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heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, programa 133 para o dia 13 de outubro de 1973.

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço. Outubro, mês de Kardec, é dedicado por esse programa à educação espírita. Não há melhor maneira de homenagear Kardec, o professor que dedicou todos os seus dias e todas as suas horas aos problemas educacionais. Só aos 50 anos, o famoso professor Denizard Rivail abandonou o magistério e encerrou a sua carreira pedagógica, mas o fez para dedicar-se, até o fim da vida, sem descanso, ao trabalho maior da educação espírita.

 

Falar em Kardec é falar em educação. O que falta ao homem, dizia ele, desde os tempos de estudante no Colégio de Pestalozzi, é uma educação acertada e bem aplicada. A solução para os problemas do mundo está na educação, e o vemos depois, no Livro dos Espíritos, insistindo nessa mesma tese, com o mesmo entusiasmo da juventude: eduquemos as gerações e transformaremos o mundo, reeduquemo-nos a nós mesmos e ajudaremos o mundo com o nosso exemplo. A Revista Educação Espírita ainda não conseguiu quebrar o gelo da indiferença de muitos espíritas, mas continua a circular sob a proteção de Kardec. Enquanto aqui mesmo na capital de São Paulo, muita gente ignora a sua existência, Educação Espírita é comentada no exterior e louvada pela imprensa espírita de toda América Latina. Não basta criar escolas espíritas, é necessário criar a educação espírita para que essas escolas funcionem. A finalidade da Revista Educação Espírita é acordar a todos para a elaboração da pedagogia espírita.

 

Outubro, mês de Kardec, é o mês da educação espírita. Lançamos neste programa o desafio educacional do espiritismo a todos os professores e a todos os pais espíritas. Conclamamos os centros e demais associações doutrinárias para que colaborem conosco nesse despertar dos espíritas para os problemas fundamentais da educação espírita. Atenção, amigos ouvintes: a clarinada educacional está vibrando no ar. Todos a postos para uma campanha de divulgação da Revista Educação Espírita.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio, produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 133, terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Este programa é dirigido a todos os que querem saber, aos que não pensam que já sabem de tudo e se acomodam na ilusão das crenças. Os problemas do espírito não são uma questão de crença, mas de saber. O homem não pode crer no que não conhece, pois Deus lhe deu inteligência para pesquisar, compreender, penetrar a fundo na realidade das questões materiais e espirituais. Vai longe o tempo sombrio do crer ou morre, no creia mesmo que absurdo. Estamos no tempo de só aceitar o que é lógico, racional, compreensível.

 

Perguntas e respostas. Ouça com atenção as nossas respostas, pense sobre elas, analise-as e se discordar de alguma coisa, escreva-nos, refute-nos, discuta o problema conosco.

 

Locutor - Recebemos uma carta do senhor Pedro Arnaldo Ribeiro. Havendo ganho por intermédio desse programa um volume de o Livro dos Médiuns, ainda não o retirei pelo seguinte motivo: tenho em casa duas coleções completas de Kardec, uma de minha esposa e outra minha, portanto, já tenho duplicata do livro ofertado; assim eu lhe proporia, se houver possibilidade, a troca do referido livro por qualquer um desses: Depois da Morte, Léon Denis, Comunicações com Vivos, Bozzano, Provas Científicas da Sobrevivência, Zöllner, Paulo e Estevão, Emmanuel. Embora saiba que a editora é outra, porém faz parte do grupo patrocinador desse conceituado programa.

 

J. Herculano Pires - Eu queria explicar ao nosso missivista o seguinte: quanto à troca do livro não há dificuldade, o senhor recebe o livro que lhe foi destinado, o Livro dos Médiuns, e passa na editora Edicel, Rua Genebra 122, esquina da rua Maria Paula, e lá o senhor troca o livro por um desses que o senhor pretende. O editor e livreiro Giannini o atenderá e certamente lhe dará toda atenção necessária para que a troca seja feita sem prejuízo nenhum para o senhor. Agora, o que eu quero anotar é o seguinte: este programa não tem patrocinador como o senhor está pensando, em forma de grupos de livreiros. Não. O programa é patrocinado exclusivamente pelo Grupo Espírita Emmanuel que é uma instituição espírita que, como o senhor sabe, mantém um orfanato em São Bernardo do Campo e mantém uma editora que é a editora GEEM. Entretanto, não há patrocinador de editora propriamente dita. É do Grupo Espírita Emmanuel como um grupo doutrinário, ele é que patrocina este programa. Agora, quanto ao problema de possuir o senhor uma coleção das obras completas de Allan Kardec e sua mulher outra, acho isso bastante importante e eu quis acentuar aqui esse fato como um exemplo para muitos espíritas que ainda não possuem as obras completas de Kardec. É admirável que encontremos um espírita que tem duas coleções na sua casa, uma para o seu uso, outra para o uso de sua mulher. Não é naturalmente necessário que todo mundo faça isso. Há de ter um motivo todo especial para que o senhor tenha duas coleções. Mas a oportunidade serve também para eu deixar aqui um aviso no tocante às obras completas de Allan Kardec. Há por aí a venda constante de uma coleção de oito ou dez volumes a que deram o título de obras completas de Allan Kardec. Absolutamente não se trata de obras completas. As obras completas de Allan Kardec abrangem vinte volumes, não apenas oito ou dez. Além desses oito ou dez volumes da coleção que estão vendendo, existem mais doze volumes da coleção da Revista Espírita: doze volumes de quatrocentas a quinhentas páginas cada um, e esses volumes são tão importantes, que a todo momento, nos livros da codificação, tanto no Livro dos Espíritos como no Livro dos Médiuns, em todos os demais livros, a todo momento Kardec indica a leitura de certos trechos, de certos artigos, de certos materiais, enfim, da Revista Espírita para melhor esclarecer o estudante a respeito daquilo que está nas obras codificadas. É preciso compreender que a codificação se constitui de livros que são verdadeiros resumos da doutrina, mas a extensão desses livros se encontra na coleção da Revista Espírita de Allan Kardec, de maneira que o senhor, se não tiver esses vinte volumes, apesar de ter duas coleções, o senhor não tem as obras completas de Allan Kardec. No mais, faço votos que tudo corra bem na troca do seu livro.

 

Eu queria também aproveitar este momento para dar uma explicação aos ouvintes. Muitos ouvintes reclamaram aqui na rádio, reclamaram também em telefonemas particulares para nós, quanto ao fato de não ter ido ao ar o programa da semana passada. Nós já anunciamos aqui na rádio durante a semana e nas vésperas e no dia mesmo em que o programa devia ir ao ar, anunciamos com insistência que o programa não iria ao ar por motivos de força maior. Como todos sabem, a Rádio Mulher está passando por uma reforma nas suas instalações, uma reforma precisamente para melhorar as suas condições de trabalho, de maneira que algumas coisas que acontecem assim, alguns momentos em que nós temos de falhar, inclusive com o programa – eu espero que não se precise mais falhar –, mas dessa vez aconteceu que precisamos, essas vezes serão compensadas fartamente no futuro, quando as novas instalações estiverem já funcionando devidamente. Além disso, eu queria também explicar o seguinte: agora nós vamos passar para os resultados da maratona doutrinária do mês passado, vamos tratar disso. Lembram-se todos que a maratona doutrinária do mês passado foi feita na base de relatos, de episódios espíritas. Nós vamos ler neste programa alguns dos episódios que foram premiados. Eu quero dar aqui os nomes de todos aqueles que tiveram os seus episódios premiados. São: Moacir Santos; Geraldo, deu apenas o nome de Geraldo, mas colocou Rua 13, Granja, quer dizer, naturalmente, uma rua particular da Granja Julieta; depois Dante R.C. Jordão; depois Itália Maria Ugs; Ruan Lopes Agran; Alfredo Alves; Alcides Ribeiro; Hilda Bezerra Bacena; Gisela Bresser; Lizete R.C. Santos. Todos estes ouvintes recebem uma coleção dos números já publicados da Revista Educação Espírita. A partir de segunda-feira próxima, durante toda a semana no horário comercial, esses ouvintes podem retirar a sua coleção da revista Educação Espírita no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111. Todos podem procurar lá e retirar a sua coleção, o prêmio referente aos relatos. Não vamos ler hoje todos os relatos, vamos ler os relatos nos próximos programas. Mas hoje leremos dois relatos.

 

Pergunta nº 1: Cirurgia

 

PRIMEIRO RELATO

 

Professor, o ouvinte Geraldo da Rua 13, Granja Julieta, relata o seguinte fato: no dia 23 de setembro de 1956, quando efetuava a colocação de vidros no prédio do IAPI, no viaduto Dona Paulina, na capital de São Paulo, ao descarregar o material no 14º andar pelo lado externo, através de um guincho, ao transpor a ponte que liga o guincho ao prédio, a ponte ruiu ocasionando a minha queda. À medida que ia caindo, instintivamente ia me apoiando por escala até atingir o solo, diretamente numa valeta na qual me defendi da quantidade de madeiras que acompanhou-me na queda, as quais não me atingiram, e sem maiores consequências. Conclusão: ao ser socorrido e examinado, deveria, por prescrição médica, submeter-me a uma operação na coluna por uma fratura na última vértebra. Consultando, porém, um médium vidente, aconselhou-me a evitar a referida operação, cuja consequência seria uma séria paralisia. Seis meses mais tarde, submetendo-me a um exame radiológico, tudo achava-se normal, física e psicologicamente, isento de quaisquer problemas. J. Herculano Pires - Como veem, trata-se de um caso espírita bastante interessante. Não houve aqui, do ponto de vista assim da aparência, uma intervenção ostensiva dos espíritos no caso, mas a parte final, como nós verificamos, é bastante importante. Entretanto, nós queremos acentuar que sempre que um relato desses é lido, nós procuramos destacar as suas características de maior interesse para a elucidação e a orientação dos ouvintes no tocante aos fenômenos espíritas. O fenômeno espírita aqui evidente é o referente à operação desse operário que caiu de uma forma tão perigosa e que foi tão feliz na sua queda, tão protegido, tão amparado que, na verdade, não sofreu nada, a não ser essa fratura da vértebra. Ora, se os exames radiológicos anteriores, os exames médicos feitos, comprovaram que esse homem tinha uma vértebra partida a tal ponto que precisava submeter-se a uma operação, é evidente que houve uma consequência grave do acidente. Mas diz ele que consultou um médium vidente e que esse médium vidente o aconselhou a não realizar a operação, pois ele estava sujeito a sofrer de uma paralisia. Até aí, não podemos dizer que o médium tivesse visto com certeza e tivesse dito aquilo que devia ser dito. É, em casos dessa natureza, é preciso ter-se muito cuidado com as consultas mediúnicas. Nem sempre os médiuns videntes estão em condições de ver com absoluta certeza, mas certamente este nosso amigo já conhecia o médium vidente a quem se dirigiu, porque ele aceitou a informação do médium vidente, e não realizou a operação. Esse é um caso perigoso, como vimos, porque se ele não realizasse a operação e a sua vértebra continuasse partida, ele iria sofrer da mesma forma uma situação bastante perigosa. Então, é preciso que nos precavenhamos contra isso, é preciso estar precavidos, não devemos estar submetendo tudo à consulta dos espíritos, porque, na verdade, existem os médicos na Terra, se existe a medicina, existem todos os recursos da medicina para atender a casos como esse, é necessário que nós procuremos nos orientar pela medicina. O espiritismo não pretende substituir a medicina, não pretende anular o trabalho dos médicos; pretende apenas ajudar os médicos no esclarecimento da própria natureza humana, oferecendo-lhes a oportunidade de uma ação mais direta e mais proveitosa, mais profícua no tratamento de certas moléstias. Entretanto, neste caso particular, vemos que a consulta deu o resultado positivo. Eu quero que os ouvintes não tomem este fato como um modelo, porque muitas vezes, o médium vidente pode não ter condições de responder com segurança, ele pode não ser um médium que esteja suficientemente amparado. Nós não conhecemos a conduta moral, espiritual, íntima de cada um para termos absoluta confiança naqueles a quem nos dirigimos para consultar. E, principalmente, existe muita exploração nesse campo. O espiritismo não endossa, pelo contrário, combate todas as explorações realizadas nesse campo médico. Por isso, nós citamos esse fato por ser realmente um fato importante: a queda desse homem ali na Rua Maria Paula, em pleno centro da cidade, no prédio do INPS, como nós vimos, foi de fato um acontecimento digno de ser relatado, como ele relatou. E o fato de o médium vidente ter visto as consequências possíveis da sua operação e ter dito a ele que sem operar ele ficaria bom, e o fato de ele ter realmente ficado bom, a tal ponto que os novos exames médicos com prova radiológica demonstraram que a vértebra estava boa, isso é bastante significativo, é bastante importante. Nós sabemos que isso não é um caso privativo do espiritismo. O espiritismo nunca teve a intenção de se considerar produtor de milagres. Pelo contrário, Kardec sempre insistiu em esclarecer que milagres, no sentido lato do termo, não existem. Quando acontece um fato deste é porque houve possibilidades, houve condições para o restabelecimento da vértebra de maneira natural sem a necessidade da intervenção cirúrgica. Mas não resta dúvida que a visão do vidente e a sua previsão no tocante às consequências foi bastante importante. Por isso nós consideramos este caso digno de ser relatado. Vamos então ao segundo caso de hoje.

 

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Pergunta nº 2: Mensageiro

 

SEGUNDO RELATO

 

Professor, nosso ouvinte Dante R.C. Jordão conta-nos o seu caso: em meados de 1962, um de seus irmãos foi internado no Hospital Santa Helena com câncer nos pulmões. Devido à gravidade da doença, uni-me a outro irmão e dividimos as noites para ficar em sua companhia. Coube-me passar em sua companhia a última noite, quando aconteceu o seguinte: mais ou menos às 22 horas o paciente com grande dificuldade, sob o auxílio de tubo de oxigênio, indagava insistentemente quem era a moça que estava ali no quarto. Como não havia mais ninguém a não ser eu, seu próprio irmão, assim foi a resposta. A mesma pergunta foi feita por várias vezes, merecendo sempre a mesma resposta. Qual foi o meu espanto ao ser tocado nos pulsos por uma pessoa que portava pulseiras cujo ruído percebi, bem como o contato dessas pulseiras. Ato contínuo, duas luzinhas vermelhas na cabeceira do paciente acendiam e apagavam por várias vezes, pois quando estava deitado na cama ao lado, em sentido contrário, para melhor acompanhar os movimentos do doente, pude constatar o acontecido, à semelhança do que se sucedia em uma sessão de efeitos físicos que frequentava assiduamente. No dia seguinte, às 18 horas, registrou-se o passamento do meu irmão. Teria sido o aparecimento daquele mensageiro enviado para prestar os últimos socorros para o seu desencarne?

 

J. Herculano Pires - Este, com vimos, é um episódio bastante emocionante e que corresponde a centenas, podemos mesmo dizer a milhares de episódios mais ou menos iguais a este ocorridos em todo o mundo e registrados tanto nos Anais da Sociedade de Pesquisas Psíquicas da Inglaterra, quanto dos Estados Unidos e publicados em livros espíritas no mundo inteiro. Realmente, acontece que nos momentos de passamento de uma pessoa, espíritos amigos aproximam-se para auxiliar essas pessoas no transe e também para dar assistência, inclusive durante a doença. Mas no caso presente, nós vemos que o nosso ouvinte que ali estava prestando ajuda a seu irmão tinha forçosamente mediunidade, mediunidade suficiente para perceber a presença da moça espiritual que ali apareceu, e é bastante significativo o fato de ele haver sentido não só a presença através da sua percepção extra-sensorial e possivelmente de ter alguns laivos de visão do que ocorria no momento, como também de ter percebido o próprio tinir das pulseiras que a moça trazia no braço. Muita gente estranha que espíritos usem pulseiras. Entretanto, é preciso lembrar que os espíritos que se comunicam para ajudar pessoas no seu desencarne geralmente se apresentam com as características que tinham em vida para no caso de serem vistos ou serem percebidos, e até mesmo sendo naturalmente percebidos, forçosamente percebidos pelo desencarnante, logo após a sua retirada do corpo, eles poderem se identificar. A única forma de se identificar é eles se apresentarem daquela maneira por que a pessoa que vai se desencarnar os conhecera em vida. Então, essa moça que ali estava, uma moça espiritual, não no seu corpo material, mas no seu corpo espiritual ou perispírito, essa moça devia se trajar de acordo com os momentos que em vida teve contato com esta pessoa, com esse rapaz que estava em fase de desencarnação. Temos aí, de fato, fenômenos de efeitos físicos, como disse o nosso ouvinte; fenômenos que realmente produziram coisas audíveis e perceptíveis do ponto de vista dos nossos sentidos físicos, dos nossos sentidos materiais. Esse também é um fato bastante curioso e o nosso ouvinte ganhou, assim como o anterior, o prêmio de uma coleção da Revista Educação Espírita.

 

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Pergunta nº 3: Pronome dos espíritos

 

 

Locutor - Professor, o ouvinte Burgmar pergunta: sou espírita e como tal julgo ser meu dever observar e analisar a maneira como os centros trabalham e depois tirar minhas conclusões sobre o que julgo certo ou errado nos mesmos. Se assim procedo é porque não consigo concordar com os métodos adotados por alguns centros, que acredito mal orientados, e faço as seguintes perguntas. Primeira: qual o tratamento mais correto para dialogarmos com os espíritos, tu, você ou vós?

 

J. Herculano Pires - O tratamento não tem importância nenhuma. Nós conversamos com os espíritos como conversamos com as pessoas. Os espíritos são criaturas humanas apenas livres do corpo, nada mais do que isso. Perderam o seu corpo material, mas continuam tendo o corpo espiritual. Eu sempre acentuo aqui aquela expressão do apóstolo Paulo na primeira epístola aos Coríntios. O apóstolo Paulo é, por assim dizer, o teórico evangélico do corpo espiritual. Diz ele: nós temos corpo animal e temos corpo espiritual; quando morremos, enterra-se o corpo animal e ressuscita o espiritual. O perispírito, como é chamado no espiritismo o corpo espiritual, o perispírito é, portanto, um corpo semelhante ao nosso corpo material, ele é mesmo, como costumamos dizer, o modelo sobre o qual se desenvolve o corpo material da criatura humana. Assim, quando morremos, nós nos sentimos do lado de lá ainda de posse do nosso corpo, embora não seja o corpo material: é o corpo espiritual bastante semelhante àquele que nós deixamos na Terra, mas naturalmente constituído de elementos fluídicos, de elementos muito mais leves, de matérias mais rarefeitas do que aquela que compõe o nosso corpo denso. Assim, quando nos defrontamos com espírito que quer conversar conosco através da mediunidade, muitas vezes ele nem sabe que morreu, porque ele está convencido de que a morte é o aniquilamento total, e como ele continua vivo e se sente no seu próprio corpo, ele, às vezes, nem sabe que morreu, e por isso, nas sessões espíritas, ele geralmente é esclarecido a respeito da sua situação. E é preciso que ele venha ali, porque na verdade ele está tão apegado às coisas da matéria, ao mundo material, que ele não tem muita facilidade de se comunicar com os espíritos. Só depois que ele se esclarecer a respeito da sua situação é que ele se torna mais acessível à convivência espiritual. Assim, quando o senhor se defrontar com um espírito comunicado, é como se estivesse em face de uma pessoa viva. Pode tratá-lo da maneira que o senhor quiser, da maneira que achar mais apropriado naquela hora. Criou-se aqui no Brasil o sistema muito em voga nos centros espíritas de aplicar-se o tratamento “vós” aos espíritos. Isto por quê? Porque nas primeiras traduções do Livro dos Espíritos, um livro escrito em francês, então aplicou-se o “vós” da mesma maneira que está no texto francês. Mas o “vós” do francês corresponde, em geral, ao “você” que nós usamos na língua portuguesa. Esse erro de tradução, essa falta de compreensão do problema da versão para outra língua, fez com que se divulgasse, principalmente nos centros espíritas, em grande quantidade o tratamento “vós”, colocando-se, assim, na terceira pessoa no tratamento de espírito, de maneira que dificulta até mesmo o diálogo, porque se precisa dizer tudo na terceira pessoa. “Temos de seguir o sistema”: isso é errado. O melhor é tratar de você, tratar de tu, o mais apropriado é você, quer dizer, apropriado para facilitar o diálogo, não que tenha qualquer problema de ordem espiritual ou mística nesse assunto. Tratam-se os espíritos como se tratam as pessoas.

 

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Pergunta nº 4: Distribuição de flores

 

Locutor - Mais uma pergunta: as flores que recebemos em alguns centros têm realmente o magnetismo curador que os dirigentes desses centros alegam ter?

 

J. Herculano Pires - O problema de flores, distribuição de flores nos centros, é um problema criado mais por aquilo que nós poderíamos chamar de instinto romântico do nosso povo. Na verdade, as flores são elementos ornamentais e têm o significado bonito, podem transmitir uma mensagem, uma mensagem simbólica às criaturas. Mas aqui, no Brasil, em várias instituições espíritas, adotou-se o sistema de distribuir flores, inclusive para curar doenças. As flores são curativas quando têm virtudes curativas. Não vamos agora aceitar que somente porque no centro espírita se distribuíram flores, essas flores vão curar doenças. É preciso compreender que há muita coisa a deixar de lado na prática espírita que nós fazemos por falta da compreensão e do conhecimento real do espiritismo. Precisamos compreender o que é espiritismo. Espiritismo não é magia, espiritismo não é absolutamente campo de milagres; espiritismo é uma doutrina para compreendermos o sentido real da vida, para termos uma nova visão do mundo e para sabermo-nos conduzir na vida de maneira mais adequada à finalidade da nossa existência. Assim, o senhor quando receber flores num centro, se elas forem bonitas, o senhor pode levá-las para casa, pôr num vaso, que elas farão muito bom efeito ali. Elas embelezarão o seu lar e certamente despertarão no ambiente vibrações boas, porque quando a gente vê uma coisa bela, a gente é atraído pelo belo, sempre na nossa alma desperta-se um pensamento bom, um sentimento agradável. Mas não acredite nessa fluidificação de flores que está se tornando uma espécie de superstição muito generalizada no meio espírita.

 

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Pergunta nº 5: Doutrinação de espíritos

 

Locutor - Professor, um doutrinador tem o direito de alterar o tom de voz quando está doutrinando um espírito das trevas? Poderá também chamá-lo de vadio?

 

J. Herculano Pires - O problema da doutrinação dos espíritos, o senhor tem razão em acentuar esse aspecto, é um problema que requer muito cuidado, muita atenção, muito estudo e muita compreensão, mas requer ainda muito mais do que isso: muita humildade. Quando o espírito é um espírito agressivo, violento, que toma o médium e age com violência no ambiente, é preciso, às vezes, que o doutrinador o chame à ordem com energia, mas não o agredindo, não o atacando, não o ofendendo, pois ele está ali para doutrinar. Como ele vai insultar o espírito? Isso é absurdo, o que se deve fazer é quando o espírito não se submete, quando o espírito pensa poder, por assim dizer, dominar o ambiente, demonstrar a ele com a energia necessária que ele não tem o direito de trazer perturbações à reunião. Um doutrinador que compreenda isso, chama a atenção do espírito sem absolutamente, de maneira alguma, ofendê-lo; a ofensa é um insulto que se faz a uma entidade sofredora, mesmo porque o espírito que aparece assim nas sessões, violento e provocando tumultos ou agredindo as pessoas ou injuriando-as, é um espírito bastante necessitado de esclarecimento e de orientação e mais necessitado ainda de amor e de compreensão.

 

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O programa No Limiar do Amanhã é transmitido todas as semanas, neste dia e neste horário pela Rádio Mulher de São Paulo, 730Khz, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara, 640khz, e pela Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, Paraná, 780khz. Aos domingos este programa é reprisado pela Rádio Mulher de São Paulo, das 6 às 7 horas da manhã com notas e sugestões especiais para o seu domingo espiritual.

 

Mande suas perguntas por escrito ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta 205, São Paulo. As perguntas por telefone e os programas de auditório estão suspensos temporariamente por motivos de reformas nas instalações da Rádio Mulher.

 

Pergunta nº 6: Doutrinação

 

Locutor - Continuamos com as perguntas e respostas, agora finalizando as perguntas do nosso ouvinte Burgmar. E ele prossegue: gostaria de saber, professor, se existe algum livro com explicações práticas sobre doutrinação e muito agradeço qualquer informação a respeito. Aproveito também a oportunidade para agradecer-lhe tudo que tenho aprendido por intermédio desse maravilhoso programa, o qual considero como uma verdadeira universidade espiritualista. J. Herculano Pires - Agradecemos as suas referências generosas ao nosso programa. Na verdade, ele não chega a tanto. É apenas um programa de debates e esclarecimentos doutrinários na medida do possível. Quanto ao livro que o senhor pergunta, eu acho que o senhor encontra todas as explicações necessárias para o caso de doutrinação nas obras fundamentais da doutrina. Entretanto, o senhor poderia ler o livro Iniciação Espírita de Allan Kardec. Este livro é o conjunto de vários livros de iniciação de Kardec. Existem outros livros aí com esse título, Iniciação Espírita, mas o senhor deve procurar o livro de Allan Kardec, Iniciação Espírita. E nesse livro o senhor encontrará, principalmente na parte referente ao último livro reunido nesta obra, que é Instruções Práticas Sobre Manifestações Mediúnicas, o senhor encontrará dados importantes sobre o problema de doutrinação. Mas não se esqueça de consultar também e especialmente o Livro dos Médiuns que lhe dará bastante orientação a respeito.

 

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Pergunta nº 7: Ciência

 

Locutor - A jovem Mirta Mirogo González, do Largo do Arouche, pergunta: se o espiritismo é uma ciência, por que essa ciência não é ensinada em nenhuma faculdade das nossas universidades?

 

J. Herculano Pires - O espiritismo é realmente uma ciência. Kardec costumava dizer o seguinte: o universo em que nós vivemos constitui-se de dois elementos fundamentais: espírito e matéria. Esses elementos transparecem na própria constituição do homem. Nós temos o nosso corpo material e temos, como dissemos ainda há pouco, o corpo espiritual. Bastaria essa relação de dois corpos diferentes conjugados numa estrutura única no corpo chamado somático para nós vermos então que, na verdade, a constituição do universo é dupla. Ora, eu quero acentuar ainda as pesquisas atuais na física, e particularmente as pesquisas soviéticas referentes ao campo da antimatéria, acabaram de comprovar a existência do corpo espiritual do homem, como sabemos. Foi a descoberta russa do corpo bioplasmático decorrente das pesquisas sobre a antimatéria. Então, hoje, cientificamente no campo mesmo das ciências físicas, nós já temos a prova da existência desse corpo que poderíamos, pelo menos chamar, de corpo energético do homem, que não é o corpo material propriamente dito. Sendo assim Kardec dizia: há dois aspectos no universo, entretanto as nossas ciências tratam apenas de um aspecto. Todas as ciências que conhecemos cuidam do aspecto material do universo, e mesmo quando entramos no campo da psicologia, que anteriormente, no seu desenvolvimento, era tipicamente espiritual, nós hoje sabemos que a psicologia também adotou os métodos materiais e enquadrou-se nas ciências experimentais, do ponto de vista físico. Assim, mesmo na psicologia, não tratamos do outro aspecto do universo que é o aspecto espiritual propriamente dito. Kardec entendeu então que com a sua descoberta, realmente uma descoberta do mundo invisível dos espíritos, mundo que não está no além como se costuma dizer, mas aqui mesmo ao nosso redor, com os espíritos atuando sobre os homens e determinando, muitas vezes, situações de doença, de sofrimento para as criaturas humanas, e por outro lado, proporcionando elementos de cura e de bem estar para as criaturas, nessa situação Kardec entendeu que era preciso desenvolver-se uma ciência que cuidasse especialmente do espírito. Espiritismo, como sabemos, é uma palavra criada pelo próprio Kardec. Não existia essa palavra em nenhuma língua do mundo. Com essa palavra, espiritismo, Kardec quis dizer naturalmente, como nós sabemos, doutrina dos espíritos. Assim, como quando falamos comtismo, falamos da doutrina de Comte, quando falamos kantismo, falamos da doutrina de Kant, quando falamos de espiritismo, falamos da doutrina espírita. Então, nessa doutrina dos espíritos, diz Kardec, o primeiro elemento, o elemento fundamental desta doutrina é a ciência espírita que é a ciência do espírito. Essa ciência tem de investigar com métodos rigorosamente científicos o aspecto espiritual do homem e consequentemente do universo. Então, sendo assim, nós sabemos que existe também a filosofia espírita. Por quê? Porque toda ciência que nos oferece dados que modificam a nossa concepção do mundo, toda ciência que faz isto, modificando a nossa concepção do mundo, exige de nós uma nova filosofia. Uma filosofia é uma mundividência, quer dizer, é uma concepção do mundo. Ora, o espiritismo modificou com a prova que ele deu através das pesquisas científicas, da realidade da intervenção constante dos espíritos na vida humana e mesmo nos fatos da natureza, o espiritismo modificou a nossa visão do mundo, deu uma visão nova, diferente. Ora, esta visão nova constitui a filosofia espírita. Em nossas faculdades, realmente não se ensina essa filosofia. Por quê? Por preconceito, preconceito religioso e preconceito cultural. Nossas faculdades de filosofia seguem uma ou outra orientação. Ou são faculdades dirigidas por instituições religiosas. e nesse caso elas seguem a orientação da igreja que responde pela sua fundação e funcionamento, ou elas são faculdades particulares ou do Estado, e nesse caso em geral são orientadas pelo pensamento das ciências materialistas. Assim, está faltando, naturalmente – é por isso que lutamos pela educação espírita –, está faltando um elemento no ensino que nos dê a síntese necessária que o espiritismo apresenta. Uma faculdade espírita de filosofia ensinaria forçosamente a filosofia espírita como um elemento de síntese das filosofias espiritualistas e materialistas, mostrando uma nova visão do homem e do mundo. É o preconceito religioso que rejeita o espiritismo sem conhecê-lo. O preconceito materialista que faz a mesma coisa: rejeita a filosofia espírita sem conhecê-la, que impede as nossas faculdades de incluírem a filosofia espírita nos seus currículos. Entretanto, é preciso saber que no próprio dicionário Lalande de filosofia, que é um dicionário oficial do Instituto de França e sem dúvida é o mais reputado até hoje no mundo inteiro, lá está a filosofia espírita definida e explicada como um elemento do mundo filosófico contemporâneo. É uma filosofia válida como qualquer outra, uma filosofia de grande importância para a orientação do pensamento contemporâneo, e mais do que isso, uma filosofia da era cósmica, o que infelizmente os nossos especialistas no assunto ainda não perceberam. Não obstante, convém lembrar também o seguinte: a própria Universidade de São Paulo patrocinou o lançamento, junto com o Instituto Brasileiro de Filosofia, de um livro do professor Luiz Washington Vita, chamado Panorama da Filosofia em São Paulo ou do Pensamento Filosófico em São Paulo, não me lembro bem. Este livro, editado pela própria Editora da Universidade de São Paulo dedica todo um capítulo à filosofia espírita em São Paulo. Assim, a publicação desse livro, de certa maneira, compensou a ausência da filosofia espírita nos currículos das nossas faculdades.

 

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Pergunta nº 8: Chefe de espiritismo

 

Locutor - Mirta Mirogo González continua perguntando: qual é o chefe da religião espírita e como se intitula ele: papa, primaz, bispo, pro mestre, ou o quê?

 

J. Herculano Pires - Não existe um chefe da religião espírita. A religião espírita não é constituída em forma orgânica como são as várias religiões. A religião espírita, como dizia Kardec, é uma consequência do desenvolvimento da doutrina. A ciência nos deu a visão nova do mundo. Esta visão nova nos apresenta a filosofia espírita. Da filosofia espírita decorre, naturalmente, um tipo de moral. Esta moral, como trata da nossa vida não apenas na Terra, mas também para após a morte, é de tipo religioso. Consequentemente, a religião espírita existe como uma parte do desenvolvimento da doutrina espírita. Mas não é a religião constituída em forma social. É a religião em espírito e verdade, de que o Cristo falara no evangelho à mulher samaritana. A religião em que não se precisa, como disse o Cristo, ir adorar a Deus no templo de Jerusalém, nem no templo do Monte Garizim dos Samaritanos, mas sim aquela que se adora Deus em espírito e verdade. É a religião em espírito e verdade, uma religião desprovida de ritualismo, de dogmática, de sacerdócio, portanto, de clero e desprovida de todos os elementos que caracterizam a chamada religião social. Ela não é uma religião social, é uma religião espiritual. Justamente por isso não tem nenhum chefe, a não ser o chefe espiritual que é Jesus de Nazaré.

 

Download Pergunta nº 9: Chico Xavier, papa no espiritismo

 

Locutor - Dizem algumas pessoas que Chico Xavier é o papa do espiritismo no Brasil, mas um colega espírita riu muito quando eu lhe perguntei se isso era certo e só me respondeu com risadas. Por quê?

 

J. Herculano Pires - Porque ele achou graça no fato de se chamar Chico Xavier, um simples médium, um médium humilde, uma criatura que nasceu na pobreza, na simplicidade, que não adquiriu nunca uma cultura superior, que estudou apenas em escolas primárias e que, se conseguiu desenvolver alguns aspectos culturais no seu trabalho, foi em virtude do ensino dos espíritos, o senhor chamar uma criatura dessas de “papa do espiritismo”. Não. Não existe papa no espiritismo, e, se existisse, não poderia ser Chico Xavier. Se existisse, teria que ser certamente, porque aí nós teríamos então uma religião organizada, teria de ser um homem que passasse por todos os estudos necessários para chegar a essa categoria. Mas felizmente nós não temos isso no espiritismo. Chico Xavier não é, como se costuma dizer, um dirigente espírita, não é um líder do movimento espírita, não; ele é simplesmente um médium, é uma criatura dotada da paranormalidade necessária para receber comunicações espíritas, para estar em contato com os espíritos e para auxiliar as pessoas que o procuram, ansiosas, quando perderam parentes, quando estão desesperados pela perda de um filho, de uma mãe, de um pai, e que vão recorrer a ele e recebem dele sempre palavras de conforto, ou mesmo notícias consoladoras das criaturas que já passaram para o lado de lá. A função de Chico poderia ser comparada mais ou menos a de um sacerdote piedoso que não fizesse distinção entre as criaturas pelo rótulo religioso. Chico atende a todo mundo sem perguntar quem é católico, quem é espírita, quem é protestante. Não interessa a ele o rótulo da pessoa. O que interessa é prestar o seu serviço, é servir. Chico é, então, o servidor do espiritismo, não o papa do espiritismo.

 

Download Pergunta nº 10: Casamento e batismo espírita

 

Locutor - O ouvinte Ludovico Moraes Cordeiro, Rua Oriente, no Braz, pergunta: a religião espírita não tem sacramentos, como o senhor mesmo diz. Então, como se casam os espíritas e como batizam os filhos? O padre de minha paróquia me disse que os espíritas se casam na igreja e batizam os filhos na igreja, mas o meu tio, que é espírita, me disse que isso é mentira, que os espíritas se casam nos centros e batizam os filhos em casa. É assim mesmo?

 

J. Herculano Pires - Nada é assim. Os dois estão errados, tanto o padre quanto seu tio espírita, porque no espiritismo não existe casamento. O casamento, de acordo com a doutrina espírita, resulta de uma ligação espiritual. Duas criaturas vêm para a Terra, encarnam-se aqui em famílias diferentes, mas trazem um compromisso espiritual de vidas anteriores, de vidas passadas, vão encontrar-se e vão casar-se. Então, o casamento já está feito praticamente, espiritualmente ele já está realizado, é um compromisso assumido já na espiritualidade. Como no espiritismo não há sacramentos, não há o sacramento do casamento. Então, nós admitimos apenas no espiritismo o casamento civil. O casamento civil é uma necessidade para a organização da família, o estabelecimento dos direitos e dos deveres das criaturas na vida social, os compromissos dos pais para com os filhos e vice-versa. Então, o casamento civil é uma necessidade legal, uma necessidade correspondente à vida terrena atual. Não se faz casamento em centro espírita, a menos que se trate de um centro espírita que não seja bem orientado, que não tenha orientação doutrinária. O que se faz no centro espírita são apenas sessões, preleções, esclarecimentos dos problemas da doutrina. Entretanto, num casamento espírita realizado civilmente costumam, às vezes, os espíritas, e de maneira muito acertada, fazer uma prece de agradecimento a Deus pelo fato de ter se realizado aquele casamento de acordo com o que devia ocorrer, segundo os compromissos assumidos anteriormente pelos espíritos implicados nesse ato. Assim, não há casamento espírita. A prece tem lugar em qualquer lugar e pode se fazer em qualquer ato, em qualquer circunstância, mas casamento espírita não existe. Quanto ao batismo, também não existe. Por que não existe o batismo? Porque o batismo é apenas uma prática muito antiga que se realizava desde a mais remota antiguidade, uma prática de iniciação; iniciar o indivíduo em alguma coisa, numa religião, numa ordem oculta, numa corrente espiritualista. Então, tinha-se uma forma de batismo que era um ato iniciático. Ora, no espiritismo não se inicia ninguém, a não ser pelo estudo da doutrina. Então, os espíritas sempre se lembram daquele ensino de Jesus de que o batismo da água, que ele se submeteu com João Batista, era apenas o batismo formal daquele tempo na Judeia. Ele se submeteu por um interesse social, porque ele ia se dirigir ao povo e precisava ser considerado pelo povo como devidamente integrado na sistemática religiosa do tempo. Mas o batismo verdadeiro é aquele que disse João Batista: virá depois de mim o que não batizará em água, mas sim no fogo e no Espírito Santo. Assim nós entendemos que o batismo real para o espírita é aquele que decorre da iniciação das criaturas no espiritismo.

 

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Mande suas perguntas por escrito ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta 205, São Paulo. As perguntas por telefone e os programas de auditório estão suspensos temporariamente por motivo de reformas nas instalações da Rádio Mulher. Não se impaciente com isso. Após as reformas, estaremos em melhores condições. Ninguém perde por esperar.

 

Maratona Doutrinária.

 

Ainda neste mês não fazemos nenhuma pergunta, queremos que o ouvinte nos mande a sua definição de “educação espírita”. O que é educação espírita? Nada de rodeios, vá direto ao caso. Escreva tudo bem claro à máquina, numa folha de papel de carta em dois espaços com o máximo de vinte linhas. Ainda neste mês não fazemos nenhuma pergunta. Queremos que o ouvinte nos mande a sua definição de “educação espírita”: o que é educação espírita? Nada de rodeios, vá direto ao caso. Escreva tudo bem claro à máquina, numa folha de papel de carta em dois espaços com o máximo de vinte linhas. Durante todo esse mês receberemos as definições, no mês de novembro daremos os resultados. Os escritos premiados darão direito a uma coleção gratuita da Revista Educação Espírita e serão lidos neste programa.

 

Vamos acordar do sono da letra que mata para o espírito que vivifica. Acordemos para a luz do evangelho.

 

Aberto o evangelho ao acaso, encontramos o seguinte (Rm, 11:01-04):

 

Digo, pois: por ventura rejeitou Deus ao seu povo? De modo nenhum. Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou ao seu povo que ele antes conheceu. Não sabeis o que a escritura diz de Elias, como ele insta com Deus contra Israel? Senhor, mataram os teus profetas, derrubaram os teus altares e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida. Mas que lhe disse a resposta divina? Eu tenho reservado para mim sete mil homens, os quais não dobraram o joelho a Baal.

 

Estamos lendo, ouvimos um trecho de Paulo aos Romanos do capítulo onze. Nesse trecho nós temos uma referencia a Israel que é bastante significativa, porque nos mostra que já naquele tempo, como em todos os tempos, aliás, o sentido espiritual de Israel não era bem compreendido pelo seu próprio povo. Na luta pela evolução da humanidade, Israel desenvolveu um papel de grande significação, de grande importância. Basta dizer que foi Israel o povo que criou condições na Terra para o advento de uma concepção monista do mundo e, consequentemente, duma concepção monoteísta, considerando Deus, num mundo em que prevalecia o politeísmo, considerando Deus como único, como Deus único e não como um Deus múltiplo dividido em numerosos Deuses que agiam em diversos povos e em diversas nações da Terra. Essa concepção do mundo só se tornou realmente social, só desceu para o plano social, partindo das cúpulas espiritualistas da época no momento em que Moisés, através de sua ação, conseguiu fazer com que o povo judeu se convertesse num povo monoteísta. Mas, além disso, o povo judeu criou condições na Terra para o advento do Messias em seu seio. Isto é o que de mais importante poderia ter havido no mundo, porque daquele momento em que o Messias se encarnou num povo que lhe criou condições propícias ao seu aparecimento na Terra, naquele momento o mundo começou a se transformar e, fundamentalmente, se transformou de tal maneira que resultou na criação de uma nova civilização, de novos tempos que surgiram para a humanidade na Terra. A missão de Israel era, portanto, bastante grande, bastante importante, significativa, mas nem todos a compreendiam, como nós vemos na própria história bíblica, no próprio relato dos evangelhos, e quando lemos a história universal. Nem todos a compreenderam. Atualmente, nós estamos em face de uma situação bastante grave: no Oriente Médio vemos Israel, a nação que lançou ao mundo o cristianismo, a nação da qual surgiu uma nova concepção de vida para o homem na Terra, esta nação empenhada em luta com o mundo Árabe; infelizmente continua a prevalecer, portanto, em Israel a mesma condição citada por Paulo, mencionada por ele e acentuada de maneira bastante grave neste trecho da sua epistola aos romanos. Realmente, esta situação nos mostra a grande incompreensão que ainda existe no próprio povo de Israel.

 

No Limiar do Amanhã é um toque de despertar no amanhecer de uma nova era. Acordemos para a era do espírito. Afugentemos em nossa mente as névoas do passado. Conquistemos a fé pela razão.

 

No Limiar do Amanhã: um toque de despertar.

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