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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.

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UM PONTO DE LUTA
Francisco Cândido Xavier

Passamos algumas horas, antes da nossa reunião habitual, junto de companheiros que vinham de cidades distantes. Entre outros assuntos, a renovação íntima foi o tema central de nossas conversações. Falávamos de nossos obstáculos, a comparar-nos com os padrões apresentados pela nossa redentora doutrina.

Sabemos o que devemos fazer, conhecemos as dificuldades para fazer o que devemos (falo especialmente de mim mesmo), entretanto, há sempre um ponto de luta dentro da gente, no qual vemos como é grande o trabalho para se realizar a reforma da vida interior.

Debatíamos o problema com a sincera disposição de encontrar o melhor meio de acertar com a solução, quando o horário nos chamou às tarefas da noite. Iniciada a reunião, O livro dos espíritos nos ofereceu a questão 660.

Concluindo os trabalhos da noite, a poetisa Maria Dolores esteve presente com a página Confissão e prece.

CONFISSÃO E PRECE
Maria Dolores

Senhor Jesus!...
Enquanto orava, ainda hoje, 
Pedindo auxílio e inspiração,
Uma voz que vertia do Mais Alto
Disse-me ao coração:


– Deus nos criou a fim de que sejamos
Um templo vivo para o amor sem fim,
Um pouso sempre assim
De portas para a luz e abertas para o bem, 
Que, momento a momento, lhe arrecade
Os tesouros de paz e de bondade
Para servir sem perguntar a quem...
É por isso, Jesus, que te venho rogar:
Reconstrói a minh'alma pequenina...
Entre a luta que vem e as lutas que se vão,
Assemelho-me à estreita construção
Que o caruncho arruína.
Tão pobre qual me encontro e qual me aceitas,
Apresento-te o piso esburacado,
As brechas do telhado,
As paredes lodosas e imperfeitas...
Contempla em mim as cargas do recinto
Atulhado de erros e de enganos,
Na sucata infeliz de meus dias insanos
Sobre o imenso pesar dos remorsos que sinto.
Deixa que a dor me alije o peso da amargura
E ensina-me, Senhor, a recebê-la,
Qual a noite nublada acolhendo uma estrela
Para fugir da treva em que se desfigura.
Não importa minh'alma a ralar-se esquecida
Aos golpes da aflição em que me vejo.
Poda-me o coração, alimpa-me o desejo,
Anseio renovar-me ao ar puro da vida.
Que me atribule e sofra, ante a luz que me alcança,
Mas que eu seja contigo e sempre em ti, Senhor,
Um canteiro de paz no campo da esperança,
Um refúgio de fé e uma bênção de amor.

A TRINCHEIRA
Irmão Saulo

É preciso tomar a trincheira. Mas não podemos tomá-la à baioneta nem arremessando granadas. Nossa batalha é a do sol que avança a jatos de luz, espancando as trevas e despertando a vida. O ponto de luta a que Chico Xavier se refere é o último reduto, a trincheira entranhada no solo. Os jatos de luz passam sobre ela sem conseguir penetrar nas suas profundezas. Mas os clarões a iluminam de momento a momento e, se persistirmos na luta, atingiremos o seu interior, chegaremos ao fundo escuro quando o sol estiver a pino.

Há qualquer coisa que lembra, nessa expressão feliz de Chico Xavier – ponto de luta – a conhecida expressão de Victor Hugo: point d'optique. Para Hugo o palco era o ponto de visão em que se concentrava no teatro a expressão da vida. Para Chico o ponto de luta é o lugar secreto em que se concentram, em nosso interior, de maneira aparentemente irredutível, os resíduos mais resistentes do nosso passado.

Cada grande batalha, em determinado setor de nossa renovação espiritual, acaba sempre nessa trincheira que parece inexpugnável. O livro dos espíritos nos ensina, na questão 660, a recorrer à prece nesses momentos difíceis, não com excesso de palavras, mas com firmeza de sentimentos.

Maria Dolores, com sua prece em forma de poesia, vem socorrer-nos através do exemplo. Não nos diz como orar, mas ora, ela mesma, extravasando a sua fé numa súplica em versos. Analisando esses versos verificamos, mais uma vez, que Maria Dolores, no seu panteísmo poético, serve-se dos fatos naturais para que as lições de Deus, através das coisas, nos toquem o coração e nos despertem a razão.

Uma prece assim, transbordante de sentimento puro e de confiança em Deus, vale mais do que a repetição de preces decoradas e mecanicamente repetidas. Nem todos somos poetas para exprimir nossos anseios num poema espontâneo como esse. Mas todos temos sentimentos e podemos acordar em nós o germe da fé para fazer uma súplica sincera. Então faremos o sol de nossa fé atingir o zênite e derramar sua luz no fundo da trincheira, eliminando o último ponto de luta na batalha íntima.

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