sua personalidade pode ser modelada pelas experiências que estão realizando. Crianças esmoleres, portanto, podem ser mendigos no futuro, ou podem ser criaturas fingidas a quem o senso de franqueza e de lealdade não premiará.

 

Nós então devemos naturalmente nos preocupar com isso, mas quando nós repelimos uma criança que pede, quando nós não lhe concedemos nada, também estamos faltando para com a sua sensibilidade infantil, com a caridade e a falta com a caridade é sempre realmente uma falta grave para nós, do ponto de vista moral. Não podemos, portanto, negar à criança pelo menos um pequeno auxílio, uma palavra de conforto, um esclarecimento, uma tentativa de ajudá-la no sentido de mostrar que ela não deve continuar esmolando nas ruas. Mas rejeitá-las não nos é possível. Nós não podemos ser cúmplices daqueles que não respondem pela natureza e o futuro de seus filhos. Mas acima de nós está naturalmente o poder público, estão as autoridades incumbidas de zelar pelos menores. Portanto, a nossa solução, segundo me parece, é apelar a essas autoridades para que protejam essas crianças, encaminhando-as o quanto possível a criaturas responsáveis que possam tomar conta delas, que possam mantê-las em tantos e tantos orfanatos, lares organizados hoje em nossa Terra, em nosso estado, em nosso país, para que essas crianças não continuem nessa situação humilhante nas ruas e nas praças da cidade.

 

 

Download Pergunta nº 2: Filas de distribuição de auxílio

 

Locutor - A seguir o ouvinte pergunta se as filas de distribuição de auxílio aos pobres correspondem à caridade responsável.

 

J. Herculano Pires - Esse problema das filas é outro problema que tem sido sempre encarado por duas maneiras diferentes. Na verdade, nós temos de analisar o problema pesando as razões das duas partes: aquelas que condenam as filas e aquelas que as aprovam.

 

As pessoas que condenam as filas alegam que elas são humilhantes para os que pedem e que ao mesmo tempo há nas filas muitas criaturas que não precisam de nada e que estão recebendo indevidamente aquilo que devia caber a outras criaturas mais necessitadas.

 

Aquelas pessoas que defendem as filas dizem que na verdade isso não importa; o que importa é que haja possibilidade de atender as necessidades angustiantes do próximo, pelo menos de vez em quando, de acordo com as nossas possibilidades.

 

Nós estamos novamente diante de um grave problema social que aflige, aliás, todas as nações do mundo, e diante do qual nós precisamos ponderar bem as nossas atitudes e também os nossos julgamentos. Seria muito bom que não precisasse haver filas, seria muito bom que não precisássemos distribuir nada aos pobres no dia de natal ou em outros dias semelhantes. Mas também não seria bom que no dia de natal, no fim de ano, nas oportunidades várias da vida e mesmo no correr de cada ano, em dias precisamente marcados para essas distribuições, não houvesse a distribuição de gêneros e de auxílio àqueles que tanto necessitam.

 

Se não é possível estabelecer ainda do ponto de vista oficial, um serviço que mantenha o equilíbrio dessas famílias desamparadas, dessas criaturas que sofrem de necessidades cortantes e tremendas em sua própria carne, em seus próprios lares, se isso não é possível do ponto de vista oficial, é justo e é necessário, é até mesmo obrigatório que os corações sensíveis, as criaturas voltadas para o bem, interessadas no socorro ao próximo, façam alguma coisa por elas. Se as filas são humilhantes não é por culpa daqueles que distribuem recursos aos pobres, é por culpa daqueles que não conseguiram até agora estabelecer o equilíbrio social necessário para que essas filas não existam. Dessa maneira, não me parece justo condenarmos as filas como uma caridade sem responsabilidade. Não. A responsabilidade da caridade se cumpre toda vez que nós damos àqueles que necessitam o nosso auxílio com amor e com dedicação.

 

 

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Pergunta nº 3: Crianças misteriosas

 

Locutor - Por fim pergunta o nosso ouvinte: “Como devo agir quando crianças, que não sei de onde vêm, batem a minha porta, que se recusam a levar-me a suas casas para ver seus pais, que ficam de voltar com suas mães, mas não voltam? Aguardarei, pois, seu próximo programa, pedindo ao senhor que o abençoe, se puder me esclarecer. Se não o fizer, aguardarei até que o faça. Muito obrigado professor Herculano Pires, meu irmão.”

 

J. Herculano Pires - O senhor não tem nada que agradecer a mim, eu estou dando aqui apenas as minhas opiniões, dentro do ponto de vista da orientação espírita que é, graças a Deus, a minha orientação no tocante a todos esses problemas.

 

Eu queria lembrar ao senhor que quando essas crianças batem à sua porta solicitando auxílio e se mostram assim rebeldes, a ponto de o enganarem no tocante às promessas que fazem, o senhor deve, antes de mais nada, ponderar a possibilidade de uma atitude sua mais positiva no atendimento a essas criaturinhas. Talvez lhe seja possível no entendimento com criaturas do seu bairro, criaturas amigas e interessadas também em sanar esse problema social, talvez seja possível o senhor iniciar um movimento para a criação de um novo orfanato, de um novo lar para crianças. Talvez seja possível também, uma vez criado e instalado esse lar, um entendimento com as autoridades responsáveis pelos menores a fim de que as criaturas nesse estado, nessa situação difícil em que se encontram, sejam socorridas, sejam amparadas dentro da instituição que pelas suas próprias mãos caridosas e generosas pode ser criada. Aliás, para completar a nossa conversação, eu quero que, de acordo com a condição estabelecida já por este programa, oferecer-lhe um presente de irmão que será o livro “O Tesouro dos Espíritas” de Miguel Vives. Esse livro lhe será dado como presente de irmão por este programa e pela editora Edicel. O senhor deverá procurá-lo no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar – conjunto 1.111, a partir de segunda feira no horário comercial. Eu gostaria que o senhor atentasse bem para o conceito de caridade exposto neste livro de Miguel Vives que foi um grande espírita espanhol.

 

Download Pergunta nº 4: Comunicar-se com seus parentes já falecidos

 

Locutor - Professor, o ouvinte Júlio Santos Bicudo, da Rua Padre João, Penha, nos faz as seguintes perguntas. Primeira: “Qual a possibilidade de um médium entrar em comunicação com um espírito já desencarnado?”

 

J. Herculano Pires - O médium tem mesmo essa função, quer dizer, a possibilidade que ele tem de entrar em comunicação com o espírito desencarnado depende naturalmente de condições que escapam ao controle dele, médium. Mas a possibilidade é implícita na sua própria condição de médium. Desde que haja a possibilidade espiritual desse ou daquele espírito se comunicar por ele, esse espírito se comunicará com a necessária facilidade.

 

Locutor - Nos diz o seguinte, o nosso prezado ouvinte, que gostaria de ir a um centro espírita para tentar comunicar-se com seus parentes já falecidos.

 

J. Herculano Pires - Aí já se trata de outra coisa.

 

Os espíritos se comunicam por sua própria vontade. Muita gente acusa os espíritas de forçarem os mortos a voltarem da vida espiritual para falar conosco nas sessões mediúnicas. Essas pessoas se enganam redondamente. Os espíritas não têm poder nenhum para forçar os mortos a se manifestarem. Os espíritos se comunicam quando eles querem e precisam e não devemos de forma alguma atormentar os nossos parentes falecidos com evocações, chamando-os à comunicação mediúnica nesse ou naquele centro.

 

O senhor o que deve fazer é orar pelos seus parentes falecidos, por aquelas criaturas que o senhor amou e continua amando aqui na Terra. Ore por elas, faça as suas vibrações mentais pedindo a Deus, pedindo a Jesus, pedindo aos bons espíritos que lhes deem o amparo de que eles necessitam. E se quiser frequentar um centro, frequente-o, esperando que, quando possível e quando da vontade desses seus parentes, eles se comuniquem através de um médium. Mas tudo isto de maneira puramente espontânea, sem que o senhor procure forçá-los nem mesmo através dos seus apelos mentais. Quero dar ao senhor um presente de irmão que será o livro “Iniciação Espírita”. Este livro, de Allan Kardec, o senhor poderá retirar no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, de acordo com o endereço que já dei anteriormente e que o senhor ouvirá ainda nesse programa. Retire-o e leio-o. “Iniciação Espírita” o ajudará muito a compreender este problema da sua pergunta.

 

 

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Locutor - A primeira quarta-feira de dezembro será no dia 06. Teremos então o nosso programa de auditório com perguntas feitas ao microfone e respondidas na hora. Esse programa, do próximo dia 06 será dedicado ao natal. Convidamos a você, amigo ouvinte, seja espírita ou não, a preparar suas perguntas sobre o natal e vir fazê-las em nosso auditório na Rua Granja Julieta, 205, última travessa da Avenida Santo Amaro, em São Paulo. Pergunte, ouça a resposta na hora e se discordar, discuta conosco. Estaremos aqui para isto.

 

Pergunta n° 5: Necessidade de suicídio

 

Locutor - Professor, o ouvinte Gilberto Martins, da Rua Manuel Justiniano, Freguesia do Ó, nos escreve dizendo que tem um filho de 26 anos, casado e pai de um filho. Desde os dois anos ele sofria de ataques estranhos e com o tratamento no hospital das clínicas não teve mais ataque.

 

Depois dos 20 anos, ele vem sempre falando em suicídio. Quando ele se casou, diz o ouvinte, teria pensado que ficaria bom e talvez mudasse de atitude, mas de nada adiantou, pois ele está cada vez mais perturbado e falando em suicidar-se. Esteve num centro espírita com a fotografia dele e lá lhe disseram que seu filho tem que trabalhar lá como médium.

 

Portanto, o ouvinte pede que o senhor lhe dê uma orientação e o endereço de um centro espírita ou clínica médica para que ele possa levar seu filho.

 

J. Herculano Pires - O caso do seu filho, de acordo com o que nós podemos tirar das nossas experiências no espiritismo, é um caso de perturbação espiritual; é um caso de obsessão. São espíritos perturbadores que agem sobre ele, isso, evidentemente, principalmente no tocante a essas ideias de suicídio que agora lhe ocorrem. Entretanto, diz o senhor, que ele passou por um tratamento em hospital e conseguiu evitar os ataques que sofria. Certamente, portanto, ele tem também perturbações orgânicas e essas perturbações podem ser, podem ter sido produzidas, e devem mesmo ter sido, pela ação dos espíritos obsessores.

 

Como se trata de um caso que vem de longo tempo, é evidente que o seu filho veio para a Terra já com o compromisso de enfrentar a perturbação desses espíritos que são seus credores de vidas passadas. Há, portanto, uma relação estreita entre ele e os obsessores. Por isso mesmo é necessário que ele não compareça apenas a um determinado centro para funcionar como médium, mas sim que frequente um centro bem orientado, onde pessoas conhecedoras do problema espírita e esclarecidas também sobre as consequências orgânicas que certas obsessões podem produzir, deem a ele o auxílio, o amparo de que necessita.

 

Eu acho que o senhor devia procurar o centro espírita Renovação, à Rua Espírita, 116, no Lavapés, no bairro do Lavapés. Lá nesse centro, o senhor poderá ir na segunda-feira ou na sexta-feira; as sessões tanto na segunda como na sexta-feira começam às 20h30, quer dizer, às oito e meia da noite.

 

Pois bem, comparecendo ali, o senhor procurará os dirigentes do centro, conversará com eles a respeito, levará o seu filho – não adianta levar retrato, essa questão de levar retratos é uma superstição que absolutamente não está dentro dos princípios espíritas. O senhor leva ele pessoalmente. Se por acaso não puder levá-lo, o senhor vai primeiro, conversa com os dirigentes do centro, dá o nome do seu filho e pede a eles que façam preces em favor do seu filho, mas continua insistindo para levá-lo até lá.

 

Ele oporá resistências, mas depois cederá; cederá e, indo ao centro, ele será grandemente beneficiado.

 

Por sinal, eu vou dar ao senhor um presente de irmão que é o livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Este é um presente que lhe é dado pelo programa “No Limiar do Amanhã” e pela Livraria Allan Kardec Editora. Este livro o senhor pode retirá-lo no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar – conjunto 1.111, a partir de segunda feira no horário comercial. Eu aconselho o senhor fazer o seu filho ler este livro. Convide-o a fazer leituras juntamente com o senhor. Se possível em uma reunião de família, o senhor e mais pessoas da família, pelo menos uma vez por semana. Lendo “O Evangelho segundo o Espiritismo” com atenção, pensando e meditando segundo as suas lições, o senhor estará prestando um grande auxílio ao seu filho.

 

 

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Locutor - A ouvinte Ana Maria Pereira, da Rua Luiza Penteado, Vila Esperança, gostaria de ganhar do programa “O Livro dos Espíritos”, pois diz que é doente e não pode andar e tem um grande conforto espiritual. Diz também em sua carta que sua salvação sempre foi o espiritismo.

 

J. Herculano Pires - Pois que continue a sê-lo. O espiritismo tem sido realmente a salvação de muita gente e continuará a ser pelos anos futuros, porque na verdade essa é a função do consolador prometido por Jesus, principalmente como sabemos no evangelho de João. A função do espiritismo é consolar, salvar, orientar esclarecer as pessoas. A senhora terá o livro que nos pede. Pode procura-lo no escritório da Rádio Mulher, na Rua Barão de Itapetininga, conforme nós temos dado aqui com o endereço minucioso. A senhora receberá lá “O Livro dos Espíritos” como um presente de irmão dado pelo programa “No Limiar do Amanhã” e pela Livraria Allan Kardec Editora, a editora LAKE.

 

Locutor - As perguntas por carta devem ser dirigidas à Rádio Mulher, Rua Granja Julieta 205, travessa da Avenida Santo Amaro, São Paulo. Não faça relatório, faça perguntas. Durante a semana no horário comercial você pode fazer as suas perguntas pelos telefones 269.4377 ou 269.6130. Ouça as respostas pela Rádio Mulher em São Paulo 730khz, pela Rádio Morada do Sol em Araraquara 640khz e pela Rádio Difusora Platinense em Santo Antônio da Platina, Paraná, 780khz. Todas as semanas nesse dia e nesse horário.

 

Perguntas e respostas. A primeira quarta-feira de dezembro será no dia 06, teremos então o nosso programa de auditório com perguntas feitas ao microfone e respondidas na hora. Esse programa do próximo dia 06 será dedicado ao natal. Convidamos a você, amigo ouvinte, seja espírita ou não, a preparar as suas perguntas sobre o natal e vir fazê-las em nosso auditório, na Rua Granja Julieta, 205, última travessa da Avenida Santo Amaro em São Paulo, na próxima quarta-feira a partir das 20h30. Pergunte, ouça a resposta na hora e se discordar, discuta conosco, estaremos aqui para isso.

 

J. Herculano Pires - Muito bem, Paulo José, foi bom você ler esse texto nesse momento porque realmente nós precisamos insistir com os nossos companheiros ouvintes, que venham para o nosso auditório no próximo dia 06, primeira quarta-feira de dezembro, trazendo as suas perguntas sobre o natal. Porque nós precisamos comemorar o natal de maneira mais ativa, mais dinâmica; não apenas com festas, não apenas com essas alegrias passageiras que nós habituamos a realizar e a gozar nesse dia. Nós precisamos aprofundar o problema do natal, conhecê-lo melhor: o que ele representa, o que há nele de real, de verdadeiro, de profundo, o que há nele de espiritual, o que há nele de lendário, o que há nele de simplesmente tradicional, sem haver uma razão de ser para certas posições e situações em que nos encontramos no natal ou diante dos problemas do natal nesse dia. Assim eu estendo também daqui o meu convite pessoal a todos os ouvintes que nos ajudem nesse dia, no dia 06, a preparar uma comemoração do natal mais eficiente, discutindo, debatendo os seus problemas aqui no nosso auditório, transmitindo-os depois pela nossa Rádio para que toda São Paulo e todos os nossos ouvintes de fora se São Paulo possam também participar do nosso interesse. Assim criaremos um clima novo em torno do natal, um clima de esclarecimento desse problema.

 

Pergunta nº 6: Vegetarianismo

 

Locutor - Professor, o ouvinte Wilson Gaspar, da Rua Catatens, Cangaíba, nos escreve fazendo as seguintes perguntas. Primeira: “Nosso Senhor Jesus Cristo era vegetariano?”

 

J. Herculano Pires - Não! Nós podemos ver isso no Evangelho. Jesus participava da ceia habitual, da ceia ritual dos judeus na páscoa. Jesus realizou mesmo a sua última ceia com o cordeiro pascoal, comendo, portanto, carne de carneiro. Jesus comia peixes, como nós sabemos, e como encontramos nos relatos evangélicos, e mesmo depois da sua morte, nas aparições que ele teve, também ele se serviu desses alimentos. De maneira que Jesus absolutamente não era vegetariano.

 

 

Download Pergunta nº 7: Matar para comer

 

Locutor - “Há algum mal em matar os animais para a nossa alimentação? Já li no livro dos provérbios, na Bíblia, que quem mata um boi é como se matasse um homem. Como o senhor explica isso?”

 

J. Herculano Pires - Realmente quando se mata um boi sem nenhuma justificativa para isso, sem nenhuma necessidade, é um crime semelhante ao de se matar uma criatura humana, porque toda criatura viva tem direito a viver, tem direito à vida. No tocante à alimentação carnívora, nós encontramos no “Livro dos Espíritos” a posição bem clara do espiritismo a respeito. Essa alimentação é realmente cruel. Desde que nós matamos um animal para comê-lo, estamos praticando um ato de crueldade, esse ato de crueldade vem, entretanto, dos tempos de barbárie, dos tempos ainda em que fomos selvagens e no desenvolvimento da civilização, ainda em épocas bastante rudes, nós não fomos capazes de compreender a necessidade de nos alimentarmos de maneira mais suave, de maneira mais pura e mais elevada. Entretanto, acontece o seguinte, de acordo com o que nos esclarece o “Livro dos Espíritos”, nós estamos ainda numa condição evolutiva tão inferior, nós a humanidade no sentido geral, que alimentação de carne não pode ser suprimida de um momento para outro. Grandes nações do mundo, como nós sabemos, vivem dessa alimentação. Por toda a parte os animais ainda são terrivelmente sacrificados, nas grandes cidades o morticínio de animais é enorme para satisfazer a fome ou mesmo o simples desejo, o simples gosto, o simples paladar de milhões de criaturas ansiosas por comer carne.

 

Não só o costume, mas também as próprias necessidades orgânicas do homem, ainda bastante grosseiro na sua forma física, exigem em grande parte a alimentação carnívora, e tanto exigem que essa alimentação é a mais espalhada, a mais consumida na Terra inteira. Dessa maneira, as campanhas vegetarianas são inegavelmente campanhas idealistas, objetivam a modificação da alimentação humana, uma purificação da criatura humana, mas nós temos de convir, encarando as coisas do ponto de vista da realidade, encarando-as, portanto, positivamente que nós não podemos suprimir a alimentação carnívora na Terra, de um dia para o outro.

 

Essa supressão será feita lentamente, na proporção em que a criatura humana se espiritualize. Mas olhando para o mundo de hoje e vendo a situação ainda bastante bárbara em que se encontra a humanidade, nós podemos compreender que estamos bem longe do momento em que o ideal vegetariano triunfará sobre a Terra.

 

Aliás, eu queria lembrar também, uma vez que tratamos disso, que se Jesus não era vegetariano, era exatamente por isso. O seu espírito elevado, sublime, divino, era o espírito que não necessitava da alimentação carnívora. Mas se ele se privasse dessa alimentação, ele que decidiu por si mesmo fazer o sacrifício de encarnar-se na Terra e sujeitar-se a todas as condições humanas para viver como homem, se ele se privasse naquele tempo e numa terra de civilização agrária e pastoril como Israel, onde a alimentação carnívora era não só uma necessidade, mas um hábito e quase que uma obrigação honrosa, uma obrigação de honra, se Jesus se privasse disso, ele estabeleceria uma distância muito grande entre ele e os homens a quem ele deveria salvar. Ele fez, portanto, o sacrifício de comer carne para participar mais intensamente da vida humana e poder falar com os seus semelhantes de homem para homem.

 

Nós temos recentemente, na história recente, temos um exemplo que nos mostra como isso realmente se passou no tempo de Jesus. É o exemplo de Mahatma Gandhi na Índia. O Mahatma Gandhi não tinha necessidade de comer carne, porque na Índia a alimentação carnívora é praticamente proibida. Ele não comia carne, mas ele também não tinha necessidade de andar com uma túnica tão pobre, tão miserável como ele andava, quase nu, não tinha necessidade de viver aquela vida, porque ele era um homem pertencente a uma família superior e além disso um advogado formado na Inglaterra, um homem de grande inteligência, de grande cultura, que já havia inclusive obtido várias vitórias jurídicas, tanto na África do Sul quanto na própria Índia, no exercício da sua profissão, ele não tinha necessidade de fazer assim. No entanto, ele se punha na condição mais humilde e chegava mesmo a esconder do povo as suas faculdades mediúnicas, a sua capacidade de percepção extrassensorial, de ouvir vozes, de falar com os espíritos, para que não o interpretassem como um místico, como um homem fora da realidade terrena, como um santo ou coisa semelhante. Então, ele preferia viver a sua vida modesta, simples, humilde, misturado com o povo, a fim de poder falar mais diretamente ao povo e manter um diálogo mais constante e legitimo com o seu próprio povo.

 

Isso nos mostra porque Jesus comia carne.

 

 

Download Pergunta nº 8: Seita x ciência 

Locutor - O folheto anexo é o de uma seita nova e o ouvinte gostaria de ouvir a sua opinião a respeito. Quer saber também se essa seita tem alguma coisa a ver com o espiritismo ou é uma ciência. J. Herculano Pires - Se é uma seita, evidentemente não é uma ciência. É preciso dividirmos bem as coisas. Ciência é um trabalho altamente cultural de pesquisa, de investigação de fenômenos para chegar a conclusões e a descoberta de leis. Seita é simplesmente um agrupamento de pessoas que seguem uma determinada ideia religiosa ou uma crença.

 

Eu não posso opinar sobre essa ciência ou essa seita que o senhor fala aqui, porque o seu folheto se extraviou, não veio parar às minhas mãos. Eu gostaria que o senhor oportunamente me enviasse um folheto para que eu pudesse opinar.

 

 

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Pergunta nº 9: Reencarnação em uma seita

 

Locutor - Diz o ouvinte ter perguntado a um professor desta igreja, se a reencarnação existe e ele lhe disse que para os verdadeiros filhos de Deus, não. Qual a sua opinião, professor?

 

J. Herculano Pires - Bom, agora com essa outra pergunta, o senhor me esclareceu já a respeito do assunto. Realmente se trata de uma seita e não de uma ciência, porque o senhor está falando em igreja e a resposta dada pelo pastor dessa igreja ou pelo professor, como o senhor diz aqui, é uma resposta que também coloca logo o problema em termos sectários.

 

Se ele respondeu que a encarnação existe... com licença, deixa eu ver aqui: a reencarnação existe e ele disse que para os verdadeiros filhos de Deus, não, não existe. Pois bem, se ele respondeu que a reencarnação não existe para os verdadeiros filhos de Deus, isso já nos mostra que a igreja dele ou essa seita que o senhor se refere é tão exclusivista como qualquer outra igreja, qualquer outra seita. Então, sendo exclusivista assim, eles acham que a reencarnação não pode existir para eles, porque eles são os verdadeiros filhos de Deus.

 

O senhor sabe que todas as igrejas, todas as seitas têm essa pretensão de exclusivismo; todas elas consideram os seus adeptos como verdadeiros filhos de Deus, os únicos que são salvos. A minha opinião é a de que esse professor não entende nada do assunto, ele devia estudar primeiro o problema da reencarnação para depois opinar a respeito.

 

O problema da reencarnação é hoje muito sério. Não é apenas um problema de religião, de crença, de posição religiosa; é, sobretudo, um problema de ciência e de pesquisa científica. Pesquisa científica, entenda bem, não no campo religioso, pesquisa científica no campo da ciência por cientistas que investigam o assunto. Ora, este professor ou este pastor, não está entendendo nada do assunto. Aliás, eu queria aproveitar a oportunidade para oferecer ao senhor um presente de irmão: o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. Este livro lhe esclarecerá muito este problema; lhe dará a oportunidade de compreender melhor e mais profundamente a doutrina espírita, conhecer melhor a posição espírita a respeito desses assuntos. “Iniciação Espírita” é um presente de irmão que lhe é dado pelo programa no “Limiar do Amanhã” e pela editora Edicel. O senhor pode procurá-lo no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira no horário comercial.

 

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Pergunta nº 10: Ciência ou religião

 

Locutor - O ouvinte Antônio Lara, da Rua Húngara, Lapa, São Paulo, nos escreve uma longa carta dizendo: Há na cidade de Piratininga um cidadão que se diz espírita. Esse cidadão responde perguntas a respeito da doutrina pelo jornal “A Nova Era da Cidade de Franca”. Certa ocasião, um leitor daquele jornal perguntou se o espiritismo era religião e ele respondeu que sim, mas para fazê-lo baseando-se em Arthur Conan Doyle.

 

Eu na ocasião escrevi ao colunista discordando e fazendo ver que o codificador da doutrina era o missionário Allan Kardec, sendo que o consulente deveria ser conduzido ao codificador e não a Conan Doyle, com todo respeito que nos merece o criador de Sherlock Holmes. E fiz ver àquele cidadão que Kardec deixou escrito que o espiritismo seria a ciência do futuro ou deixaria de existir, e o cidadão respondeu-me de maneira brusca, o que veio provar que ele só é espírita aparentemente.

 

Tenho em meu poder a resposta para provar o que digo, na qual ele aponta Deolindo Amorim, Carlos Imbassahy e Nazareno Tourinho como reformadores, sendo que os dois últimos suspeitos por ser roustanguistas.

 

J. Herculano Pires - Não, não, com licença. Vamos ressalvar aqui a posição de Carlos Imbassahy e Nazareno Tourinho. Absolutamente não se trata de roustanguistas. É um engano, seja do senhor, seja desse colunista. Os dois, Imbassahy e Tourinho publicaram, aliás, um livro em conjunto. Eu os conheço bem, conheci muito bem Imbassahy em vida, fui seu amigo íntimo e sou grande amigo de Nazareno Tourinho, que é, por sinal, um dos nossos grandes teatrólogos atuais no Brasil, residindo em Belém do Pará. Pois bem, os dois não têm nada absolutamente de roustanguistas; são extremamente dedicados a Kardec, conhecem bem o problema espírita, não fazem nenhuma mistura de outra qualquer doutrina, ou qualquer espécie de mistificação com a codificação espírita.

 

Mas o senhor falou aí que Kardec teria declarado que o espiritismo seria a ciência do futuro ou desapareceria. Não é bem isso. Posso informar ao senhor com segurança que não é bem isso. O que Kardec disse é que o espiritismo é uma ciência, mas não uma ciência no sentido comum da palavra. O espiritismo era a ciência do espírito, a ciência que trata da origem, da natureza e do destino dos espíritos e da sua possibilidade de relações com os homens através da mediunidade. É, portanto, uma ciência relacionada com o espírito e a ele dedicada. Mas Kardec disse que o desenvolvimento do espiritismo devia acompanhar os avanços das ciências, das ciências que cuidam da matéria, que investigam os problemas materiais. Isso porque espírito e matéria são dois elementos fundamentais do universo. Nós não podemos fazer como fizeram as ciências até há pouco: cuidarem apenas dos problemas materiais, esquecendo e negando os problemas espirituais. Nós faríamos, cairíamos no mesmo erro, se cuidássemos apenas da ciência do espírito, esquecidos da necessidade de também conhecermos os problemas da matéria.

 

Assim Kardec disse que o espiritismo e a ciência deviam caminhar de braços dados, avançando para o futuro, e que o espiritismo fazendo assim não tinha que temer de maneira alguma a evolução geral dos conhecimentos na Terra. Mas Kardec não quis com isso – eu percebo da sua posição que o senhor é contrário à tese da religião espírita –, Kardec não quis absolutamente negar a religião espírita. Kardec, ele mesmo, era religioso e, ele mesmo no seu último discurso na sociedade parisiense de estudos espíritas, poucos meses antes da sua desencarnação, explicou porque ele se recusara até aquele momento a chamar o espiritismo de religião. Disse que fizera isso por não querer que se misturasse o espiritismo, religião em espírito e verdade, religião que se destinava ao futuro da humanidade com as religiões formalistas e sectárias do seu tempo. Esta foi a atitude de Kardec e não, jamais a negação do sentido religioso do espiritismo que ele afirma inclusive na introdução ao estudo da doutrina espírita que abre “O Livro dos Espíritos” e que ele reafirma de maneira grandiosa e entusiástica em todo o livro que se chama “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

 

 

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Pergunta nº 11: Conan Doyle ou Allan Kardec

 

Locutor - Continua o nosso missivista: “Assim como o senhor não concorda com tudo que Emmanuel escreve, eu também tenho o direito de não aceitar essa religião que quer dar ao espiritismo. Kardec respondeu que o espiritismo era religioso no sentido filosófico. Eu pergunto ao senhor, que é professor de filosofia, filosofia é religião? Para nós, que não somos nada, filosofia é a ciência da especulação, nunca religião”.

 

Pergunta também, professor: “Para saber o que é espiritismo, devemos consultar Conan Doyle ou Allan Kardec?”

 

J. Herculano Pires - Primeiramente, deixa eu fazer aqui uma consideração. O senhor diz assim que eu não aceito tudo o que vem de Emmanuel ou tudo que Emmanuel escreve. Quando é que o senhor ouviu eu dizer isso? Eu sou um fã de Emmanuel, sou entusiasta de Emmanuel. Eu apenas discordei de uma opinião do Chico Xavier no “Pinga Fogo” sobre a questão dos bebês de laboratório. A opinião, ao que parece, era de Emmanuel; eu discordei daquela opinião. Isto é evidente que nós podemos discordar uma vez ou outra, de uma opinião ou outra, seja de um espírito, seja de uma pessoa que muito respeitamos aqui na Terra. Mas não quer dizer, e eu não quero que isso fique parecendo que eu vivo discordando de Emmanuel, e que tenho objeções a Emmanuel. Pelo contrário, tenho mesmo ainda agora um livro publicado conjuntamente com Chico Xavier, que é o livro “Chico Xavier pede licença” em que eu comento numerosas mensagens de Emmanuel, explicando-as e aprovando-as inteiramente.

 

Não nego o senhor o direito de discordar de alguma coisa, nós todos temos esse direito. Mas é preciso compreender que esse direito tem uma condição: nós podemos discordar quando dispomos de elementos suficientes para isso. Discordar apenas por discordar, apenas por opinião pessoal não tem sentido quando se trata de uma doutrina respeitável e profunda que tem por finalidade esclarecer os homens a respeito dos problemas fundamentais da vida e da morte. Para o senhor discordar, por exemplo, de que o espiritismo seja religião, o senhor precisa demonstrar com argumentos sólidos e evidentemente bem legítimos; o senhor precisa demonstrar porque o espiritismo não é religião.

 

Ora, Kardec demonstrou com argumentos poderosos que o espiritismo é religião, o próprio Kardec fez isso. Dessa maneira, não há motivos para o senhor querer discordar pura e simplesmente deste assunto. O senhor pergunta se filosofia é religião. Não. Por isso mesmo espiritismo se divide em três aspectos: ele é ciência, quando investiga os fenômenos; ele é filosofia, quando interpreta os fenômenos; e ele é religião, quando aplica o resultado da interpretação filosófica à conduta do homem na Terra e na vida espiritual, conduzindo-o a Deus. Por sinal, eu desejo dar ao senhor o livro que deve interessar-lhe muito no esclarecimento desse assunto. É o livro “Religião dos espíritos”, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. Esse livro psicografado por Chico Xavier é um esclarecimento precioso para o problema da religião no espiritismo. O senhor pode retirá-lo no escritório da Rádio Mulher a partir de segunda-feira. É um presente de irmão que lhe é dado por esse programa e pela editora Edigraf.

 

 

Download O Evangelho do Cristo em espírito e verdade. Não se apegue à letra que mata, procure o espírito que vivifica. Abrindo o evangelho ao acaso, encontramos o seguinte: epístola de Paulo aos Romanos, prefácio e saudação. Paulo, servo de Cristo Jesus, tomado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, que ele antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras acerca de seu filho que veio da descendência de Davi quanto à carne e que foi com o poder declarado filho de Deus, quanto ao espírito de santidade pela ressurreição dos mortos. Jesus Cristo, nosso senhor, pelo qual recebemos a graça e o apostolado por amor do seu nome, para obediência da fé em todas as nações, entre as quais sois também vós chamado para pertencerdes a Jesus Cristo. A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados para serem santos. Graças a vós e a paz da parte de Deus, nosso pai, e do nosso senhor Jesus Cristo.

 

Esta simples saudação de Paulo na introdução da epístola aos Romanos, encerra várias lições que se nós procurarmos compreender, veremos resolverem, logo de início, muitos problemas com que nos debatemos às vezes na interpretação dos evangelhos e na compreensão do

 

cristianismo. Paulo procura demonstrar que Jesus tinha ao mesmo tempo duas naturezas, ou seja, a natureza humana pela qual ele se apresentava como descendente de Davi, de acordo, aliás, pelo que nós vimos na genealogia evangélica de Jesus. Além dessa natureza humana, que pertencia naturalmente a sua encarnação terrena, Jesus tinha também uma natureza divina, de filho de Deus. Esta natureza divina, segundo esclarece Paulo, decorria do seu espírito de santidade, ou seja, da sua pureza espiritual, porque o espírito de santidade é exatamente aquilo que nós consideramos de mais puro na condição espiritual. É o que nós podemos chamar, num sentido não restritivo, como geralmente se faz, mas no sentido mais amplo, o espírito santo. Todo espírito puro é um espírito santo. Assim, a comunicação do espírito santo, de que se julgam privilegiadas algumas igrejas e seitas religiosas, é uma comunicação constante onde quer que haja um coração puro, voltado para os problemas espirituais e uma mediunidade aberta para receber as divinas manifestações de um espírito superior. Essas organizações religiosas costumam geralmente dizer que nós, os espíritas, não nos incomodamos com o espírito santo e preferimos receber os espíritos inferiores e sofredores, ou os espíritos perturbadores que são, não enviados por Deus, mas por satanás.

 

A verdade, entretanto, é bem outra. Nas comunicações espíritas por todo o mundo, as manifestações do espírito santo estão sempre presentes. Ainda agora há pouco falamos de Emmanuel. Emmanuel é um espírito santo, porque é um espírito purificado, elevado e que se coloca a serviço de Jesus da Terra, a serviço de Deus para o esclarecimento das criaturas humanas, para a orientação dos homens. Ele traz a luz para os homens, a luz que é difundida nas suas mensagens, nos seus livros, nos seus ensinos e também nas suas inspirações que ele transmite mentalmente, pessoalmente, diretamente a todas as mentes que se abrem para ele, para a percepção do seu esclarecimento espiritual. Emmanuel, como todos os demais grandes espíritos evoluídos, elevados, purificados, que se manifestam no meio espírita, representam para nós o espírito santo, da mesma maneira que nas seitas religiosas, as mais diversas, onde houverem corações puros voltados para Deus, o espírito santo também se manifestará. Há muita confusão a respeito destes problemas não só no meio cristão, como mesmo fora dele. Ora, essa epístola de Paulo, logo no início, coloca os problemas de maneira bastante clara e ele diz mesmo que Jesus não é apenas um espírito de santidade, pela sua elevação espiritual, mas também pela ressurreição dos mortos. E quando ele alude à ressurreição dos mortos nesse tópico, logo no início da carta aos Romanos, ele está afirmando aquilo que iria dizer mais tarde na sua primeira epístola aos Coríntios, afirmando que os mortos ressuscitam e que a ressurreição dos mortos não se faz na carne, como pensam ou esperam certos religiosos, mas se faz no corpo espiritual. Por isso ele dizia: temos corpo material e corpo espiritual; enterra-se o corpo material, ressuscita o corpo espiritual.

 

Foi o que aconteceu com Jesus. Jesus, depois da crucificação, submetido ao túmulo como todas as criaturas que morrem; Jesus ressuscitou, mas ressuscitou em espírito e não em carne. Da mesma maneira porque todos nós ressuscitamos e esta também é uma afirmação do apóstolo Paulo. O mesmo apóstolo que escreveu essa epístola aos Romanos sustenta na epístola primeira aos Coríntios de maneira enfática que nós todos ressuscitaremos, porque se nós não ressuscitarmos também Cristo não ressuscitou e será vã a nossa fé. Essa afirmação, portanto, de Paulo logo no início da epístola aos Romanos é uma afirmação poderosa no tocante ao esclarecimento de problemas espirituais que ainda hoje provocam infindáveis discussões no cristianismo e até mesmo dentro dos arraiais do espiritismo.

 

Estamos na era do espírito, é preciso ler livros espíritas para se esclarecer e se orientar. Participe do novo mundo que está nascendo, aprenda a verdade sobre a vida e a morte, para não temer a vida, nem se apavorar com a morte. Ajude o novo mundo a crescer lendo a revista "Educação Espírita” que lhe mostrará as perspectivas da nova educação que está surgindo. Prepare-se para auxiliar as novas gerações a se integrarem na era do espírito.

 

Esse programa não é de propaganda religiosa, mas de esclarecimento espiritual em bases racionais e cientificas. Não temos igreja, nem buscamos adeptos. Não somos pregadores, somos expositores. Divulgamos a ciência do espírito na era do espírito. Nosso lema é esse: cada crente com sua crença, cada descrente com sua descrença, mas a verdade ao alcance de todos. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade; e se você provar que está com a verdade, ficaremos com você.

 

No Limiar do Amanhã.

 


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