Homenagem da Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires
a Tatiana Cury Pires (1968 2025) e Herculano Ferraz Pires (1942 - 2025)
A Doutrina Espírita é consoladora, ao afirmar e comprovar que a morte não existe. A morte é tão somente uma passagem para outro plano de existência, porque os Espíritos são imortais. Aqueles que ficam na Terra sentirão saudades, mas terão também a certeza do reencontro com seus entes queridos.
Herculano e Taty, agradecemos pelos anos de amizade e convivência. A Fundação Herculano Pires agradece todas as suas horas, pensamentos, palavras e atos em favor da divulgação da obra de Allan Kardec e de Herculano Pires.
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Minha Prima Querida
Menina de olhos redondos
E de sorriso solto...
Alegre;
Falante ao nascer;
Feliz e paciente
Que nunca irei esquecer
pela sua fala carinhosa:
- Oi, PRIMA! Pode falar.
Pessoa presente, sempre
Disposta a participar de
nossa companhia.
Que lembraças essas,
que nos fazem sorrir sozinhos
e sentir o acolhimento
desse amor.
Memórias essas,
que nos fazem reviver
para um novo reencontro
Com certeza... esperado
E tão desejado.
Para podermos ter à nossa volta
esse frescor da parceria. Que nos acalma
e nos faz viver...
(Prima Carla Pires)
Terminou a corrida. Guardou a fé.
Rita Foelker

Tem Espíritos que passam pela Terra deixando um rastro de grandes amizades, importantes realizações, exemplos de vida que inspiram quem com eles aqui conviveu. E por isso se tornam memoráveis.
Um deles retornou recentemente ao Plano Espiritual. Estou falando, já com saudades, do querido Herculano Ferraz Pires, sem dúvida uma alma muito especial. Quem o conheceu e teve a chance passar algum tempo com ele, aqui na Terra, sabe que ele era assim.
Embora leitora de Herculano (pai) desde a juventude, conheci pessoalmente Herculaninho – como era carinhosamente chamado – há cerca de uma década, quando comecei a trabalhar na Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires, em São Paulo/SP.
Herculaninho é desses seres incríveis que fazem a gente logo se sentir “em casa”. Tudo com ele era muito simples e direto, como no relato do grande amigo Antonio Carlos Molina, sobre aquele dia de 1971 em que se conheceram:
“Eu dirigia a área de informática de um banco e estava procurando um gerente de produção. Ele chegou para entrevista, me passou o currículo e eu, logo que vi, perguntei:
“– Você é parente do prof. Herculano Pires?
“– É meu pai!
“– Admiro muito ele. Parabéns!
“Ele se levantou, pediu licença, foi ao telefone sobre a mesa, discou um número e disse:
– Mãe, tem um cara aqui que conhece o pai…
“E me passou o telefone.
“Era a Dona Virgínia, que fez uma festa ao telefone e disse:
“– Venha tomar um café!
“Fui e nunca mais deixei de ir…”
Molina conclui dizendo que “foi um bom encontro, como diria Espinosa…”
A referência ao filósofo holandês levou minha mente pelas trilhas da filosofia, tão cara a Herculano (pai).
Para Baruch Espinosa (1632 – 1677), um “encontro” seria toda interação entre dois corpos, sejam eles objetos ou a Natureza em si, sejam pessoas. Tudo que produz um afeto!
Afeto?... Ora, Espinosa explica isso, também! Segundo ele, os corpos e as mentes são afetados pelas interações com o mundo, o que leva a um aumento ou diminuição da potência de agir de um indivíduo.
Sobre encontros que aumentam a “potência de agir”, ou seja, estimulam a capacidade de um indivíduo, de agir e de existir, sem sombra de dúvida, Herculaninho tinha um jeito maravilhoso de nos alegrar e gerar profundo contentamento, em sua presença. Ele certamente nos colocava em ação.
Da sua infância e juventude no lar dos Pires, a irmã, Heloisa, recorda de que Herculaninho era sempre gentil. Nunca falava grosseiramente. Segundo ela, “um Espírito que caminhava para a Luz tranquilamente!!”
Um de seus talentos era o de ter ideias, costurar pensamentos, colocar por escrito, buscar pessoas e gerar uma dinâmica de trabalho onde tudo acontecia com forte adesão de todos os envolvidos. Penso que a palavra correta para isso que ele trazia na alma é entusiasmo, que etimologicamente significa “inspirado por um Deus”. Perto dele era impossível ficar desanimado... Que, por seu turno, traduz-se como “sem ânimo ou sem motivação para agir”, o que claramente não existia para ele.
Além das ótimas conversas, da afabilidade e da sua firmeza de princípios, o que mais me lembro é do seu compromisso muito sério em trabalhar – e “combater o bom combate”, quando era o caso – pela divulgação do Espiritismo.
Para levar adiante esse ideal, organizou carinhosa e detalhadamente, desde 2018, todas as edições da Semana Herculano Pires, promovidas pela Fundação. Herculaninho escolhia a dedo expositores comprometidos em divulgar Kardec e a Doutrina em sua essência mais cristalina.
Nessas ocasiões ele também nos trazia poemas do pai, a fim de jamais permitir que a poesia seja esquecida ou morra em nossos corações. Eles eram interpretados pela atriz, roteirista, produtora e diretora Rosi Campos, na abertura de cada transmissão.
Herculaninho, na vida profissional, foi gerente do CPD da Prodesan (Progresso e Desenvolvimento de Santos, SP), do Investbanco, do Unibanco e do Bank of Boston, onde se aposentou. Assumiu a Diretoria Executiva da Editora Paideia, fundada por Herculano e Maria Virgínia em 1976, que segue publicando e se renovando até hoje, sem distanciar-se dos princípios esposados pelo seu fundador.
Junto com a companheira inseparável Maria Alice, foi o pai muito presente e especial da Tatiana, do Rogério, da Adriana e da Flávia.
Carla, a dinâmica sobrinha, recorda que o tio era muito ligado ao futebol desde jovem, o que gerava interações animadas na família! Eu soube que era um são-paulino roxo.
De minha parte, sempre fiquei muito impressionada com a energia que ele trazia aos nossos encontros, às reuniões e, principalmente, aos preparativos da Semana Maria Virgínia e J. Herculano Pires, mas que, neste ano, não aconteceu, em razão da partida inesperada da filha Tatiana (CEO da Fundação e uma amiga muito querida), no primeiro semestre, seguida, há pouco, por Herculaninho, cuja lembrança e exemplos nos acompanharão para sempre.
Como todas as almas sinceras e idealistas, ele se foi e nos deixou imediatamente saudosos, mas principalmente, com uma grande responsabilidade: manter acesa a chama do ideal de divulgação espírita, segundo as bases de Allan Kardec.
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Para a seção “Foi Assim...”, do jornal Correio Fraterno do ABC. Edição N º 5 2 5 • S e t e m b r o - O u t u b r o 2 0 2 5.


