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ELES NÃO SABEM
Maria Dolores • psicografia de Francisco Cândido Xavier

Se alguém te fere a vida,
Olha a fonte que passa, coração,
Beijando a pedra imerecida
Que se lhe atira à face,
Como se nada houvesse e nada lhe alterasse
O serviço de amor na beleza do chão!

Aquele que te odeia ou te persegue,
Embora mostre um cérebro perfeito,
Não vê a sombra espessa em que se envolve
E a ferida mortal que traz no peito.

Quem te agrava ou injuria
A cruz de provação que carregas na estrada,
Não sabe quanta dor lhe virá, no futuro,
Da atitude impensada.

A pessoa que inveja
Não percebe que alenta, dia a dia
Escondido no próprio coração,
O veneno minaz que lhe furta a alegria.

Quem te condena às lutas em que choras
Desconhece, de todo,
Que abre para si mesmo, ante os campos da Terra,
Uma estrada de lodo!

Para ofensa que surja e ofensa que resurja,
Perdoa, esquece e ampara, outra vez e outra vez.
O tempo restitui, em conta viva e certa,
Todo bem que se dá, todo mal que se fez!

Se alguém te fere a vida,
Olha a fonte que passa, coração,
Beijando a pedra imerecida
Que se lhe atira à face,
Como se nada houvesse e nada lhe alterasse
O serviço de amor na beleza do chão.

SE ELES SOUBESSEM
Irmão Saulo

Os poemas de Maria Dolores têm a simplicidade, a forma e o ritmo largo de Rodrigues de Abreu em “Casa destelhada”. Para a poética atual são expressões do passado. Não usam figuras audaciosas, nem jogo de palavras ou subentendidos. Mas isso porque Maria Dolores não pretende fazer simplesmente poesia, muito menos a poesia de efeitos gráficos e, portanto, sensorial dos nossos dias. Longe de querer participar da chamada “poesia de vanguarda”, o que ela pretende é servir-se do verso espontâneo, quase na forma de prosa rimada, para comunicar-se com os homens e transmitir-lhes as suas experiências da vida espiritual.

O poema “Eles não sabem” é um belo exemplo disso. E se não tem atualidade poética, tem oportunidade ética. Publicamo-lo no momento certo, como um legítimo aparte do além nos diálogos da Terra. E depois de lê-lo podemos replicar ao seu título com o título desta crônica. Sim, porque se eles soubessem – eles, os que ferem, injuriam, condenam, ofendem – “que o tempo restitui, em conta viva e certa, todo o bem que se dá e todo o mal que se fez”, certamente prefeririam a prática do bem.

Expressiva a maneira por que ela repete o ensino evangélico do perdoar setenta vezes sete, acentuando: “Para ofensa que surja e ofensa que ressurja, perdoa, esquece e ampara, outra vez e outra vez...” Porque as ofensas surgem e ressurgem, sempre as mesmas, na boca dos que negam e acusam. Perdoá-las e esquecê-las é amparar os ofensores, evitando que eles se afundem na semeadura do joio. A fonte que passa, cristalina, fecundando a terra e espelhando o céu, desvia-se da pedra que se lhe atira à face e continua a cantar. Se a fonte parasse, ofendida, para enfrentar a pedra agressiva, o seu curso benéfico seria interrompido sem nenhum resultado, pois as pedras surgem e ressurgem constantemente no leito das águas.

Chico Xavier segue o exemplo da fonte há quarenta anos. Os seus inimigos de sempre – e sempre gratuitos – repetem sem cessar as mesmas injúrias através do tempo. Mas Chico é a fonte que não pára, como se nada houvesse e nada o alterasse.

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