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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

Perguntas e respostas sobre o natal.

 

*Obs: áudio incompleto

 

Pergunta nº 1: Limpeza

 

Locutor - Professor, ainda do ouvinte J. E. F., de Araraquara. Também a ascensão de Cristo devemos considerá-la como uma viagem e a presença daquele ser de túnicas alvíssimas sobre a pedra do santo sepulcro e justo numa época de total desconhecimento de sabão etc. etc.

 

J. Herculano Pires - O senhor precisa fazer um reexame histórico dessa questão. O senhor sabe que os judeus usavam naquele tempo túnicas alvíssimas. Não dependia de sabão, do sabão moderno. Eles tinham os seus recursos, é claro, eles tinham os seus sabões também. Inútil a gente querer pensar que nós somos uma civilização inteiramente superior às anteriores. Não. Nós temos a nossa superioridade, mas, às vezes, elas também têm a superioridade delas. A civilização judaica, como sabemos, era uma civilização bastante adiantada, bastante evoluída e estava ligada estreitamente ao mundo clássico greco-romano a que por sinal pertencia, e sobre o qual influiu, de maneira que era muito natural e muito comum haver criaturas com túnicas alvíssimas naquele tempo, independentemente dos problemas que o senhor pretende colocar.

 

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Pergunta nº 2: Humores do corpo

 

Locutor - E quando o centurião Longino rasgou o peito do Cristo com a lança, não escorreu sangue e um líquido desconhecido? Não seria um líquido para conservação da matéria do corpo, templo do mestre? O Santino estava num direto contato com tão extraordinário mestre.

 

J. Herculano Pires - O senhor continua sempre, nesse sentido, entendendo que pode explicar tudo pela presença de astronautas aqui na Terra, astronautas vindos de outros planetas. Na verdade Jesus não era isso. Jesus encarnou-se na Terra, ele se fez uma criatura humana, nasceu de um casal de carpinteiros da Galileia, como nós sabemos, e isso está historicamente provado hoje. Não é apenas o evangelho que diz, as pesquisas históricas sobre o cristianismo demonstram a vivacidade disso. Quanto ao relato evangélico de que quando Longino feriu o peito do Cristo, saiu dele sangue e um líquido misterioso, isso não tem importância nenhuma, porque nós sabemos que muitos dos humores do corpo humano eram ainda desconhecidos naquele tempo.

 

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Pergunta nº 3: Buda e Cristo

 

Locutor - Professor, o ouvinte L. C., de Vila Gumercindo, pergunta: o nascimento do Buda é tão importante no Oriente quando o de Jesus no nosso mundo ocidental. O senhor não acha que o mundo foi dividido em duas partes, uma entregue ao Cristo e outra ao Buda? Não é tolice darmos supremacia ao Cristo? O Buda não ensinou o mesmo que o Cristo e antes do Cristo?

 

J. Herculano Pires - Não há dúvida que há semelhança nos ensinos de todos os grandes enviados que estiveram na Terra iniciando religiões novas. Ora, nós sabemos que quando se trata de um fato verdadeiro, de uma realidade, é claro que as pessoas, por mais que vejam essa realidade de pontos diferentes, coincidem sempre na sua descrição, porque ela é uma realidade. Aquilo que é real é acessível a todos, de maneira que não há nada demais, nada de excepcional em que no ensino do Cristo exista muito daquilo que já encontramos no ensino do Buda, como no ensino do Buda encontramos muito do que houve no ensino de Viasa, no ensino de Hermes de Trimegisto e assim por diante. Os grandes espíritos encarnados na Terra com o fim de auxiliar a evolução humana, trouxeram a sua contribuição. Quanto à divisão do mundo em duas partes, uma entregue ao Buda e outra ao Cristo, é uma suposição que não tem fundamento do ponto de vista espírita, porque de acordo com as mensagens dos espíritos superiores e de acordo com que a história nos demonstra, nos resultados dos dois processos, o budista e o cristão, o que nós vemos é uma superioridade inegável de parte do Cristo. Os espíritos superiores dizem que todos aqueles que vieram antes do Cristo, inclusive o Buda, todos eles eram enviados do próprio Cristo. O Cristo é considerado por esses espíritos nas suas manifestações, desde o tempo de Kardec até hoje, como o governador da Terra. Digo mais, e ele é considerado como demiurgo. Como sabemos, o demiurgo é uma figura da filosofia platônica. Segundo Platão, Deus é o absoluto, mas existe o demiurgo que é um Deus secundário, é o Deus planetário que dirige cada planeta. Então, o demiurgo é aquele que ficou incumbido por Deus da construção de um determinado planeta. Jesus seria, de acordo com essa concepção platônica e de acordo com os princípios espíritas, o demiurgo da Terra, quer dizer, o Deus secundário que criou, que construiu o nosso planeta. E justamente por isso todas as figuras como Buda e os demais que aqui estiveram antes dele, foram enviados dele para preparar o seu advento.

 

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Pergunta nº 4: Datação

 

Locutor - A ouvinte professora I. V., da Rua Estados Unidos, pergunta: se ninguém sabe qual a data certa do nascimento de Jesus, por que celebramos o natal a 25 de dezembro?

 

J. Herculano Pires - Isso é um problema que nós já tivemos ocasião de abordar aqui várias vezes. O 25 de dezembro é uma data messiânica por excelência, desde a mais alta antiguidade, porque o 25 de dezembro é o momento do solstício de verão, da transposição da estação do inverno para o surgimento da estação em que vem naturalmente aparecer de novo o sol. Nós sabemos que – aliás, é o solstício de inverno que eu queria dizer. Nós então sabemos, por exemplo, o seguinte: que os países da Ásia e da Europa durante o inverno ficam geralmente superados pelo gelo, dominados pela neve, gelo. Desaparecem as pastagens, desaparecem as plantações. O mundo como que se submerge no inverno. Entretanto, quando termina o inverno, surge no céu, em primeiro lugar, a constelação da virgem e logo a seguinte, surge o sol. O sol era chamado Messias, o Messias no sentido etimológico daquele que trazia de novo as messes, as colheitas para a terra. Então, durante anos e anos, milhares de anos consecutivos esse dia 25 de dezembro foi considerado o dia do Messias e o Messias era reverenciado como nascendo nesse dia por toda parte. Como não havia uma data certa para o nascimento de Jesus, não se sabia o dia exato, e de acordo com as descrições evangélicas esse nascimento deve ter ocorrido nas proximidades desse dia 25, então a igreja adotou o dia 25 de dezembro, que é um dia de tradicional adoração do Messias para que nele seja adorado Jesus.

 

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Pergunta nº 5: Virgindade de Maria

 

Locutor - Professor, a ouvinte M. A., estudante da PUC, pergunta: Jesus foi o primeiro filho de Maria de Nazaré ou o único filho? Se foi o primeiro, os demais nasceram também como ele? Se não nasceram assim, por que consideram que Maria foi sempre virgem?

 

J. Herculano Pires - A senhora coloca novamente o problema da virgindade de Maria. Realmente esse é um problema curioso nas religiões. De fato, de acordo com as próprias descrições evangélicas, Jesus não foi o único filho. Parece ter sido o primeiro. Admite-se que seja o primeiro porque os evangelhos insistem nisso, as descrições dos evangelistas são constantes e porque, além disso, as próprias tradições do mundo judaico também sustentam essa tese de que Jesus foi o primeiro filho. Mas a seguir Maria teve outros filhos e esses outros filhos não nasceram como Jesus. O nascimento de Jesus, entretanto, de acordo com o evangelho, é o nascimento mitológico. Precisamos compreender mais uma vez que Jesus nasceu na era do mito, na era mitológica. A virgindade era, então, decorrente disso que eu acabei de falar sobre o aparecimento do sol. O mito solar, que era um mito de divulgação universal naquele tempo e predominava em todas as civilizações antigas, dizia que o Messias nascia da virgem e que a virgem era virgem antes e depois do parto. Por quê? Porque a virgem era a constelação da virgem que estava no céu anunciando o fim do inverno, e o Messias era o sol que nascia da virgem, mas a constelação continuava assim. Este mito se infiltrou no cristianismo, como em todas as demais religiões, e nós sabemos que, por exemplo, Saint-Yves, que foi um grande escritor francês, escreveu um livro especial sobre os nascimentos virginais da antiguidade, mostrando que são numerosos – não foi apenas o de Jesus –, e que esses nascimentos virginais todos eles decorriam do mito que se refere ao nascimento do sol após o solstício de inverno. Então nós temos de compreender que na realidade a virgindade de Maria, do ponto de vista das religiões, não devia ser interpretada do ponto de vista físico, mesmo porque interpretando assim essa virgindade implica um preconceito sexual que na verdade não pode existir para espíritos superiores que vão se reencarnar na Terra. Esse é um preconceito inferior do homem terreno, do homem que não tem capacidade para compreender as leis profundas que dirigem o universo. Não podemos aceitar assim. A virgindade de Maria deve ser interpretada como uma virgindade espiritual, ela era uma virgem no sentido de espírito puro, de espírito imaculado. Isto sim. Mas os problemas de ordem biológica não afetam absolutamente a virgindade de um espírito que vem à Terra com uma missão superior.

 

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Pergunta nº 6: Localização

 

Locutor - O ouvinte L. F. de A., do Tatuapé, faz duas perguntas. Primeira: li na Revista Planeta desse mês um artigo em que o senhor sustenta que Jesus nasceu em Nazaré e não em Belém. O senhor acha que Renan e outros pesquisadores têm mais autoridade do que os evangelistas para dizerem onde nasceu Jesus?

 

J. Herculano Pires - O problema não é esse de que os evangelistas tenham autoridade maior do que Renan, (inaudível) e outros investigadores mundiais, universais, de categoria universitária em nosso tempo. Não. O problema é o seguinte: os evangelistas eram homens de uma era tipicamente mitológica como nós já falamos. A sua mentalidade era mitológica. Eles aceitaram todos os mitos a respeito do nascimento de Jesus. Mas os investigadores atuais, que são homens da era da razão e que tratam de observar os fatos através de pesquisas profundas, eles chegaram a conclusões evidentes, suficientemente provadas, de que Jesus não podia ter nascido em Belém. Por quê? Primeiro porque o fato alegado nos evangelhos pelo qual Jesus teria nascido em Belém foi o fato do recenseamento do Quirino. O recenseamento requerido por Quirino é que teria levado José e Maria se dirigirem a Belém onde Jesus nasceu. Acontece que, historicamente, está provado que esse recenseamento só se verificou dez anos depois do nascimento de Jesus, de maneira que foi uma desculpa apenas apresentada, e apresentada do ponto de vista mitológico, onde a cronologia não tem muito valor, porque do ponto de vista histórico, esse recenseamento não podia ser o motivo da ida de Jesus a Belém. Além disso, a ida até lá era com recenseamento de finalidade puramente interesseiro. Os romanos faziam o recenseamento para cobrar impostos. Eles não iam querer que um indivíduo residente em Nazaré fosse se recensear em Belém da Judéia, quando ele residia em Nazaré da Galileia. Isso dificultaria o que mais interessava aos romanos que era precisamente a cobrança dos impostos. O recenseamento era feito com essa finalidade. Então, não se trata aí dos evangelistas terem mais autoridade. O que acontece é que as pesquisas científicas provaram que Jesus não pode ter nascido em Belém.

 

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Pergunta nº 7: Localização

 

Locutor - Segunda pergunta do ouvinte L.: li também na mesma reportagem que Jesus não nasceu numa gruta, mas no deserto, embaixo de uma palmeira. O senhor confia mais no corão de Maomé do que nos evangelhos? O senhor não acha que os evangelistas, que eram judeus como Jesus, deviam estar melhor informados do que Maomé, que era Árabe e não judeu?

 

J. Herculano Pires - O senhor não entendeu essa passagem. Essa passagem é apenas apresentação de um relato curioso do nascimento de Jesus entre os islâmicos. Ora, os islâmicos, os seguidores de Maomé, os maometanos eram indivíduos que tinham uma mentalidade bastante diferente da judaica. Mas o Corão é um livro estritamente ligado à Bíblia e aos evangelhos. O Corão descende mesmo das escrituras sagradas do cristianismo. Mas acontece que Maomé sendo um árabe, ele naturalmente interpretou o nascimento de Jesus de acordo com a concepção árabe desse nascimento. E nós transcrevemos em nossa reportagem no texto corânico a respeito porque é um texto muito pouco conhecido, mas não afirmamos absolutamente que seja ele o texto verdadeiro.

 

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Pergunta nº 8: “Raça” de Jesus

 

Locutor - Professor, a ouvinte S. N., da Aclimação, pergunta: por que Jesus não nasceu da “raça” amarela ou da “raça” negra? Seria por preconceito de cor?

 

J. Herculano Pires - Muito boa a pergunta! Realmente muito interessante, porque poderemos, evidentemente, perguntar isso: por que Jesus nasceu na “raça” branca? Ora, nasceu na “raça” branca porque o problema da evolução da humanidade é um problema de muita importância para o aparecimento das figuras excepcionais que vem dirigir essa humanidade. Nem a “raça” amarela, nem a “raça” negra oferecia naquela ocasião condições suficientes para o nascimento em seu seio de uma figura como Jesus, nem oferecia também condições culturais para que ele pudesse influir na reorientação do mundo, como ele vinha fazer. Na “raça” branca havia condições. Havia condições, por exemplo, na Europa e na Ásia. Ora, apesar disso, foi escolhida justamente a “raça” judaica. Por quê? Porque a sua evolução espiritual se atesta historicamente pelo seguinte: todos os povos daquele tempo eram politeístas, mitológicos, acreditavam na existência de numerosos deuses que dividiam entre si os poderes do mundo. Só o povo judeu era monoteísta, só ele. Não existia outro povo monoteísta. O monoteísmo representa um avanço grandioso na evolução espiritual do homem e na evolução intelectual. Kant, por exemplo, o famoso filósofo alemão, dizia que a ideia do Deus único é a ideia mais elevada que o homem pode conceber. Por quê? Porque é uma ideia que sintetiza todo o universo, a ideia do Deus único. Assim, houve condições culturais próprias, especiais na Palestina no tempo de Jesus para que ele nascesse ali. Agora veja o senhor: tendo nascido ali no país mais adequado, mais preparado, ele ainda foi crucificado. Calcule se nascesse entre a “raça” amarela ou entre a “raça” negra na África.

 

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Pergunta nº 9: Ascendência de Jesus

 

Locutor - A mesma ouvinte pergunta ainda: Jesus era filho de um carpinteiro ou filho de Deus? De qualquer maneira, por que ele precisava dizer-se descendente do rei Davi?

 

J. Herculano Pires - Ele nunca se disse descendente do rei Davi. O que acontece é que os judeus tinham nas suas escrituras e na sua tradição, a ideia de que o Messias devia ser descendente do rei Davi. Daí a aceitação do mito do nascimento de Jesus em Belém, porque Belém era a cidade de Davi. Mas Jesus nunca se disse descendente desse rei. Ele era realmente como ele sempre disse no evangelho – onde o senhor encontrará numerosas vezes referências a respeito; Jesus disse continuamente que ele era o filho do homem, e depois ele dizia que era o filho de Deus, quer dizer, ele era o filho do homem porque havia nascido, como assegura o apóstolo Paulo na primeira epístola aos Coríntios, ele havia nascido de mulher, ele havia nascido como um homem, havia tido um nascimento natural. Então ele era o filho do homem, mas ele era filho de Deus pela elevação espiritual, e era filho de Deus porque nós também somos. Jesus nunca fez diferença entre ele e as criaturas humanas. Ele sempre disse: tudo aquilo que eu faço, vós também podeis fazer e até muito mais do que isso. Ele se considerava nosso irmão, e o apóstolo Paulo referendando essa atitude fala precisamente nessa epístola que eu citei, a primeira epístola aos Coríntios, que nós somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo, quer dizer, coloca Cristo como nosso irmão. Não foi ele que diz, portanto, que era descendente de Davi; foram as pessoas interessadas em classificá-lo como Messias que fizeram isso.

 

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Pergunta nº 10: Evangelho para o espiritismo

 

Locutor - Professor, o ouvinte J. L. M., da Avenida São Luís, pergunta: li sua reportagem na Revista Planeta sobre o natal. Se o senhor rejeita as informações dos evangelhos sobre o nascimento de Jesus, como e por que aceitas as demais informações? Já ouvi dizer que o espiritismo tem o evangelho espírita. Quem escreveu esse evangelho? Allan Kardec? Mas no que ele se baseou para isso? Nas informações dos espíritos?

 

J. Herculano Pires - Essa pergunta naturalmente eu tenho que responder em duas etapas. Primeiro dizendo o seguinte: o espiritismo não tem evangelho próprio nenhum. Aquilo que dizem ser o evangelho espírita é um livro de Kardec chamado O Evangelho Segundo o Espiritismo. Este livro é um livro de interpretação do evangelho de Jesus, mas Kardec teve o cuidado de fazer o seguinte: ele dividiu o evangelho em cinco partes e mostrou que a parte histórica do evangelho, a parte mitológica do evangelho, a parte referente apenas aos atos comuns da vida de Jesus e a parte referente a certas expressões que foram tomadas como base para formulação dos dogmas da igreja, essas quatro partes não têm validade histórica. Kardec colocou essas quatro partes de lado, mesmo porque há contradições entre elas nos quatro evangelhos. E justamente por isso, ele ficou apenas com uma parte do evangelho que considera válida e considera um verdadeiro milagre que essa parte tenha subsistido apesar de todas as contradições dos evangelistas. É a parte do ensino moral. O ensino moral de Jesus não tem contradição de um evangelho para outro. Ele é límpido, coeso, coerente. Então, essa parte, diz Kardec, é a essência do evangelho; a essência do evangelho de Jesus é o seu ensino moral ou espiritual, se quisermos. Desse ensino Kardec fez então os comentários, as apreciações e publicou os comentários dos espíritos superiores que se manifestaram não apenas a ele, mas através de mil centros espíritas na Terra. Ele escolheu as mensagens mais importantes, mais significativas, e juntou nesse livro. Não é, portanto, um evangelho espírita, mas sim um comentário do evangelho de acordo com os princípios espíritas.

 

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Mande suas perguntas por escrito ao programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher: Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. Escreva à máquina ou com letra bem legível e aguarde as respostas nos próximos programas. Pergunte o que quiser sobre a vida e a morte.

 

O evangelho de Jesus em espírito e verdade.

 

O evangelho de Lucas nos oferece esta descrição do nascimento de Jesus (Lc, 2:01-07):

 

Naqueles dias foi expedido um decreto de César Augusto para que todo mundo fosse recenseado. Esse foi o primeiro recenseamento que se fez no tempo em que Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré à Judéia, à cidade de Davi, chamada Bethlem, por ser ele da casa e família de Davi, para se alistar, acompanhado de Maria, sua esposa que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias de dar ela a luz. Teve seu filho primogênito e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

 

Como vemos nesta leitura no trecho de Lucas, Lucas realmente sustenta a mesma tese que Mateus. Nós sabemos que são os dois evangelhos que apresentam o nascimento de Jesus em Belém. Lucas e Mateus apresentam isso com a intenção de mostrar aos judeus que Jesus era realmente um Messias, tanto que dão o nascimento de Jesus na cidade de Davi, que é a cidade de Belém, e apresentam uma genealogia de Jesus, como sabemos, procurando mostrar que ele descendia de Davi. Essa parte é uma parte de interesse puramente mitológico, mas ficou na tradição cristã e é por isso que lembramos com ternura essas referências de Lucas e de Mateus ao nascimento de Jesus. E, naturalmente, a leitura de um texto como este traz-nos, no dia de natal, a lembrança de nossa infância, do tempo em que nós todos ouvimos falar sempre do nascimento de Jesus na gruta, cercado dos animais, com todo o lirismo desse nascimento mitológico envolvido em poesia, que teria sido o nascimento de Jesus. Mas vemos também, quando seguimos a investigação histórica a respeito do assunto, desde Renan no século passado até Charles Guiemberg na atualidade, nós verificamos então que o nascimento de Jesus deve ter sido muito mais simples, muito mais modesto do que isto e muito mais de acordo com o seu espírito sempre desejoso de emparelhar-se com os homens na Terra. Jesus deve ter nascido, naturalmente, em Nazaré, a sua cidadezinha na Galiléia, na pobreza de uma casinha pequena de carpinteiro, porque José, seu pai era carpinteiro. E não foi nascido por obra e graça do divino Espírito Santo como costumam dizer, porque os espíritos superiores, ao se encarnarem na Terra, não trazem consigo, como dizemos, os preconceitos humanos, principalmente os preconceitos inferiores como esses de ordem sexual que prevalece no caso. Não. Jesus não iria violar, como espírito superior que era, a lei fundamental da raça humana dos nascimentos na humanidade, para aqui se apresentar como homem encarnado e participar da vida humana como homem, como ele participou, até mesmo chegando ao martírio, apresentando-se como um condenado entre condenados, para não se exaltar a si próprio, mas, pelo contrário, para trazer aos homens a grande lição da humildade. Este trecho de Lucas, portanto, é um trecho que nos traz, além das suas informações mitológicas sobre a interpretação do natal, nos traz também uma lição muito grande de humildade. E é muito interessante que o lembremos e que o leiamos nesse natal, porque ele realmente, como as demais descrições do natal que estão no evangelho, nos traz sempre uma profunda mensagem espiritual.

 

O programa No Limiar do Amanhã é um diálogo radiofônico sobre os problemas fundamentais da vida e da morte. Por que nascemos? Por que vivemos? Por que morremos? Depois da morte, existe a ressurreição? E como se dá a ressurreição? Mande-nos as suas dúvidas e procuraremos respondê-las, sem dogmatismo, com base em pesquisas científicas. Não queremos fazer adeptos, só queremos a verdade, nada mais que a verdade. E se você provar que está com a verdade, ficaremos com você, porque só a verdade nos libertará.

 

No Limiar do Amanhã: um debate sobre a verdade.

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