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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

Gravação do programa No Limiar do Amanhã, para o dia 30 de dezembro de 1972, último programa de 1972.

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

 

As Américas estão abaladas com a tragédia de Manágua, capital da Nicarágua, destruída pelo violento terremoto de 23 último. O ano de 1972 foi uma sucessão de catástrofes em todo o mundo. As provas coletivas se intensificam na proporção em que se completa esse ciclo evolutivo do planeta. É a lei que se cumpre, mas a misericórdia de Deus alivia o peso dos nossos compromissos. O consolador está presente e atenua as nossas provações com a luz da esperança. A Terra se apressa para uma fase nova, com a regeneração da humanidade.

 

Provas coletivas são resgates de débitos em conjunto. Não podemos avançar para um mundo de regeneração, arcados ao peso de provas e expiações. Temos de resgatar os nossos débitos para iniciar uma vida nova. Depois da tempestade, vem a bonança; após a morte, temos a ressurreição. O próprio Cristo sujeitou-se aos compromissos humanos para morrer na cruz. Mas ao morrer, ensinou-nos que todos ressuscitaremos.

 

Existe a ressurreição em espírito no corpo espiritual, como ensina o apóstolo Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios. E existe a ressurreição da carne que Jesus ensinou a Nicodemos. O espírito ressuscita na carne através da reencarnação. Mas o ciclo das reencarnações se esgota para cada espírito na proporção em que ele evolui. Ajudemos o mundo a evoluir, melhorando-nos a nós mesmos.

 

O novo ano que se aproxima trará novas provações, mas trará também novas oportunidades de progresso e novas esperanças. É tempo de fazer exame de consciência. Examinemos à luz dos princípios evangélicos. O mundo é o reflexo de nós mesmos. Façamo-nos menos egoístas, menos orgulhosos e vaidosos, menos arrogantes e mais humildes. Aprendamos a amar o próximo, a não julgá-lo, nem condená-lo com a medida estreita do nosso juízo.

 

Entremos no ano novo de coração aliviado, de mente arejada, pensando nos que sofrem e procurando ajudá-los. Deus é amor; só o amor nos redime. Se soubermos amar, afastaremos as trevas que se adensam na atmosfera do mundo. Entremos com amor em 1973.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão número 94, segundo ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

 

Esse programa é transmitido nesse dia e nesse horário, todas as semanas pela Rádio Mulher de São Paulo 730khz, pela Rádio Morada do Sol de Araraquara 640khz e pela Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, estado do Paraná, 780khz. Todas as semanas nesse dia e nesse horário.

 

Esse programa não é de propaganda religiosa, mas de esclarecimento espiritual à luz da razão. Não temos igreja, nem procuramos adeptos. Queremos a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, porque a verdade nos libertará. E se você provar que está com a verdade, ficaremos com você.

 

Perguntas e respostas. Faça suas perguntas por carta ao programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, ou pelos telefones 269.4377 e 269.6130, durante a semana no horário comercial.

 

Ao iniciar as respostas das perguntas de hoje, quero desejar a todos os ouvintes, em nome de toda equipe do programa No Limiar do Amanhã, uma entrada feliz no ano novo. Que Deus nos permita a todos sairmos da rotina para uma compreensão mais precisa da finalidade da nossa vida terrena. Não esbanjemos tempo e energia em 1973, mas procuremos aplicar todos os nossos esforços no sentido da transcendência espiritual. Cada ano deve ser uma nova etapa da evolução espiritual que nos propusemos ao nos reencarnarmos.

 

Pergunta nº 1: Sacramento

 

Locutor - O ouvinte Guilherme Vieira Lins, da Rua Caçador, na Vila Maria, nos pergunta:

 

Professor, o senhor disse que no espiritismo não há cerimônias religiosas de casamento, porque essas cerimônias são baseadas em promessas de sacramentos que quer dizer sacrifício e que os mesmos são para as religiões de crença no juízo final, assim como as seitas protestantes e católicas. Então pergunto: por que a umbanda e outros centros espíritas de terreiros realizam casamentos com cerimônias nas suas tendas ou terreiros, onde os cônjuges fazem juras e promessas de fidelidade etc.?

 

J. Herculano Pires - Antes de mais nada, eu gostaria de esclarecer que eu não dei essa explicação assim tão ampla sobre o motivo por que não há cerimônia religiosa de casamento no espiritismo. Dizer que o sacramento implica sacrifício não é bem verdade. Os sacramentos são considerados como atos mágicos, atos que trazem em si um poder divino. Ora, no espiritismo nós não consideramos a realidade desse poder nas formas sacramentais, por isso mesmo não temos sacramento nenhum no espiritismo.

 

O espiritismo se limita a considerar as relações dos espíritos com os homens num plano racional, porque quando queremos nos elevar, nós temos não de recorrer a amuletos, sacramentos e outras coisas semelhantes, mas sim a um esforço constante para a nossa própria reforma interior, para a nossa remodelação íntima. Dessa maneira, no tocante ao sacramento do batismo e ao sacramento do casamento, por exemplo, que são os socialmente mais importantes, o espiritismo não os adota.

 

O casamento no espiritismo é civil, o batismo no espiritismo é aquele batismo de que o próprio João Batista falou, que o Cristo ao ouvir atrás dele não batizaria em água, mas sim traria um batismo novo, o batismo do fogo, o batismo da iniciação nos princípios necessários ao esclarecimento do espírito e nas provas a que ele se submete na vida terrena.

 

Ora, no espiritismo o batismo não é, portanto, realizado como o sacramento. Não obstante, os espíritas não deixam de ser batizados, porque batismo quer dizer iniciação, introdução numa vida nova. Todo espírita, ao nascer, já inicia-se numa nova existência. E nesse momento, como nós sabemos, em todas as famílias espíritas, costuma-se fazer uma prece pedindo a bênção de Deus, a bênção dos bons espíritos para aquela criatura que está nascendo.

 

Este é o batismo espírita, batismo em espírito e verdade, batismo de luz, de orientação e não uma prática sacramental.

 

O senhor diz que, entretanto, na umbanda e outros centros espíritas de terreiro, realizam-se casamentos com cerimônias. Para começar, a umbanda não é espiritismo. Umbanda é umbanda. Umbanda tem a sua própria doutrina, umbanda tem os seus ritualismos e o espiritismo não tem ritual nenhum. A umbanda tem todo um processo religioso adaptado às práticas religiosas dos povos primitivos que o espiritismo não adota de maneira alguma.

 

Dessa maneira, o senhor faz confusão quando diz umbanda e outros centros espíritas de terreiro. Não existe centro espírita de terreiro. Quando se trata de terreiro, trata-se do sincretismo religioso afro-brasileiro em que nós encontramos a umbanda, a quimbanda, a aruanda, o candomblé e assim por diante. Numerosas formas religiosas das religiões primitivas da África adaptadas ao Brasil e que foram trazidas aqui pelo tráfico negreiro, como nós sabemos.

 

Dessa maneira, o senhor não deve pensar que existe casamento espírita porque na umbanda se faz casamento. A umbanda não é espiritismo. E no espiritismo não existe o sacramento do casamento e nem outro qualquer sacramento.

 

Eu vou oferecer ao senhor um presente de irmão para que o senhor se aprofunde mais no conhecimento do espiritismo. Ofereço-lhe, em nome deste programa e da editora Edicel, o livro “Iniciação Espírita” que o senhor pode retirar a partir de segunda-feira no horário comercial no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111.

 

Download Pergunta nº 2: Relacionamento com espíritos

 

Locutor - Professor, a pergunta seguinte é da senhora Maria de Lourdes Oliveira, da Rua Pedro Dias de Campos, Vila Matilde, que nos diz o seguinte:

 

Estou frequentando um centro espírita chamado Jesus nos Guie, orientado pelo Sr. Vicente, no Tatuapé. Eu e meu marido não dormíamos à noite, e pela manhã estávamos com dores em todo o corpo. O Sr. Vicente, do centro, disse que é o espírito de minha mãe que está nos acompanhando, mas acontece que faz somente três anos que minha mãe morreu. O senhor acha que ela já pode se manifestar? O Sr. Vicente diz também que eu deveria dormir com a luz acesa e deixar todas as noites um copo de água para beber de manhã em jejum. O que o senhor pode me dizer disso?

 

J. Herculano Pires - Eu gostaria que a senhora realmente continuasse a estudar o problema nos livros espíritas, que a senhora se preocupasse bem com o ensinamento que o espiritismo nos dá a respeito. A senhora precisa começar a ler com urgência o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. Não confundir esse livro com uma coleção de pequenos livros chamada “Iniciação Espírita”, com vários autores, não. “Iniciação Espírita” é um livro de Allan Kardec. Lendo este livro a senhora vai tomando conhecimento melhor do assunto. Ao mesmo tempo, a senhora precisa ler todos os dias o “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, abrindo o livro ao acaso, após uma pequena prece. A senhora pode fazer a prece do Pai Nosso, por exemplo, e em seguida abrir o livro ao acaso. Então, aquele trecho que cair diante dos seus olhos, aquela mensagem que ali vier, a senhora lê e deve ler mesmo se possível em voz alta. Então, lendo isso, a senhora se informa dos problemas da manifestação espírita e das relações que temos com os espíritos, e da maneira pela qual nós devemos proceder.

 

Continuando a frequentar o centro em que a senhora se encontra, a senhora deve naturalmente seguir as sessões com o devido respeito e atenção. Eu não concordo com algumas coisas que o Sr. Vicente disse, se é que a senhora está reproduzindo exatamente o que ele informou. Não acho, não vejo motivo nenhum para a senhora dormir de luz acesa, isso até é prejudicial à própria saúde física. A senhora deve dormir com a luz apagada. Deixar um copo perto, com água, perto da mesa, perto da cama numa mesa ou numa cadeira, como a senhora quiser, é útil, porque desde que a senhora faça uma prece pedindo aos espíritos que fluidifiquem essa água, a senhora tem um meio, um veículo para receber auxílio dos espíritos.

 

Mas quanto ao problema de sua mãe ter morrido há apenas três anos, isso não impede absolutamente que ela esteja presente ou que procure comunicar-se com a senhora.

 

Os espíritos podem comunicar-se logo após a morte, imediatamente, dependendo da sua condição espiritual. No caso de sua mãe, entretanto, não acredito que seja ela que a perturba. Os espíritos que nos são afeitos estão ligados a nós, que nos estimam, procuram naturalmente auxiliar-nos com suas boas vibrações. Entretanto, a senhora deve orar por sua mãe, orar por ela.

 

Eu lhe aconselharia, sem querer afastá-la absolutamente do centro que está frequentando, a fazer uma visita ao centro espírita Renovador, ou melhor, Renovação, à Rua Espírita 116, no Lavapés, no bairro do Lavapés. Ali a senhora pode ir numa segunda-feira ou numa sexta-feira, como melhor entender, como mais fácil lhe for. Dirigindo-se a este centro, as sessões ali começam às 20h30. A senhora chegando lá, procura conversar com um dos dirigentes do centro, expor o seu problema e ouvir o que ele lhe diz a respeito.

 

Download Pergunta nº 3: Livro de Jó

 

Locutor - Temos uma segunda pergunta da nossa ouvinte: li no livro de Jó, dezesseis, dezessete, o trecho que segue: “o meu espírito se vai consumindo, os meus dias se vão apagando e só tenho perante mim a sepultura”. Gostaria que o senhor me explicasse esse trecho, professor.

 

J. Herculano Pires - O livro de Jó, como, aliás, todos os livros bíblicos não são apenas livros espirituais no sentido de ensino espiritual. São livros também literários. Eles pertencem à literatura judaica, religiosa sem dúvida, mas literatura.

 

É preciso então para ler esses livros compreender-se o momento em que o autor está escrevendo num determinado sentido e o momento em que ele trata de um aspecto realmente espiritual.

 

Nesse trecho do livro de Jó, que eu não me lembro no momento dos seus termos exatos, mas acredito que a senhora registrou exatamente o texto aqui, nesse trecho a senhora tem que se lembrar que Jó está falando como homem, como o homem encarnado, angustiado diante da vida. Há duas fases nesse livro: a fase do homem que se angústia diante das suas provas, das necessidades que ele enfrenta no mundo, das agruras, das provas a que ele se submete, e outra em que o espírito se levanta fortalecido na esperança da sua salvação e, portanto, da sua renovação.

 

Esse trecho corresponde precisamente à fase em que Jó está falando como homem, o homem em desespero, que vai posteriormente mostrar-se reabilitado na continuação da leitura que a senhora poderia fazer do livro.

 

É necessário ter muito cuidado na leitura desses livros por isso. A Bíblia, ensinada como sendo a palavra de Deus, pregada em toda parte assim, dá impressão de que cada uma de suas frases, cada um dos seus trechos é uma lei, mas não é verdade. Os livros da Bíblia são livros que nos ajudam a compreender muita coisa, mas que se nós não soubermos lê-los, podemos também nos confundir na sua leitura. Eu queria lhe oferecer um presente de irmão que é o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. A senhora pode procura-lo no escritório da Rádio Mulher no endereço que estamos dando constantemente neste programa a partir de segunda-feira no horário comercial.

 

Download Pergunta nº 4: Interpretação do sonho

 

Locutor - Professor, o senhor José Alves Ferreira, da Rua Número 17, Vila Rosa, Estrada de Vila Ema, nos conta o seguinte:

 

Tive um sonho com um industrial de renome, encontrei-o e conversamos alguns instantes e ele me disse que havia morrido há dias atrás. Então eu lhe disse: e agora? E ele fez um gesto que não sabia o que fazer. Mostrei-lhe então as palmas de minha mão e ele me disse que não tinha nada e que realmente nós sempre voltávamos à zero, e acordei. Eu não sabia que este senhor havia morrido, quando um amigo veio visitar-me e informou o ocorrido dizendo que esse senhor havia morrido há alguns meses atrás. Gostaria que o senhor explicasse o sentido desse sonho.

 

J. Herculano Pires - Os sonhos, como nós sabemos pelo espiritismo, eles são bastante complexos. Eles não são assim com um sentido, uma simbologia expressa de maneira clara e precisa de acordo com as várias interpretações que são oferecidas dele, tanto no campo das superstições quanto no campo da própria ciência. Assim, por exemplo, o “Livro de Sonhos”, de Freud, na psicanálise, diante do espiritismo sofre muitas críticas, porque a interpretação dos sonhos não pode ser absolutamente uma interpretação dada num sentido apenas.

 

Quando nós dormimos, o nosso espírito se afasta do corpo. Então ele tem experiências na vida espiritual. O senhor poderia ter encontrado com este industrial, que era o seu amigo, e conversado com ele, mas o espírito não guarda lembrança total do que conversou com outros espíritos no plano espiritual durante a ausência do corpo. Ao voltar para o corpo e nele se integrar, o espírito traz alguma lembrança, muitas vezes bastante vaga daquilo que se passou na sua vida espiritual.

 

Essa lembrança, entretanto, se projeta no cérebro, reunindo-se ali com o que ocorreu no cérebro durante a ausência do espírito. Enquanto estamos fora do corpo, dormindo, o nosso cérebro continua vibrando, as células continuam a funcionar, evocando episódios da nossa vida de vigília, do nosso momento em que estávamos acordados, lembranças que vão ocorrendo no cérebro, umas atrás das outras. Ao mesmo tempo, há influências sobre o cérebro produzidas por efeitos que ocorrem ao nosso redor enquanto dormimos. Barulhos no quarto, prosas no quarto vizinho, pessoas que passam na rua proseando, barulho de automóveis, de aviões e assim por diante. Todas essas coisas repercutindo no cérebro produzem imagens, imagens que se misturam aos sonhos. Vem daí a incongruência natural de quase todos os sonhos.

 

O senhor não deve, portanto, se preocupar com os pormenores do sonho que teve. O que o senhor deve considerar é que teve a felicidade de encontrar-se no plano espiritual com o seu amigo já falecido e conversar com ele. E certamente desta conversa resultou, tanto para ele quanto para o senhor, benefícios que, embora o senhor não se lembre no momento, ficarão na sua memória profunda e se manifestarão nos momentos oportunos da sua vida.

 

Agradeça a Deus esta oportunidade e procure compreender melhor o problema dos sonhos à luz do espiritismo. Eu lhe faço o presente de irmão também do mesmo livro que já dei a outros aqui: “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. O senhor pode retirar este livro como um presente do programa No Limiar do Amanhã e da editora Edicel. Retira no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira.

 

Download Pergunta nº 5: Água fluidificada

 

Locutor - A ouvinte Luiza Greco, residente à Alameda Santos, nos telefonou perguntando sobre como deverá proceder com a água fluidificada pelos espíritos. Ela gostaria de saber se quando a água estiver se acabando, pode-se juntar mais água de modo que ela não se acabe. E se teria o mesmo valor depois disso, ou se não, se pode juntar mais água, pois senão ela perderia o seu valor. J. Herculano Pires - Há várias opiniões a respeito desse problema da água fluidificada no meio espírita. Entretanto, nós sabemos que os espíritos se servem da água simplesmente como um veículo para transmissão material de fluídos que podem nos beneficiar. São medicamentos que são transmitidos à água por via fluídica. Ora, se a água está se esgotando e se a senhora tem necessidade de continuar, a senhora pode adicionar mais água de acordo com a minha opinião pessoal a respeito, da minha experiência no assunto. A senhora pode adicionar mais água. Mas neste momento em que adiciona, faça uma prece pedindo aos espíritos que ajudem a fluidificação também daquela água adicionada. Isso quer dizer que nesse momento a senhora evoca, por assim dizer, o auxílio dos espíritos superiores que virão em seu auxílio, fazendo, portanto, que aquela água seja inteiramente nova ou que se misture com a outra.

 

Dessa maneira, a senhora poderá agir tranquilamente, sem medo de estar errando, porque o valor da sua prece fará com que os espíritos realmente a auxilie.

 

Eu queria lhe dar um presente de amigo, ou melhor, de irmão. É o livro “Iniciação Espírita” de Allan Kardec. A senhora pode retirar este livro no escritório da Rádio Mulher no endereço que temos dado aqui constantemente, a partir de segunda-feira.

 

Download Pergunta nº 6: Orgulhosos

 

Locutor - Professor, o ouvinte Guilherme Vieira Lins, volta a nos escrever perguntando:

 

Como interpretam os espíritas kardecistas a filosofia orgulhosa de certa gente que costuma dizer que devemos ter amizades somente com pessoas ricas e de posição, porque são pessoas que venceram na vida e essas pessoas nos ensinam a viver, e não com fracassados, pois os fracassados são pessimistas, já que nem todos têm a mesma sorte? Todos sofremos provações. Por isso gostaria que o senhor me dissesse qual a sua opinião sobre os orgulhosos que arrastam essa filosofia.

 

J. Herculano Pires - O senhor já condenou essa filosofia na sua própria pergunta, lembrando que são orgulhosas as pessoas que a adotam. Na realidade, é isso mesmo. Mas nos cabe aqui perguntar o seguinte: o que é vencer na vida? Vencer na vida é ganhar dinheiro? É subir na escala social? É adquirir conhecimentos e triunfar sobre a ignorância da maioria? Não. Vencer na vida para os espíritas, para o espiritismo é a pessoa evoluir, progredir espiritualmente. É ela realmente aproveitar a sua existência atual para triunfar sobre o mundo e não se deixar guiar pelas fascinações e as ilusões do mundo.

 

Eu lhe ofereço um livro, como um presente de irmão: “Tesouro dos Espíritas”, de Miguel Vives, que o senhor pode retirar no escritório da Rádio Mulher, a partir de segunda-feira, no endereço que temos dado neste programa.

 

Download Pergunte amigo ouvinte, escrevendo para o programa No Limiar do Amanhã, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo ou telefonando para 269.4377 ou 269.6130 e aguarde as respostas pela Rádio Mulher de São Paulo 730khz, Rádio Morada do Sol de Araraquara 640khz, e Rádio Difusora Platinense de Santo Antônio da Platina, estado do Paraná, 780khz. Todas as semanas nesse dia e nesse horário. E na próxima quarta-feira, dia 03, às 20h30, teremos gravação de auditório à Rua Granja Julieta, 205, São Paulo, última travessa da Avenida Santo Amaro. Venha e traga os seus amigos. Faça as suas perguntas ao nosso microfone e ouça as respostas na hora. Católicos, protestantes, espíritas, materialistas, todos podem participar livremente do diálogo radiofônico do programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher São Paulo, Rua Granja Julieta, 205, travessa da Avenida Santo Amaro, 730khz.

 

Perguntas e repostas.

 

Pergunta nº 7: Sonhos com o dia a dia

 

Locutor - Professor, a ouvinte Antônia Sanches Barreto, da Rua Bacanga, Vila Carrão, nos escreve dizendo:

 

Sou espírita há muitos anos. Frequento um centro com “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e as obras de Allan Kardec. Procuro sempre me elevar espiritualmente, mas como o senhor sabe, estamos num plano de provas e resgates. Quando sonho, aparecem fatos que se passaram durante o dia. Será que eu sou muito sensível ou materialista? Não me considero materialista. Não tenho ilusões, porque sei que nada levamos daqui e sim as obras que praticamos, seja boa ou má.

 

J. Herculano Pires - A senhora pode estar certa de que não é materialista, é evidente. Porque se a senhora fosse materialista, a senhora então não se importaria com problemas espirituais. A sua sensibilidade deve ser normal, natural. O fato de a gente lembrar nos sonhos de acontecimentos do nosso estado de vigília, dos momentos em que passamos acordados, esse fato é comum, é natural. Todo sonho mistura muito os fatos da vida cotidiana, muitas lembranças dos dias que passaram mais recentes. Não há motivo nenhum para preocupação nesse sentido. Acho que a senhora não tem problema nenhum nesse caso. Deve, isto sim, continuar a frequentar o centro, a ler espiritismo e principalmente a estudar “O Livro dos Espíritos”, por sinal que nesse livro a senhora encontra uma bela explicação sobre o problema do sonho à luz do espiritismo. Justamente por isso, vou lhe fazer um presente de irmão. A senhora receberá “O Livro dos Espíritos”, edição da editora Lake, através deste programa. E a senhora pode procurá-lo a partir de segunda-feira no escritório da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga, 46, 11º andar, conjunto 1.111.

 

Download Pergunta nº 8: Dificuldade do espírito em sua manifestação

 

Locutor - O ouvinte Pedro Arnaldo Ribeiro, da Rua Particular, Tatuapé, nos faz as seguintes perguntas:

 

Professor, qual é a explicação para a materialização de espíritos em que a entidade se apresenta completamente envolta num véu ectoplásmico, como se tivesse enleada em vários metros de filó? Não seria o caso do não reconhecimento do espírito, porque sempre ele se identifica completamente. Percebe-se que não é uma necessidade intrínseca ao fenômeno, mas sim acidental, porque há casos em que a entidade se apresenta totalmente livre desse véu misterioso.

 

J. Herculano Pires - As explicações dadas pelos pesquisadores, tanto no campo da meta psíquica como no espiritismo, são as de que quando o fantasma não se completa, não tem a possibilidade de retirar do médium os elementos necessários através disso que o senhor chamou de ectoplasma – e que realmente é a designação metapsíquica do material fornecido pelo médium –, quando o espírito não tem a possibilidade de retirar material suficiente para uma materialização completa, ele se serve desse recurso. Ele se reveste, por assim dizer, de uma espécie de véu que encobre as partes não completamente materializadas, para ele poder se manifestar.

 

Essas são as explicações que nós temos a respeito desse fenômeno e coincide perfeitamente com o que o senhor diz, que não é um fenômeno constante na manifestação do espírito, mas sim que ocorre de vez em quando de acordo com as circunstâncias. É quando naturalmente o médium não está dispondo do ectoplasma suficiente para uma materialização perfeita ou completa.

 

Download Pergunta nº 9: Materialização no escuro

 

Locutor - Quais as precauções para que o fenômeno de materialização possa ser realizado a plena luz sem ocorrer nenhum perigo para o médium? Seria já iniciá-lo à luz ou deve haver outros cuidados? J. Herculano Pires - Este é um problema também bastante discutido no campo da pesquisa do fenômeno de materialização. E é preciso salientarmos o seguinte: eu não sei que sessões o senhor está frequentando, porque o senhor não diz nada a respeito, mas eu gosto sempre de advertir os nossos ouvintes a respeito. O fenômeno de materialização é o fenômeno que interessa particularmente à pesquisa científica. A mania que se tem no meio espírita de fazer fenômenos de materialização para efeitos doutrinários é errônea.

 

Quando se trata de doutrina, nós temos as sessões comuns de manifestação psicofônica, ou seja, de manifestação através do próprio médium. Não é necessário, portanto, fazer com que o espírito se materialize para que ele dê uma comunicação ou para que ele nos traga algum auxílio. Isso é um erro, um erro que tem resultado em muitos lugares no meio espírita, no aparecimento de mistificações lamentáveis. Porque quando os espíritos não estão em condições de se manifestar materializados e o médium sentindo a pressão ambiente, o interesse dos presentes pela manifestação materializada, ele é levado muitas vezes inconscientemente ou semi-conscientemente a mistificar uma materialização que na verdade não existe. Isso é muito auxiliado pela escuridão reinante no ambiente dessas sessões. De maneira que eu sou contrário a sessões de materialização nesse sentido. Não quero dizer que somente cientistas categorizados podem fazer pesquisas da materialização. Não. Também espíritas que tenham conhecimento científico do assunto podem fazer essas sessões. Mas são sessões experimentais. Não são sessões propriamente doutrinárias. São sessões que tem por finalidade descobrir inclusive as leis que regem o fenômeno da materialização e ver também até que ponto essas materializações podem se processar e quais as consequências que decorrem dela para os médiuns e para os assistentes. São sessões, portanto, de pesquisa científica. Não podem ser sessões normais em centros espíritas ou grupos espíritas.

 

Apesar disso, sabemos que várias pessoas fazem essas sessões, mas temos esperança de que pouco a pouco se compreenda esse problema no meio espírita.

 

No tocante ao problema da luz, que é também bastante discutido, como dissemos, é preciso observar o seguinte: há médiuns que não podem produzir fenômenos à plena luz. Eles necessitam de uma cabine escura num canto da sala onde não se faça luz para que ele produza a emanação do ectoplasma. Então esses médiuns não são aptos a produzir materializações em plena luz. Mas nem por isso é preciso que as sessões sejam feitas em escuridão completa. Para isso é que existe a cabine, a cabine escura resguarda o médium de qualquer efeito da luz. Uma vez produzida a materialização, ela pode sair à plena luz.

 

Costuma-se fazer nas experiências desse tipo a sessão com uma luz vermelha ou uma luz azul, um luz enfim, atenuada pela coloração ou mesmo uma luz de fraca potência para que não haja incidência perigosa da luz sobre o fenômeno em desenvolvimento. Porque o que torna perigoso, neste caso, o efeito da luz, é precisamente a incidência aguda sobre as formas em desenvolvimento na materialização. Porque elas sofrem um impacto com a luz viva e podem realmente afetar o médium ou prejudicá-lo de uma forma ou de outra.

 

Dessa maneira, para se saber quando se pode fazer uma sessão à plena luz, tem de se começar as experiências com a cabine e com a luz de uma certa coloração ou de fraca potência. Pouco a pouco se vão então obtendo os resultados.

 

Mas eu insisto em acentuar que essas sessões só devem ser tentadas quando dispomos de pessoas de cultura e de conhecimento científico para poderem realmente aquilatar o que está se passando e orientar os trabalhos de maneira a se obter resultados positivos.

 

Não adiantaria nada fazermos numerosas sessões de materialização, obtendo fenômenos que não ficam comprovados e que não dizem nada e que apenas servem para satisfazer a nossa curiosidade momentânea. E a curiosidade, neste assunto, é sempre perigosa.

 

Download Pergunta nº 10: Ectoplasmia

 

Locutor - E ainda o nosso ouvinte pergunta se o fenômeno de ectoplasmia é controlado pelas entidades materializantes ou por espíritos guias.

 

J. Herculano Pires - Dizia o Dr. Gustavo Geley, que foi presidente do Instituto de Metapsíquica Internacional de Paris e que foi um fisiologista e um grande pesquisador espírita, dizia o Dr. Geley que nas suas experiências ele verificou a existência do controlador. O controlador do fenômeno, que é um espírito guia, um espírito protetor, que dirige as sessões e orienta os trabalhos. Esse espírito mais elevado controla então os efeitos do ectoplasma. Como o senhor deve saber, o ectoplasma é a matéria que sai do corpo do médium para revestir o espírito a fim de que ele possa aparecer tangível, nesse fenômeno que Kardec chamava de aparições tangíveis.

 

Assim sendo, nós sabemos que o controle das sessões exige do próprio mundo espiritual uma equipe de trabalhadores especializados. Como podemos nós entregar-nos a esses trabalhos sem termos do nosso lado um controle correspondente de pessoas que conheçam bem o assunto e que nos assegurem a validade dos fenômenos ocorridos?

 

Download Pergunta nº 11: Chico Xavier

 

Locutor - Temos ainda em mãos outra carta deste mesmo ouvinte, Pedro Arnaldo Ribeiro:

 

Prezado professor, não pretendo fazer crítica, mas desculpe ter que dizer que me causa estranheza a adesão de Chico Xavier ao Festival de Música Jovem a realizar-se no dia 16 do corrente, segundo os anúncios que tenho ouvido nessa emissora, e tomei conhecimento também por um convite que tive em minhas mãos relativo a esse festival. Sei que o escopo é filantrópico e que talvez deva ter caráter popular. Seria melhor que se apresentasse uma peça teatral em pequena temporada ou se realizasse um concerto sinfônico cuja renda teria a mesma finalidade. Mas o que lamento é ver o nome do Chico fomentar uma programação de nível baixo como essa. Parece-me que o Chico não toma qualquer decisão à revelia do Emmanuel. Neste caso, teria ele tido aquiescência do venerável espírito ou foi uma resolução sua?

 

Os dois programas Pinga Fogo, em que o médium, participou realizaram-se em termos altos e, graças à enorme difusão que tiveram, serviram também para mais prestigiar o nome do homenageado e difundir a doutrina. Pelos dedos se conhece o gigante. Basta tratar-se de um festival de música jovem para se saber que a categoria é inferior. E ao ler o convite tive uma ideia corroborada nos termos em que foi redigido. Não deixemos que os adversários da doutrina se valham de uma situação dessa como fontes de elementos para seus ataques! Peço uma opinião sua.

 

J. Herculano Pires - É louvável o seu zelo pela doutrina, louvável o seu zelo também pelo médium Chico Xavier. Mas precisamos considerar alguns aspectos do problema.

 

Primeiro, a sua ojeriza que é uma coisa quase que puramente pessoal contra a música jovem. Por que a música jovem tem de ser de nível baixo? Somente porque a música jovem não acompanha a elevação, por exemplo, de uma música clássica? Mas é um esforço da juventude atual no campo musical. E a música é sempre uma forma de transcendência!

 

O espírito através da música se eleva. Mesmo quando essa música se banalize tratando apenas de problemas do momento em que nos encontramos.

 

Mas nós sabemos que a música jovem não é toda assim. Há muita e boa música jovem. Portanto, um festival de música jovem não deve nos dar impressão de que estamos diante de algo impróprio para o espiritismo.

 

O senhor fala num concerto sinfônico, num espetáculo teatral, e por que desprezar a apresentação de um cantor jovem, conhecido, aplaudido, amado, estimado em todo Brasil e inclusive vitorioso no exterior? Que haveria contra Roberto Carlos? Simplesmente por ele cantar música jovem, deveríamos afastá-lo das manifestações espíritas? Não. Tenha paciência meu prezado amigo, mas não concordo com essa sua posição e acho que Chico Xavier fez muito bem, não de aderir, porque ele não aderiu, mas de aceitar, isso sim, a adesão de Roberto Carlos. O que interessava a Chico Xavier era a promoção de um festival beneficente para obras espíritas que necessitavam de auxilio e de apoio. Ora, o que fez Roberto Carlos foi dar a sua adesão a Chico Xavier nesse sentido e levar a ele a sua colaboração valiosa.

 

Aliás, sabemos que o festival decorreu de maneira muito feliz. O festival ocorreu mesmo num plano artístico e espiritual que agradou perfeitamente a todos aqueles que compareceram.

 

Se Emmanuel se opusesse a essa realização, impedindo Chico Xavier de comparecer ou dizendo a ele que não comparecesse, Emmanuel estaria revelando uma espécie de preconceito que não se justificaria num espírito elevado. Nós devemos ter a nossa mente aberta para os processos da evolução do mundo em que nos encontramos. A juventude que aí vem é a população da Terra no amanhã. A juventude que aí está prepara novos caminhos para a evolução espiritual do mundo e traz a sua contribuição.

 

Se há muitos abusos e muitos extravios entre os jovens, também há muita pureza de intenção, muita beleza espiritual no que muitos deles fazem. E no campo da música, nós só temos de reconhecer que as suas tentativas são tão válidas como as tentativas das gerações anteriores, pois toda mocidade sempre começou procurando renovar o ambiente em que se encontra, e a mocidade que não procura renovar esse ambiente, não é mocidade.

 

Assim não temos motivo nenhum para negar a Chico Xavier o direito de participar, de estar presente, a um festival dessa natureza, que foi um festival digno em todos os sentidos.

 

No tocante à linguagem em que foi redigido o convite, é claro que em se tratando de um festival de música jovem, foi usada a linguagem jovem, a linguagem dos jovens atuais. E essa linguagem não têm em si mesma nada de condenável. Apenas são tentativas de expressões novas que os jovens procuram. É mais uma revelação do espírito juvenil, a necessidade que têm os jovens de construírem por si mesmos, graças ao poder criador do espírito humano – poder criador que como sabemos é uma dádiva de Deus ao homem, porque só o homem na Terra tem esse poder –, através desse poder criador, criarem também uma linguagem nova para o futuro.

 

Nós hoje, por exemplo, não falamos o português quinhentista, nem o setecentista. Nós já falamos um português renovado, transformado pela evolução dos tempos e pela sucessão das gerações. Os jovens de hoje estão procurando construir uma linguagem mais plástica, mais de acordo com suas necessidades de expressão, para o dia de amanhã. Não há motivo nenhum para nós os condenarmos nesse sentido. Pelo contrário, eles merecem até, e isto sim, o nosso aplauso.

 

No tocante ao que nós poderíamos chamar os protestos que pudessem vir dos adversários ou a condenação dos adversários à doutrina, ao médium e mesmo às instituições espíritas que se beneficiaram com esse festival, o senhor não deve se preocupar muito. Os nossos adversários nunca precisam de pretexto para nos atacar. Eles têm os pretextos a hora que quiserem, porque basta dizerem que nós estamos fora das normas seguidas pelas suas religiões, ou estabelecidas pelas suas instituições, para que eles nos ataquem. Nunca eles precisaram que nós lhes déssemos pretexto algum para que eles nos atacassem.

 

Download Pergunta nº 12 Força da prece

 

Locutor - A ouvinte Vera Maria nos telefonou e gostaria que o senhor desse o nome do livro que traz uma oração para cada dia do nascimento das pessoas.

 

J. Herculano Pires - Eu não conheço esse livro. E acredito mesmo que não exista no meio espírita um livro especial para isso. Porque não há motivos para termos uma oração para cada dia de nascimento das pessoas. Isto deve estar ligado naturalmente à astrologia, não ao espiritismo.

 

É claro que em certas religiões e em certas crenças, particularmente lá no oriente, usa-se muito este processo. Mas no espiritismo não usamos isso. A prece não depende particularmente de uma forma, de uma determinada estrutura verbal que nós tenhamos de repetir. A prece, para ser válida, deve partir do coração. Deve partir do sentimento, carregada do sentimento que nós realmente alimentamos a respeito daquilo que desejamos alcançar. A nossa fé e o nosso sentimento unidos, e o nosso desejo de dentro do princípio do amor beneficiarmos os outros, são estes os elementos que dão validade e eficácia à prece.

 

Não importa o dia em que a pessoa nasceu. Isto não tem importância nenhuma. O que tem importância é nós fazermos a nossa prece convictos de que ela terá os seus efeitos, uma vez que será ouvida pelos espíritos protetores e chegará naturalmente as instâncias da espiritualidade onde ela poderá ser recebida e deferida como se fosse um requerimento que nós dirigíssemos a uma repartição oficial aqui na Terra.

 

Nenhuma prece deixa de ser ouvida e nenhuma prece deixa de ter a sua resposta, embora muitas vezes nós não compreendamos a resposta que recebemos. É preciso, pois, pormos de lado no meio espírita todas essas tentativas de ligar a prece a certos elementos que não correspondem nem ao cristianismo, nem ao espiritismo, que é como sabemos o cristianismo na sua revivescência após todas as transformações que sofreu na sua ligação com as demais religiões do mundo.

 

Download O Evangelho do Cristo em espírito e verdade, não segundo a letra que mata, mas segundo o espírito que vivifica.

 

Abrindo o Evangelho ao acaso, encontramos na epístola de Paulo aos Romanos, no capítulo quatorze do versículo um ao quatro: “mas acolhei o que é fraco na sua fé, não para discutir as suas dúvidas. Um crê que pode comer de tudo, mas o que é fraco come legumes. Quem come, não despreze aquele que não come. E quem não come, não julgue aquele que come, porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio amo está em pé ou cai, mas ele estará firme. porque poderoso é o senhor para o firmar”.

 

Este trecho da epístola de Paulo aos Romanos nos mostra como a vida humana na Terra se processa de uma forma de repetição constante. Tinha razão, portanto, o Eclesiastes ao dizer que não há nada de novo sob o sol. Vemos que na igreja primitiva do cristianismo, quando o cristianismo era divulgado pelo mundo e quando Paulo, como nós sabemos, o grande baluarte da propagação do cristianismo no mundo inteiro, lutava desassombradamente para que a verdade cristã se implantasse na Terra, nós vamos encontrar nos agrupamentos das igrejas nascentes os mesmos problemas com que hoje nos defrontamos tanto no meio espírita quanto no meio das demais correntes de pensamento cristão. Por que motivo queremos sempre julgar o nosso semelhante? Por que queremos sempre condenar as suas atitudes, a sua maneira de agir, pensando que ele deve agir de acordo com a nossa maneira de agir? Por que isto? Certamente, porque não compreendemos ainda as lições espirituais que recebemos do cristianismo em qualquer das suas escolas vigentes hoje na Terra.

 

O Evangelho é um só para todas as correntes de pensamento cristão e em todo o Evangelho nós estamos sempre sendo advertidos de que não devemos julgar para não sermos julgados. Mesmo porque o nosso juízo é bastante estreito, bastante pequeno, reduzido ao nosso próprio eu, à nossa visão pessoal, muito particular, para nós sabermos, às vezes, quais são os motivos que determinam certas atitudes e posições dos nossos irmãos. Condenar, por exemplo, aqueles que comem carne ou aqueles que se abstêm de carne, aqueles que bebem vinho ou os que se recusam a tomar qualquer bebida de teor alcoólico, condenar enfim, os que preferem isso ou aquilo e que de acordo com o nosso ponto de vista pessoal, cometem erros na sua escolha.

 

Tudo isso não é nada mais, nada menos do que violar os ensinos do Cristo e atentar contra o princípio da fraternidade humana, do amor ao próximo, que nós devemos alimentar dentro de nós. As condenações indevidas tornam-se muitas vezes ridículas, porque nós não conhecemos os problemas pessoais de cada um, não podemos penetrar no íntimo de cada um e saber até onde essas pessoas estão apoiadas, para na realidade agir como agem. Há os que condenam no meio espírita, como nos demais meios das correntes cristãs de pensamento e de religião, condenam os outros por qualquer ato, por qualquer atitude, pela maneira com que se vestem, pela maneira com que falam, pela maneira com que andam na rua, pelos amigos que ele escolhe e assim por diante.

 

Não nos esqueçamos de que os judeus formalistas do tempo de Jesus condenaram o próprio Cristo pelo fato dele sentar-se à mesa com os republicanos e pecadores. E, no entanto, ao fazer isto, Jesus estava abrindo uma nova perspectiva para a humanidade, criando uma nova civilização, iniciando um novo mundo na Terra, um mundo da compreensão espiritual que sobrepujava de muito todos os horrores do paganismo e do mundo pagão, deixando para traz, portanto, uma etapa profundamente dolorosa da evolução [inaudível]. A fim de avançarmos com mais facilidade para um mundo melhor. Ouçamos, pois, o ensino de Paulo como se fosse dito para nós hoje, neste momento em que aqui nos encontramos.

 

No Limiar do Amanhã, uma tribuna livre.

 


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