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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã: um desafio no espaço.

 

Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do sol. Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Há tempo de matar e tempo de curar e tempo de edificar. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de lamentar e tempo de saltar de alegria. Há tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras. Tempo de guerra e tempo de paz.

 

Assim disse o Eclesiastes: o pregador, o rei filósofo de Israel, para quem o mais feliz dos homens era o que ainda não tinha nascido. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, acentua ele no seu livro que é um dos mais curiosos da Bíblia. Hoje podemos acrescentar: há tempo de mistérios e tempo de revelação; tempo de idolatria e tempo de compreensão; tempo de maldiçoes e tempo de entendimento; tempo de falsidade e tempo de verdade. Deus fez tempo para tudo e cada coisa chega a seu tempo. Houve tempo de escravidão no Egito e tempo e tempo de libertação em Canaã. Houve o tempo da lei e o tempo da graça. O tempo da lei está no Velho Testamento e o tempo da graça está no Novo Testamento. Houve o tempo das separações e das maldições, mas agora chegou o tempo do entendimento e do amor. Ontem os homens separavam as pedras, hoje devem juntá-las porque é preciso edificar. Estamos na hora de construir o futuro.

 

Amigos, a hora da verdade soou no relógio do tempo. Deus é justiça e não faz privilégios. Deus é amor, não condenação. Nada se perde no universo, tudo se transforma. A morte não é aniquilamento, mas apenas transformação. Há tempo de nascer, tempo de viver, tempo de morrer e tempo de renascer. As gerações passam sem cessar, mas são como as ondas que vão e vem no fluxo e refluxo do tempo.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 88, segundo ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Amigo ouvinte, todas as semanas estamos no ar nesse dia e nesse horário, para levar a você as mensagens do amanhã. Ligue o seu receptor para a Rádio Mulher de São Paulo 730khz, para a Rádio Morada do Sol de Araraquara ou para a Rádio Difusora Platinense de Santo Antonio da Platina, estado do Paraná. Todas as semanas nesse dia e nesse horário.

 

Ganhe o livro indicado na resposta dada a sua pergunta. Retire-o a partir de segunda-feira no escritório da Rádio Mulher no horário comercial, a Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111. Os ouvintes do interior receberão os seus livros pelo correio. Essa é uma promoção da Rádio Mulher e das editoras espíritas de São Paulo, Geem, Edicel, Lake e Edigraf. Os ouvintes só têm direito ao livro que for indicado na resposta como presente de irmão. Os livros apenas citados para indicação de fontes não devem ser procurados. Procure apenas o seu presente de irmão à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111.

 

Perguntas e respostas.

 

Pergunta nº 1: Encarnações passadas

 

Locutor – Professor, o ouvinte Adão Trindade, da Rua Bertioga, Bosque da Saúde, nos escreve dizendo: desde criança tive muito interesse por tudo que se relaciona com a Era Romana e por isso consultei a minha mentora sobre o meu passado em outra encarnação, e somente algum tempo depois minha mentora disse-me que fui um personagem que pertenceu a um triunvirato romano. Tempos depois fui informado de que teria sido Vespasiano e em virtude de problemas que hoje relaciono a meus sofrimentos cármicos, desesperado apelei pelo socorro de nosso querido Emmanuel e por psicografia recebida por minha esposa, recebi a mensagem que estou anexando a esta. É interessante dizer que essa assistência espiritual é assinada como enviados de Emmanuel. Gostaria que o senhor dissesse quem foi Vespasiano. É verdade que ele foi um dos Césares romanos? Eu gostaria de levar meu filho de onze anos ao centro espírita Pedro e Anita aos sábados, o senhor aconselha que o faça?

 

J. Herculano Pires – O problema que o senhor coloca aqui é um problema sério no meio espírita e é bom que se avise o seguinte: nós não devemos alimentar essa curiosidade sobre as encarnações passadas. É claro que de nossa parte, no sentido de uma coisa muito humana, nós nos interessamos por saber se nós tivemos uma encarnação anterior, queremos saber o que fomos. Mas se fosse para sabermos, nós teríamos lembrança. A lembrança daquilo que fomos está dentro de nós. Está na nossa chamada memória profunda. Basta Deus querer para que ela aflore à nossa mente atual, mas se Deus não quis é porque não nos convém saber. Por outro lado, é muito comum as pessoas que fazem indagações dessa espécie, receberem respostas iguais ao que o senhor recebeu. Nunca o espírito informador diz que a pessoa foi uma figura apagada, desconhecida num tempo antigo; vem sempre citando grandes nomes de figurões da historia. Ora, isso toca a nossa vaidade. Então aumenta o nosso interesse pelas questões relacionadas com aquele personagem. E nós, vaidosos de havermos sido tão importantes no passado, esquecemos de que precisamos ganhar importância na hora presente, nesse momento em que estamos no mundo. E nesse momento do mundo, a única coisa que nos dá importância real, verdadeira, é o espiritismo. É o conhecimento da verdade espiritual sobre o homem, sobre a nossa vida e sobre aquilo que nos interessa realmente, como criaturas espirituais. A importância do espírito não está nos cargos, nas posições elevadas que ele tenha assumido no passado ou que ele venha a assumir no presente. Mesmo agora no mundo nós temos grandes figuras, grandes personagens históricos que estão ocupando posições elevadas e que na verdade como espíritos vão amargar muitos anos nas regiões inferiores do plano espiritual. Não é isso que nos interessa. O que nos interessa é o progresso espiritual nosso, de nós mesmos. Na mensagem que sua mulher recebeu dos enviados de Emmanuel, há trechos realmente aproveitáveis. Os trechos particularmente em que o espírito comunicante, seja ele enviado de Emmanuel ou não, procura despertar no senhor os bons sentimentos, a humildade, o interesse pelas coisas espirituais e a pacificação do seu próprio coração. Aproveite isso, mas não se importe absolutamente com o momento em que ele diz que o viu sentado numa cadeira ditando ordens no templo de Roma. Isso já não é de seu interesse, mesmo porque se um espírito vem dizer essas coisas, sem naturalmente estar no pleno conhecimento do assunto, ele está trazendo para o senhor um elemento de perturbação na atual encarnação. O senhor deve manter-se distante dessa preocupação. Procure compreender o que o senhor é hoje, estude o seu íntimo, veja sua situação espiritual no momento e procure melhorar-se, se o senhor quer realmente ganhar tempo. Vespasiano, como sabemos, foi um grande imperador romano, um dos imperadores do início da era cristã. Ele teve grande influência no próprio desenvolvimento do cristianismo e posso dizer ao senhor que a história no-lo apresenta como um dos maiores administradores do império romano. Examine bem as suas possibilidades nesse sentido, veja se o senhor poderia se colocar em pensamento na posição de Vespasiano, mas não analise apenas do ponto de vista da grandeza de Vespasiano como César, como imperador; veja sim no tocante as atribulações de todos os problemas que ele tinha de resolver, que ele tinha de enfrentar, e talvez o senhor compreenda que deva continuar pensando apenas que é o senhor mesmo, um espírito em evolução necessitado de aprofundar-se quanto mais possível no conhecimento do espiritismo que nos dá a chave, como diz Kardec, do evangelho de Jesus, que é para todos nós a verdadeira porta de salvação. O senhor diz que gostaria de levar o seu filho de onze anos ao centro espírita Pedro e Anita aos sábados. Eu acho que o senhor deve levá-lo. Não há nada de mais nas reuniões do centro espírita Pedro e Anita que possa de qualquer maneira perturbar o espírito ou preocupar a sensibilidade de seu filho de onze anos. Ali ele ouvirá exposições da doutrina espírita, comentários evangélicos e poderá, inclusive, receber passes espíritas.

 

Locutor – Continuando, diz o nosso missivista: minha esposa e eu gostaríamos de colaborar com um bom grupo espírita. Qual o senhor nos aconselha?

 

J. Herculano Pires – Já que o senhor se interessa pelo centro espírita Pedro e Anita, poderá ligar-se a esse centro. Acho que ali o senhor terá um ambiente muito favorável. Ele é dirigido por pessoas que conhecem a doutrina, que as estudam com amor, com interesse e que podem auxiliar muito, tanto ao senhor quanto a sua esposa e até mesmo o seu filho. Eu queria, antes de encerrar essa resposta, indicar ao senhor um livro, um livro que o senhor deve ler, é “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. Esse livro é um lançamento da editora Edicel. O senhor o encontrará no escritório da Rádio Mulher, em seu nome, a Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira. Retire lá esse livro e leia-o, por favor, com atenção.

 

Download Pergunta nº 2: Encarnações passadas – vozes

 

Locutor – Escreve-nos o ouvinte Antônio Barbosa de Albuquerque, de Santo André, dizendo o seguinte: vozes ocultas falam de minhas passadas existências e revelam que fui um dos doze pares de França na época do imperador Carlos Magno. O que acha o senhor dessas vozes que parecem surgir do meu íntimo?

 

J. Herculano Pires – O senhor deve responder a essas vozes que se calem, que se afastem do senhor, que o senhor não tem nenhum interesse por saber se foi um grande no passado. Porque o que o senhor precisa fazer é tornar-se alguma coisa no presente. Perdoe-me se digo assim, não é para ofendê-lo. É porque nós todos, criaturas humanas, nós todos sem exceção, somos criaturas pequeninas, muito pequeninas. As grandezas do passado correspondem a grandezas fictícias, não devemos nos interessar por isso. Um dos doze pares de França: é bonito acompanhar o imperador Carlos Magno nas suas aventuras. Mas na verdade se o senhor se iludir com isso, o senhor pode ser levado a um verdadeiro caso de obsessão. Afaste essas vozes o quanto antes e procure orientar-se pelo espiritismo.

 

Download Pergunta nº 3: Encarnações passadas – várias encarnações

 

Locutor – Continua ainda o nosso prezado ouvinte: disseram-me ainda que em determinada existência, ainda na França, na época do rei Eduardo, fui um príncipe pertencente à linhagem de soberano, aliás, do soberano, e que era o terror dos espadachins, o mais hábil e mais implacável espadachim de França. Dizem que tive muitas outras reencarnações na nobreza da França. J. Herculano Pires – Será que o senhor não andou lendo muito não, sobre esses tempos da França, da França heroica? Será que o senhor não se interessou demais por Alexandre Dumas? Acho que o senhor deve se afastar disso urgentemente. Deixe os espadachins de lado, eles estão todos mortos, enterrados, desapareceram no tempo, na poeira do tempo. Pense no que o senhor é agora, no que o senhor pode fazer agora, por pequenina que seja a coisa que o senhor possa fazer em benefício do seu próximo: auxiliar os outros a vencer um obstáculo, a suportar uma dor, há avançar um pouco mais no conhecimento de alguma coisa, isso é muito mais importante do que andar de espada na cinta e desafiar os espadachins. Pense nisso e procure compreender isso. O senhor precisa evoluir como espírito, não como homem, porque a sua evolução humana se faz através do desenvolvimento do seu espírito.

 

Download Pergunta nº 4: Encarnações passadas – Nero

 

Locutor – Outra encarnação passada fui um célebre mago das ciências ocultas e que infeliz da criatura que os meus olhos fitassem. Outros me disseram que em Roma, na época de Nero, fui um célebre general a quem Nero temia, pois a legião que eu comandava me obedecia cegamente e era numerosa; e que da minha legião partiu a lança que o matou, atirada por um dos meus homens. O que o senhor acha dessas revelações? Gostaria de ouvir sua explicação a respeito.

 

J. Herculano Pires – Todas essas revelações são mentiras, são ilusões; todas elas provem de espíritos malignos, espíritos das trevas que querem arrastá-lo para a obsessão. Desista imediatamente de ouvir essas histórias. Essas histórias não tem sentido, não tem importância nenhuma para a sua vida. Procure ler, estudar espiritismo e deixe o problema de suas reencarnações passadas de lado. Se nós pudéssemos nos lembrar do que fomos no passado e do que ali fizemos, nós seriamos perturbados por essas lembranças. Não acredite, pois, nessas revelações gratuitas que vem inteiramente em contradição com o que o espiritismo nos ensina a respeito das nossas necessidades evolutivas. Vou dar ao senhor um presente de irmão, o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. O senhor pode procurá-lo a partir de segunda-feira no escritório da Rádio Mulher, Avenida Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111. Leve o documento de identidade.

 

Download Pergunta nº 5: Novo Céu e Nova Terra

 

Locutor – Professor, o ouvinte José Carlos da Rua Afonso Vergueiro, capital, faz a seguinte pergunta: como o senhor explica o novo céu e a nova terra preconizados por Cristo? Será o nosso globo modificado essencialmente em sua estrutura? Ou será a Terra destruída, sendo que nós, os seus habitantes, integrados em o Nosso Lar, de quem muito bem explicou o seu progresso, o espírito iluminado de André Luiz?

 

J. Herculano Pires – Nosso Lar é apenas uma colônia espiritual da própria Terra, compreende? Nosso Lar não é outro mundo, não é outro globo girando no espaço, é apenas uma cidade espiritual. Assim como nós temos aqui as cidades terrenas, na zona espiritual que cerca o nosso planeta, que rodeia a Terra, existem também as cidades espirituais. E nessas cidades espirituais nós temos então os espíritos que ali vivem. Se a Terra desaparecer de um momento para o outro, essas zonas espirituais da Terra também desaparecem com ela; também passam a pertencer a outro plano e não podem mais, portanto, figurar como coisas terrenas. Não é a isso que Jesus se refere. Nós sabemos que a promessa do novo céu e a nova terra aparece no Apocalipse, no Apocalipse de São João – Apocalipse atribuído por São João ao próprio Cristo. Pois bem, o que ali se anuncia – seja o Cristo ou não que o faz –, o que ali se anuncia, na verdade, é a transformação do mundo. Por exemplo, quando foi chegando a época do fim do império romano, podíamos dizer aos romanos que dentro em breve teríamos um novo céu e uma nova Terra, porque na realidade tudo se transformou na Terra depois da queda do império. Surgiu um novo mundo completamente diferente e o céu da Terra não era mais habitado pelas divindades mitológicas que os romanos adoravam, mas sim pelos santos, anjos, arcanjos, querubins e serafins do cristianismo e do judaísmo. Tudo se modificou no céu e tudo se modificou também na Terra. A situação terrena foi muito diferente, caminhamos para uma nova civilização. Agora, nós estamos nas proximidades de uma nova transformação. Essas transformações são naturais, não ocorrem de maneira sobrenatural; elas ocorrem de acordo com as leis naturais. As gerações estão se sucedendo na Terra, na proporção em que as gerações se vão e voltam, a humanidade terrena vai sendo depurada, os elementos perniciosos vão sendo afastados para que nós possamos ter, amanhã ou depois, um mundo de regeneração em nosso planeta. Nessa hora teremos realmente um novo céu e uma nova Terra. Muita coisa de pura ilusão que hoje atribuímos ao céu desaparecerá, e nós vemos que isso já está acontecendo, o céu já está sendo devassado pelo próprio homem. O homem está pesquisando o espaço sideral e está conhecendo melhor a realidade, está vendo que a grandeza de Deus revelada pelos próprios elementos naturais com que ele se defronta no espaço, é infinitamente maior do que aquela grandeza fictícia de que nos falavam as religiões. Ao mesmo tempo a Terra também se transforma. Nós estamos numa civilização tecnológica. Tudo caminha para avanços inesperados, para tremendas modificações. Tudo vai se modificar no céu e na Terra. Jesus previu isso porque ele tinha o dom profético, e o apóstolo João, que também tinha esse, dom registrou no Apocalipse esse anúncio dos novos tempos. Mas é nesse sentido que isso ocorrerá. Eu vou indicar também ao senhor, um livro, vou lhe dar um presente de amigo, “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. O senhor encontrará esse livro, como presente de irmão, no escritório da Rádio Mulher, Avenida Barão de Itapetininga, ou melhor, Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira, leve o seu comprovante de identidade.

 

Download Pergunta nº 6: Espíritos ignorantes

 

Locutor – Professor, a ouvinte Iracema Sapucaia, da Rua Marambaia, Casa Verde, pergunta: se Deus é perfeito, como criou os espíritos simples e ignorantes, como ensina o espiritismo?

 

J. Herculano Pires – A perfeição de Deus não pode ser naturalmente avaliada por nós, do ponto de vista relativo em que nos situamos. Deus é o absoluto, ele abrange tudo: passado, presente e futuro. Para ele não há tempo, há eternidade. O tempo é nada mais do que uma fragmentação que nós fazemos da realidade permanente do eterno. Essa fragmentação corresponde à própria situação fragmentária em que vivemos na vida terrena. Assim, precisamos compreender a perfeição de Deus de um ponto de vista diferente. Por exemplo, o espírito nasce simples e ignorante; Deus o cria na simplicidade e na ignorância; ele nada sabe e não tem nenhuma complexidade, porque de acordo com o espiritismo existe um elemento fundamental do universo que é o principio inteligente; esse princípio inteligente é. por assim dizer, o elemento que dá origem aos espíritos e é na prática a sua própria essência. Desse princípio inteligente então, por uma lei natural determinada por Deus, nascem constantemente os espíritos. Os espíritos começam como simplesmente um princípio dotado de inteligência, da capacidade de percepção das coisas exteriores, de penetrar nas coisas, de ler dentro das coisas, se assim podemos dizer, para dar bem o sentido da palavra inteligência. Esses espíritos começam, portanto, de maneira bastante simples e são inteiramente ignorantes no seu início. O princípio inteligente começa animando as formas do reino mineral; dali ele passa para o reino vegetal; desse, através naturalmente de um tempo que nós não podemos precisar, ele passa para o reino animal; e do reino animal, onde ele desenvolve mais a sua individualização, ele vai passando para o plano superior e projeta-se naquilo que nós chamamos reino hominal ou a humanidade. Ora, nós vemos então que para começar do reino mineral, ele tem de ser forçosamente bastante simples e completamente ignorante, nada sabe. Na passagem pelos reinos subsequentes é que ele vai desenvolver as suas potencialidades, para então se tornar um espírito mais complexo e capaz de penetrar no conhecimento da realidade exterior, bem como no seu próprio conhecimento interior. Vemos assim que aquilo que para nós parece um absurdo, dentro da visão geral de Deus, da sua visão global, completa das coisas, nada mais é de que um processo total que ele vê enquanto nós vemos apenas as partes desse processo. Se naquele princípio inteligente, em desenvolvimento na matéria, já existe todas as potencialidades que vão surgir mais tarde no espírito humano elevado, cultivado, adiantado, então é evidente que para Deus, na sua visão eterna, o espírito que nasce já está completo, perfeito, porque ele traz dentro de si todas aquelas potencialidades que são ocultas para nós, que aparentemente apenas estão ocultas, mas que no desenvolvimento, no processo evolutivo vão aparecer e se completar. Na filosofia de Aristóteles, nós encontramos a doutrina de potência e ato. Segundo essa doutrina, todas as coisas que são impotência, que existe portanto potencialmente latentes, escondidas nas coisas, todas essas coisas latentes vão se atualizar no futuro. A atualização é a transformação da potência em ato. A potência é apenas a possibilidade; o ato é a realidade presente. Mas essa diferença entre potência e ato só existe para nós, criaturas humanas. Para Deus, ato e potência aparecem conjuntamente numa perspectiva global. Assim, Deus cria os espíritos perfeitos, mas essa perfeição só se revela aos nossos olhos mortais, à nossa visão primária das coisas, à nossa visão bastante restrita da grandeza do universo, ela só se revela de maneira progressiva. É assim que o espírito simples, ignorante, se transforma, pelo desenvolvimento das suas potencialidades, no espírito realmente perfeito e sábio que vai ser, segundo explica o “Livro dos Espíritos”, não só o homem na atualidade, mas o anjo e o arcanjo no futuro. Download Chico Xavier – Com muita alegria convidamos você para o show da fraternidade às 20h30 do dia 16 de dezembro de 1972, no ginásio do Pacaembu em São Paulo, com nosso admirável Roberto Carlos, rei da voz e da bondade, comandando o maravilhoso natal de amor ao próximo. Venham compartilhar conosco da paz e da melodia no serviço do bem, recordando Jesus.

 

Locutor – Ganhe o livro indicado na resposta dada a sua pergunta, retire-o a partir de segunda-feira no escritório da Rádio Mulher no horário comercial, à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111. Os ouvintes do interior receberão os seus livros pelo correio. Essa é uma promoção da Rádio Mulher e das editoras espíritas de São Paulo, Geem, Edicel, Lake e Edigraf. Os ouvintes só têm direito ao livro que for indicado na resposta como presente de irmão. Os livros apenas citados para indicação de fontes não devem ser procurados. Procure apenas o seu presente de irmão à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111.

 

Pergunta nº 7: Telegrafia

 

Locutor – Perguntas e respostas. Escreve-nos o ouvinte que se assina B. A. Souza, da Rua A, Santo Amaro, e faz as seguintes perguntas: primeira, é possível atrair para uma sessão espírita o espírito de uma pessoa viva para falar através de um médium?

 

J. Herculano Pires – Allan Kardec fez numerosas experiências sobre esse assunto na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A “Revista Espírita” de Allan Kardec publica numerosos casos de evocação de espíritos de vivos na Sociedade e dá naturalmente as comunicações por extenso, porque as comunicações eram recebidas psicograficamente, de maneira que foi fácil junta-las para publicação. Kardec investigou isso durante cerca de doze anos, e nesse período vastíssimo ele pôde observar as mais diferentes figuras humanas, os mais diversos tipos manifestando-se ali como espíritos de vivos. Os próprios membros da sociedade espírita de Paris candidatavam às vezes a ser evocados. A evocação, entretanto, feita por Kardec, não era de maneira alguma uma evocação misteriosa, de tipo mágico. Não. A evocação espírita, apesar de tudo quanto falam sobre ela aqueles que não entendem de espiritismo, é simplesmente uma vibração mental apoiada naturalmente por uma prece. Dirige-se primeiramente um pedido a Deus para que permita a vinda daquele espírito ali à sessão, seja ele um espírito de pessoa já morta ou seja de pessoa viva, para se ter uma informação que seja útil, que traga algum benefício, seja para a própria pessoa ou para outra criatura. A evocação espírita, portanto, está condicionada a esses dois fatores essenciais: primeiro, o pedido a Deus, a prece ao alto para que seja permitida a vinda daquela criatura, se possível; e depois, o fato de ter o objetivo útil, necessário, para que seja feita a evocação. No caso das evocações de Kardec, era o seguinte: elas eram feitas com o objetivo de estudo, de pesquisa. Kardec queria saber como se sentia o espírito do vivo na vida espiritual quando ele se comunicava numa sessão e o que ele podia dizer a respeito; como ele explicaria as suas sensações, a sua maneira de ver as coisas e se depois o vivo se lembrava de ter estado ali presente. Tudo isso faz parte, portanto, da pesquisa em espiritismo e das evocações sempre feitas rigorosamente de acordo com a doutrina. Por outro lado, Kardec nunca aceitava evocação de uma pessoa que não tivesse espontaneamente se oferecido para isso. Foi o próprio leitor da “Revista Espírita” quem sugeriu a Kardec que iniciasse essas pesquisas e na carta que enviou ele dizia a Kardec: assim como nas faculdades de medicina há pessoas que entregam seus corpos para serem ali estudados nas salas de anatomia, assim nós podemos também fazer a mesma coisa com o espírito. Nós podemos oferecer o nosso espírito para experiências num laboratório espírita como é a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. E Kardec consultou os seus guias espirituais a respeito e eles aprovaram a ideia. Foi assim que se iniciaram essas investigações. De maneira que o espírito pode realmente – o espírito da pessoa viva – não só comunicar-se ali quando chamado, como pode também espontaneamente aparecer numa sessão. São numerosos os casos de comunicações de espíritos de pessoas vivas espontaneamente dadas em várias sessões espíritas no mundo inteiro. Mas nós sabemos que nesse caso de pessoas vivas, há também a possibilidade de não só da presença do espírito – que é aquilo que Kardec chamava de telegrafia humana –, mas também o caso da telegrafia mental, ou seja, da transmissão de pensamento. Uma pessoa que esteja ausente de um trabalho espírita, mas que tenha ligações com as pessoas presentes, pode comunicar-se através de um médium, dirigindo-lhe uma corrente mental, corrente de pensamentos, telepaticamente sendo captada esta corrente pelo médium, o médium transmite a mensagem que recebeu dessa pessoa. Para as criaturas que não estiverem aptas a distinguir as coisas no trabalho mediúnico, parecerá que está sendo dada a comunicação de um espírito vivo que ali está presente. E na verdade não é isso. É um processo telepático.

 

Download Pergunta nº 8: Telegrafia

 

J. Herculano Pires – Por sinal, a respeito dessa questão telepática, temos aqui, no nosso estúdio nesse momento, o nosso companheiro Jorge Rizzini com um assunto bastante importante que ele pode trazer como ilustração desse caso das influenciações telepáticas, ou seja, das transmissões telepáticas no mundo. Rizzini, você quer dizer alguma coisa no nosso microfone a respeito?

 

Jorge Rizzini – Pois não, Herculano. É exatamente aquilo que nós falamos antes do início dessa gravação a respeito da Jane Dickson que é considerada a maior telepata, a maior clarividente do nosso século, nome esse que todos os ouvintes desse programa certamente já ouviram falar ou já leram nos jornais, nos jornais profanos, não jornais especializados ou revistas específicas. A Jane Dickson esteve recentemente na União Soviética, como sabe muito bem o Herculano Pires, e lá foi examinada em laboratório de parapsicologia e deu inúmeras declarações à imprensa soviética, em particular ao “Pravda”, que é o órgão líder desse país. Então disse ela que ela havia previsto o lançamento do Sputnik, e esse fato deixou os cientistas soviéticos assustados, e daí o motivo pelo qual esses cientistas a convidaram para esses exames em laboratório. E Jane Dickson lá esteve e confirmou a sua previsão; foi examinada sob vários ângulos e ela então disse à imprensa que estava impossibilitada de apanhar telepaticamente os planos de guerra dos chineses. Então explicou aos cientistas soviéticos que certamente os chineses teriam uma chave mental capaz de obliterar, capaz de fechar a emissão do pensamento desses planos. Daí a razão pela qual ela, Jane Dickson, não obstante a sua capacidade extraordinária no campo da telepatia e no campo da clarividência, em conseguir obter dados referentes aos planos dos chineses. No entanto, os planos dos próprios soviéticos ela apanhou telepaticamente lá nos Estados Unidos e a imprensa do mundo inteiro divulgou isso, e realmente constitui-se um fato assombroso no campo da telepatia. Esse caso, como já disse o Herculano, já foi amplamente examinado, inclusive por Kardec. Não constitui nada de novo. Está tudo muito bem explicadinho nas obras básicas da codificação.

 

J. Herculano Pires – Muito bem, Rizzini. É bastante interessante essa informação que você nos dá e enriquece o nosso programa. Entretanto, me parece que a Jane Dickson está exagerando um pouco na sua interpretação dos fatos. Não há necessidade nenhuma de atribuirmos um poder extraordinário aos chineses. Não obstante, os chineses têm uma tradição espiritualista muito profunda, muito grande e possam ter penetrado bastante nesse assunto, nesse problema, a verdade é que podemos explicar isso parapsicologicamente de uma maneira mais fácil, e mesmo dentro do espiritismo, com os dados espíritas já bem anteriores à parapsicologia. O problema do médium que capta assim coisas à distância, portanto o médium clarividente – porque no caso da Jane Dickson, parece que acima da telepatia que flui no seu processo de capacitação, é a clarividência, o poder da clarividência – nesses casos o médium quase sempre age não de maneira pensada, não intencional; ele age levado pelo assunto, pelos problemas. Uma ocorrência qualquer, passada num país longínquo, afeta a sensibilidade do médium; ele então a percebe e não sabe o porquê, não poderá nunca explicar o porquê. É possível, portanto, que haja relações do passado ou mesmo do presente. Do presente seriam relações de simpatia, por exemplo, da Jane Dickson com a União Soviética, com os russos, com os trabalhos que ali se realizam. Do ponto de vista do passado, seriam reminiscências de vidas passadas na Rússia, de ligações, portanto, cármicas dela com esse país que estabelece uma afinidade facilitando a influenciação da sua sensibilidade por ocorrências que se desenvolvem na Rússia. E é possível que não haja nenhuma ligação, nenhuma afinidade dela com o campo chinês, com o mundo chinês. Então isso impediria, bloquearia realmente a sua sensibilidade de perceber esses acontecimentos na China, enquanto as da Rússia lhe seriam muito mais favoráveis. Esse assunto como sabemos é bastante conhecido no campo espírita, desde a publicação do “Livro dos Espíritos” até hoje, e recentemente as pesquisas parapsicológicas, nesse sentido, aprofundaram-se bastante e realmente verificaram que o problema da afinidade do médium ou do sensitivo – como dizem em parapsicologia –, a afinidade dele com os campos de percepção a que se dirige a sua sensibilidade, é fundamental para que o fenômeno se realize.

 

Download Pergunta nº 9: Tempo da sessão

 

Locutor – Continuando com as perguntas do ouvinte B. A. Souza, ele diz o seguinte: professor, quanto tempo deve durar uma sessão de trabalhos com espíritos sofredores? E o ouvinte gostaria que fosse delineados dois aspectos aqui: quanto tempo deveria durar a leitura e a explanação, bem como a recepção dos espíritos pelos médiuns?

 

J. Herculano Pires – Esse problema de tempo em sessão mediúnica é um problema que está sempre relacionado diretamente com a situação de cada sessão. Não deve e não pode haver uma regra geral para isso. Se nós determinamos, por exemplo, que uma sessão mediúnica aberta às comunicações de espíritos necessitados deve ser de apenas uma hora, nós corremos o perigo de deixar de atender a muitas criaturas necessitadas naquele período, naquele prazo. Então encerramos os trabalhos antes de completar o atendimento das entidades que compareceram. Por isso mesmo quando nós realizamos sessões dessa natureza, que são as chamadas sessões de caridade, as sessões de trabalho fraterno junto dos espíritos sofredores, é preciso que não façamos muita conta do tempo. Dependendo o decorrer do tempo das próprias dificuldades da doutrinação, do encaminhamento, do esclarecimento dos espíritos que se comunicam. Entretanto, apesar disso, devemos ter cuidado para não exagerar o tempo, não demorar demais a sessão. Quanto ao tempo de leitura e explanação nas sessões dessa natureza – que é sempre necessário que se faça uma leitura prévia e uma pequena explanação do assunto –, pode durar de dez a quinze minutos, isso dependendo também de quem faz, de quem dirige os trabalhos. A recepção dos espíritos pelos médiuns, quanto tempo o espírito deve estar comunicado, segundo eu entendo, ou o tempo global que se dedica às manifestações, também está relacionado como vemos, com a própria situação do momento. Se nós tivermos muitos médiuns na mesa, esses médiuns todos assediados por espíritos sofredores, os espíritos que auxiliam a direção dos trabalhos, advertindo que há espíritos ainda por se comunicarem, que precisam comunicar-se, seria imprudência encerrar os trabalhos sem atender a todas essas criaturas. De maneira que isso tudo não tem uma regra fixa no espiritismo, nem pode ter, depende de cada sessão e naturalmente dos dirigentes de trabalhos, do critério que eles usam para a realização desses trabalhos.

 

Download Pergunta nº 10: Assistentes

 

Locutor – Pergunta ainda: existe proibição ou inconveniente em permitir a presença de assistentes em sessões de desenvolvimento?

 

J. Herculano Pires – As sessões de desenvolvimento mediúnico, como temos dito aqui, são na verdade sessões de educação da mediunidade. O que nós temos de fazer nessas sessões não é forçar o desenvolvimento mediúnico de quem quer que seja; é criar um ambiente propício, favorável ao desenvolvimento e tratar de educar, de esclarecer os médiuns a respeito dos problemas mediúnicos que eles vão enfrentando na proporção em que entram no campo da mediunidade de trabalho. Mas justamente por isso os médiuns estão sujeitos nessa fase de desenvolvimento a certas perturbações que podem ocorrer, perturbações não provindas da própria mediunidade, mas sim das entidades que estão ligadas aos médiuns. Então não é conveniente em sessões de desenvolvimento mediúnico, a presença de visitantes, a não ser que se trate de pessoas conhecidas, estudiosas, que ali vão com o interesse apenas de aprender alguma coisa a mais ou de ver com boa intenção o que se realiza. Pessoas curiosas ou pessoas interessadas apenas em criticar, em perturbar os trabalhos com seus pensamentos negativos, poderiam causar sérios transtornos. Justamente por isso não é aconselhável à presença de visitantes nas sessões de desenvolvimento mediúnico.

 

Download Pergunta nº 11: O que tem alma

 

Locutor – A pergunta seguinte: eu gostaria de saber se os animais têm almas e, em caso positivo, se eles evoluem até chegarem a estágios superiores.

 

J. Herculano Pires – Tudo no universo tem alma e corpo, porque o universo é fundamentalmente constituído de espírito e matéria. Sendo constituídas de espírito e matéria, todas as coisas que se apresentam aos nossos olhos possuem esses dois elementos fundamentais. Às vezes a gente diz que as pedras têm alma e as pessoas se riem disso. Houve mesmo um amigo que me disse: “nunca mais diga isso de público, porque pensam que você não está funcionando bem”. Eu lhe respondi: “não interessa isso, nós estamos tratando de assuntos de importância fundamental para todos nós”. E a verdade é essa: tudo tem alma. A alma é o elemento espiritual que mantém a forma da matéria. Mais uma vez eu vou voltar a citar a filosofia de Aristóteles, porque ela nos ajuda muito bem a compreender isso e ao mesmo tempo mostra como a doutrina espírita se relaciona no campo filosófico com o mais alto pensamento, desde que esse pensamento realmente toque pela intuição a realidade que o espiritismo descobriu pela pesquisa. Aristóteles já no seu tempo enxergou muitas das coisas como Platão, como Sócrates, muitas das coisas fundamentais que nós hoje enfrentamos com o problema espírita. Então existe a doutrina de forma e matéria em Aristóteles, e Aristóteles diz assim: a matéria não tem forma, o que é também o princípio do espiritismo. A matéria é disseminada no espaço, ela não tem forma, mas existe a forma e a forma é o elemento diferente da matéria, que se apropria da matéria e transmite à matéria uma forma. Então nasce o objeto, nasce à coisa, quando a matéria é empolgada pela forma, quando a forma absorve a matéria. Podemos ter uma ideia mais clara disso, mais popular, pensando o seguinte: quando um oleiro quer produzir, por exemplo, uma figura qualquer que ele não vai fazer pela forma de escultura, porque ele não é um escultor, ele então dispõe de um molde. Dentro desse molde ele põe a matéria, a argila que vai produzir a figura. Ora, esse molde é que vai configurar aquela imagem que vai sair de dentro dele. Ora, é precisamente essa função da forma na teoria de Aristóteles. A forma é que vai recolher a matéria e a moldá-la de acordo com a sua própria figura. Por isso nós dizemos que no espiritismo, nós as criaturas humanas temos um corpo energético que é o perispírito ou o corpo espiritual do homem que modela o corpo material – o que agora também recentemente já foi constatado pela pesquisa dos cientistas soviéticos, verificando a existência no homem daquilo que eles chamaram o corpo bioplástico. Bioplástico quer dizer: o corpo vital e que é plasticizado, por assim dizer, pela força interna que ele possui. Esse corpo bioplástico tem também a função de plasticizar, de dar forma, portanto, ao corpo material. Assim, nós podemos compreender bem, os animais têm alma, as plantas têm alma, todas as coisas têm alma. Eu lembraria aquele final da pergunta 540 do “Livro dos Espíritos”, aliás, o final da resposta à pergunta de Kardec. Pergunta 540, em que o espírito disse assim a Kardec: “tudo se encadeia no universo desde o átomo até o arcanjo, que também já foi átomo”.

 

Download Locutor – Informamos ao nosso prezado ouvinte, senhor B. A. Souza de que dada a exiguidade do tempo, não nos foi possível responder a todas as suas perguntas. Contudo, teremos o máximo prazer em completá-las no próximo programa.

 

Faça perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta 205, travessa da Avenida Santo Amaro, São Paulo. Não faça relatórios, faça perguntas. Você pode fazê-las também pelos telefones 269.4377 ou 269.6130, durante a semana no horário comercial. E ouça as respostas por essa emissora em São Paulo 730khz, pela Rádio Morada do Sol em Araraquara ou pela Rádio Difusora Platinense em Santo Antonio da Platina, estado do Paraná.

 

Locutor – O Evangelho do Cristo em espírito e verdade. Não se apegue à letra que mata, procure o espírito que vivifica. Abrindo o evangelho ao acaso, encontramos no evangelho de João, no capítulo doze, do versículo trinta e sete ao quarenta e três. Assim falou Jesus e tendo se retirado, escondeu-se deles. Embora tivesse feito tantos milagres na presença deles, não criam nele para que se cumprisse a palavra proferida pelo profeta Isaias. Senhor, quem creu a nossa pregação e a quem foi revelado o braço do senhor, não podiam crer, porque, como diz ainda Isaías, cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não veja com os seus olhos e entendam no coração, e se convertam e eu os sare. Isso disse Isaias porque viu a glória dele e dele falou: contudo muito das próprias autoridades creram nele, mas por causa dos Fariseus não o confessavam para não serem expulsos da sinagoga. Porque prezaram mais a glória que vem dos homens do que a glória que vem de Deus. J. Herculano Pires – A chave dessa passagem do evangelho de João está precisamente nessa frase final, quando o evangelista nos diz que eles prezaram mais a glória que vem dos homens do que a glória que vem de Deus. Se interpretarmos literalmente essa passagem, teremos forçosamente que considerar que Deus age de maneira humana com relação aos homens, porque Deus teria cegado os Fariseus, teria impedido o seu entendimento para que eles não o vissem e não compreendessem as palavras de Jesus e assim não fossem salvos. Isso seria simplesmente absurdo, uma atitude de Deus intencional nesse sentido seria completamente absurda do ponto de vista lógico, e mesmo do ponto de vista humano, da nossa compreensão humana das coisas. Ora, o que o evangelho quer dizer, portanto, figuradamente nessas palavras, é que os Fariseus ali presentes que ouviram Jesus anunciar o reino, ouviram Jesus anunciar as promessas do espírito e ouviram Jesus dizer que aproveitassem a luz enquanto a luz estava com eles no mundo, porque depois a luz se retiraria e eles ficariam em trevas, os Fariseus que ouviram isso não entenderam. Não porque tivessem sofrido de Deus uma punição para isso. Mas porque na realidade, apegados aos interesses humanos, à glória das suas posições passageiras, transitórias, eles não tinham desenvolvido a capacidade espiritual necessária para compreender o ensino de Jesus. Não estavam em condições de entender o que o mestre lhes havia ensinado. Diz também o texto que Jesus se escondeu deles, isso deve ser entendido naturalmente no sentido de que Jesus, ditas essas palavras, retirou-se. Porque é evidente que Jesus não ia se esconder daqueles mesmos a quem ele havia pregado a sua possibilidade de lhes dar a salvação. Todas essas coisas implicam quando estudamos os textos evangélicos, a necessidade da aplicação da lógica, da razão, do raciocínio, para nós podermos entender bem o significado dos textos. Por isso é que o apóstolo Paulo ensinou a não nos apegarmos a letra que mata, mas sim procurarmos o espírito que vivifica. Em todos os textos das escrituras sagradas nós nos defrontamos com essa mesma situação. As escrituras não são apenas simbólicas, alegóricas, elas estão também relacionadas com o tempo em que as expressões que hoje usamos tinham outro sentido. As traduções, por mais que se esforcem para aproximar as expressões antigas da realidade atual da linguagem, não conseguem nos dar na limpidez necessária, essa expressão moderna. Nós, estão, temos de compreender sempre quando lemos um texto antigo, que existe uma perspectiva histórica na qual devemos nos colocar para realmente podermos penetrar no sentido. Se fôssemos interpretar essa passagem ao pé da letra, nós atribuiríamos a Deus intenções que não podem caber no ser supremo, no ser absolutamente perfeito, cujo amor imenso abrange o universo todo e sustenta até mesmo o equilíbrio dos mundos e das galáxias no espaço sideral. Esse poder de amor que supera tudo quanto a nossa imaginação pudesse conceber, não podia se harmonizar absolutamente com atitude de um Deus que particularmente atingisse uma criatura humana ou várias criaturas para impedi-las de compreender uma lição de amor, uma lição caridosa que Jesus dava, procurando despertar nessas criaturas o sentimento espiritual que elas trazem ocultas em si mesmas. Ora, esse sentimento espiritual era precisamente aquela parte do homem que Jesus tocava com as suas palavras. Mas Isaias havia profetizado e diz ainda o texto: por isso era preciso que se cumprisse à promessa. Se nós entendermos isso assim também ao pé da letra, parece que toda a passagem de Jesus pela Terra estava subordinada à previsão dos profetas. Se a profecia devia cumprir-se, tudo devia ocorrer na pauta das profecias. Isso seria restringir a própria missão de Jesus na Terra às condições anteriormente estipuladas pelos profetas. Aí também precisamos entender que há uma colocação do problema na linguagem do tempo que não está de acordo com a nossa linguagem atual, não é porque Isaias disse que isso tinha de se cumprir. Isso se cumpria porque Isaias realmente tinha tido uma percepção extra sensorial, uma pré-cognição, uma percepção profética daquilo que ia se realizar. Não podemos pôr, como se diz na linguagem popular, o carro adiante dos bois. Isaias viu que ia se realizar e falou, mas isso não se cumpriu por determinação de Isaias e sim porque Isaias realmente viu uma realidade futura que estava prevista já nos próprios desígnios de Deus através da ação e reação das coisas no processo natural. É assim que devemos entender esse texto.

 

Locutor – Leia amigo ouvinte, leia livros espíritas para se esclarecer e se orientar. Participe do novo mundo que está nascendo. Faça a sua pergunta ao nosso programa e leia o livro indicado na resposta que você receberá como presente de irmão. Basta retirá-lo em nosso escritório à Rua Barão de Itapetininga 46, 11º andar, conjunto 1.111. Os ouvintes do interior receberão os livros pelo correio. E não se esqueça de que já existe uma revista especializada em educação espírita. Ajude-nos a criar a nova educação que formará as gerações do futuro. Adquira e colecione a revista Educação Espírita, com numerosos trabalhos de famosos educadores.

 

Não fazemos propaganda religiosa; fazemos divulgação científica. Não temos igreja e não buscamos adeptos; colocamos a verdade ao alcance dos que a procuram. Não somos pregadores, somos expositores. Divulgamos a ciência do espírito na era do espírito. Nosso lema é esse: cada crente com sua crença, cada descrente com sua descrença, mas a verdade ao alcance de todos. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, e se você provar que está com a verdade, ficaremos com você.

 

No Limiar do Amanhã.

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