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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.

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MUDANÇAS COMPULSÓRIAS NA VIDA

Enviando-nos a mensagem psicográfica de Maria Dolores, abaixo publicada, Chico Xavier informa-nos o seguinte:

Em nossa reunião pública era grande o número de pessoas que apresentavam problemas acerca de mudanças compulsórias na vida. Muitos irmãos presentes haviam sofrido a perda de entes queridos. Outros falavam de abandono a que foram votados por familiares aos quais empenhavam toda a confiança. Outros lastimavam prejuízos de que foram vítimas e outros ainda se referiam à falência de ordem material que os obrigaram a renovar toda a existência.

O estudo doutrinário da noite caiu no item 13 do capítulo V de O evangelho segundo o espiritismo, “Bem-aventurados os aflitos”. Os comentários foram de grande proveito e, ao término da reunião, a nossa irmã e benfeitora espiritual Maria Dolores escreveu a página poética que intitulou “Renovações” e que envio em anexo, pensando que ela poderá ser motivo para nossos estudos e reflexões.

RENOVAÇÕES
Maria Dolores

Quando a dor te procura, alma querida e boa,
A torturar-te o sonho e a exigir-te mudança,
Qual forja incandescente a que o mundo te lança
Por burilar-te o ser,
Não te irrites, não temas nem reclames.
Tudo o que vem à Terra, a fim de aprimorar-se,
Sofre transformações, sem recurso a disfarce,
Para servir, brilhar, elevar-se, crescer...

Contempla a Natureza... A fonte quando surge,
Por mais refulja ao sol, figura-se, no entanto,
O coração da gleba a desfazer-se em pranto
Para não se afastar do seio em que é nascida.
Depois, a contragosto, ela própria se aparta,
Serve e canta, esquecendo as próprias mágoas,
Para juntar-se, além, à vida de outras águas
E encontrar, mais além, as vastidões da vida.

Lembra o tronco que viste a erguer-se forte.
Tombou gemendo a cortes destruidores,
Suspirando talvez por guardar-se entre as flores
Do bosque verde e belo em que te recompões.
De maneira imprevista, um dia, transformou-se
Em violino nas mãos do artista sublimado
E olvidando, de todo, os golpes do machado
Hoje é música e prece elevando emoções.

Olha o minério preso e conduzido ao fogo.
Parece tenso e rubro, a serpente em vigia,
Talvez queira voltar à rocha em que vivia
No propósito vão de somente cismar...
Depois não mais recorda, onde ajuda e trabalha,
O forno a que se deu em suplício fecundo,
A fim de ser honrado entre as forças do mundo
Como viga que apoia as carícias do lar.

Se a vida traz, à senda em que te encontras,
Mortes, retaliações, angústias, provas,
Lutas e alterações, sob as quais te renovas,
Do teu sonho mais alto aos sonhos mais plebeus,
Não te revoltes... Serve e segue à frente,
Planta, chorando embora, o amor que não se cansa.
Toda tribulação, que te impele a mudança,
É uma luz do progresso e uma bênção de Deus.

A MOSCA NA ESTÁTUA
Irmão Saulo

Este poema linear de Maria Dolores, à semelhança da superfície tranquila dos grandes rios, tem profundezas insuspeitadas. Basta analisarmos os versos da primeira estrofe para vermos que a razão poética, negada e amaldiçoada pelos teólogos do inconsciente, possui recursos para penetrar nos mistérios da alma e da vida. As “transformações sem recurso a disfarce”, que ocorrem em nossa vida, têm um sentido, obedecem a um desígnio. E esse desígnio não abrange apenas o homem, mas “tudo o que vem à Terra”.

Essa estrofe nos lembra a mosca de Max Nordau que, de asa quebrada, andava na superfície irregular de uma estátua reclamando contra os seus desníveis. Faltava-lhe a visão do conjunto. Assim fazemos ao reclamar e protestar contra as frustrações do destino, os percalços da existência, desejando um viver sonolento de aldeia. Maria Dolores aplica o seu método ecológico, ligando o destino humano ao destino das coisas. Dessa ligação surgem as comparações e os estímulos. A fonte que chora no solo e o minério que arde na forja, como o tronco submetido aos golpes do machado, são reflexos exteriores da realidade interna que nos aflige. Rodamos todos – todos e tudo – nas águas da evolução, mas para um fim superior.

Essa lógica espírita exaspera os pregoeiros do desespero, viciados no ópio da amargura e da revolta. Mas Maria Dolores aconselha com ternura: “Não te revoltes... serve e segue à frente.” E a Natureza inteira confirma, ao nosso redor, a sabedoria dessa advertência. Os milênios da história e os séculos de pesquisa nas entranhas do planeta condenam o ceticismo dos homens, mostrando que realmente as mudanças constantes que ocorrem nas coisas e nos seres “são uma luz do progresso e uma bênção de Deus”. Não fossem essas mudanças e continuaríamos para sempre, como a mosca de asas quebradas, a ignorar a grandeza do Universo e o sentido da vida.

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